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Lições de Hugo Chávez ao Brasil

Morreu o menino caudilho Hugo Chávez. O apelido, que deveria ser sinônimo de ofensa mortal (ofensa que a esquerda pratica, quando chama tudo de que discorda de “fascismo”), foi adotado desabridamente pelo tiranete bolivariano sem que se notasse contradição por seus admiradores – como não notam contradição em criticar as ditaduras militares e chamar seu “presidente” de El Comandante.

Chavez também chamava todos os seus adversários e críticos de “fascista”. Como nos ensina Lew Rockwell num dos textos mais importantes para falar de política no século (aqui em podcast), “fascista” é a palavra mais pesada do vocabulário político graças à memória dos campos de concentração nazistas, embora ninguém perceba que muitas pessoas (talvez até a maioria delas) pregam justamente uma política fascista sem campos de concentração (quais são os italianos? os espanhóis? os portugueses?). Muitas vezes, até com campos de concentração – ou para que servem as palavras de ódio à oposição e aos “inimigos do povo”?

Chavez pregava um sistema político que pode ser chamado, sem sombra de dúvida, de fascista.

Querendo tudo dentro do Estado, nada fora do Estado e nada contra o Estado (e, claro, El Estado soy yo), de fato mostrou que é praticamente impossível ser chamado de fascista sem ser por alguém que queira impedir a vida não-estatal.

O socialismo do séc. XXI do ditador militar bolivariano era marcado por uma retórica fortemente anti-“imperialista”, ao mesmo tempo em que seu grande sonho (exposto por Zé Dirceu na tribuna do PT hoje) era criar um império que colocasse toda a América Latina sem fronteiras sob seu jugo. Na prática, apenas trocou-se a crítica à democracia “burguesa” da Inglaterra pela crítica ao poderio da América. 

O socialismo do séc. XXI e o socialismo do Gulag e do paredón

Este socialismo repaginado está longe de ser mortal como o socialismo do séc. XX, marcado por uma burocracia que, onde foi aplicada, criou uma fatal ditadura genocida concentrada nas mãos de um carniceiro – e seus nomes são todos evocados com arrepios: Stalin, Mao Zedong, Enver Hoxha, Nicolae Ceaușescu, János Kádár, Pol-Pot, Hồ Chí Minh, Walter Ulbricht, Kim il-Sung, Robert Mugabe – pessoas que juntas, ou mesmo sozinhas, fazem Adolf Hitler ir para o Tribunal de Pequenas Causas. Este socialismo entrou em colapso com a queda do Muro em 1989 e o desmantelamento da União Soviética em 1991 (notando, claro, que o regime caiu, mas não sua burocracia e ideologia).

Daí toda a logorréia da esquerda acadêmica que, ao invés de se atualizar e descobrir que defende a brutalidade, preferiu afirmar que aquele não era o “socialismo real” que pregava. Erro trágico: apenas essa ditadura brutal e centralizada é o socialismo real – o que inexiste é o socialismo ideal, purificado do teste de realidade e mantido hagiograficamente virginal no reino das idéias platônicas. Toda “ditadura do proletariado” é um conchavo de burocratas que não trabalham, jurando que representam uma “classe trabalhadora” que sequer sabem definir onde começa e onde termina. O morticínio é inevitável, como já bem demonstrou um dos 10 maiores pensadores do século, Leszek Kołakowski, em seu monumental Main Currents of Marxism.

O socialismo do séc. XXI aprendeu foi com o fascismo como se manter no poder, ao invés de gerar revoltas constantes, campos de concentração piores do que os nazistas (pelo amor de toda a humanidade, leiam Arquipélago Gulag, de Aleksandr Solzhenitsyn) e mortos de fome na escala dos milhões (Holodomor ainda deve ser pensado na mente adolescente de nossos universitários como uma marca de analgésicos belga ou um reino de O Senhor dos Anéis).

