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Direitos Humanos não são urgentes em Cuba, para Patriota

Antonio Patriota cumprimenta o ministro das Relações Exteriores Bruno Rodriguez

por Flavio Morgenstern

O chanceler brasileiro Antônio Patriota foi ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, afirmar polida e disfarçadamente que Direitos Humanos são coisa de Estados burgueses. A notícia é de Clóvis Rossi na Folha:

O chanceler brasileiro Antônio Patriota afirmou ontem em Davos, na Suiça, que a situação dos direitos humanos em Cuba “não é emergencial”. Por isso, a presidente Dilma Rousseff não vai falar sobre o tema em visita à ilha na próxima semana, informa reportagem de Clóvis Rossi publicada na edição deste sábado da Folha.

Há uma mensagem clara aqui: cada vez mais, grupos pressionam a presidente Dilma Rousseff para tomar uma atitude em relação às violações aos direitos humanos cometidas em países aliados a seu governo. Não há nenhuma notícia até o momento de que alguma das O”N”Gs e outras entidades que vociferam repetidamente o bordão “Direitos Humanos” tenha se interessado pela causa. Apenas pessoas que são contra tortura e ditadura (que, aparentemente, são maioria na população, mas não em ONGs de Direitos Humanos) se manifestaram.

Antonio Patriota cumprimenta o ministro das Relações Exteriores Bruno Rodriguez

Antonio Patriota e o ministro das Relações Exteriores Bruno Rodriguez

Dilma Rousseff viaja para Cuba na próxima semana. A blogueira perseguida política Yoani Sánchez pediu, há algumas semanas, ajuda à presidente Dilma para conseguir visitar o Brasil. A blogueira, ridiculamente difamada por setores anti-democráticos da esquerda sob a acusação de ser “financiada pela CIA”, demonstrou admiração pela trajetória de perseguida política de Dilma durante a ditadura (também não fica claro se Yoani sabe que Dilma foi perseguida mormente após ajudar o então namorado a trocar os dólares roubados do cofre da amante de Adhemar de Barros por moeda nacional). A notícia com o pedido de Yoani foi bastante veiculada na internet.

O recado de Patriota é explícito: Dilma não irá falar sobre direitos humanos, nem sobre Yoani Sánchez. Para Patriota, a situação dos direitos humanos em Cuba não é tão urgente quanto em vários outros lugares do mundo – logo, não há motivo para se comentar o caso durante uma visita a uma das ditaduras mais longevas em atividade no mundo.

Duas ilações surgem deste pensamento. A primeira é que, de fato, Cuba não é um país tão fechado e hostil como a Coréia do Norte, o Irã, o Zimbábue, o Haiti. Conforme a excelente Carta para a Dilma sobre Cuba, de Celso Barros, publicada no Amálgama, um detalhe importante é que a voz do PT pouco significaria se criticasse a Coréia do Norte, o Irã, o Zimbábue, o Haiti ou parte das eternas teocracias islâmicas (com um adendo: o PT ainda é responsável moral por negociar com tais ditaduras, visto que setores progressistas sempre lembram das relações discutíveis dos EUA com algumas ditaduras mundo afora). Entretanto, a voz do PT faz muita diferença se criticar Cuba. Muitos quadros do PT são ligados ao regime semi-monárquico dos Castro até hoje, incluindo figuras do alto escalão, como José Dirceu, Marco Aurélio Garcia e Tarso Genro.

Some-se a isso a luta do PT contra a ditadura militar brasileira, que foi numericamente muito mais banda que a cubana. O PT surgiu reunindo as esquerdas em nome de um ideal de abertura democrática, ainda que sob discurso socialista (seja lá o que for “socialismo democrático”), agrupando diversos ramos da esquerda, fazendo justamente com que abandonassem as armas e o terrorismo. É portanto inconcebível que o PT não critique violações aos direitos humanos, seja nos EUA, em Israel, na Inglaterra, na Alemanha ou na gestão tucana de São Paulo. Mas também completamente inconcebível que o partido se alie aos piores ditadores vivos do mundo e silencie sobre os crimes dessas ditaduras: e a lista vai de Cuba e Líbia até mesmo o Irã e uma tentativa de aproximação com a Coréia do Norte, orquestrada justamente pela gestão petista do Itamaraty. Ou seja: mesmo que seja verdade que outros lugares do mundo têm violações aos direitos humanos mais urgentes do que Cuba, o PT também se alinhou com diversos desses regimes.

