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Inflação ameaça mandar a nova classe média de volta à classe D

Nos últimos anos, ela registrou alta de 6,28%, colocando boa parte da nova classe média em uma espécie de “zona de rebaixamento” por possuir renda que pode diminuir dependendo da economia.

dilma-com-mantega-Agência-Brasil

Embora o governo do PT goste de alardear o fato de que aumentou o poder econômico da população brasileira, elevando uma parcela dela para a classe C, a inflação fora de controle promete dificultar a manutenção dessa realidade. Nos últimos 12 meses, ela registrou alta de 6,28%, comprometendo a renda da nova classe média e colocando boa parte dela em uma espécie de “zona de rebaixamento”, já que esse grupo possui renda errante que pode diminuir dependendo do quadro econômico. Segundo uma estimativa feita pela corretora Gradual, 10 milhões de pessoas estariam na fronteira da classe D.

“O dilema na mesa do Banco Central é se deve controlar a inflação de serviços, que atualmente roda em 8,99%, por meio de uma elevação da taxa básica de juros a tal patamar que jogaria a nova classe C de volta ao subconsumo da classe D (com o aumento do juro, o crédito fica mais caro)”, explica o economista-chefe da Gradual, André Perfeito.

De acordo com ele, os excessivos gastos do governo aumentam a inflação e prejudicam principalmente os mais pobres. Mas, se depender da opinião do ex-presidente Lula, a situação continuará crítica, já que para ele criar emprego é mais importante do que controlar a inflação, mesmo que isso signifique que o salário das pessoas empregadas tenha cada vez menos valor.

Essa realidade também promete ser uma pedra no sapato da campanha da presidente Dilma Rousseff. Até a revista britânica The Economist já alertou que a inflação pode ser uma grande ameaça à reeleição.

Com o título “Saia-justa de Dilma”, a reportagem afirma que ela “deixou pouco espaço de manobra econômica para um período de difícil campanha eleitoral para a reeleição”.

A reportagem destaca, especialmente, o quadro econômico em meio ao aumento da aversão ao risco internacional. A análise lembra que o real já perdeu 17% do valor desde o momento em que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) sinalizou o início da retirada dos estímulos.

E a oposição já se deu conta disso. Aécio Neves, candidato do PSDB, pretende usar a inflação como trunfo contra Dilma durante a campanha. A estratégia é apresentar o que eles chamam de “inflação verdadeira”, uma vez que o IPCA (índice oficial de preços) é somente uma média e não reflete o reajuste real que é repassado aos consumidores.

A arma para atiçar a insatisfação da população e atrair o eleitorado é apresentar exemplos de piora de qualidade de vida ao mostrar corrosão do poder de compra da moeda nos últimos quatros anos e detalhar os bens e serviços que estão sendo corrigidos em ritmo bem superior do que os índices oficiais.

Há vozes governistas trabalhando na web a ideia de que a inflação do governo Dilma não é nada perto do pico inflacionário que existiu nos anos 80 e início dos 90 no Brasil. De fato, tanto não é nada que são duas coisas distintas. Segundo o economista Philip Cagan, qualquer inflação acima de 50% ao mês deve ser encarada como hiperinflação, um fenômeno bem distinto que costuma atacar nações que viveram grandes guerras, como a Alemanha em 1923 e a Hungria do final dos anos 40. Mesmo sem guerra, foi o que se passou no Brasil pouco antes do Plano Collor, quando a inflação mensal ultrapassou os 80%. Os 6,5% ao ano que atormentam atualmente o país podem parecer pouca coisa numa propaganda partidária, mas é o que está botando a perder todos os avanços sociais conquistados com os programas de renda mínima arcados pelos cofres públicos nos últimos anos.

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