O modelo, como nos ensina Lew Rockwell (que aplica o caso á própria América de Bush, não ao projeto de poder dos neocomunistas da América Latina), além de aumentar gastos militares de maneira pornográfica, transformando todos os cidadãos de civis com direitos a soldados em potência, é baseado na cartelização completa da economia, mas colocada no poder de sindicatos (“representativos de classe”, ou seja, quem manda na tal classe sem discussão individual).

A estatização completa da economia é consabidamente impossível por qualquer comunista de alto escalão. Stalin sabia disso, tanto que pediu ao Partido Comunista Americano para não fazer Revolução, e sim cooptar ricaços e magnatas do cinema e da mídia. A conseqüência até hoje é palpável: absolutamente nada na América é mais anti-capitalista do que Hollywood, enquanto, ao mesmo tempo, se prega que a América domina as mentes do mundo para favorecer o imperialismo com o cinema, a própria entidade cultural que afirma isso. Apenas comunóides babaquinhas que acabaram de ler o Manifesto acreditam nessa besteira.

Apenas as trocas livres entre indivíduos tornam possível produzir alimentos (que não caem do céu nem brotam na terra em escala industrial sozinhos), sem o Estado roubar a produção (já que é incapaz de produzir qualquer coisa). Quem não conhece a famosa NEP – Nova Política Econômica – de Lênin, se não universitários esquerdistas?

Assim se faz o socialismo 2.0: mantendo empresas produzindo e lucrando, apesar de uma taxa de impostos mais destruidora do que se o seu cofre fosse assaltado à mão armada todo mês. Como se quer poder, alimenta-se uma retórica violenta sobre “povo”, “pobres”, “resistir” contra “inimigos” e “poderosos”, pegando-se todo o butim e dando umas migalhas à população de baixa renda. Por isso o povo trabalha absurdamente tanto em troca de um serviço de saúde porco, moquifos nojentos para se morar e escolas e universidades incapazes de descobrir como calcular o quanto o governo rouba da população por seu trabalho (infinitamente mais esfainante do que trabalhar para o Google).

O povo fica apaziguado contra revoltas, idealiza um líder e jura que está sendo “salvo”, sem perceber que tudo isso que lhes é dado “de graça”, como elogia Zé Dirceu da tribuna do PT, custa um trabalho semi-escravo que nenhum trabalhador em país liberal aceitaria – e os trabalhadores no socialismo não têm “concorrência” para onde fugira da miséria, dependendo ainda mais da benevolência do Líder.

Esse socialismo não gera morticínio – no máximo, prende e mata alguns opositores mais gabaritados. Nada em escala continental. Tampouco precisa se preocupar tanto com a incapacidade econômica de botar comida na mesa do povo enquanto se mantém no poder do socialismo “total”.

Para aliviar ainda mais, é um socialismo sem o “centralismo democrático”, termo criado por Lênin para afirmar que poderia haver discussão “livre” no socialismo dentro do Partido, o que fazia com que alguns teóricos tentassem diferenciá-lo do “centralismo burocrático” (ou seja, quando as ordens de todos do Partido não são ouvidas).

Essa postura gerava o efeito mais característico do socialismo oldschool (que ainda pode ser observado em Cuba), que é o monopólio do poder pelo Partido Comunista. Poder, como já demonstra Bertrand de Jouvenel, é poder mandar alguém fazer ou não fazer alguma coisa – e, num sistema socialista, apenas o Partido Comunista tem poder, politizando toda a esfera privada dos indivíduos. Essa é a “ditadura do proletariado”, que para aliviar o caráter absolutamente autoritário, foi eufemizado em princípios da década de 1960 para “papel de liderança do Partido”, como se o Partido soubesse o que é bom para todo o “proletariado”, um por um (cf. Ascensão e Queda do Comunismo, de Archie Brown, p. 134).