Dilma, portanto, já vai blindada de tecer qualquer comentário sobre uma ditadura mais feroz do que a que a capturou armada na Rua Augusta, sob o argumento de que “há ditaduras piores” (imagine o mesmo argumento usado para dizer que Dilma, portanto, não pode reclamar de seu passado como torturada, visto que a ditadura dos Castro é mai sanguinária). É uma atitude discutível. Não sou católico (nem cristão), mas o papa veio pro Brasil rezar missa no alto de uma favela no Rio de Janeiro. A Dilma se recusa a comentar a situação dos presos políticos em Cuba, duas semanas depois da morte de mais um deles por greve de fome  (será um traidor ou mercenário, como já acusaram?). Isso nos coloca diante de um dilema: podemos confiar mais no Opus Dei, na TFP e na Montfort ou em um petista?

A declaração de Patriota ainda vem em momento infeliz: por uma semana petistas enviaram até para a ONU o caso de violações aos direitos humanos no Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). Ora, até mesmo o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) afirmou que abusos cometidos pela polícia deveriam ser investigados. Não foi o suficiente para grupos da esquerda totalitária brasileira pecharem Alckmin até de “nazista”, inclusive com imagens caluniosas hospedadas em sites dos líderes da blogosfera progressista.

Cesare Battisti com deputados do PTTambém ocorreu na semana seguinte ao desfile do homicida italiano Cesare Battisti, acusado de 4 assassinatos a sangue frio na Itália, no Palácio Piratini (sede do governo gaúcho), recebendo afagos de Tarso Genro. O motivo da festa é que Battisti estará logo lançando seu livro, na condição de “perseguido político”. Porém, se o assassino merece tal oferenda, Patriota já afirma de antemão sobre a dissidente cubana: se pedir asilo ao Brasil, terá de abandonara seu blog. Ou seja: a “atividade política” é proibida aos exilados políticos. Porém, Yoani não faz campanha para ninguém: apenas, como todo exilado político, de Salman Rushdie a Vladimir Herzog, de Ludwig von Mises a Shirin Ebadi (Nobel da Paz iraniana que Dilma recusou receber), critica o regime de onde se exilou (tão lógico quanto inevitável). No entanto, a um homicida qualificado sob essa mesma franquia jurídica é não apenas lícito escrever livros, como também é digno receber afagos do governador de um estado (talvez o primeiro assassino recebido por um governador em nossa história), em ações não apenas políticas, como partidárias.

Enquanto isso, setores progressistas, que adoram comentar sobre direitos humanos, defendem um assassino e chamam uma blogueira perseguida por um Estado totalitário de “mercenária”. Podemos talvez acreditar ainda que a bandeira “Direitos Humanos” signifique alguma preocupação social com pessoas, e não com o partido. Por que, afinal, direitos humanos não são um valor universal, a sempre ser discutido mesmo em países democráticos como Brasil e EUA? Por que só podem ser discutidos como uma bandeira, nunca desfraldada caso o opressor seja amigo de longa data? No entanto, como afirmou o Celso Barros linkado acima, é preciso passar a discutir Cuba do ponto de vista de Cuba, e 90% de discutir Cuba sob o ponto de vista de Cuba é deixar os cubanos discutirem. Ou o direito humano de abrir a boca não é lá uma questão urgente?

