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Dossiê do Dossiê: o “Método Amaury” de narrar lorotas

Na semana passada, demonstramos de forma clara que o livro do Amaury é repleto de mentiras, sendo estas depois desdobradas em “mentiras acessórias” e assim por diante. Expusemos algumas, as principais.

Agora, passado o conteúdo, falaremos da FORMA. A maneira do autor misturar indivíduos e assuntos, acusar, ligar pessoas sem ligação e assim por diante.

Demonização de Conceitos e o Todo pela Parte

Amaury usa duas táticas numa mesma estratégia: ataca alguns conceitos por meio de seus argumentos e também dá exemplos ruins para em seguida generalizar.

As empresas Offshore são objeto de cinquenta e sete páginas, demonizando-as e tratando como algo maligno ao mesmo tempo em que generaliza dizendo que todas são lavanderias financeiras.

Nem uma coisa, nem outra. Como já dissemos, é algo lícito, legítimo e normal. Petrobras e Banco do Brasil, entre muitas outras companhias, têm também suas Offshore, respectivamente Petrobras International Finance Co e American Merchant Bank – ambas em Cayman.

Nessas várias páginas, Amaury enche linguiça falando de Lalau, Maluf, Ricardo Teixeira, entre tantos outros. Em seguida, menciona seus “acusados” pelo livro, obviamente sem qualquer vínculo com quaisquer dos citados anteriormente. Truque barato.

Falaremos mais adiante, aliás, de como Amaury tenta embaralhar a cabeça do leitor por meio de vínculos inexistentes – mas que ele tenta demonstrar usando argumentos contraditórios entre si.

O mesmo método é usado ao tratar das privatizações. O autor emite um sem-número de juízos de valor, todos eles sem qualquer embasamento. Aquela coisa de “dilapidar patrimônio”, tal e coisa. Para que o livro cumpra sua função, é PRECISO que o leitor acredite nas privatizações como algo essencialmente ruim.

Esses dois truquezinhos (demonizar conceitos e generalizar por meio de exemplos ruins) são a base sobre a qual o autor constrói sua estrutura narrativa. Mas há um outro pilar importante: associar pessoas sem base em fatos.

E acerca de offshores e afins, há um exemplo claro, objetivo e bem elucidativo, mas curiosamente omitido, que mostra o uso de contas em paraísos fiscais para finalidades heterodoxas: em agosto de 2005, Duda Mendonça declarou à CPI do Mensalão ter recebido grana da campanha petista de 2002, por meio de contas no Caribe. Amaury não trata do tema. Nem seus entusiastas…

O Truque de Ligar Pessoas

Amaury tem uma personagem principal: Ricardo Sérgio, que figura com exclusividade das páginas 61 até 164 (lembrando que as anteriores servem para enrolação e as últimas para tentar fazer de conta que não houve a quebra de sigilo investigada pela PF e nem as atividades do “bunker de inteligência” da campanha de Dilma, do qual participou). Como o objetivo do livro é atacar Serra, ele precisa ligar os dois. E aí se enrola.

A única ligação entre ambos é o fato de que, em 1994, Ricardo Sérgio foi tesoureiro de campanhas tucanas. Ele também o foi em 1990 (FHC, Senado) e 1998 (FHC, Presidência). Não há qualquer outra ligação entre ele e Serra. Nada. Nenhuma. O acusado teve até mesmo ligações telefônicas gravadas com ministros de FHC e divulgadas à época, nenhuma com Serra. Nenhuma com familiares de quem ele tenta atacar indiretamente.

Daí, entra um pouco de criatividade, muita má-fé e aquela esperança de que o leitor talvez não acredite, mas endosse por simpatia ideológico-partidária.

É o caso de alegar LIGAÇÃO entre pessoas porque ambas utilizaram os serviços da Citco (há até foto da fachada do banco, para dar uma “documentada” na coisa). Já mostramos aqui: a CITCO existe há mais de 75 anos, tem mais de 5 mil funcionários e está presente em 44 países.

Dizer que duas pessoas estão “ligadas” pelo fato de serem clientes de uma das maiores administradoras de fundos de investimentos do mundo, com mais de 640 bilhões de dólares em ativos sob sua administração, convenhamos, é o mesmo que apontar ligação entre dois indivíduos que fazem compras na mesma cadeia de supermercados.