Pelo contrário, o caminho do neossocialismo, que Chávez pregou muito bem, é se preocupar em transformar de vez a democracia apenas em um palco – talvez o único ponto em que Marx e Tocqueville concordaram em suas vidas. O poder não se concentra mais no Partido (que sempre merecia letra maiúscula), e sim no Executivo, que controla tudo. Assim, os juízes e tribunais continuam sem liberdade alguma, não se submetendo à Constituição de um Estado de Direito (aquela que Rui Falcão quer abolir no Brasil), e sim à “vontade popular” – ou seja, do Executivo, que “representa” o povo, ao invés de o Estado todo. Mas as eleições continuam rolando, embora todos saibam o seu resultado.

É por isso que todo o movimento socialista atual (ou suas variações “sociais” – trabalhista, operário, proletário ou o nome fofinho que for) soube se preocupar tão somente com o Executivo, sobretudo o chefe do Executivo, que aparece, e critica o Judiciário (comprado e traidor, sempre – vide o que os petistas fizeram com Joaquim Barbosa), além de tenta controlar o Legislativo – ou o calando com golpes, como fez Hugo Chávez, ou comprando seus votos para que obedeçam ao Executivo supremo – o que é exatamente o movimento ditatorial que foi o mensalão (exatamente por isso não é uma palavra que pode ser prostituída para se referir agora a qualquer caso de corrupção, como se tenta fazer com o inescrupuloso Eduardo Azeredo no “mensalão tucano”).

Não se tem mais uma ditadura violenta nas ruas, e sim de controle (como já demonstrava Stalin, de “doutrinação”). As armas não precisam mais ser foices e martelos, como o pensamento de caserna leninista e do bolchevismo, e sim propaganda em massa e uma pseudo-democracia que serve ao Partido, mas não para cumprir sua função de pesos e contrapesos e de representação.

As eleições são compradas e fraudadas (como no fascismo), os gastos militares são elevados com fins imperialistas (como no fascismo), as empresas existem, mas são controladas pelo governo através de sindicatos (como no fascismo, e como Vladimir Safatle acha correto), o governo se sustenta com gastos “sociais” e empréstimos estrangeiros (como no fascismo, embora a Venezuela tenha a vantagem dos petrodólares para emergências), a planificação econômica não é feita na expropriação (ao menos, não sempre), e sim instituindo-se autarquias, com o governo controlando um sistema proto-capitalista perdido numa imensa burocracia, tornando-se uma ditadura de facto baseando-se no princípio da liderança – que desconhece seus limites. Como no fascismo.

Hugo Chávez, na prática

Chávez é adorado pelo PT não por mera coincidência. Seu sistema dá controle onipotente ao Partido sem precisar de revoluções ou lutas armadas de adolescentes mongolóides que mal sabiam assaltar um banco na época da ditadura (vide o livro O Cofre do Dr. Rui, de Tom Cardoso, com momentos quase cômicos sobre como o bando de Dilma Rousseff assaltou o cofre da amante de Adhemar de Barros), e sem precisar se tornar abertamente uma ditadura (ao menos em termos do século passado, já se tornando anacrônicos).

Esse modelo ditatorial é ultrapassado e para fracassados. A concentração do poder no Executivo agora é feita pelos moldes chavistas, muito mais próximos do antigo fascismo do que do antigo socialismo, embora nem sempre seja preciso tantos flertes ditatoriais quanto os do caudilho bolivariano – as eleições já são garantidas, embora sejam precisos momentos de laivos autoritaríssimos, como o controle da imprensa que não pode ser inteiramente comprada, os surtos mandatórios no Legislativo, o ativismo judicial nos tribunais.

Hugo Chávez é apenas o homem na América Latina que mais precisou ou quis fazer esse modelo de concentração ditatorial “legítima”, por isso se tornou seu símbolo máximo. Outros não precisaram ou quiseram tanto, como Evo Morales, Rafael Correa, Lucio Gutiérrez, Manuel Zelaya et caterva.