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Não vê possibilidade de uma Cuba livre sem poder ter Cuba Libre para todo mundo. No Twitter, @flaviomorgen

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24 Comentários

24 Comments

  1. fraancisco ramos

    12 de fevereiro de 2012 at 19:48

    Flávio e demais membros do Implicante que compartilham dessa bobaggem dos quatro homicídios: conver
    sando com amigo meus, que considero normais mentalmente, chegamos à conclusão de que há algo de
    esquisito na mente, principalmente do Flávio, a despeito das extraordinárias qualidades que ele inegàvelmen
    te possuii.;
    Senão vejamos: quem atirou em Sabbadin? Battisti ? “Ora, tal acusação não consta sequer na decisão itali
    ana. O autos do processo italiano atestam que FOI GIACOMINI QUEM ATIROU NO AÇOUGUEIRO, DE
    ACORDO COM A PRÓPRIA C O N F I S S Ã O DO ATIRADOR”.

    Quem assassinou Antonio Santoro: Battisti ? …”dois inquéritos de polícia, da Digos de Milão e dos Carabinieri
    de Udine, ACUSARAM O CHEFE PIETRO MUTTI DESTE ASSASSINATO, COM A CUMPLICIDADE DE GIA
    COMINI E MIGLIORATI, antes que este mesmo Pietro Mutti, uma vez preso, acusasse Cesare Battisti.

    Quem atirou no violentíssimo para-militar Torregiani? Battisti? Como? No primeiro julgamento em Udine ele
    não foi sequer perguntado sobre qualquer assassinato. As poucas provas disponíveis apontam para o próprio
    Pietro Mutti,, Cavalina e Bergamini, …”o duríssimo ideólogo do grupo”.

    Quem atirou em Andrea Campagna.? Battisti ? Como? A arma pertencia a GIUSEPPE MEMEO,…”que deu a
    entender à testemunha Pasino Gatti QUE ELE MESMO HAVIA ATIRADO EM CAPAGNA”.

    Pô meus ! É muita doidera do implicante Eu sou um cara sério, não sou moleque para ser exposto à execre
    ção pelo Sr. Flávio Morgenstern e suas idiossincrasias, com esta estultíce de …”poluição visual”.

    Querem atacar o PT? Aqui alguns temas interessantes: mensalão, transposição do Rio São Francisco, Educa
    ção, Saúde, Política externa, Toninho do PT, atraso na privatização dos aeroportos, e por ai vai.
    Mas não se metam no caso Battisti sem estudar com profundidade o assunto. Eu me sinto como se estivesse
    conversando com um graduando em Medicina, tamanha a ignorância (ou seria má fé ?).
    Vão se catar !!!!!
    Referência: https://www.cesarelivre.org/node/143

  2. francisco ramos

    10 de fevereiro de 2012 at 22:26

    Flávio, não tenho cisma com você (cuidado com a paranoia ! Gosto muito de você, pela sua rara inteligencia,
    sua singular capacidade de análise e pelo seu, apesar da carranca pseudo direitista, amplo espírito democrá
    tico. Mas é impressionante confrontar o meu texto de 14 itens , todos com referencias constitucionais e am-
    paro na legislação que normatiza o processo extradicional, bem como no tratado bilateral, com seus cha –
    vões esclerosados, ancorados em “doutores em Direito da USP”, cujos nomes você nunca cita (enquanto de
    clinei para você os nomes da Consciência Jurídica do Brasil). Como sua prioridade é atacar o PT, você não es
    tudou o caso com o devido cuidado e repete todas as bobagens que eu já tinha lido. Lembre-se que assunto
    voltou à discussão porquanto, num belíssimo artigo sôbre os direitos humanos em Cuba, você teve uma recaí
    da e atribuiu ao cidadão em questão, sem nenhum suporte legal, forense ou pericial, a autoria de 04 homicí-
    dios, sendo que os autores ou principais suspeitos JÁ HAVIAM SIDO CONDENADOS.
    Você tem “cisma” comigo ? Não tenha não, Flávio. I LOVE YOU (atenção para a conotação heterossexual !)
    Saiba perder. Faz bem ao espírito.