Mas Amaury não para. Além de tentar vincular pessoas por serem clientes de uma mesma instituição, ainda que ela esteja em dezenas de países e seja uma das líderes de seu setor, ele usa uma outra “evidência”: salas no mesmo prédio. É sério (quer dizer, não é sério no sentido exato, mas ele REALMENTE usa isso como argumento).

Leiam esse trecho do livro, pág. 189:

…administrado por um grupo do qual recebe também seu endereço: o fundo Mellon Brascan DTVM (ou BNY Mellon Serviços), que funciona no prédio do Banco Opportunity, na Avenida Alvarenga Peixoto, no Rio. E, por mais uma coincidência neste mundo crivado de coincidências, o fundo é transferido ao controle da construtora João Fortes Engenharia” (grifos nossos)

É um “clássico” Amaury, porque tem mentira, desinformação e “evidência” tosca para justificar ligações. Vamos ao prédio: fica na rua Presidente Wilson (Alvarenga Peixoto é uma rua em Vigário Geral, podem procurar no Google Maps). Nesse prédio – o correto, da Pres. Wilson – evidentemente funcionam várias empresas, sem que isso obviamente configure ligação de qualquer gênero. Entre outras, lá estão Bradesco, Reuters, Deloitte, Banco Cruzeiro do Sul e assim por diante. Uma senhora conspiração, não é mesmo?

A “acusação”, que já se torna patética, é fundamentada numa falta de informação (burrice ou ma-fé, escolham): TODO FUNDO DE INVESTIMENTO, pela lei, deve ser controlado por uma instituição financeira (no caso, a Mellon, que administra judicialmente e é agente responsável pela oferta de títulos no mercado internacional de capitais da Petrobras).

Como o fundo DEVE ser controlado por uma instituição, o endereço é o… DA INSTITUIÇÃO, cuja sede brasileira fica num prédio no Rio de Janeiro, o mesmo do Bradesco etc., e também do banco Opportunity. E, acreditem ou não, a coisa ainda piora.

Amaury só é Amaury por ser Amaury, de modo que também há uma invenção nesse mesmo parágrafo (notem que já se estabelece um recorde em apenas cinco linhas): o GIGANTESCO BANCO (e não fundo) Mellon nunca foi (e nem poderia) ser adquirido pela construtora João Fortes.

Qual o motivo do cara falar uma bobagem desse tamanho? Além de confiar no fato de quase todos os leitores não terem informações técnicas, também porque a construtora João Fortes era de um deputado tucano. Detalhe: era, pois foi vendida em 2007.

Pessoas teriam “ligações” por serem clientes de empresas gigantes, presentes em dezenas de países, ou então apenas porque há escritórios num mesmo prédio. Esse é o Amaury. Aclamado como ESPECIALISTA…

Voltando a Ricardo Sérgio

Passada essa falta total de ligação entre a personagem principal do livro e seu principal acusado político, há ainda disparidades impressionantes. Amaury passa boa parte do livro chamando Ricardo Sérgio de “ex-tesoureiro de Serra e FHC”.

Isso lembra o ano de 2002, quando a Folha de São Paulo (mídia má…) divulgou que haveria ligação entre Serra e Ricardo Sérgio (tesouraria de uma campanha, em 1994). Na época, eu era petista (mea culpa…) e, claro, achei aquilo tudo um absurdo.

Ocorre que, depois dessa campanha de 1994, não há QUALQUER vínculo entre Ricardo Sérgio e Serra. Nada. Nenhuma ligação, nenhum encontro, nenhum “documento” (mesmo esses entre aspas, Amaury Style). Nada vezes nada.

FHC o nomeou para uma diretoria do BB, sem qualquer interferência de Serra. Ministros foram flagrados em ligações telefônicas, mas não quem o autor tenta vincular a Ricardo Sérgio. E há ainda um trecho interessante: apesar de afirmar que Ricardo Sérgio seria amigo de Clóvis Carvalho e Mendonça de Barros, o autor o chama de, entre outras coisas, “homem de Serra” – mas ao mesmo tempo diz que ele arrecadou dinheiro para as campanhas de 1994 e 1998 de FHC.

E mais:

Foi o único diretor do BB não indicado pelo presidente do banco, Paulo César Ximenes, e também o único com acesso a FHC.” (pág. 84 e grifos nossos)

Acesso direto ao Presidente da República, ligações telefônicas com ministros ligados às privatizações. São essas as “acusações” apresentadas por Amaury e que o fazem concluir que Ricardo Sérgio seria… “homem de Serra”.

Taí a óbvia intenção de ataque político do livro.

