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Dossiê do dossiê: a farsa do livro-traque

Como prometido, publicamos neste mês uma série de textos sobre o tal Livro do Amaury.

O livro é basicamente um libelo acusatório com objetivos político-partidários e, exatamente por isso, atiçou adversários dos acusados. Uns por pura e simples má-fé, outros porque deles não gostam e, no Brasil, política é também assim: se o caluniado é adversário, há endosso à acusação – ou ao menos se dá a ela (invertendo a lógica de qualquer raciocínio razoável) a pressuposição de verdade.

É simplesmente IMPOSSÍVEL chancelar uma obra com cerca de dez acusações por página, sem que se faça uma apuração do que é dito e imputado a uma série de pessoas. A pura e simples leitura física, sem crivo algum, chega a ser algo leviano para quem DE FATO pretende demonstrar convicção do que se alega no livro.

Isso porque ele se declara não-ficção e, como tal, é necessário que seja submetido a análises factuais. Ao mesmo tempo, os que endossam difamações sem aprofundar-se no conteúdo são muitas vezes os mesmos que repudiam os que tentam explicá-las. Má-fé pura, portanto.

Com exceção de quem é pago para isso, chega a ser patético supostos formadores de opinião se comportem de forma deslumbrada pelo fato de simplesmente não entender coisa alguma do que é dito, no tristemente famoso estilo “isso é complexo, então foi uma apuração difícil”. Dica: não é complexo, nem houve apuração alguma.

Nesta nossa série, refutaremos principalmente as diversas mentiras espalhadas na “obra”. O objetivo essencial, portanto, não é atacar autores ou mandantes, mas sim o conteúdo. Essa será a empreitada preponderante e a principal tarefa é explicar de forma simples aquilo que surge como algo propositalmente “complexo”.

Claro que, depois de tudo isso, também falaremos das pessoas. E é preciso que se trate delas porque ao menos três dos nomes ligados ao livro passaram por apuros judiciais, um deles diretamente relacionado ao que deveria ser uma pesquisa.

A seguir, o cronograma de nossos textos:

16/01 – As Mentiras
Demonstraremos, de forma objetiva e até mesmo simples, as mentiras principais do livro. E são “principais” porque dão origem a diversas outras, digamos, “acessórias” – que dependeriam da veracidade daquelas das quais decorrem.

Toda a obra – sim, toda – é baseada num mesmo estilo de sofisma: afirma-se “a”, tratando a afirmação com algo real (mas é lorota, e é isso que provaremos); desse modo, fundamentados em mentiras, aparecem os raciocínios e conclusões evidentemente também mentirosos.

Há momentos, aliás, em que as cascatas acusatórias chegam a absurdos que beiram o tragicômico – cifras, “negociatas”, personagens, entre outros elementos que, em determinadas “narrativas” da obra, vocês vão ver, provocam a chamada vergonha alheia.

23/01 – O Truque dos “Documentos” e o Marketing Manjado
Mostraremos – dando exemplos – a tática mocoronga dos “documentos”. Aquela coisa de mostrar a fachada de um banco como “prova” de que houve algo; ou instrumento societário normal, desses de Junta Comercial, como “documento” que corroboraria algum ato da empresa.

Basicamente, funciona assim: Fulano tem uma empresa (isso é verdade), daí começam as mentiras sobre a empresa (todas sem provas), mas há um “documento” comprovando que ele possui tal estabelecimento. Como não há prova alguma dos “atos”, o autor “prova” por meio da titularidade empresarial (algo que nunca foi nem seria negado, mas é passado como se fosse “secreto” e assim por diante).

É como uma acusação contra o João da padaria, dizendo que ele faz isso e aquilo usando sua empresa. A prova: João é dono da padaria (e um fac-símile da Junta Comercial). Sim, ele é dono da padaria e isso nunca foi algo oculto, mas a xerox-com-cara-de-documento seria uma forma de dar ar sério para algo francamente leviano.

Um expediente que se repete pelo livro todo.

E, nesse capítulo de nossa série, falaremos do marketing manjado na ocasião do lançamento – da data “conveniente” àquelas bobagens mentirosas sobre censura, compras de exemplares etc.