    Um grande Abraço;

    • flaviomorgen

      13 de fevereiro de 2012 at 21:04

      Então fique com um bom nome, além do que já escrevi em uns 5 artigos: Janaína Conceição Paschoal, livre docente em Direito Penal da USP, cuja opinião respeito bem mais que o site “Cesare livre ponto org”. Abs

  3. fraancisco ramos

    10 de fevereiro de 2012 at 10:25

    Flávio, embora eu considre este assunto uma página virada, foi , sim, muiito gentil por parte do IMPLI
    CANTE deixar uma postagem de 14 itens no blog por tanto tempo, para eventuais contestações, discordan –
    cias, etc.Ocorre que estava muito cansado quando a redigi e me senti meio sem jeito, diante de um especi
    alista em língua portuguesa como você ( além, é claro do Srs. Gravataí e Exilado, – preparadíssimos, por si
    nal), de sorte que gostaria que vocês aceitassem as correções que seguem:
    Itens: 1- …”atribuições”…; 3 – …”sob o amparo…” e jamais …”sobre…”; 5 – no sub item b, as aspas simples ,
    não duplas, devem abarcar a expressão … ‘advogado de Battisti’, como escrevi; 6 – ..”.adicionalmente…”
    além do …”,inclusive,” entre vírgulas; 7 – não gosto de repetir o mesmo vocábulo numa sentença e o se
    gundo… “procedidas…” deveria dar lugar a “efetivadas”; 8 – leia-se …”homicídios”; 11 – Leia-se …”expedien-
    te”. Claro que deve ter ficado ainda alguma pendência gramatical. Mas , no geral, é isto aí.
    Obrigado e um grande abraço a toda turma do IMPLICANTE.

  4. fraancisco ramos

    4 de fevereiro de 2012 at 19:03

    O governo cubano negou , mais uma vez, visto de saída da blogueira Yoani Sánchez, quer pretendia vir ao
    Brasil. Este é apenas um exemplo das consequencias que podem ser geradas por uma linha de política ex
    terna irresponsável, cínica, insensível e pragmática. Com o peso que tem o Brasil na América Latina, uma
    posição firme a favor dos direitos fundamentais na Ilha poderia, sim, ter um impacto nesta área, a curto, mé
    dio e longo prazos.
    Guardadas as devidas proporções, o Pacto de Munique firmado em 29 de setembro de 1938 entre os Srs.
    Chamberlain e Daladier de um lado e Hitler e Mussolini, do outro, resultou na entrega, numa bandeja, da re
    gião dos Sudetos em outubro daquele ano e de toda a Tchecoslóváquia em março do ano seguinte. Em 1º
    de setembro de 1939 eclodia uma das mais terríveis guerras que a humanidade conheceu.

  5. Ismael

    3 de fevereiro de 2012 at 17:44

    O ponto central foi muito bem colocado no artigo: faria uma baita diferença se nossa esquerda fizesse a autocrítica da opressão e cobrasse de Cuba o respeito pelos direitos humanos. Dilma mostrou que a esquerda brasileira e seu PT continuam jurássicos. Só falta agora fazer coro com o Battisti e chamar o Georgio Napolitano de insenssível e anti democrático.

  6. Rafael

    2 de fevereiro de 2012 at 11:35

    Não há obrigação alguma da Presidente se posicionar sobre esse assunto em Cuba, ademais, um discurso ou uma cobrança terão valor mínimo naquele país, já investimentos, parcerias, intercâmbio de certo trará mais efeitos aos direitos humanos na ilha do que palavrório inútil.

    • flaviomorgen

      10 de fevereiro de 2012 at 16:24

      Rafael, criticar uma ditadura não é palavrório inútil, ainda mais o PT sendo lutador contra a ditadura que foi.