Sobre outras ligações de Ricardo Sérgio, o autor diz o seguinte (pág. 66):

A Infinity Trading, de Jereissati, favoreceu a Franton, de Ricardo Sérgio, com dois depósitos. O primeiro, de 18 de janeiro de 2000, somou precisamente US$ 246.137,00. E o segundo, no total de US$ 164.085,00, aconteceu em 3 de fevereiro do mesmo ano.” (grifos nossos)

E acrescenta (pág. 72):

A corrida para comprar as estatais havia rachado o governo. De uma parte, o grupo de Mendonça de Barros e do presidente do BNDES, André Lara Resende. De outra, Ricardo Sérgio e sua turma. A primeira facção operando em benefício do consórcio integrado pelo banco Opportunity e a Telecom Itália. A segunda, junto ao Telemar, de Jereissati, mais Andrade Gutierrez, Brasil Veículos, Macal e Aliança do Brasil. Os dois litigantes almejam a adesão da Previ.” (grifos nossos)

Mas, de repente (pág. 92):

Parceiro de Dantas no processo de privatização, Ricardo Sérgio lançou mão do mesmo estratagema para movimentar recursos no exterior.” (grifos nossos).

Parceiro de… DANTAS? Sim, Amaury tira essa conclusão mesmo depois de uma miríade de acusações de favorecimento ao grupo de Jereissati e Andrade Gutierrez, dizendo que quem operava em favor de Dantas era o grupo de Mendonça de Barros e André Lara Resende (são acusações do próprio autor, não as ratifico em tempo algum). O dado curioso é como diabos ele se contradiz dessa forma e ainda por cima tenta manter vínculos com quem é objeto de seu ataque político.

Familiares

A nota de Veronica Serra praticamente demole todas as acusações débeis de Amaury, como a de ser “sócia” de uma empresa quando, na verdade, fazia parte da diretoria (e esta, como qualquer um sabe, é SUBORDINADA não apenas aos efetivos sócios como também ao CEO).

Isso de citar familiares é sempre um prato cheio para a turma da má-fé. Afinal, como ganhou dinheiro? Ora, basta fazer uma pesquisa simples. Tudo devidamente honesto e objeto de reportagem em… 2000! Vejam este perfil traçado pela IstoÉ Dinheiro, trechos a seguir:

 Verônica Serra – Você não conhece, mas a filha do ministro pode ser a mulher mais importante da Internet brasileira – Quantas mulheres importantes existem na Internet brasileira? Se você está com dificuldade em lembrar de um nome, anote este: Verônica Serra. Ela tem 30 anos e diz que já ganhou na rede mais dinheiro do que sonhava ganhar a vida inteira. Ativa e bem relacionada, a moça pilota do Itaim, como sócia, o escritório latino-americano da International Real Returns (IRR), uma empresa de administração de ativos com US$ 600 milhões de capital europeu. Nos últimos 13 meses, essa advogada com MBA em Harvard ajudou a criar 12 empresas de Internet (oito delas fora do Brasil) e montou uma teia de relações que a coloca no centro do nascente setor de capital de risco brasileiro. No seu currículo estão sites conhecidos como Zoyd, Decidir e Superbid. “Ela é uma das pessoas mais argutas que eu conheço”, opina o empresário Marcos de Moraes, sócio fundador do portal ZipNet, que andou discutindo negócios com a jovem capitalista. “Seu trabalho se destaca do resto do mercado pela qualidade dos projetos.” Ah, sim: Verônica é a filha mais velha do ministro José Serra, da Saúde, mas acredita que isso não tem importância no seu ramo de negócios. “Quem está na Internet não tem nada a ver com a área dele”, afirma. “Por ter feito o que fiz, tão cedo, as pessoas percebem que não há relação de favorecimento.” (…) O pulo do gato da sua carreira de capitalista de risco foi Harvard, para onde Verônica mudou-se em 1995 com uma bolsa de estudos. Lá, conseguiu o primeiro trabalho com fundos de investimentos, em uma companhia de administração de recursos chamada Leucadia. Seu desempenho ali levou-a à IRR. Mas os dois anos em Harvard serviram, sobretudo, para que montasse uma rede de relações pessoais que são a chave do seu trabalho, aquilo que os americanos chamam de networking. Mesmo os concorrentes que não gostam do seus estilo – arrogante, dizem — admitem que a moça tem excelentes contatos. Foi um amigo de curso que a colocou em contato, por exemplo, com os jovens argentinos que fundaram o site de finanças Patagon. Quando eles quiseram entrar no Brasil, em janeiro de 99, Verônica ajudou a contratar um CEO, arranjou parceiros estratégicos e deu conselhos gerais para o implante do negócio. Foi paga com ações da companhia. No início de março, quando o banco Santander comprou 75% da Patagon por US$ 550 milhões, as ações de Verônica já valiam 100 vezes mais. E ela não vendeu (…) Quatro projetos. Além de torná-la pessoalmente rica, o negócio da Patagon abriu para Verônica as portas para outros projetos latino-americanos. Hoje, ela tem no currículo quatro empresas na Argentina, duas no Chile e três nos Estados Unidos, lançadas por empresários latinos. Ela entra com assessoria, participação de 5% a 20% do negócio e, algumas vezes, atração de outros investidores. Os planos desses empreendedores chegam a ela, entre outras vias, pelo Círculo Pinguim – uma rede informal montada em torno dos fundadores da Patagon e seus amigos. A maioria deles, como Verônica, tem passagens nas universidades americanas. Isso é 100% networking, e funciona…” (grifos nossos)

