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Governo “tira 13 mil famílias da miséria” lhes dando R$ 2

Notas de 50 reais. Foto: Pixabay.

O governo Lula sempre é defendido com a bazófia de que teria tirado “40 milhões de brasileiros da miséria”. A conta simplesmente não fecha, mas sempre que um petista é acuado em um debate envolvendo a malversação do PT saca de pronto a arma: “Tirou 40 milhões da miséria”.

Poderíamos então presumir que a década de governo petista criou regras mais sólidas para empresas gerarem riqueza, passada à população que passa a trabalhar para elas, quando antes não tinha nada. Poderíamos imaginar que enxugou a máquina pública, fazendo com que os produtos com alto percentual de impostos e média de 2,3% de lucro em seu preço ficassem mais acessíveis ás populações de baixa renda (o Brasil faz parte do trágico rol de países que quer aumentar a riqueza taxando o consumo). Pior ainda pensar assim.

Na verdade, tudo não passa de uma gambiarra estatística.

O Brasil mantém algum enriquecimento graças à conjuntura global, embora todo o período petista seja o período dos nossos últimos 50 anos em que menos se cresceu em relação ao mundo, o que significa que a riqueza gerada pela força trabalhadora está indo para o bolso de políticos.

Todavia, para poder “fechar a conta”, o governo cria programas assistencialistas e eleitoreiros que, ao invés de funcionarem como o “imposto de renda negativo” de Milton Friedman (defendido também por John Rawls), que permite que as pessoas entrem na zona economicamente ativa e prescindam de tais programas, apenas “introdutórios”, pouco tempo depois, apenas mantém os pobres com alguns trocados a mais, sentindo que sua vida “melhorou graças ao governo”, mas mantendo-os eternamente pobres (e eleitoralmente vantajosos). Não há produção de riqueza que gere produtos mais baratos ou de mais fácil distribuição para essas pessoas.

Enquanto a Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República define que a “classe média” brasileira é composta por quem tem renda entre R$ 291 e R$ 1.019 familiar per capita (por que tal afirmação geopolítica de estatística de botequim foi proferida pela Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência?), Dilma Rousseff fazia auto-elogio “errôneo” na revista The Economist afirmando que seu partido incluiu 40 milhões de pessoas na classe média. Com R$ 291 por cabeça até eu, né, minha nêga?

“16,4 milhões de ex-miseráveis apenas nos últimos sete meses!”

O método agora é impedir que famílias tenham renda mínima inferior a R$ 70 por cabeça. Para o governo, por exemplo, um casal com três crianças com renda mensal de R$ 350 é “miserável” (R$ 70 por pessoa). Com mais R$ 2 do novo programa “Brasil Carinhoso”, atinge R$ 352 e deixa oficialmente a “miséria” (com renda de R$ 70,40 por pessoa).

A meta de Dilma é “acabar” com essa miséria até o início de 2014 para poder se reeleger com novo chavão, repetido irrefletidamente por pensamento automático (e teme-se, obviamente, que a oposição não faça as contas e apresente rapidamente ao público).

A conta, novamente, não bate. De acordo o Ministério do Desenvolvimento Social, segundo reportagem da Folha, há ainda cerca de 600 mil famílias na extrema pobreza em todo o país. Antes do lançamento do Bolsa Família, em 2003, havia 8,5 milhões de famílias nessa situação, segundo a pasta.

Onde estão os 40 milhões, alardeados por Lula e Dilma? Por que só 8,5 milhões agora? Ademais, não há nada de estranho em haver 9,1 milhões na situação de miséria pré-Lula, e Lula ter acabado justamente com 8,5 milhões, restando agora apenas 600 mil para serem cuidados? Por que há tão pouco no futuro?

Por que, afinal, definir que a “miséria” acaba justamente com R$ 291 mensais familiares per capita (segundo a Secretaria Estratégica para reeleição da Presidência), ou com R$ 70 per capita (segundo o Ministério do Desenvolvimento, que precisa ainda cuidar do porvir)?

