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Dilma não tem nada a ver com o preço do tomate?

Dilma vendeu a notícia de que desonerou impostos da cesta básica. Por que não lembram disso ao falar do preço do tomate?

tomate

“Os brasileiros estão ficando mais fortes. Há quinze anos, eram necessárias duas pessoas para carregar dez reais em compras feitas na mercearia da esquina. Hoje, um garoto de cinco anos consegue fazer isso sozinho.”
~ Adaptado de Henny Youngman, pelo portal Libertarianismo 

O Fantástico dessa semana mostrou como o preço dos alimentos subiu de 2011 para hoje. Entre aumentos de preços beirando (ou ultrapassando) 100% em um único ano, o destaque, como todos já sabem, é o preço do tomate: de cerca de R$ 3 o quilo, disparou para 10 rousseffs. O tomate é vendido em algumas feiras a R$ 1 a unidade.

A moda dos setores petistas é afirmar que todas as notícias ruins que existem no Brasil desde 1.º de janeiro de 2003 são invenções maquiavélicas da “mídia”, desesperada para defender um capitalismo desenfreado e morrendo de inveja das “conquistas sociais” do governo Lula (basta ver os comentários de qualquer notícia a respeito do PT, seja o mensalão, o apoio de Lula a Kadafi ou o crescimento pífio da economia).

Todavia, naquele lugar chamado realidade que alguns militantes partidários tão pouco gostam de freqüentar, as coisas são sobremaneira diferentes.

Uma semana com a notícia do preço do tomate sendo bombardeada para cima e para baixo até para quem nunca pisou num supermercado a não ser pra comprar lasagna congelada, ninguém da tal mídia malévola, que existe unicamente para espezinhar o coitado do Lula e a guerreira Dilma, parece ter ligado alguns pontos importantes.

Tudo o que foi explicado é que os produtores de tomate tiveram prejuízo no ano passado, portanto diminuíram a oferta esse ano, encarecendo o produto. As fortes chuvas também complicaram a pizza e o molho sugo.

O mais chocante é saber que tudo isso poderia ter uma compensação enorme da parte do governo. Ora, Dilma, no Dia Internacional da Mulher, interrompeu a novela para fazer um pronunciamento importantíssimo à nação: estava desonerando os impostos da cesta básica como um presente pessoal dela às mulheres brasileiras. Era tão generoso que dava a impressão de que nossa presidente estava tirando dinheiro do próprio bolso e jogando para as donas-de-casa quase como o Sílvio Santos fazia com aviõezinhos pra platéia.

Obviamente, Dilma estava agindo no cambalacho. Nós mostramos em um minuto como Dilma, na verdade, havia vetado um projeto idêntico da oposição, para depois tentar vendê-lo como bondade pessoal.

A tal da mídia malévola não juntou pontos para mostrar ao país como Dilma agia, assim, com certos ares de “inverdade” por questões outras.

Pior: mesmo assim, graças ao problema com a oferta (lição de economia, básico 1), os preços da cesta básica subiram ao invés de caírem. As notícias pipocam pela imprensa desconexas, como meros acidentes, sem um antes e um depois, sem uma narrativa que mostre os fatos encadeados. Tudo é apenas um espasmo do espaço-tempo político.

Afinal, o que aconteceu com a baixa tributação? Não serviu para nada? Ninguém exigirá explicações da presidente?

A economia brasileira passa pelas mãos do Estado de maneira pornográfica. No mínimo 40% da riqueza brasileira fica para o Estado (que distribui esmolas que chegam a R$ 2 para os pobres e, ainda assim, é “justificado” por suas “conquistas sociais”). É de se estranhar que o montante de lucro ou prejuízo de uma fazenda que venda tomates não tenha efeito nenhum dependente de impostos que deve ao Leviatã preferido de nossos militantes e ideólogos politizados, tudo sendo devido ao “clima”. Mas esfriou hoje, hein?

Enquanto o governo não lança o “Meu tomate, minha vida”, e o Ministério da Agricultura alardeia, no típico tom de “nunca antes’ do PT: “Os números não mentem: 2012 foi o melhor ano da história para o agronegócio brasileiro, [com] a maior safra da história: 166,2 milhões de toneladas”, oferecendo (claro) “R$ 115 bilhões para custeio, comercialização e investimento” ao produtor (nada paradoxal, se toda a cesta básica ficou mais cara, e ninguém pede satisfação a quem está bradando mais de 100 bilhões de tostões como algo que pode ser, assim, “dado”?), outra notícia chama a atenção para completar o imbróglio.