No livro Tiranos e Tiranetes, de Carlos Taquari, podemos compreender um pouco da história venezuelana. Influenciados pela Revolução Cubana, movimentos guerrilheiros se opuseram á democratização da Venezuela depois da queda do general Isaías Medina Angarita, em um golpe com apoio da esquerda, incluindo a Ação Democrática. Depois de novas ditaduras militares após apenas 10 meses de respiros democráticos liderados pelo primeiro presidente eleito da história da Venezuela, Rómulo Gallegos, o Movimiento de Isquierda Revolucionária (MIR) e o Partido Comunista Venezuelano exigiam reforma agrária radical, querendo acabar com toda a propriedade privada.

Tal como no Brasil, uma esquerda revolucionária lutando pela ditadura do proletariado enfrentou inexpressivos governos militares, autocratas e burocráticos. Enquanto 10% da população trabalhava para o governo em 1978, 40% da população ainda era de analfabetos vivendo na miséria do campo e das periferias. Os 750 mil funcionários públicos, por outro lado, importavam loucamente grandes carros americanos, verdadeiras carroças devoradas de gasolina, eletrônicos japoneses e whisky, no que o país se tornou um dos maiores consumidores do mundo em 1974.

E tal como Geisel, Andrés Pérez criou um delirante plano de criação de mais de cem empresas estatais. Logo veio Luis Herrera Campins, que pregou uma austeridad, pero no mucho: prometeu corte de subsídios, mas logo explodiu a guerra Irã-Iraque, que aumentou o preço do petróleo em quase 80%. Lá vieram novos gastos descontrolados (dos governantes e seus cupinchas com empregos nas estatais petrolíferas, não da população). A dívida externa quadruplicou, o governo acelerou a impressão de moeda (um dos erros fatais para ações de concentração de poder, já que é dinheiro crediário  para o governo que não passa pelo Legislativo, às custas do povo) enquanto aumentava salários do funcionalismo público e programas assistencialistas. O desemprego chegou aos 20% – taxa correspondente à metade da inflação.

Um coronel resolveu reviver os tempos de ditadura militar depois de mais uma eleição entre Copei e Ação Democrática que, vista em teoria, eram apenas duas vertentes de fascismo, centralismo burocrático e gastos públicos através de crédito artificial. Seu nome era Hugo Chávez. Seu golpe de 1992 fracassou, lhe rendendo dois anos de prisão. Pérez sofreu impeachment por corrupção, AD e Copei se revezaram novamente nas eleições de 1994 e, em 1998, Hugo Chavez vence as eleições liderado por uma coalização de partidos de esquerda.

Imediatamente reformou a Constituição – muy democraticamente, para se fazer o que se viu acima. Concentrou mais poderes na figura do presidente e convocou novas eleições presidenciais e parlamentares – um teatrinho em que se legitimou frente à opinião pública nacional e internacional, enquanto silenciava uma oposição fragmentada e desarticulada que boicotou as eleições (o filme é reprise). Começou seu famoso governo por decretos do Executivo, além de plebiscitos que determinam novos poderes de mando através de parcelamento dos eleitores passando ao largo do Congresso – mais uma vez ao modelo fascista.

Foram três vitórias “democráticas”, já tendo apagado a principal emissora da Venezuela, além de 34 emissoras de rádio. Em 2 de dezembro de 2007, perdeu um plebiscito que lhe garantia poderes absolutos e uma ditadura vitalícia. Fez sua revanche em 15 de fevereiro de 2009, acabando com o limite para a reeleição, já admitindo publicamente o desejo de permanecer no poder indefinidamente (por isso todos os socialistas não têm medo de se aferrar a figuras únicas, como Chavez, Fidel e Che, ao invés de pensar no que deseja o povo).

Já em 2008, com pesquisas eleitorais indicando a possibilidade de derrota do governo, a comissão eleitoral impediu a participação de 272 candidatos de oposição. Mesmo assim, a oposição venceu em cidades importantes, como Caracas e Maracaibo, as duas cidades mais importantes e informadas do país. Chavez classificou o resultado como “una victoria de mierda”.

