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Jurista alemão diz que Folha manipulou notícia replicada em portais e blogs progressistas

No dia 11 de novembro, uma entrevista publicada na Folha de São Paulo fez a alegria da turma ligada a José Dirceu. De acordo com o jornal, o jurista alemão Claus Roxin, um dos autores da “Teoria do Domínio do Fato”, teria afirmado que um juiz não deveria ceder ao clamor popular, e que a participação no comando de um esquema criminoso teria de ser provada. A reportagem assinada por Cristina Grillo e Denise Menchen misturou questões levantadas por participantes durante um seminário realizado no Rio com perguntas do próprio jornal.

As respostas extraídas do seminário serviram para embasar teses (falsas) que alegam a inexistência de provas no caso do mensalão. Até declarações favoráveis a Dirceu, atribuídas ao jurista alemão, passaram a circular na imprensa. A mais recorrente foi veiculada na própria Folha de São Paulo. Em texto assinado por Luciano Alarcon, apresentado como “colaborador” do jornal, pessoas próximas a Dirceu teriam procurado Claus Roxin para que trabalhasse na defesa do ex-ministro de Lula. Roxin, de acordo com a versão apresentada pelo “colaborador” da Folha, teria demonstrado interesse em trabalhar no caso:

O professor e doutor em direito penal Claus Roxin confirmou à Folha que foi procurado por pessoas próximas ao ex-ministro José Dirceu.

(…)

Antes de embarcar para o Equador, na quinta-feira passada, Roxin demonstrou interesse no caso e disse que ainda não o conhece “com detalhes”, mas que quando retornar à Alemanha, em dezembro, “terá com certeza um conhecimento mais aprofundado do assunto”.

A suposta afirmação de Claus Roxin foi o sinal verde para que a blogosfera estatal voltasse à carga contra o STF. O 247 não teve dúvidas e mandou ver:

Clique na imagem para aumentar.

Poucas horas depois, o site Consultor Jurídico publicou um texto assinado por três alunos de Roxin que desmente as versões divulgadas no Brasil. Abaixo destacamos os principais trechos:

Roxin faz esclarecimento ao público sobre mensalão

Por Luís Greco, Alaor Leite e Augusto Assis

(…)

Em nome do professor Roxin e a pedido dele, na condição de seus alunos, gostaríamos de repassar ao público brasileiro os esclarecimentos feitos pelo professor em relação a alguns fatos divulgados nos últimos dias:

O professor manifesta, em primeiro lugar, o seu desgosto ao observar que a entrevista dada ao jornal Folha de São Paulo, concedida em 29 de outubro de 2012 e publicada em 11 de novembro de 2012, ocasionou grande repercussão, mas em sentido errôneo. As palavras do professor, que se referiam apenas a aspectos gerais da teoria por ele formulada, foram, segundo ele, transformadas, por conta exclusiva do referido veículo, em uma manifestação concreta sobre a aplicação da teoria ao caso conhecido como “mensalão”. O professor declara, ademais, sua mais absoluta surpresa ao ler, no dia 18 de novembro de 2012, notícia do mesmo jornal, em que consta que ele teria manifestado “interesse em assessorar defesa de Dirceu”. O professor afirma tratar-se de uma inverdade.

(…)

O professor declara tampouco ter interesse em participar na defesa de qualquer dos réus. Segundo ele, não só não houve, até o presente momento, nenhum contato de nenhum dos réus ou de qualquer pessoa a eles próxima; ainda que houvesse, o professor comunica que se recusaria a emitir parecer sobre o caso. Em primeiro lugar, o professor desconhece o caso quase por completo. Em segundo lugar, afirma que, pelo pouco que ouviu, o caso não desperta o seu interesse científico. O professor recorda que interesses políticos ou financeiros lhe são alheios, e que não foi sobre tais alicerces que ele construiu sua vida, sua obra e sua reputação. Por fim, o professor declara que não se manifestou sobre o resultado da decisão e que não tem a intenção de fazê-lo. Além disso, não está em condições de afirmar se os fundamentos da decisão são ou não corretos, sendo esta uma tarefa que incumbe, primariamente, à ciência do Direito Penal brasileira.

Estes são os esclarecimentos que o professor Claus Roxin gostaria de fazer ao público brasileiro, na esperança de que, com a presente nota, possa pôr um fim a essas desagradáveis especulações.

Munique, Alemanha, 18/11/2012.

(Grifos nossos)

Sem passar recibo, o mesmo 247 não deu qualquer satisfação a seus leitores sobre a versão endossada horas antes e publicou outro texto DESMENTINDO o que publicara:

Clique para ampliar.