30/01 – Autores, “mandantes” e objetivos
Depois de desmascarar minuciosamente conteúdo e método, falaremos sim das pessoas. Autor, editor, deputado, “mandantes”… Enfim, as biografias serão abordadas – sempre com base em fatos concretos – e isso dará ainda mais sentido aos dois tópicos anteriores.

Portanto…
Contamos com todos para que ajudem a divulgar essa empreitada. É de fato MUITO difícil quando se monta um esquema desse tipo, que começa pela forma de feitura do livro e culmina com a rede de adversários (alguns pagos pelo governo, óbvio) que divulga a cascata como se fosse verdade.

Até a semana que vem!

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24 Comentários

24 Comments

  1. luiz

    13 de Janeiro de 2012 at 8h56

    Implicantes, vocês estão de olho no Janio de Freitas da FSP? Acho que e forte candidato a criar um blog progressista e/ou ser contratado pela Record…

  2. Thiago

    12 de Janeiro de 2012 at 0h13

    Estava sentindo falta desses comentários do Alexandre … e vai ficar melhor com as postagens ao longo do mês! =D

  3. alexandre

    11 de Janeiro de 2012 at 20h43

    Acho muito estranho o comportamento do Serra. Diz que é lixo, palhaçada mas não se mostra indignado a ponto de processar o autor do livro. Por que tanta demora em ir a público e dizer que irá processar o Amaury ? É uma reação muita passiva para que está sendo “injustiçado” . Até o gravataí merengue se mostra mais indignado do que o Serra ? Só se o Serra terceirizou a indignação.

    (Gravz: Sim, concordo que ação judicial é o caminho e espero que todos os ofendidos processem. Nosso papel, como portal de oposição, é, entre outras coisas, também mostrar as mentiras dessas peças acusatórias frágeis e mentirosas. A parte judicial cabe a quem foi ofendido, obviamente. De todo modo, uma ação desse porta não se faz da noite pro dia, como já expliquei aqui para vc. E que negócio é esse de “vir a público”? Não é assim que funciona. O judiciário atende a petições, não a declarações para a imprensa)

  4. Sandro P

    11 de Janeiro de 2012 at 16h02

    O Alexandre cada vez se entrega mais. Fico imaginando ele com urticárias, tentando comentar de uma forma que não transpareça a militância dele. Mas chega uma hora que não dá pra aguentar e ele solta a franga…

  5. alexandre

    11 de Janeiro de 2012 at 7h14

    Só me responda uma coisa : o que leva alguém a ter tamanho trabalho para desqualificar um livro contra um político. Parece até coisa de militante

    (Gravz: Não é desqualificar, mas mostrar que há mentiras. O motivo? JUSTAMENTE A MILITÂNCIA GOVERNISTA fez dessas mentiras um instrumento de alarde. Basicamente, é o que fazemos aqui diuturnamente. No seu raciocínio, quem desmente o livro é militante, mas e quem o propaga com tantas mentiras? É apenas alguém com “ideologia”? Que lógica interessante…)

  6. WM

    11 de Janeiro de 2012 at 0h13

    Gravata,

    E o (…) usou mais um morte na sua briga com os desafetos. Você viu que ele se aproveitou da morte do excelente Daniel Piza para atacar o Mario Sabino?
    Eu não acreditei, pegou o gancho e foi falar da inveja intelectual.
    O cara sempre se supera.
    Um abraço.