Nenhum Gulag, nenhum campo de concentração, nenhum Partido Único. O socialismo do séc. XXI é isso: disfarce democrático para uma autarquia concentradora de poder e dinheiro. Se o povo precisar de “diminuição da pobreza”, como afirma o UOL que Chavez fez, basta dar umas “Misiones Bolivarianas” (como a “Misión Robinson”, que promove a alfabetização em regiões pobres, e a “Misión Barrio Adentro”, que leva assistência médica a estas zonas), e está todo mundo apascentado.

Nem por isso, um jornal chavista deixou de publicar em sua capa um nada sutil: Jodidos si los judíos llegan al poder”, como cai perfeitamente às teses fascistóides, ou mesmo nazistóides em que bebe o socialismo estatizante (basta pensar no que aconteceria com um jornal governista no Brasil que publicasse em sua capa: “Se os judeus chegarem ao poder estamos f…”). Também não causou comoção alguma que o PT apóie um ditador que proibiu uma companhia de dança de interpretar uma peça sobre a vida de Anne Frank, famosa judia holandesa morta nas mãos dos nazistas: o tema deveria ser trocado para o “sofrimento palestino”, disse o Crítico de Teatro em Chefe. Tampouco surpreende sua amizade com ditadores brutais, igualmente voltados ao socialismo e ao anti-semitismo, como Mahmoud “apedrejador de mulheres” Ahmadinejad (igualmente recepcionado de braços abertos pela UNE), Muammar Kadafi ou Bashir Assad, defendido por um partido nazista na Síria.

O totalitarismo mais explícito veio com a proposta de “desmontar progressivamente o conceito de propriedade particular e garantir a socialização dos meios de produção”. Na prática, estatização, cartelização e concentração de poder para o Partido, os autocratas e o Executivo. As estatizações, despiciendo dizer, foram um desastre: desde 2007, o país sofresse com apagões. Por essa época Alborghetti falou:

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=AwsWaO4VCqE[/youtube]

Parece exagero? Não se sabe sobre as privadas, mas Chavez sugeriu aos venezuelanos que limitassem o tempo de banho a 3 minutos, abrissem mão do ar condicionado e, ao se levantarem à noite para ir ao banheiro, utilizassem uma lanterna para não acender a luz. Assim, se você precisasse matricular o menino na natação de madrugada, o faria no escuro. Qualquer tentativa de despachar um amigo do interior para o rio depois das 10 da noite se faria com pilhas, mais caras e que incidem no bolso de quem precisa dar um alô para o sr. Barros, apenas para o governo não sofrer com sua própria incompetência (duvida-se que Hugo Chávez precisou fazer clonagem no escuro, claro). Toda essa escassez de energia e água num país tropical que está assentado sobre a quinta maior reserva petrolífera do mundo.

Ao dilema energético venezuelano que ainda persiste se juntou o problema no sistema carcerário, explicitado após uma rebelião de mais de mil presos na cadeia de El Rodeo, a 40 km de Caracas, em junho de 2011, que deixou dezenas de mortos.

Chávez também atrasou a Venezuela claramente. Em meia hora. Assim, poderiam aproveitar mais claridade para compensar o desastre do fornecimento de energia.

Em janeiro de 2010, anunciou novo racionamento de energia e, lá como cá, acusou os governos anteriores de não terem investido no setor (depois de uma década no poder em que ele próprio não fez nada pela energia). O controle artificial de preços obrigou o país a importar de ovos a frutas e pés de alface, logo da vizinha inimiga Colômbia. Ainda assim, Chávez ordenou a expropriação de centenas de propriedades rurais.