Com números tão próximos (quase 9 milhões “excluídos” da miséria, só restando 600 mil ainda a serem protegidos algo), dá pra se notar que, nitidamente, o governo só pretende redefinir os conceitos de miséria segundo o que bem lhe agrade e não exija muito dispêndio com pobres – aquela gente de que o PT quer distância, obediência e votos. A população não muda muito, a não ser em alguns caraminguás que recebe como novas bugigangas com que se comprava voto antigamente (como os comícios com cachorro-quente grátis do velho Rio de Janeiro). O PT apenas aprendeu a fazer isso em escala continental.

Deixando a miséria com R$ 2

Situação estranhíssima vivem as famílias que chegavam perto dessa renda proposta pelo ministério (famílias ganhando R$ 70 por pessoa), mas não a atingiam.

Solução? Além do Bolsa-Família, entregar R$ 2 com o programa Brasil Carinhoso para tais famílias, e propagar que, com isso, “saíram da miséria”. É a mentira comprada facilmente por setores “progressistas” de extrema-Humanas, pouco interessados em fazer contas na vida antes de apelar para estatísticas que não sabem explicar (ou mostrar onde estão os 40 milhões de “ex-pobres” e atuais classe-média, essa entidade paradoxalmente tão detestada por eles mesmos.

É o caso de Luiza Sousa, 51, desempregada em Demerval Lobão, no Piauí. Ganhando mais R$ 2 do Brasil Carinhoso, além dos  R$ 140 que já recebia do Bolsa Família, Luiza passou a engrossar a lista de “16,4 milhões de ex-miseráveis”, já que sua família  agora saiu da estatística.

cocos“Com R$ 2 não dá para comprar nem meio quilo de frango. Comprei um coco hoje com R$ 2”, afirma Luiza, mãe de quatro filhos, que tinha em sua cozinha pão, dois cocos e um pouco de arroz. Próxima a ela, moram Joelina Maria de Sousa, 31, e a filha Jucélia, 7, que também receberam R$ 2 para sair oficialmente da miséria. São esses R$ 2 (que não pagam uma viagem de ônibus simples em São Paulo) que geram uivos de comemoração em petistas. Afinal, saem “oficialmente” (ou seja, pela estatística oficial) da miséria. Na prática, ganham um coco.

Comemorando seu cambalacho, Dilma discursava em Teresina, no próprio Piauí: “Quando a gente tem essa preocupação de retirar da miséria (…) estamos não só praticando um ato moral, um ato ético, mas, também, nós estamos olhando para o futuro do Brasil”. Belos cocos, dona presidenta.

O programa Brasil Carinhoso foi criado em meados do ano passado para “erradicar a miséria”, o mesmo que o Bolsa Família já pretendia. Traduzindo: foi criado para dar um banho de loja – não nas pessoas que podem comprar pouco com tal soma, mas nas estatísticas do governo. Ou mais exatamente, do partido querendo se manter no governo.

O benefício do Brasil Carinhoso varia de R$ 2 a R$ 1.140, sendo que esse valor máximo é pago a apenas uma única família, segundo reportagem da Folha, que teve acesso a dados com base na Lei de Acesso à Informação (deve ser uma família bem grande, visto que está acima dos R$ 1.019 por capita familiar que são o “teto” do que é considerado classe média pelo governo). Não apenas as piauienses Luiza e Joelina são presenteadas com apenas R$ 2 do governo: há 13,1 mil famílias em todo o país recebendo tal montante do butim de impostos do governo.

A reclamação não é apenas nossa, como mostra Folha:

Economistas ouvidos pela Folha dizem que é preciso levar em consideração outros aspectos, além da renda da família, para se falar em erradicação da miséria.

“A saída da pobreza, efetivamente, é quando a pessoa tem condições de moradia, vestuário, educação, saúde e emprego para poder se autofinanciar”, diz Socorro Lira, coordenadora do doutorado em Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Jaíra Alcobaça, também da UFPI, afirma que iniciativas que trazem algum tipo de melhoria de vida são válidas, mas precisam ser encaradas como políticas emergenciais e também deveriam levar em conta as diferenças regionais.

Claro, poucos dias antes dessa notícia, um dos principais órgãos de atuação petista perante a população, seu bastião urbano de idéias com roupagem pseudo-universitária, a revista Carta Capital soltava a “chocante” reportagem: a riqueza dos 100 homens mais ricos do mundo seria capaz de acabar com a miséria do mundo quatro vezes.

