Em um ano, a TV paga perdeu no Brasil mais de 250 mil assinantes, metade disso em um mês

A forma como a sociedade se comunica e se informa tem sido o centro das maiores mudanças deste final de século. A popularização dos canais pagos havia afetado a TV aberta há uma década. Agora, com o advento dos serviços de streaming na web, o feitiço se voltou contra a programação por assinatura. Entre maio de 2016 e 2017, nada menos do que 262.565 lares brasileiros deixaram de contratá-la.

Proporcionalmente, ainda se trata de uma queda simbólica, de apenas 1,39%. Mas metade dessa perda foi observada entre abril e maio deste ano, o que demonstra uma acentuação do fenômeno. Que só não foi mais intenso pois alguns estados, justo os de IDHs mais minguados, ainda se encontram no momento anterior, aquele em que a população começa a ir além das emissoras abertas.

A discussão interessa ao debate político pois, em janeiro, o governo Temer, nitidamente sob pressão do setor, chegou a confirmar que o brasileiro precisaria passar a contratar provedores com limites de dados até mesmo na banda larga. Dois meses depois, contudo, uma lei no Senado tentava proibir iniciativas do tipo.

Se o fenômeno seguir ganhando corpo, não será estranho uma nova investida contra os interesses do povo, coisa que em Brasília costuma ser apenas um detalhe.

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