É esse o legado que José Dirceu edulcora, afirmando que “Hugo Chávez deixa obra fantástica”. É esse o resultado que Dirceu comemora ao afirmar que a Venezuela ficou com 50% (na verdade, 51%) dos impostos do petróleo (quanto disso foi para “a classe trabalhadora”?). É isso que Dirceu acha bonito, ao afirmar, sem pejo, que Chavez tinha como sonho uma América Latina inteira controlada (“libertada”) por ele. Admitindo as semelhanças com o PT, Dirceu dispara:

“[Chávez] sempre foi um defensor do PT, do governo do presidente Lula, e foi um aliado fundamental para nós consolidar uma idéia de unidade política, que sustentou e apoiou as mudanças que aconteceram na América do Sul”.

É para esse ser humano que o governo brasileiro decretou 3 dias de luto oficial. Os venezuelanos talvez aproveitem o luto para passar as noites à luz de velas e chuveiro frio.

Cuidadoso, Chavez gastava o que angariava de seu controle total do dinheiro venezuelano com coisas importantíssimas, como exumar o corpo de Simon Bolívar, para “provar” que fora envenenado, ignorando o estado dos pulmões tuberculosos do seu caudilho-ídolo e do estado em que estava quando chegou a Santa Marta, onde morreu. Foi tratar seu próprio câncer em Cuba, apesar dos convites para tratamento no Brasil, para poder manipular os boletins médicos, o que seria difícil nos hospitais brasileiros.

Além de suas lições de como controlar e impor a lei da mordaça num país para os candidatos a socialistas do séc. XXI brasileiros, fica, é claro, sua grande lição teórica sobre ciência política:

“O capitalismo é o caminho do diabo e da exploração. Se você deseja realmente olhar as coisas pelos olhos de Jesus Cristo –que creio ter sido o primeiro socialista–, só o socialismo poderá gerar uma sociedade genuína” — Hugo Chávez (sent via my iPod)

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35 Comentários

35 Comments

  1. Thiago - RJ

    19 de Março de 2013 at 15h12

    OFF-TOPIC:

    Flavio, dá uma olhada nisto aqui; merece o máximo de divulgação:

    https://praguedeclaration.eu/

    • Flávio Morgenstern

      24 de Março de 2013 at 21h37

      A proposta é mesmo interessante e deve ser divulgada.

  2. Hay

    18 de Março de 2013 at 14h29

    Estava pensando a respeito de uma coisa interessante sobre o regime de Chávez. Os chavistas estão sempre falando sobre as conquistas da tal revolução bolivariana. Fala-se sobre como a economia está indo de vento em popa, a miséria extrema caiu (no Brasil também, na caneta, mas claro que na Venezuela é diferente!), etc, etc. O curioso é que praticamente todos os recursos da Venezuela hoje em dia têm origem no petróleo. O restante da economia está em frangalhos.

    Aí eu fiquei pensando comigo mesmo: se todos os países fossem como a Venezuela, para quem eles venderiam o petróleo? Qual país socialista/comunista/etc poderia usar o petróleo para fazer alguma coisa útil o suficiente para requerer uma quantidade fixa e bastante alta de petróleo? A China? Pode até ser, mas isso só porque a China precisou incorporar um pouco de capitalismo para o povo não morrer de fome. O único motivo pelo qual a Venezuela ainda está de pé é justamente o fato de que há países que precisam de grandes quantidade de petróleo.

    Conclusão: quem sustenta a Venezuela e seu reino da fantasia populista é justamente o capitalismo! Sem o capitalismo tão malvado, a Venezuela estaria sentada sobre uma reserva escandalosa de petróleo, porém, sem ninguém para vendê-lo. Provavelmente estariam culpando o embargo, agentes da CIA, o capitalismo, o neoliberalismo, o liberalismo, Mickey Mouse, etc. E haveria um monte de chavistas intelectuais de miolo mole despejando o chorume por aqui.