  7. fraancisco ramos

    31 de janeiro de 2012 at 14:38

    Flávio, se é isto que você quer, aí vai:

    1 – A Constituição da República Federativa do Brasil, estabelece no seu artigo 4º, inciso X, como uma das
    suas atribuções, A CONCESSÃO DE ASILO POLÍTICO;

    2 – o Sr. Cesare Battisti é citado, na sentença decorrente da farsa da Corte de Milão, 34 vezes como per
    petrador de crime político, informação esta contida na íntegra do voto do Magistrado Marco Aurélio de Me
    llo;

    3 – O STF violou o artigo 2º da CRFB, que estabelece a separação dos poderes. anulando o asilo concedi
    do pelo Sr. Ministro de Estado da Justiça. Não fosse esta inconstitucionalidade, o caso em questão es
    taria sôbre o amparo da lei 9474/97, (… “que define mecanismos para implementação do Estatuto dos Re
    fugiados de 1951″…- leia-se Convenção de Genebra), cujo artigo 33 implica no arquivamento do processo
    extradicional, provàvelmente relacionado ao artigo 33 da Convenção de Genebra para Refugiados, ou prin
    cípio do NON REFOULEMENT;

    4 – O Tratado bilateral celebrado entre a República Italiana e a República Federativa do Brasil, no seu artigo
    3.1 alínea f, impede a entrega do extraditando em caso de delitos políticos;

    5 – A CRFB, por seu turno, impede a remessa do súdito estrangeiro, em caso de grave contaminação e viola
    ção do Devido Processo Legal, cujo “Conteúdo do princípio” é cristalinamente colocado na Carta Maior ,
    no seu artigo 5º, inciso LIV :” a) direito à prévia citação; b) direito a juiz imparcial ( o Dr. Gabriele Fuga, “advo
    gado” de Battisti, foi preso, perseguido, indo ele mesmo refugiar-se na França.) ; c) direito ao arrolamento
    de testemunhas; d) direito ao contraditório; e) direito à defesa técnica; f) direito à igualdade entre acusação e defesa;g) direito ao não uso de provas ilícitas (neste ítem aliás estão as “pérolas” das falsas procurações ,
    embora você não aceite esta verdade , além de provas emprestadas sem o devido contraditório, encartadas
    nos acordãos que deram origem à condenação do extraditando na Itália, no afã de agravar sua situação jurídica,o que é vedado pelo artigo 5º ,inc.. LV e LVI da CRFB); h) privilégio contra a autoincriminação;

    6 – Não é do nosso conhecimento em que Professores, com o devido respeito, você está amparado, pois os
    Mestres´JOSÉ AFONSO DA SILVA, NILO BATISTA, PAULO BONAVIDES, BANDEIRA DE MELLO E
    DALMO DALLARI posicionaram-se radicalmente contra a extradição, reportando-se adicionalment aos seguintes artigos do Tratado Bilateral : 7º, I e 5º,b, além do já famoso 3º,I, alínea f. O Professor Dallari, in –
    clusive escreveu isoladamente dois admiráveis artigos, reforçando sua posição.

    7 – Conforme postei, com muita honra em utilizar este blog IMPLICANTE, o Brasil utiliza a chamada Conten
    ciosidade Limitada, lei 2416 de 1911. ou Sistema Belga que impede a Suprema Corte de proceder extra-
    dições, embora conceda-lhe o direito de impedi-las, se procedidas ao arrepio do ordenamento jurídico. Dentro ainda deste diapasão, reza o artigo 5º, inciso LI da Carta Mandamental: “Competência para extradi-
    tar: É do Presidente da República”.

    8 – A Corte de Milão , mesmo instigando sérias dúvidas sôbre a lisura do referido processo, não conseguiu
    produzir UMA ÚNICA PROVA, ACEITA EM QUALQUER TRIBUNAL DEMOCRÁTICO DO MUNDO, esta
    belecendo nexo causal entre qualquer dos quatro homicíos e o , na época, extraditando. Restaram apenas
    as delações premiadas, precedidas de torturas, delações essas consideradas no jargão jurídico como a cor
    tesã das provas.