Bem, aí já era tarde e, como vocês já devem supor, o texto já havia sido replicado centenas de vezes, favorecendo os interesses da turma do mensalão.

Nossos dois leitores assíduos que costumam beber na fonte progressista devem ter ficado chateados. Da nossa parte, só nos resta esperar por explicações do jornal Folha de São Paulo que chegou a confirmar o interesse de Roxin na defesa de José Dirceu.

Atualização – 20/11/2012 às 13h00

Com relação ao primeiro texto publicado na Folha de São Paulo sobre as supostas declarações de Claus Roxin, o jornal publicou a seguinte retratação na madrugada desta terça-feira (20):

Erramos:
Diferentemente do informado no título da nota “Participação no comando de esquema tem de ser provada, diz jurista” (Poder – 11/11/2012 – 06h30), publicado no site da Folha, o jurista alemão Claus Roxin se referiu a um esquema qualquer, e não especificamente ao esquema do mensalão. O título foi corrigido.

Até o momento, a Folha não fez qualquer menção à nota publicada no último dia 18, que garantiu a disposição de Roxin em participar da defesa de Dirceu.

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16 Comentários

16 Comments

  1. Henrique Lima

    23 de novembro de 2012 at 16:38

    O contorcionismo de certas alas da imprensa, de tanto esforço maquiavélico, faz soar o tilintar dos ossos, porosos de tanta falta de compromisso com os fatos, zambos, por interpretações encomendadas por bandidos do poder.

    O valor que dão à verossimilhanças fica evidente nos estampar das primeiras páginas, já sua indiferença com a verdade se faz mostrar nos rodapés, nas fontes minúsculas que usam no texto e na repercussão desejada.

    A internet pode ser um esgoto, onde passam pelas tubulações nojentas difamações, boatarias, ataques contra honra e muitos outros crimes veiculados por um clã afortunado de dinheiro público e sujo, ou por idiotas úteis, que creem em heróis com o pé de barro. Porém, no ambiente virtual encontra-se verdadeiros guerreiros, que desmentem toda uma aglomeração de jornais, que disputam uma batalha entre eles para mostrar quem é o mais puxa-saco, quem ganha o “Troféu Livrei Dirceu Sem Precisar Usar a Verdade”.

    Dos jornais às novelas, quando não acovardados, a tv brasileira está toda vendida á farsantes.

  2. Felipe Flexa

    22 de novembro de 2012 at 22:44

    Sendo que Grecco é o prinicipal assistente de Roxin na Alemanha! Qual foi a intenção da Folha?

  3. João 77BM

    21 de novembro de 2012 at 17:12

    1) O teúdo e manteúdo paulo henrique amorim alega hoje em sua conversa fiada que “tucanaramo Roxin. Vale o escrito”. Foi o próprio alemão a dizer que sua declaração foi tirada de contexto, que sabia do processo do mensalão e por isso não falava dele e a pedir para a Folha retificar, mas o obreiro acha que os “progressistas” como ele têm a primazia de interpretação sobre as declarações se outras pessoas, mais do que os próprios declarantes.

    2) Gozado ele, dessa vez não disse que a Folha é “um jornal que não se deve na frente da avó” porque é “golpista, boba, chata e feia. Por que será que dessa vez confiou plenamente no mesmíssimo jornal?

    PS: o chfe de quadrilha josé dirceu e seus comparsas tiveram ampla defesa e contraditório. Foram condenados e hoje não são mais cidadãos comuns. São criminosos condenados pela Suprema Corte da Justiça do país.

  4. Alexandre Sampaio Cardozo de Almeida

    21 de novembro de 2012 at 15:42

    São Paulo, 21 de novembro de 2.012

    Senhores,

    O que esperar de um jornal, cuja maioria dos integrantes são simpatizantes da esquerda?

    Interessante seria se a opinião do veículo fosse contrária…

  5. Jose Antonio

    21 de novembro de 2012 at 14:32

    Sitezinho vagabundo esse 247, a folha parte para o mesmo caminho

  6. Gildo Araújo

    21 de novembro de 2012 at 13:42

    Deu na Folha: “Jornalista faz publicação exigida em ação de repórter da TV Globo.”

    Paulo Henrique Amorim, o Malcolm XYZ da blogosfera foi obrigado a pagar R$ 30 mil a uma instituição. Toda essa grana daria para comprar 750 edições de “Mensalão – O julgamento do maior caso de corrupção da História do Brasil”, do historiador paulista Marco Antonio Villa, que seriam doados para bibliotecas públicas.