Fazendo mais umas continhas, se tal fortuna (algo em torno de 240 bilhões de dólares), acabaria com a miséria no mundo quatro vezes, quer dizer que o Brasil “arrecadando” (eufemismo de “tomar dinheiro à força”) 1 trilhão e meio de reais acabaria com a miséria no mundo três vezes. Com um detalhe: a fortuna dos “alvos” de Carta Capital é trabalho de décadas, às vezes séculos. Já o butim que o governo toma à força do cidadão ele toma todo ano

Se é para estatizar a economia para poder “distribuir renda”, parece que a tentativa de passar R$ 1,5 trilhão por ano para garantir R$ 2 mensais (R$ 24 anuais) para 11 mil famílias foi a pior forma possível. Qualquer iniciativa privada faria absurdamente mais. Até Vakinha do UOL conseguiria R$ 266,4 mil anuais com a “população rica” do país, sem precisar de impostos.

Será mesmo que é dando um coco a mais para os miseráveis que podemos dizer que o governo está fazendo um bom trabalho de “tirar brasileiros da miséria” e “distribuir renda”, ou será que quem mais deve comemorar os impostos são os políticos dando migalhas à população para poderem tomar ainda mais reeleitos?

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21 Comentários

21 Comments

  1. Ruan

    14 de fevereiro de 2013 at 14:35

    Essa não é a única das estratégias do (des)governo petista. Há também a farsa da quitação da dívida externa.
    LULA assumiu o Brasil, em 2002, e devíamos:
    Dívida externa = 212 Bilhões
    Dívida interna = 640 Bilhões
    Total da Dívida = 851 Bilhões
    Em 2007 Lula disse q tinha pago a dívida externa. E é verdade, só que ele não explicou que, p pagar a dívida externa, ele aumentou a interna. Veja como ficou a dívida neste ano de “quitação” da dívida:
    Dívida Externa = 0
    Dívida Interna = 1,4 Trilhão
    Total da Dívida = 1,4 Trilhão
    E em 2010 = 1,9 trilhão (+ 1 trilhão de dívida em 8 anos. Os “Itaús” agradecem)

  2. Thiago

    14 de fevereiro de 2013 at 03:23

    Números… se bem manipulados, podem “falar” o que se deseja sem muitos problemas…

    O que aparece nas campanhas é o número de ex-miseráveis, não o quanto ganham per capita por mês… então, logo se nota que o importante é divulgar o primeiro e não o segundo!

  3. Sidney

    12 de fevereiro de 2013 at 15:29

    Sem dúvida nenhuma o Governo não sabe o que está falando, venha para o interior é veja a miséria que esse povo vive, quem ajuda é o próprio povo caso contrário isso seria uma calamidade.

  4. robson

    11 de fevereiro de 2013 at 17:45

    E aí Flávio Morgenstern, o que acha do capitalismo?
    https://www.pragmat….

    • Flávio Morgenstern

      18 de fevereiro de 2013 at 15:08

      Acho lindo um paraíso fiscal. Muito melhor do que viver num inferno fiscal. Diga aí que paraíso fiscal rouba a sua população como o nosso país faz.

  5. Patricia

    11 de fevereiro de 2013 at 13:46

    Como assim? Querem uma imprensa livre mas censura meu comentário. Isso aqui é uma piada.

    • Implicante

      12 de fevereiro de 2013 at 00:25

      Patrícia, comentários de artigos são moderados pelo autor do texto. Seu comentário será liberado em breve.

  6. Marcio

    11 de fevereiro de 2013 at 07:10

    COMO O PT SABE FAZER MAQUIAGEM!
    Todo governo comunista, como o PT possui uma arma importantíssima quase invencivel: PROPAGANDA
    Parecem com salão de beleza: são especialistas em maquiagem, é ver o PT quando fala que tudo vai bem, sem problema algum, tudo no controle. Mas suas contas são todas maquiadas, montadas.
    Eles estão acabando com o país, estamos a ritmo de Haiti e os grande culpados disso são também os idiotas eleitores que ainda votam nesse partido alienador de pessoas com propagandas falsas.
    UMA MENTIRA SEMPRE INSISTIDA E SEM REFUTAÇÃO VIRA VERDADE.
    2º mandamento dos comunistas dentre 10 ao total, diz ele: INFILTRE, E DEPOIS CONTROLE TODPOS OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO EM MASSA.