Uma trajetória de sucesso, formação em Harvard, atuação com êxito em diversos contratos e negócios. O perfil é um passo-a-passo do início da carreira da advogada e executiva; não há qualquer vínculo com o setor público, nem empresas a ele ligadas.

Ao contrário, por exemplo, de Lulinha, o ex-guia do Zoológico que, de repente, recebeu aporte milionário em sua empresa justamente do grupo Telemar, de Jereissati/Andrade Gutierrez. Depois disso, o governo mudou as regras das telecomunicações e foi possível a fusão Oi-BrT, ajudada por empréstimo do BB e aporte do BNDES.

Eis a singela diferença entre duas trajetórias. Amaury viu problemas na primeira e ignorou a segunda. O mesmo faz a militância online petista. Mas os fatos são os fatos.

Outra personagem que aparece no livro é Gregório Preciado, tratado como “sócio” ou “primo” de Serra – sendo que não é nenhum dos dois. Quando o ex-governador voltou do exílio, e antes de entrar em qualquer governo ou exercer mandato, comprou um terreno a prestações junto com sua prima-irmã – aliás, vendido depois de amortizado, em 1995.

Como foi o marido dela que fez o negócio por ela, Serra é tratado em todo o livro como sócio empresarial do marido da prima, sem que haja menor evidência de “sociedade”. No livro inteiro, porém, é apontado como “sócio” do cara.

Esse é o Método Amaury de associar pessoas para tentar dar sentido a seu arrazoado de acusações falsas.

A Propaganda

O livro foi lançado em dezembro de 2011, logo após (semana seguinte, mesmo) surgirem acusações de corrupção envolvendo o ministro Fernando Pimentel (PT/MG) – o mesmo que foi vinculado a Amaury no episódio do “bunker de inteligência” que trouxe à tona o caso de sigilos fiscais quebrados.

Falavam no panfleto de Amaury desde as eleições, mas só foi publicado depois que a batata de Pimentel começou a assar. Evidentemente, apenas uma coincidência. Claro.

O que não foi coincidência é o fato de que APENAS A REVISTA CARTA CAPITAL tivesse recebido exemplar. Na mesma sexta-feira em que o livro foi lançado, a revista circulava com matéria endossando as mentiras e bobagens.

Passou-se, então, a cobrar da “grande imprensa” – QUE NÃO HAVIA RECEBIDO O LIVRO! – a divulgação. Como não falaram nada, veio a tese do “boicote” ou mesmo “censura”. Um blogueiro que possui contrato e dívida milionários com o governo federal qualificou a “obra” como “reportagem da década”. Dados seus padrões, faz sentido…

E aí criou-se o “Mito do Especialista” – alimentado também pela ladainha de que tivesse estudando o tema por “dez anos”. Bobagem. Não é especialista em nada, a não ser em mentir ou confundir-se. E são confusões tão toscas que chega a assustar o fato de terem dado ouvidos a ele.

A carreira de Amaury será analisada no próximo capítulo, mas podemos apontar algumas bobagens além das já examinadas. Ele acusa, por exemplo (pág. 91), a movimentação de US$ 30 bilhões. Sim, você leu corretamente: TRINTA BILHÕES DE DÓLARES. Vejam o que é isso em valores de 2002. Apenas um trecho:

O setor automotivo ocupou a liderança em faturamento, ao contabilizar US$ 30,57 bilhões em vendas. O setor de atacado e comércio exterior veio em seguida, com uma receita de US$ 30,29 bilhões. Com faturamentos de US$ 28,27 bilhões e US$ 27,32 bilhões, ficaram, respectivamente, o terceiro e quatro colocados, representados pelo comércio varejista e o setor de telecomunicações.”

