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Em protesto contra decisão de Haddad, taxistas devem entrar em greve às vésperas da Copa

Além do problema com transporte, a cidade de São Paulo deve ter problemas com a própria FIFA, ao entregar o Itaquerão sem seguir o padrão exigido pela entidade.

HADDAD-FORA

Ameaçando o bom andamento de grandes eventos, movimentos sindicais brasileiros sabem que conseguem chamar mais atenção para as suas causas. Foi o que aconteceu quando os garis do Rio de Janeiro resolveram interromper suas atividades em pleno carnaval, deixando as ruas cobertas de lixo e os banheiros químicos sem manutenção, alcançando, assim, um aumento de 37% em seus salários.

Com a proximidade da Copa do Mundo, um acontecimento de proporções mundiais, outras manifestações estão a caminho. Os taxistas de São Paulo, que já fizeram protestos em dezembro do ano passado, agora estudam entrar em greve às vésperas da competição. O motivo é a proibição da circulação de táxis nas faixas exclusivas dos ônibus.

A partir desta segunda-feira (17) os táxis não podem mais circular pelos corredores de ônibus de segunda a sexta-feira em horário de pico –das 6h às 9h e das 16h às 20h– na cidade de São Paulo. A decisão foi tomada pela prefeitura seguindo uma recomendação feita pelo MP (Ministério Público) sobre a questão.

Em resposta, o porta-voz de uma das cooperativas de taxistas da cidade, José Jovino, disse que eles precisam mandar um recado para o prefeito.

“Vamos paralisar a cidade e o prefeito terá que entender que sem um sistema de ônibus e metrô bons, os turistas e os próprios paulistanos têm o táxi como um de seus principais meios de transporte para a Copa”, declarou Jovino à Agência Efe.

Segundo a prefeitura, a fim de compensar a proibição, os táxis agora poderão circular em outras vias que antes eram restritas ao transporte público em massa, mas Jovino afirma que o caos no trânsito tende a piorar.

Itaquerão será entregue incompleto

Além dos problemas com transporte, a imagem de São Paulo deve ficar ainda mais manchada por causa do Itaquerão, onde ocorrerá a abertura da Copa. O estádio será entregue incompleto, sem atender a todas as exigências da Fifa.

A Folha apurou que a Fifa já foi avisada que a cobertura do estádio não estará finalizada; camarotes e áreas comerciais não terão acabamento pronto; e os telões não estarão instalados – a empresa responsável por isso nem sequer foi contratada.

As áreas VIPs, por exemplo, onde circularão os chefes de Estado, não terão os carpetes nem as luminárias exigidos pela entidade; em vez disso, o chão será de cimento. Os setores comerciais, se muito, deverão contar com refletores provisórios onde ficarão estandes de parceiros da Fifa.

Os espaços internos para lanchonetes também preocupam a entidade. O Corinthians prevê a entrega das salas com o piso no cimento, sem forro no teto e com tijolos aparentes nas paredes.

Por um bom tempo, São Paulo esteve com sua permanência como sede da Copa ameaçada graças à má vontade política do governo federal, que não dialogava com a prefeitura e o governo do estado, até então ambos ocupados por partidos de oposição. Agora ao menos o comando municipal está também na mão do PT. O que deveria representar facilidades, findou esbarrando na mesma falta de diálogo, desta vez com uma categoria tão forte na capital como é a dos taxistas. Somada à incapacidade de entregar obras no prazo, representada pelos problemas na construção do Itaquerão, resta a dúvida sobre se não teria sido melhor São Paulo ter tido o mesmo destino de Florianópolis, que assistirá a copa apenas pela TV.

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2 Comentários

2 Comments

  1. Alexandre Sampaio Cardozo de Almeida

    20 de março de 2014 at 10:06

    São Paulo, 20 de março de 2.014

    Prezados do Implicante,

    Não gosto do PT, não gosto do Haddad, mas taxista não é trouxa. São profissionais liberais. Se fizerem greve deixam de ganhar dinheiro. Não é a mesma mamata de funcionários publico que fazem greve e recebem em dia seus vencimentos. Ademais, grande parte dos taxistas de São Paulo são frotistas, ou seja, profissionais que pagam pelo uso do veículo, pois não são proprietários dos mesmos. O pagamento é diário. Haddad sabe disso. O MPSP sabe disso. Por isso que essa é uma ameaça vazia, assim como a administração do PT.

  2. Roberto

    20 de março de 2014 at 06:49

    Esta história dos táxis nos corredores tem motivos mais simples: nos corredores que eles podiam circular, os ônibus das empresas que lá circulam teriam que ganhar velocidade. Só isso possibilitaria que eles também pudessem ser contemplados com um aumento (indireto) de tarifas, como ganharam as outras empresas que circulam nos corredores criados recentemente.
    Explico: nos corredores mais recentes, o tempo de espera pelos ônibus é rigorosamente o mesmo. Oras, se a velocidade dos ônibus aumentou e as latas de sardinha continuaram a ser… latas de sardinha (me desculpe a tautologia), isso só pode significar uma coisa: a frota diminuiu. Ou seja, mantiveram o faturamento anterior com menos ônibus em circulação: olha o aumento aí gente! Querem outra evidência? Se a frota e o intervalo entre as saídas tivessem sido mantidos como antes da criação dos corredores, eles circulariam mais vazios, pois fariam mais viagens por hora, e os terminais estariam entupidos deles. O duro é que nenhum jornalista se interessou pela questão. A ojeriza deles aos cálculos deve explicar este desinteresse.
    Taí uma boa questão para as provas de física nos vestibulares…

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