  7. Felipe

    6 de fevereiro de 2013 at 15:18

    “Um exemplo seria uma família de um casal e um filho que tem renda mensal de R$60, sem contar com os benefícios do Bolsa Família. Ao entrar no bolsa família, ela receberá uma quantia de R$70, que é o benefício base e terá uma variável de R$32 de complemente, tendo assim, R$102 de benefício. Sua renda então será de R$162, que, divididos entre os familiares, darão uma renda de R$54 por pessoa, o que lhes dará direito ao BSP. No exemplo acima, o benefício seria de R$50, o que lhes daria uma renda de R$212, tendo assim, cada membro, uma renda superior ao R$70, por mês”.

    Retirado do site brasilcarinhoso.net

  8. Luiz Carlos

    5 de fevereiro de 2013 at 17:43

    O 9 Dedos não dizia que iria comer seu coelhinho assado lá no ABC depois de sair do ‘governo’? O (***) mente para ele mesmo. Mas a nossa vitória, é ver esse (***) em vida, vendo seus comparsas descendo para o ‘sistema’ sem poder fazer nada, porque ele não é nada.

  9. Fernando

    5 de fevereiro de 2013 at 16:25

    Pelo que entendi, o governo Lula tirou 40 milhões de pessoas, já a folha conta em famílias. Aí a conta fecharia. Pelo menos essa.
    Só o que não fecha é o foto que todos esses brasileiros continuam na miséria.

  10. IvoHM

    5 de fevereiro de 2013 at 14:38

    Se bem me recordo, lá pelos idos de 2003, 2004, eles falavam em 30 milhões. O novededos até chorou no discurso de posse, falando disso. Eram 30 milhões. Como é que dez anos depois eles vem falar em 40 milhões? Que conta é esta? Primeiro eles tiveram que criar mais 10 milhões de miseráveis para depois tirá-los da miséria? Como se faz isto?

  11. William

    5 de fevereiro de 2013 at 07:57

    Só o que o governo tira de arrecadação dessas famílias “pobres” já supera qualquer outro benefício social.

  12. Marcos Jr.

    4 de fevereiro de 2013 at 18:23

    Como eu digo para meus amigos: com minha simples bolsa de iniciação científica já posso me considerar um felizardo da classe média. Resta saber se consigo “me pagar” com isso.,

    • Flávio Morgenstern

      4 de fevereiro de 2013 at 20:47

      Péra lá, uma Bolsa de IC pode pagar até uns R$ 800. Se isso for por cabeça, você está MUITO ACIMA da classe média, segundo o PT. A conta aí é por cabeça. Você já é elite dominante com essa ninharia.

    • Junior

      4 de fevereiro de 2013 at 23:23

      Parabéns por mais um excelente artigo, Flávio. Como sempre, disse tudo.

  13. Airton

    4 de fevereiro de 2013 at 17:15

    Eles falam que tiraram os 40 milhões da miséria , mas as favelas só aumentam , o número de ambulantes não diminui, o numero de de pessoas vendendo algo ou pedindo um trocado nos semáforos continua o mesmo , e por que será que isto acontece .
    Será que a tal nova classe média , enfia uma jacuzzi dentro daquele barraco que tem na beira do corrego ( esgoto ) e por isto não quer sair de local tão aprazível ?

  14. Henrique

    4 de fevereiro de 2013 at 16:05

    Provavelmente desenharam essa linha nos R$70 por que era o valor que sairia mais barato pra “tirar muita gente da miséria!”

  15. marlon

    4 de fevereiro de 2013 at 16:04

    Não posso reclamar da Dilma, ela me colocou na Classe Alta, mesmo eu ganhando a mesma coisa.

  16. Mulholland

    4 de fevereiro de 2013 at 14:27

    Um centavo acima da linha da miséria continua uma miséria.

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