    9 – Como não bastasse tudo isto, os alegados delitos ocorreram há mais de trinta anos. O maior prazo de
    prescrição no Direito Brasileiro é de vinte anos. A inconcebível extradição alteraria a equação justiça e
    segurança jurídica em nosso ordenamento;

    10 – A República Italiana jamais poderia impetrar um Mandato de Segurança contra a República Federativa
    do Brasil, visto que ela não teve violado o seu “direito líquido e certo”;

    11 – A sua “Reclamação 11.243” apresentou-se como um esdrúxulo expediante jurídico, visto que uma na
    ção alienígena não pode vir a juízo no Brasil, questionar um ato de soberania, pois este não é passi
    vel de controle judicial;

    12 – Setores amplos do Governo e da Sociedade italianos, mediante pronunciamentos absurdos, ofensivos e
    estapafúrdios, criaram um clima de linchamento contra o então extraditando, sendo, no mínimo, moral
    mente desejável, não conceder a extradição;

    13- A justiça italiana libertou os verdadeiros assassinos (já tinham, inclusive, sido condenados), transforman
    do o referido Sr.em bode expiatório e troféu político perfeito;

    14 -Finalmente, meu caro Flávio Morgenstern, gostaria de lembrar ao Sr. que até os grandes criminosos de
    guerra nazistas tiveram direito ao Devido Processo Legal.

    No mais, envio um grande abraço a todos os membros do IMPLICANTE.

    • flaviomorgen

      10 de fevereiro de 2012 at 16:27

      Francisco, sei que você tem uma cisma pessoal comigo, mas é difícil parar a vida pra discutir o que já foi discutido. Tem texto meu aqui analisando até a suposta “farsa” que fizeram com documentos do Battisti, além de outras platitudes como o homicida em questão não ter o “Devido (em maiúscula no original) Processo Legal”, quando fugiu de audiências em dois países pois sabia que tinha culpa em cartório por crime comum (assassinato NUNCA é crime político). Ficar regurgitando essas coisas óbvias que já foram refutadas por doutores em Direito da USP há meses num post que nada tem a ver com o assunto é apenas poluição visual.

  8. Pedro Bó

    31 de janeiro de 2012 at 11:29

    No site Vermelho, teve um meliante que escreveu “em Cuba não há ditadura, há votação livre para a escolha dos representantes dos bairros que farão parte da polícia”…KKK Hilário!

    A mesma polícia que tudo vê e tudo ouve e senta o cacete nos “reaça imperialistas” kkk

    • flaviomorgen

      31 de janeiro de 2012 at 13:33

      Imagine: chamam o reitor da USP de “interventor” e “autoritário” porque foi o segundo de uma lista tríplice (sendo o primeiro colocado um apaniguado da ex-reitora que eles mesmos apearam do cargo). Já em Cuba, onde há 417 nomes para ocupar 417 cadeiras, as eleições são “livres”…

  9. fraancisco ramos

    30 de janeiro de 2012 at 22:11

    Flávio, seu artigo está muito bom, mas não volte a este pântano do caso Battisti, pois você já afundou na

    areia movediça, sofreu um grande desgaste e perdeu toda a controvérsia porque não se deu ao trabalho

    de estudar o assunto, com todas as implicações que ele possuia. Não olhe pelo retrovisor.

    Abraços.

    • flaviomorgen

      30 de janeiro de 2012 at 23:47

      Francisco, até agora ninguém refutou nem minha análise sobre o STF no caso. E tenho doutores em Direito da USP do meu lado. Se tem blog esquerdinha jurando que Battisti deveria estar solto sem ter doutor em Direito da USP do lado deles, pra mim já está provado que estou certo, e eles, errados.

      Abraços

  10. fraancisco ramos

    30 de janeiro de 2012 at 22:02

    Olha aí gente ! O Flávio voltou! Que tenha desfrutado boas férias com sua família.

