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Brasil

Ironicamente, o “distritão” pode atrapalhar uma das principais estratégias de Lula para 2018

13/07/2017- São Paulo- SP, Brasil- Ex-presidente Lula dá entrevista coletiva na sede do PT Nacional, em São Paulo.

O “distritão” não é uma ideia boa, mas há risco de o tiro do Congresso sair pela culatra

Foto: Ricardo Stuckert

Temendo a reação dos brasileiros aos desmandos dos governos Dilma e Temer, a atual legislatura tenta mais uma vez emplacar no Congresso o “distritão”, método de escolhas dos deputados federais que daria fim ao quociente eleitoral e às coligações, fazendo com que o parlamento fosse ocupado exclusivamente pelos candidatos mais votados.

O quociente eleitoral tem sua razão de existir. Ele fortalece os mais votados, permitindo que levem para Brasília alguns companheiros de sigla ou coligados. Mas de fato é pouco compreendido pela população. E seu mau uso permite que personagens carismáticos como Tiririca ou Enéas sejam explorados para garantir vaga a candidatos nanicos que nada fariam além de seguirem ordens superiores.

Há problemas também da parte do “distritão”. Este prioriza a atuação individual em detrimento da coletividade dos partidos. Corre, assim, um risco maior de vitória de populistas que fariam muito barulho, mas nada conseguiriam de útil, afinal, a legislação só é alterada quando um bom número de votantes concorda com a modificações.

Pensando no modelo atual, e ciente do péssimo resultado obtido pelo PT nas últimas eleições municipais, Lula pretendia em 2018 abusar do quociente eleitoral. Para isso, colocaria os principais petistas para concorrerem a vagas na Câmara Federal. Com a esperada concentração de votos, outros nomes da sigla seriam arrastados e o partido manteria, assim, alguma representatividade significante de 2019 em diante.

Com o distritão, contudo, o ex-presidente precisaria de um plano B.

Jairo Nicolau, cientista político da UFRJ, publicou um breve artigo em que analisa os cenários com o “distritão”. Ele concorda que está longe de ser a melhor alternativa para a crise política atual. Mas aponta que o tiro dos atuais deputados pode sair pela culatra.

Fato é que o modelo atual permitiu a eleição do Congresso mais corrupto que se tem notícia. Mas também é fato que este Congresso é o menos indicado para mudar as regras com o jogo em andamento. Em outras palavras, com ou sem “distritão”, para o bem ou para o mal, o futuro do país segue uma incógnita.

Fonte: O Globo

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