  7. WM

    11 de Janeiro de 2012 at 0h07

    Bem, não tenho simpatia pela família Serra, mas no capítulo sobre a Mônica Serra, o Amaury fez tanta lambança que “confundiu” membro do Conselho de Administração com sócio da empresa. Para um jornalista que diz que trabalhou no livro por 10 anos, me engana que eu gosto, há duas hipóteses: desconhecimento absoluto do básico sobre a estrutura de uma empresa, o que deixa uma sombra enorme de dúvida sobre sua obra; ou, segunda hipótese, pura e simplesmente má fé e nem preciso dizer o que isso implica.
    Depois da nota da Mônica Serra, fui a uma livraria, sentei-me confortavelmente num sofá e li calmamente o capítulo sobre ela; claro, depois devolvi o livro à estante, afinal não vou dar dinheiro para Amaury e Emediato. Os documentos não comprovam o que ele diz no texto, aquele capítulo é uma fraude, do resto não posso dizer isso pois eu não li, afinal paciência tem limite.
    Um amigo, doido de pedra, foi ao lançamento do livro em São Paulo e me disse que ficou chocado com as cenas. O ponto alto foi PHA elogiando o bispo Edir e a massa delirando. Quem diria, o PT foi de Leonardo BOFF para Edir Macedo. Cruzes!!!

  8. Robson

    10 de Janeiro de 2012 at 17h27

    Ora, da mesma forma que vemos como os assuntos polêmicos são tratados, escândalos políticos, corrupção os meios de comunicação de massa devem informar, no caso pelo o que eu li aqui desmentir um livro que está sendo muito divulgado, por que se não isso torna no mínimo suspeito!!!

    (Gravz: Esse livro – que é basicamente uma grande compilação de lorotas – foi mais divulgado que O Chefe, de Ivo Patarra. E não se trata de obra literária, mas de um apanhado de acusações – falsas – que precisam ser checadas antes de qualquer “divulgação”. Aqui, ao menos, fizemos isso. E vamos publicar por partes tudo neste mês)

  9. Robson

    10 de Janeiro de 2012 at 14h44

    Uma pergunta ao senhores.

    Já que tal livro é uma mentira, uma farsa, porque os nossos maiores veículos de comunicação não tratam do assunto como deveria?

    • Implicante

      10 de Janeiro de 2012 at 16h43

      Como deveria ser tratado, Robson?

  10. Daniel Barros

    10 de Janeiro de 2012 at 3h06

    Pô, Gravata, mais seis dias de espera? :D

  11. Fernando Marés de Souza

    10 de Janeiro de 2012 at 2h38

    Quero ver defender o Ricardo Sérgio de Oliveira. Quero mesmo.

    (Gravz: Pq DIABOS eu defenderia Ricardo Sérgio? Não vou defender ninguém, aliás, apenas trarei uma penca de mentiras e maluquices do livro. Ricardo Sérgio que se defenda, ora)

  12. sid araujo

    10 de Janeiro de 2012 at 0h04

    E qto aos documentos q comprovam as aplicações financeiras?

    (Gravz: Aguarde :))

  13. BobJegg

    9 de Janeiro de 2012 at 23h32

    Aguardemos seus comentários!
    Já li o livro e acho muito difícil o autor ter inventado tudo aquilo, mereceria um oscar de efeitos especiais :)
    16-01 – Deve ser tudo mentira mesmo. O fato de dois acusados, com empresas quebradas, adquirirem mansões no valor de milhões de dólares em Trancoso na Bahia (só falando do lazer), é coisa da genialidade empresarial dos parentes do Serra!!
    23-01 Aguardemos seus argumentos…mas o fato dos geniais parentes abrirem contas nas mesmas offshores de Maluf, Ricardo teixeira, Juiz Lalau e outros ícones da moralidade não te desperta nenhuma estranheza??
    30-01 Como bom psdbista atualmente, achei que começaria por aqui :))
    Só faltou falar do Lulinha :))
    e vamoquevamo!

    (Gravz: Não são parentes. Não são as mesmas offshores. Tudo isso será abordado, ÓBVIO. Há mentiras de todos os tamanhos e gostos. O Lulinha é importante, sim, porque afinal de contas ELE FOI BENEFICIADO por uma concessionária pública – que, depois, foi beneficiada pelo governo. Mas isso é para outra hora…)

  14. amauri

    9 de Janeiro de 2012 at 23h20

    Já que processar judicialmente o autor do livro até agora,só ficou em ameaças por parte do pessoal do PSDB,
    quem sabe voce possa dar a munição necessária, que eles precisem para tomar coragem.