  7. Sandro P

    21 de novembro de 2012 at 09:05

    Deve dar uma vergonha ser petista e cair nestas contradições.
    Ops, ato falho, petista não tem vergonha!

  8. Flávio Augusto

    20 de novembro de 2012 at 21:31

    247????

    Cara, esse site é uma palhaçada. São porta-vozes do lulopetismo, e não jornalistas. Exatamente por isso, eles não precisam se retratar, afinal a companheirada não vai se importar se a notícia era falsa ou não. O que vale é salvar da cadeia o grande guerrilheiro. Para eles, Ingenuíno não tem importância; não estão preocupados com ele; é apenas uma peça que está funcinando mal neste momento, então basta substituí-la. Agora, Dirceu não! Esse é o grande arquiteto do lulopetismo e por isso tem de ser salvo de qualquer jeito.

  9. Nanico

    20 de novembro de 2012 at 18:59

    O Blog da Cidadania lança essa negativa (no qual o jurista educadamente pede “me incluam fora disso”) como mais um tentáculo de sua complexa teoria da conspiração. O jurista teria sido obrigado e emitir tal parecer desdizendo o que o disse …

    Seria muito engraçado se não fosse fosse triste.

    Como aliás o Flavio já adiantou tantas vezes, o pessoal da blogosfera estatal é muito injusto com a Folha, de longe o mais petista entre todos os grandes jornais.

  10. Tiago

    20 de novembro de 2012 at 13:32

    Quando li a entrevista inicial de Roxin à Folha, percebi que a matéria tinha forçado a barra. Era evidente que as declarações do jurista alemão eram gerais, não diziam respeito ao julgamento do mensalão. Duvidei também que um dos maiores nomes do Direito Penal dos últimos tempos iria sujar sua reputação com um caso que ele evidentemente não estava a par. Mesmo assim, houve quem caiu nessa história…
    E a Folha de São Paulo? Depois dessa história, o que sobrou de sua reputação?
    Quanto ao site de notícias citado no texto, sua seriedade pode ser comprovada pelo anunciante estampado na parte superior da home: GDF…

  11. danir

    20 de novembro de 2012 at 10:27

    Que estofo moral possuem estas pessoas que distorcem e retorcem textos informações e entrevistas para usá-los em defesa de monstros quadrilheiros, desonestos e golpistas políticos. Na minha opinião quando se ouve opiniões daquilo que se pode chamar de grande público (a pessoas comuns que às vezes formam opinião sem muito cuidado em refletir antes, a partir de conceitos errados, doutrinação e ideologia) ainda se pode perdoar. No caso de um profissional da grande imprensa que cria e divulga estas distorções, só consigo perceber desonestidade e falta de carater. São iguais aos indivíduos que defendem. Merecem nosso total repúdio. Não dá para reduzir nem um centímetro de culpa. Para mim, são golpistas, anti democráticos muito perigosos. Eles atacam os ingênuos e não informados criando uma corrente de pensamento antes que os fatos possam ser postos de forma correta. Francamente, acredito que quando o Estado fica enfraquecido em suas prerrogativas, o povo deveria protestar veementemente, para que providências fossem tomadas contra golpistas e terroristas, sejam de que facção e cargo forem. É uma vergonha, querem nos impingir um regime totalitário comandado por corruptos.

  12. Rodrigo Botelho

    20 de novembro de 2012 at 00:58

    Porque o texto atribuído a alunos do jurista alemão é apócrifo? Tais alunos deveriam estar identificados, primeiramente em homenagem à vedação constitucional ao anonimato, e também para que se pudesse verificar a autenticidade de suas declarações. Longe de mim participar de algum movimento que vise inocentar os réus do mensalão, mas os princípios da ampla defesa e do contraditório deveriam ser garantidos a qualquer cidadão que enfrente um processo judicial.

    • Implicante

      20 de novembro de 2012 at 01:39

      O texto “atribuído a alunos” não é apócrifo. O nome dos autores aparece em destaque logo abaixo do título. São eles: Luís Greco, Alaor Leite e Augusto Assis.

    • Eduardo

      20 de novembro de 2012 at 22:16

      – Leia.
      – Leia novamente.
      – Procure, e como não achou o Implicante aponta para você :

      O texto “atribuído a alunos” não é apócrifo. O nome dos autores aparece em destaque logo abaixo do título. São eles: Luís Greco, Alaor Leite e Augusto Assis.

      Viu como foi fácil, nem precisava perguntar !

    • Denovo

      21 de novembro de 2012 at 06:47

      Quando o foro privilegiado resultava em nada era bom. Agora que resultou em cana …

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