Como se vê, Amaury joga valores a esmo para ver se cola, assim como liga pessoas sem ligações ou inventa que gigantes do mercado financeiro teriam sido incorporados por empresas de porte médio.

O especialista, que confunde sociedade e diretoria, seja por burrice ou má-fé, também “acusa” um fundo de ter o endereço da instituição financeira a ele ligado (e isso é obrigação legal!),

Para se ter idéia do marketing da coisa, o subtítulo do livro fala em “documentos secretos…”, mas NA NOTA DO EDITOR (pág. 10) há o seguinte: “…calcados em documentos oficiais obtidos em juntas comerciais, cartórios…”.

O pior de tudo é que tais documentos, como já demonstramos, não provam coisa alguma. São fac-símiles e cópias reprográficas que dão aquele ar de “coisa séria”, mas são inócuos – e o ridículo chega ao ponto, como dissemos, de colocar foto da fachada de um banco.

Enfim…

Comprovamos e demonstramos que o livro, além de mentiroso no conteúdo, é um engodo também no método, na forma da elaboração de “tramas”, vínculo de pessoas e “documentos” que nada provam (ou são falsos, como a situação financeira de uma empresa quatro anos após o afastamento de quem – também falsamente – ele diz ser sócia).

Até mesmo a publicidade por ocasião do lançamento é risível, com direito a boatos estapafúrdios como os de “boicote” ou “compra de todas as edições para ninguém na livraria ter acesso” (sim, chegaram até mesmo a esse ponto).

Na semana que vem, publicamos o último capítulo de nossa série sobre o livro.

Depois de abordar conteúdo e forma, falaremos de Amaury, o autor (sobretudo a história real da quebra dos sigilos, com cópias de relatório oficial); Emediato, o editor-entusiasta; blogueiros ligados ao governo que participaram do movimento de divulgação, imputando à obra verdade absoluta (comprovando que ou têm má-fé ou definitivamente não entendem nada de coisa alguma) e, claro, os “mandantes” e aqueles que ficam “bem na fita” com o livro.

Aguardem…

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25 Comentários

25 Comments

  1. Sergio Oliveira

    27 de janeiro de 2012 at 14:59

    Não li o tal livro. Aqui uma análise que achei na internet

    Análise inicial do livro Privataria Tucana

    Luiz Ferreira Borges

    O livro tem 340 páginas e somente 13 folhas sobre os processos de
    Desestatização (que segue tendo aplicação até hoje), confundidos com a
    privatização brasileira dos anos 1990, envolvendo os governos Collor,
    Itamar e Fernando Henrique Cardoso.
    O autor trata, como parte de seu tema, privatizações realizadas por
    governos do PDT (Eselsa), do PMDB (CSN) entre outros.
    O autor, embora alegue dez anos de pesquisa, não fez qualquer trabalho
    dessa natureza nos arquivos do Programa Nacional de Desestatização – PND
    existentes no BNDES e cita o nome só de membros de sua alta administração,
    sem nenhuma acusação fundamentada. Teria sido fácil entrevistar pelo menos um dos mais de cem técnicos envolvidos com o processo no BNDES, nos bancos estaduais, no CADE e em outros órgãos do Estado ligados à gestão do programa.
    O autor não cita uma só vez nada das sete toneladas de documentos que foram enviadas à CPMI da Privatização realizada no Congresso Nacional durante o Governo Fernando Henrique Cardoso.
    Também não leva em conta a existência de aprovações de contas do programa pelo TCU ou os inquéritos arquivados que foram abertos pela Polícia Federal. Não há qualquer extrato dos milhares de processos judiciais movidos contra
    o PND.
    Também foram ignoradas as legislações federal, estadual e municipal
    aprovadas para dar sustentação à gestão do PND. Exceto duas obras citadas em pé de página, não houve a preocupação de consulta bibliográfica aos milhares de livros, monografias, artigos e comentários feitos na Academia sobre o tema, no Brasil e no exterior. Aliás, o livro não traz bibliografia consultada ou indicações de acesso à internet.
    As 50 indicações de pé de página usam jornais cinco vezes, revistas
    semanais dez vezes, livros duas vezes, internet duas vezes e transcrições
    de autos duas vezes (não relacionados ao PND).
    O autor também não se deu ao trabalho de ler as prestações de contas feitas
    à sociedade pelo BNDES sobre o PND e, especificamente, sobre os processos
    de venda citados. As demonstrações financeiras das empresas desestatizadas também não foram utilizadas para qualquer referência sistemática no texto do livro.
    O livro trata de outros assuntos, com diferentes graus de profundidade,
    como a família do então ministro José Serra, o próprio Amaury Ribeiro
    Junior (que se cita em diversos pés de página), o banco Opportunity e os
    seus controladores, o Banestado, o traficante João Arcanjo, o senhor Marcus
    Valério, a família Maluf, o caso Baumgarten, as brigas internas de PSDB e
    PT, inclusive quanto ao uso do aparelho do Estado, a operação Satiagraha da
    Polícia Federal, a descrição dos instrumentos sobre lavagem de dinheiro, o
    caso INSS versus Jorgina Freitas entre inúmeros outros.
    Os três capítulos que tratam da Privatização serão analisados de forma mais
    detalhada, mas não encontrei mais do que opiniões ou ilações mal costuradas.
    Minha conclusão é de que, pela sua irrelevância para a história do BNDES, o
    livro Privataria Tucana não traz nenhuma acusação que mereça ser
    oficialmente rebatida pela APA, embora possa pensar em ações em caráter
    pessoal para questioná-lo sobre esses pontos. Nesse sentido pergunto se
    algum dos colegas foi procurado pelo autor na montagem de sua obra?