    (Gravz: Certeza que não precisam de “munição” minha. As pessoas acusadas no livro, até onde sei, processarão mesmo. Mas concordo contigo, o PSDB precisa ter brios para também fazer isso, até porque há acusações de todo gênero a vários “caciques”)

  15. João

    9 de Janeiro de 2012 at 21h18

    Mecanismo de busca??? E quem não sabe que o artigo existe? Você tirou o artigo de vista, não se faça de louco. E o que você está fazendo é ameaça sim. Já faz 1 mês que você está ameaçando criticar o livro e nada.

    (Gravz: Mano, pelo amor de deus… Conforme entram novos artigos, os outros SAEM DA CAPA AUTOMATICAMENTE. Você só pode estar de brincadeira, sério rsrs)

  16. Rodrigo Leme

    9 de Janeiro de 2012 at 20h54

    Tem um fato interessante aí no livro do Amaury, mais relacionado à lista de best sellers. Contato em um sindicato aqui de SP disse que o sindicato estava distribuindo cópias do livro para uma porrada de associados, do tipo “passa lá no sindicato e pede um”.

    Junto a isso, percebo que nos blogprogs a maioria esmagadora dos comentários é do tipo “ainda não comprei minha cópia” (e claro, são os comentários que dizem que as acusações são irrefutáveis).

    Quem levou esse livro à lista dos mais vendidos? E como? Mais importante, com que dinheiro?

  17. Luiz Fernando

    9 de Janeiro de 2012 at 18h43

    Por favor não esqueçam de analisar o papel do senador por Minas neste episódio.

  18. Jairo

    9 de Janeiro de 2012 at 17h43

    Parabéns antecipado por este excelente trabalho. Esse método de destruição de reputações do PT é a grande herança maldita do lulismo para nosso país, e pela quantidade de comentaristas raivosos nos sites “progressistas”, aparentemente existe uma enorme legião de seguidores/entusiastas destes métodos…

  19. João

    9 de Janeiro de 2012 at 17h28

    Mais uma ameaça? Publica isso logo! Mas cuidado com a vergonha alheia…

    E aproveita e responde por que você retirou o post com a resposta da Verônica.

    (Gravz: Ameaça? Que ameaça??? o_O E o texto continua no site, tá aqui. Vc deveria trocar o chilique pela inteligência; pode não ser muita, mas o bastante para usar o mecanismo de busca do site, antes de passar papelão. Isso sim causa vergonha alheia – mas, por ser alheia, vc não sente e nunca vai parar de ser assim…)

  20. Carvalho

    9 de Janeiro de 2012 at 16h18

    Cada um cria conforme a sua essência. Amauri Ribeiro Jr criou lixo! Um dia vai entender, como todos os outros petralhas, que verdade não se constrói por um ato de vontade, ou não se sustenta. Verdade é. De fato eu também sinto “vergonha alheia” por essa triste figura. Ele será o último a sentir vergonha de si mesmo.

  21. A Carioca

    9 de Janeiro de 2012 at 14h53

    Nós, que não leremos o livro, só podemos te agradecer por isso. Tomara que seus artigos tenham a repercussão necessária para que esse livro-farsa seja completamente desmoralizado.

  22. Marcia

    9 de Janeiro de 2012 at 14h11

    Quero saber da participação do PT nessa história toda! Aliás, sobre o PT, a Imprensa e o deus Lula, um excelente artigo que mostra de maneira brilhante no que se transformou o PT. Vale a pena, é o melhor texto que li recentemente sobre um partido político. Não fica pedra sobre pedra:

    https://blogdovampirodecuritiba.blogspot.com/2010/09/o-retrato-do-poder.html

  23. curioso

    9 de Janeiro de 2012 at 13h08

    sei que já há uma série sobre o mascate, mas gostaria de ver um post didático sobre a agência zumbi comandada por ele, aquela que não fecha as portas por conta dos milhões do banco público. sobre o livro privataria, perceba que nem seus mais radicais defensores falam sobre seu conteúdo ou sobre os tais documentos. só propagam que existe o livro e que ele é um sucesso de vendas(boa parte vem sendo comprada pelos diretórios do PT).

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