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Críticos da Lava Jato, Lula e Gilmar Mendes usaram o mesmo suicídio contra investigações em curso no Brasil

Em 14 de setembro de 2017, Luiz Carlos Cancellier de Olivo foi uma das sete pessoas presas pela Operação Ouvidos Moucos, que investigava uma organização criminosa que estaria desviando verba dos cursos da Educação a Distância da UFSC. Semanas depois, o reitor da universidade morreria ao se jogar do sétimo andar de um shopping em Florianópolis. Em seu bolso, um bilhete com os dizeres: “Eu decretei a minha morte no dia da minha prisão pela Polícia Federal”.

Lula, que vem enfileirando inquéritos na Justiça, e já chegou a ser condenado em primeira instância por Sérgio Moro, aproveitou o caso para emitir uma nota prestando solidariedade ao falecido e alfinetando as investigações que o atingem:

“Minha solidariedade, nesse momento de dor, à família do magnífico reitor Luiz Carlos Cancellier e a toda a comunidade acadêmica da Universidade Federal de Santa Catarina. É um momento muito triste para o país, a perda de um professor dedicado à causa do conhecimento e da universidade pública que foi exposto sem nenhum motivo justificável, apenas para a sanha das manchetes sensacionalistas e a sede da destruição de reputações. Cancellier deveria ter retornado em vida para exercer suas atividades na universidade da qual era reitor e da qual foi afastado em medida que desrespeitou a autonomia universitária, e que não deveria ter lugar no estado democrático. Muita força aos parentes, amigos, alunos e admiradores de Cancellier, que suas lembranças e ensinamentos sigam com todos que conviveram com ele.”

Cinco dias depois, foi a vez de Gilmar Mendes, em seu perfil no Twitter, usar o suicídio do reitor para posicionamento semelhante.

“O falecimento de Cancellier, reitor da UFSC, serve de alerta sobre as consequências de eventual abuso de poder por parte das autoridades.”

É importante ressaltar que, neste intervalo, João Doria, que vinha sendo noticiado como o futuro candidato presidencial do governo, surgiu em manchetes se pronunciando em benefício de Michel Temer, Aécio Neves e do próprio Lula. O mesmo Lula que passou anos, ou décadas, tendo em Gilmar Mendes um dos principais adversários políticos.

É uma estranha coincidência para um grupo heterogêneo que parece ter encontrado um inimigo comum: a Lava Jato.

Nas Mãos Limpas, equivalente italiana da operação mais famosa da PF, o noticiário contabilizou ao menos uma dezena de suicídios . Eram suspeitos que não suportavam a vergonha de serem pegos em delito. No Brasil, contudo, nada do tipo vinha sendo observado. Pelo contrário, alguns investigados tentavam vender à opinião pública o orgulho que sentiam do que cometeram. Porque viam no jogo político uma saída mais certeira.

Mas os tempos são outros: com a internet, a opinião pública ganhou independência dos influenciadores. E já não se deixa levar por qualquer narrativa.

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