    Luiz Borges é ex-funcionário do BNDES
    e passou o dia do Natal analisando o livro.
    (Publicado na Tribuna da Imprensa na internet, 27.12.2011)

  2. danir

    27 de janeiro de 2012 at 12:41

    Pelo visto o Alexandre, não tem lido os blogs oposicionistas. Caso contrário ele teria percebido que os outros blogs oposicionistas de forma clara demonstraram todos os pontos que o implicante está colocando de forma ordenada e agrupada. Lembremos que o assunto foi amplamente discutido e exposte já em Dezembro e o Implicante anunciou que em Janeiro publicaria esta resenha. Na verdade o que ocorre é que o Implicante prestou um serviço para mentes confusas como a do citado cidadão, agrupando e delineando o mecanismo desta suja maracutaia que é o livro em questão. O trabalho do Implicante se soma ao já exposto pelos outros blogs comprometidos com a verdade e clareza dos fatos, e pessoalmente tenho acompanhado e quardado os textos justamente por agrupar uma série de informações que estavam dispersas. Aguardo o último capítulo desta emocionante série. -A propósito Alexandre; não sei se o que você quer dizer por blogs oposicionistas tem o mesmo significado do que eu quero dizer i.e. “Blogs que sistemáticamente mostram a mentira e empulhação que o pt representa, e suas ações imorais, ilegais e inconstitucionais”. Talvez você queira dizer blogs que se opoem àqueles que percebem a desonestidade visceral do pt e de seus áulicos. Você está virando uma lenda.

  3. Pedro Bó

    27 de janeiro de 2012 at 10:38

    Esse Alexandre não cansa de levar porrada na cara?

    Além de ser obtuso ainda é masoquista?

  4. antonio vasconcelos

    26 de janeiro de 2012 at 22:47

    a série sobre o livro(?) está ótima. amaury tenta lutar contra a lógica das coisas e escreve absurdos que só podem ser comprados por quem torce muito contra serra e cia ou por quem está de má-fé, como já destacado pors vcs. falando em má-fé, tem blogueiro que se diz grande entendedor do sistema e instrumentos financeiros e que corrobora o lixo do amaury. pra isso cabe processo também. espero que a família serra processe não só o autor, mas também quem dá publicidade e faz festinha em torno do livro.

  5. Tanarim

    25 de janeiro de 2012 at 20:25

    Parabéns pela análise! Excelente argúcia e perspicácia. Chavão do momento: “Nada resiste aos fatos”.

  6. alvaro

    25 de janeiro de 2012 at 01:51

    A coisa é tão nojenta que só os imbecis leitores do blog do mascate de mão peluda não enxergam os anuncios da Caixa e da Petro no blog do vendilhão, O cara é descaradamente finciado pelo governo do PT. Mas é bom lembrar que o mascate também lambeu o saco do Serra e do FHC, e chamava Lula de radical e com pouco jogo de cintura. Iesto tudo, óbviamente, durante o governo do PSDB. É tudo por $$$$, como diria $ilvio $anto$.