Sem Guido Mantega anunciar redução do IPI para o tomate, que em 12 meses aumentou 104,11%, restou aos brasileiros que moram perto da fronteira com a Argentina estão comprando tanto tomate do outro lado da fronteira que o produto está desaparecendo por lá também.

Claro, o chefe do Ministério da Agricultura, muy simpático, afirmou que isso é ilegal: “Esse tomate também não pode entrar porque ele não está sendo feito uma exportação, não tem certificado sanitário nacional. Está sendo contrabandeado”.

Contrabando de tomate. Logo logo será tipificado do lado da heroína. É o PT trabalhando por você. Afinal, dizer que te “deu” dinheiro ou “diminuiu” impostos soa bonitinho, os militantes adoram esfregar isso na cara de seus desafetos.

Notar que não adianta “dar” dinheiro, se o dinheiro compra menos através da inflação, é a conta que ninguém consegue fazer (e a população, que não sabe o desespero que significa crescer apenas 0,9% e estar só 0,9% mais rico do que no ano anterior, vira bucha de canhão fácil dos planos econômicos acachapantes do governo). Se o fizessem, fugiriam espavoridos do PT assim que notassem o quanto esse partido os faz perderem e onera mais os pobres do que os ricos, macaqueando bonito os números.

Aliás, toda conquista econômica nacional de um país de dimensões continentais é colocada no bolso eleitoral do PT. Já seus fracassos, claro, são culpa da “chuva”, e de um prejuízo no ano anterior que “esqueceram” de explicar o motivo tributário.

Mas, a propósito, não choveu do outro lado da fronteira?

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24 Comentários

24 Comments

  1. alexandre

    14 de abril de 2013 at 19:34

    Será porque a Argentina não vive um controle de preços desde o início do ano ? Vc não lê notícias sobre a economia argentina. Lá está em vigor um controle informal de preços entre o governo e os supermercados. Mas a causa não é essa sobre a diferença de preços do tomate. As fortes chuvas são a causa. É patético essa oposição tucana e da mídia. Com uma oposição de dá ênfase a uma inflação de custos causado por chuvas, a Dilma ganha fácil em 2014.

    • Flávio Morgenstern

      14 de abril de 2013 at 22:44

      Isso, a chuva, por mais que os próprios agricultores tenham dito que o transporte ajudou a apodrecer, que tenham diminuído a demanda desde o ano passado por razões óbvias sem chuva nenhuma numa economia em que quase a metade do dinheiro passa pelo governo… mas só quando preço sobe que o governo não tem nada a ver com isso. Viva Dilma e Lula, homens perfeitos, verdadeiros anjos. E sugiro que leia mais o vermelho.org, um site perfeito pra você.

    • Sandro P

      18 de abril de 2013 at 09:57

      Ai ai ai….
      Flávio, os argumentos do Alexandre são uma comédia.
      Quer dizer que o problema foi a chuva. Que legal! Nunca havia chovido no Brasil, especialmente em SP, MG e GO, no início do ano. Então este ano choveu e o preço do tomate foi às alturas. KKKKKKKKKKKKKKK QUESTÃO GEOGRÁFICA!!!!!! KKKKKKKKKK
      E o argumento da Argentina, então? O que é isto?
      Quer dizer que o preço do tomate está controlado e aí sobra mercadoria?
      Engraçado, pois as notícias falam o contrário. Está faltando mercadoria com o preço controlado. Quem vai a Argentina com alguma frequência percebe isso. E eu tenho ido.
      Abraços.

      • Flávio Morgenstern

        20 de abril de 2013 at 14:11

        Poi zé, Sandro: ideologia é cabresto. :)

  2. alexandre

    14 de abril de 2013 at 07:58

    Os maiores produtores de tomate são Goiás, São Paulo e Minas Gerais. Os dois últimos sofreram com as fortes chuvas do início do ano. Aí é uma questão básica de geografia. Esses três estados não fazem fronteira com a Argentina.

    • Flávio Morgenstern

      14 de abril de 2013 at 13:34

      Pra um aumento que acontece desde o ano passado, e misteriosamente não afeta uma fazenda do outro lado da fronteira (o Paraná também produz muito, e é de lá que saiu a reportagem citada), você tá mesmo desesperado para defender sua querida presidente, tentando espremer a realidade por falta de tomates.

  3. alexandre

    13 de abril de 2013 at 20:29

    Qual a sua explicação para um aumento de mais de 100% do tomate de uma hora para outra senão choque de oferta ? Todos resolveram só comer tomate de uma hora para outra ? Produtores de tomates dizem que as fortes chuvas do início do ano prejudicaram a colheita. Eles estão errados ? São petistas ?