    A questão é bem simples. O governo brasileiro tem que se posicionar de forma inequívoca contra as graves
    violações dos direitos humanos em Cuba. A afirmação do chanceler Patriota beira ao cinismo pragmático.
    Não devemos esquecer, contudo, que o maldito bloqueio imposto por 50 anos à ilha pelos EEUU, com anuên
    cia das democracias e ditaduras de direita na Europa e Américam Latina, respectivamente, apenas fortale –
    ceu a ditadura cubana.
    Portanto, DEMOCRACIA EM CUBA JÁ, ECONOMIA DE MERCADO IDEM, RESPEITO AOS DIREITOS FUN
    DAMENTAIS SEMPRE E VÃO GANHAR DINHEIRO, INCLUSIVE COM O TURISMO, JÁ QUE O PAÍS TEM
    O MAIOR POTENCIAL NESTA ÁREA EM TODO O CARIBE.
    Gosto da Presidente Dilma, mas será uma grande decepção se ela der as costa para os direitos humanos
    em Cuba. Não perdoarei ! O que vale pra Chico, vale pra Francisco.

    Abraços

  11. Idevam

    30 de janeiro de 2012 at 20:00

    Claro que não e prioridade faz so ums 50 anos que a população cubana e esmagada por uma ditadura sagnaria e o PT ese exemplo de humanismo sempre de braços abertos para acolher assassinos e teroristas esses sim são humanos os outros são so vítimas cupadas pela propiá desgraça de não ser um camarada ou um companheiro de ideologia de esquerda e claro!

  12. Sandro P

    30 de janeiro de 2012 at 19:31

    Flávio,
    Parabéns pelo texto. Excelente!
    Sabemos que tudo o que os petistas fazem, quando no governo, segue um projeto de poder, não importando se há coerência com discursos passados.
    Porém, o que mais me deixa intrigado é a turba de seguidores gritando sem saber o porquê, sem argumentos, sem coerência alguma, como se tivesse num flaxflu. O que mais ouço, quando discordo deles, é que sou tucano. Para eles, todos os que não concordam são inimigos que estão em trincheiras opostas. Eles não sabem que discordamos não por sermos de partidos diferentes ou por que não gostamos do PT. Discordamos por que eles não tem coerência alguma e estão fazendo tudo isso com um único objetivo: se perpetuar no poder.

    • flaviomorgen

      31 de janeiro de 2012 at 00:03

      Sandro, obrigado! O curioso é que discordar do Fidel te torna “udenista” (sério, me chamaram disso), “conservador”, “autoritário” e “classe média”. E concordar com um cara totalitário que se conserva no poder há meio século, seria então o quê?!

  13. Marcelo R. Rodrigues

    30 de janeiro de 2012 at 19:26

    falando em Battisti, lendo algumas coisas por ai, vi que na Europa pós-guerra, houve uma onda de terroristas socialistas, que empregavam métodos bem a la Hamas. É interessante que a história das atividades desses grupos na Europa, no qual Battisti está incluso, foi literalmente esquecida.

    • flaviomorgen

      30 de janeiro de 2012 at 23:55

      Marcelo, estou lendo Ascensão e Queda do Comunismo, de Archie Brown, e isso é mesmo impressionante. Sem contar que uma porcentagem altíssima de mortes de comunistas nesses anos, na Europa e ate´América Latina, às vezes passando dos 50%, não foram pelas forças de “repressão”, e sim por rachas internos em grupos violentíssimos.

  14. alvaro

    30 de janeiro de 2012 at 19:06

    O blog desse anão moral, lambedor de botas do “bispo” explorador de incautos, é um nojo.
    Não sei porque raios o governo de São Paulo não processa esse elemento.

  15. tibartz

    30 de janeiro de 2012 at 18:40

    Já estou tão acostumado com seus textos longos (de 3 volumes por parágrafo) que esse aqui foi brochante. Não pelo conteúdo, obviamente. Mas é como eu sempre digo: “Cuba, a maior exportadora mundial de gente com fome”.

    • flaviomorgen

      30 de janeiro de 2012 at 23:53

      Poi zé, mas o tanto de gente que me cobra textos mais curtos…

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