  7. Leonardo

    25 de janeiro de 2012 at 00:54

    E o jornalista do bofe de elite vai pagar trintinha para o Paulo Preto hehehehehehehehe e ainda diz que não perde processo, só rindo dele

  8. Carvalho

    24 de janeiro de 2012 at 13:42

    Pá de cal no Léo Jaime da Pampulha! Esse pessoal tem que saber que suas mentiras, seus confusos construtos baseados em ilusões e intenções negativas, podem ser destroçados e mostrados pelo que de fato são se ao menos alguém com o dom da razão se dispuser ao chato trabalho de desconstruir trapaças e engodos. Parabéns ao Gravataí pelo empenho em trazer às claras o que todos nós percebemos ao ler duas páginas do livro ou ao olhar para a cara do seu autor. A emanação da má-fé é facilmente percebida.

    O livro é tão irrelevante que citá-lo já é motivo de vergonha e seus “fatos” não tiveram nenhum desdobramento. E olha que estamos num governo do PT que teria todo o interesse de jogar mais lama na dita “herança maldita” de FHC.

    Como todos os “patos”, o Repórter-especialista cumpriu bem seu papel no baixo mundo do lulo-petismo e agora já está sozinho, jogado aos leões.

    Esse tipo de atitude precisa ser desencorajada, mas sempre haverá empresas de mídia “”financeira e editorialmente independentes”” como a Carta Capital. Esse é o sinal dos tempos do Lulo-petismo, onde vícios aparentam virtudes, e a tal “mídia golpista” é o pouco que ainda temos de bastião da nossa democracia, da nossa ordem.

  9. José Gomes

    24 de janeiro de 2012 at 12:08

    Muito bons, os dois artigos. Mas eu estou doido é para ver os nomes do mandantes. “Os que ficam bem na foto”. Já sou até capaz de citar alguns nomes, assim de relance……………

  10. Thiago

    24 de janeiro de 2012 at 10:19

    Alexandre

    Conta para a gente… você gosta dessa frase aqui né? “conte uma mentira mil vezes e ela se tornará verdade” … Deve ser por isso que existem tantos blogs pró-governo… tudo começa a fazer mais sentido no mundo perfeito dos PTistas!

  11. A Carioca

    24 de janeiro de 2012 at 07:47

    Se passou pelo rigoroso “selo Alexandre de desaprovação” é por que é bom.

  12. Thiago

    24 de janeiro de 2012 at 01:14

    O problema é ter que ler esse tipo de coisa… =/

    https://www1.folha.uol.com.br/poder/1038450-para-fhc-aecio-neves-e-candidato-obvio-em-2014.shtml

    Tá na hora do PSDB acordar ou sumir do mapa de vez! Tá virando piada de mau gosto! Chega a embrulhar o estomago!

    Sobre o texto, não tem o que falar a não ser que é excelente! E que durante todo o texto é demonstrado como o “autor” do “livro” não conhece nada do tema e quem fala sobre o mesmo, participa da ignorância, seja por ignorância mesmo ou por má fé, como bem dito durante o texto!

  13. amauri

    23 de janeiro de 2012 at 22:58

    E a Carta Capital também será processada? Eles apostaram na mentira, tem que sofrer um
    processo, pela pressa em divulgar o livro, acho que já estava tudo combinado.

  14. alexandre

    23 de janeiro de 2012 at 20:33

    Decepção total esse tal “dossiê contra o livro do Amaury”. Não contesta de maneira objetiva as provas do livro. Tanto é verdade o que digo, que se esses dois artigos “derrubassem” o livro do Amaury, seria reproduzidos em blogs oposicionistas. Ninguém deu a menor bola !!!!

    (Gravz: Interessante esse seu sistema… Só há validade num artigo se ele é REPRODUZIDO num BLOG OPOSICIONISTA. Dica: este blog é oposicionista. QUanto às “provas”, quais são mesmo? Foto do banco? Uma ficha de breve relato de uma empresa, emitida QUATRO ANOS após o afastamento de quem ele acusa? Cópia reprográfica de um documento de CPI, alegando ser o RELATÓRIO, mas que na verdade é uma transcrição – NÃO APROVADA NO RELATÓRIO FINAL – de petição do Francisco de Souza – que também não deu em nada? Sim, refutei vários “documentos”. Os principais, dos quais decorrem outras xerox sem pé nem cabeça. E quando você diz “não gostei” é porque tá ótimo. Obrigado, Ale :D)

  15. Sam Spade

    23 de janeiro de 2012 at 18:18

    Ihh! Gravz, você já foi petista? Eu também (ai que vergonha!) já fui, mas felizmente me curei sozinho, sem ajuda de tarjas preta e de psiquiatras. Sugiro os ex-petistas fundarmos a AExPA (Associação de Ex-Petistas Anônimos – anônimo por ser motivo de vergonha) para tentar resgatar essas pobres criaturas petistas de suas cavernas mentais.