    • Flávio Morgenstern

      13 de abril de 2013 at 21:25

      Magina, só choveu de um lado da fronteira e não choveu na Argentina.

  4. alexandre

    13 de abril de 2013 at 13:25

    Pessoas com um mínimo conhecimento de economia sabem que o tomate subiu por causa das chuvas. É o chamado “choque de oferta”. Percebo que o curso de economia não está no seu currículo de estudante profissional.

    • Flávio Morgenstern

      13 de abril de 2013 at 16:08

      Isso, chova gera “choque de oferta”. Realmente, não sou um profissional gabaritado como você.

  5. francisco

    11 de abril de 2013 at 17:29

    Apenas para deixar claro que quando digo “muito acima da inflação”, leia-se IPCA!

  6. francisco

    11 de abril de 2013 at 17:29

    Flavio, tudo bem?
    Leio seus textos regularmente, porém gostaria muito de ver um texto em que você pudesse escrever sobre o aumento MUITO acima da inflação do INPC e IPC classe 1 que representa a inflação para quem realmente ganha pouco. Além disso, seria animal ver uma análise sobre o governo obrigar a segurar o aumento do ônibus e quebrar a petrobras para segurar o aumento da gasolina.
    Um abraçao e por favor continue denunciando tudo, inclusive quando houver falhar da oposição.

    • Flávio Morgenstern

      13 de abril de 2013 at 16:12

      francisco, às vezes há tanta coisa para ser comentada que me perco. Sem falar que há trabalho, estudo, namorada e 3 videogames para serem alimentados. Vamos ver se consigo comentar algo, mas boa idéia. Abraço!

      • francisco

        15 de abril de 2013 at 14:20

        Valeu apenas por ter lido e respondido o comentário.
        Acredito que essas formas de análise são interessantes e ninguém faz muitos comentários. Porém, esses altos indices medem como o dinheiro do “povão” vem perdendo valor.
        Enfim, continue esse brilhante blog que crítica quem tem que ser criticado, independente de ser petista, comunista, negadores da negação ou oposição!
        Um abraço,

      • Flávio Morgenstern

        15 de abril de 2013 at 15:22

        A honra é minha, francisco! :)

  7. Mario

    11 de abril de 2013 at 01:57

    De uma maluca que quebrou uma loja de 1,99 na época em que aquilo dava dinheiro, eu não duvido mais de nada…

  8. Bruno

    10 de abril de 2013 at 21:51

    Vais dizer que tomate (que ironicamente é vermelho do mesmo partido!) vai ser responsável pela derrota das promessas não cumpridas??? Coisa estranha…

  9. paola

    10 de abril de 2013 at 18:38

    e claro que ela tem a ver e imposto bjs

  10. Debora Nascimento

    10 de abril de 2013 at 11:53

    Por que só de um mês para cá vem falando do tomate? Para qualquer pessoa, dona de casa, que compra mensalmente alimentos no mercado, é fácil observar a alta dos preços desde o começo do ano passado, no qual o kg do tomate chegou a custar BRL 9.00.
    Concordo que o aumento dos preços e o jogo político estão completamente interligados, no entanto, seria interessante não se ater somente ao que a mídia escolhe divulgar e quando divulgar. Esse tanto de notícias e piadas sobre o tomate (bla bla bla bla) me parecem (embora afetem diretamente a minha vida) parte do mesmo jogo que a mídia insiste em jogar quando só fala do Feliciano, por semanas ininterruptas, enquanto o circo se arma dentro do Senado.

    • Flávio Morgenstern

      13 de abril de 2013 at 16:21

      Debora, o que achei curioso é que a tal da “mídia” NÃO associou o preço do tomate aos discursos furados da Dilma prometendo o oposto. Ninguém cobrou a presidente até as capas de revistas desta semana, que foram posteriores a este artigo.

  11. Geraldo Antunes Pereira

    9 de abril de 2013 at 16:35

    Mto ironico o texto… quase divertido! Mto Bem pago (provável)… Essa militancia TUCANAlha bem remunerada é mto criativa! Rss. Por isso q apanha nas urnas… criticas, só no deboche!

    • Flávio Morgenstern

      11 de abril de 2013 at 09:53

      Argumentos? E estranho que um site com seção dedicada a escangalhar a oposição seja “pago”, enquanto a militância petista é tão docinho de coco.

  12. Thiago

    9 de abril de 2013 at 14:57

    As piadas com os tomates estão começando a ficar massantes =(

    • Airton

      10 de abril de 2013 at 22:31

      É de nhoque , lazanha ou da especialidade do país : a PIZZA ?

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