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Dois acusados de participar da morte de Celso Daniel vão a júri popular

Dois dos sete acusados de participação na morte do ex-prefeito de Santo André Celso Daniel, em 2002, irão a júri popular nesta quinta (18).

Elcyd Oliveira Brito, o John, e Itamar Messias Silva dos Santos serão julgados por homicídio duplamente qualificado, mediante promessa de recompensa, e pela “utilização de recurso que torna difícil a defesa da vítima” (if you know what I mean). No julgamento, cinco testemunhas serão ouvidas, todas a pedido da defesa.

Ambos já deveriam ter sido julgados em maio junto a outros três réus, mas seus advogados deixaram o tribunal, alegando que os 30 minutos para a defesa de cada um eram muito pouco. Na ocasião, o júri decidiu por 24 anos de prisão para Ivan Rodrigues da Silva, 20 anos para José Edison da Silva e 18 anos para Rodolfo Rodrigues da Silva.

Sete jurados serão escolhidos para votar e decidir se eles são culpados ou inocentes. Quatro pessoas já foram condenadas pelo crime e estão presas. Apenas Sérgio Gomes, o Sombra, apontado como mandante do crime, ainda não foi julgado. Conforme informa o Último Segundo:

Celso Daniel foi executado com oito tiros em janeiro de 2002. Ele foi sequestrado quando saía de um jantar com o amigo empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, acusado de ser o mandante do crime. O corpo do ex-prefeito foi encontrado dois dias depois na Estrada das Cachoeiras, em Juquitiba, cidade vizinha de Itapecerica da Serra. De acordo com o Ministério Público (MP) de São Paulo, Elcyd, que já confessou ter participado do crime, e Itamar estavam na caminhonete que interceptou o veículo de Celso Daniel, antes do sequestro.

O MP mantém a tese de que o crime foi cometido porque Celso Daniel descobriu que o esquema de corrupção que existia em Santo André não servia apenas para alimentar o caixa 2 da campanha eleitoral de seu partido, o PT.

 “Havia um sistema de corrupção instalado em Santo André. O objetivo desse esquema de corrupção era o financiamento para campanha do PT em 2002, período de eleição presidencial. O esquema de corrupção era aceito pelo Celso Daniel enquanto financiava o caixa 2 do PT. A partir do momento que ele descobriu que o dinheiro também era desviado para enriquecimento próprio da quadrilha, ele não concordou, passou a levantar um dossiê. Isso chegou a conhecimento dos demais e aí a motivação do crime”, disse na quarta-feira o promotor Márcio Augusto Friggi, que fará a acusação no júri.

A acusação é a mesma da investigação e da promotoria – caso que complica muito a defesa. Defender alguma inocência petista no caso de Celso Daniel, assassinado com oito tiros após ser seqüestrado e torturado, é praticamente impossível. Também impossível é negar as motivações políticas do caso – confirmadas pelos familiares do prefeito de uma das cidades que foram berço do PT na época das greves de metalúrgicos no ABC paulista (aqueles que negam o mensalão preferem apenas não comentar o caso Celso Daniel para não flagrar suas próprias contradições).

O caso respalda diretamente no mensalão, em que curiosamente não há crimes tão graves quanto assassinato sendo julgados, mas onde ainda insistem em duvidar de corrupção favorecendo diretamente o PT nos conchavos, alianças e gastos da campanha mais cara do país. A eleição de Lula contou com a colaboração de ex-inimigos notórios, como o PTB, passando milagrosamente para o lado lulista numa campanha conjunta contra os tucanos. O próprio Lula havia confidenciado a Celso Daniel que lhe garantiria um ministério, e que portanto o prefeito deveria “se preparar”. Mirando alguma mancha em sua gestão que pudesse ser alvo de escândalos de nível nacional, Celso Daniel peitou o esquema de corrupção que descobriu em sua cidade, como afirma o promotor do caso, Márcio Augusto Friggi de Carvalho (no Último Segundo):

[O promotor] Carvalho disse que o prefeito de Santo André pretendia tomar providências sobre os desvios na prefeitura e já havia confidenciado isso à sua família. Afirmou que Celso Daniel sabia que o dinheiro era desviado, “só não concordava com o desvio para gastos pessoais”. “Naquela época, o contexto era a eleição de um presidente da República que ficou oito anos no poder e cuja campanha foi financiada por aquele esquema”, disse o promotor.

Escutas telefônicas contradisseram as defesas dos réus. Faz parte de uma “sorte” dos mensaleiros: sem crimes de sangue, não houve quebras de sigilo telefônico para se conseguir provas maiores do caso. Por outro lado, o caso Celso Daniel em Santo André não faz sentido como um ponto isolado em uma eleição nacional.

Celso Daniel não queria ser derrubado, portanto expurgou sua própria prefeitura. Modelo inverso da gestão Palocci em Ribeirão Preto, onde predominava a filosofia do “roube e deixe roubar” que acabou por apeá-lo do cargo duas vezes, em escândalos como o caso Buratti e a empresa Leão Leão. O resultado é nacionalmente conhecido (e nunca lembrado pela oposicinha):

Dez anos após o crime, apenas um dos acusados foi julgado. Marcos Roberto Bispo dos Santos, que dirigia a Santana durante o sequestro, foi condenado a 18 anos de prisão em 2010.

Outro caso “esquecido” pela intelligentsia pró-PT é o do também assassinado prefeito de Campinas Antonio da Costa  Santos, o Toninho do PT, que foi morto um ano antes, em 2001. Outro petista local, Demétrio Vilagra, foi o segundo prefeito da cidade cassado em menos de quatro meses, no ano passado.

PT in extremis.

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