  16. Carlos Munhoz

    23 de janeiro de 2012 at 18:16

    Não sobrou nada…. Se o Amaury ler isso, vai entrar em depressão, tadinho!

  17. Luiz Fernando

    23 de janeiro de 2012 at 17:35

    Opa! Apareceu o rabo do traíra mineiro na resposta ao Marco Antonio.Por favor, na semana que vem mais detalhes.

  18. Marco Antonio

    23 de janeiro de 2012 at 16:27

    Tudo bem o livro e falso, so o fato de estar associado a carta capital ja e um lixo, uma coisa nao entendo o silencio do Serra,nao refuta nada no seu Blog,como se nada fosse com ele,nao basta dizer q e mentira,lamentavel essa postura, na campanha ja escondeu as privatizaçoes,lamento por nos,teremos q aturar o petismo por mto anos.
    Uma coisa devo admitir com tristeza o Petismo consegue lançar um livro com dados falsos e o PSDB com tamanho legado e conquistas das privatizaçoes,ate hoje nunca lançou nada,acho q ja esta na hora de contar a versao oficial das privatizaçoes atraves de um livro, se nao esse livro estara ai por decadas contando uma mentira como uma versao oficial,reagem tucanos,ate mais.

    (Gravz: Pelo que li em nota pública, haverá sim processo. É que demanda tempo, obviamente, para montar toda a ação. Qualquer mínimo detalhe pode comprometer tudo. Quanto ao mais, concordo, o PSDB poderia e deveria também processar. Até porque o autor atribui a um tucano a “ordem” de iniciar “investigações”)

  19. rogerio lima

    23 de janeiro de 2012 at 15:49

    wow…texto objetivo e detalhista.não consigo imaginar como os blogueiros a soldo(caloteiro,o do bispo e secundários) conseguiriam rebater esse texto. na verdade, pela falta de argumentos,creio que eles pararam de escrever qualquer linha sobre o conteúdo mentiroso do livro. estão com medo de serem processados e perderem(seria a enésima derrota judicial do caloteiro).

  20. Airton

    23 de janeiro de 2012 at 15:40

    Quando é perguntado aos entusiastas defensores do “livro” , o porque do PT que já está a 9 anos no poder não ter processado ninguém ou ter desprivatizado qualquer umas das empresas , eles simplesmente somem .

  21. Hay

    23 de janeiro de 2012 at 15:36

    Deixem-me antecipar algumas respostas de puxa-sacos do governo:
    “Mimimi 99,9% do texto é uma entrevista com a Verônica Serra”. Como todo puxa-saco do governo, este tem sérias dificuldades com contas simples, não tem noção de proporção e acredita em qualquer coisa que seja dita por outros lambe-saco do governo. Sabe como é, usar o cérebro é muito difícil, melhor é deixar a dignidade de lado para se transformar em um golem.
    “Mimimi você não apresenta argumentos”. Para um bom puxa-saco do governo, seria preciso ter um vídeo com uma confissão detalhada, um documento assinado em 10 vias, digitalizado e assinado digitalmente e com uma gota de sangue do autor no documento original original. Mesmo assim, o puxa-saco do governo diria que são provas forjadas.

  22. Guca Domenico

    23 de janeiro de 2012 at 14:53

    Amaury Ribeiro Jr.moído e torrado pelo artigo.

  23. Leonardo

    23 de janeiro de 2012 at 14:26

    Se espera o comentário estapafurdio do famosssimo Alexandre.

  24. Luiz Fernando

    23 de janeiro de 2012 at 13:37

    Está na hora de ser lançado o livro “A mentira da privataria tucana”Será que o PT compra?Processo nele.E vai sobrar para o senador mineiro.

  25. silvio

    23 de janeiro de 2012 at 12:37

    PERFEITO ! GOSTEI! ARTIGO PARA SE LER VÁRIAS VEZES, PARA ENTENDER MELHOR. BOM TRABALHO. AGUARDO A PARTE FINAL. UM ABRAÇO

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