  3. Dionisio

    11 de Março de 2013 at 14h43

    Vejam um pouco outra opinião, VEJAM, apenas isso…
    https://www.youtube.com/watch?v=MTui69j4XvQ

  4. Sergio Almeida

    10 de Março de 2013 at 17h02

    Parceiro, elucidativo este post…parabéns…quanto a Venezuela estar na “mierda” quem o diz são cidadãos venezuelanos quando entrevistados…as lamentações como sempre são das massas ignaras ( vide nossos “bolsistas” que adoram clamar que NADA TEM e após um cataclismo BRADAM QUE PERDERAM TUDO… ), SIMON BOLIVAR foi um herói de fancaria, colonialista e com tendencias a DITADOR, um régulozinho digno desse continente “bananífero”, quanto a 1964 foi um golpe branco…sem SANGUE…inegavelmente melhorou o país e, se depois a DITABRANDA endureceu foi por conta da reação aos excessos da ESQUERDA…a toda ação corresponde uma reação! O Brasil atual é constituído pelas massas bolsistas e ignaras, a “petralhada” firme na roubalheira e no “teatrinho” além de uma minoria séria e trabalhadora que anda saudosa de um pouco de ORDEM E PROGRESSO genuíno ! Saudações Itaparicanas !

    • Flávio Morgenstern

      10 de Março de 2013 at 19h55

      Faço uma ressalva: Costa e Silva endureceu não por causa da esquerda, mas por medo de perder eleições, e por uma tendência autocrática dos militares de serem “gestores técnicos competentes” e não entenderem nada além das casernas. Traiu a população que o apoiou apenas para derrubar Jango.

  5. Luis

    10 de Março de 2013 at 13h29

    Qual foi este jornal? Você tem o link desta matéria?

    ‘Nem por isso, um jornal chavista deixou de publicar em sua capa um nada sutil: “Jodidos si los judíos llegan al poder”.’

    Valeu.

    • Flávio Morgenstern

      10 de Março de 2013 at 19h53

      Está linkado no texto, só passar o mouse por cima da frase.

  6. Sonia

    9 de Março de 2013 at 22h29

    Parabens pelo texto.
    Fico espantada com tudo isso. Ainda mais sabendo que o marketeiro do Chavez eh o mesmo do Lula e Dilma.
    E que ele acaba de fazer um clipe anunciando a ressurreicao da mumia do Chavez.
    Eh muita exploracao da ignorancia do povo.
    E tenho medo pois vejo que caminhamos para o mesmo tipo de mistificacao que conduzem politicas populistas.
    E o marketeiro Joao Santana parece ser um expert no assunto.

  7. alexandre

    9 de Março de 2013 at 7h00

    flávio
    a direita latino americana que vc tanto defende acabou na cadeia. A lista da reportagem eu incluiria o Carlos Salinas de Gortari, ex presidente do México em 1994 e acusado de corrupção. E aí, vai defender esses caras ?

    https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/95694/Neoliberalismo-deu-cadeia-Populismo-gerou-um-mito-Neoliberalismo-deu-cadeia-Populismo-gerou-um-mito.htm

    • Flávio Morgenstern

      24 de Março de 2013 at 21h23

      Falta mostrar onde diabos “tanto defendo” a “direita latino americana” (aliás, se você soubesse o que é “direita”, não cometeria tantos oxímoros em público).

  8. alexandre

    8 de Março de 2013 at 7h01

    Todos suas respostas a meus comentários estão na internet. E há comentaristas que me ofenderam e vc liberou esses comentários. Se vc acha que eu te ofendo, eu tenho provas que fui ofendido nesse blog. A escolha é sua. Pode se voltar contra vc e esse blog.

    • Flávio Morgenstern

      8 de Março de 2013 at 15h27

      Xinga e depois não quer ser ofendido de volta? Puxa vida. Agora note: nunca reclamei de você me xingar, só de vir aqui obsessivamente (com seu “parco tempo”) para inventar mentiras a meu respeito. Coisa que, curiosamente, ninguém perde o tempo fazendo com você.

  9. alexandre

    8 de Março de 2013 at 6h36

    Flávio
    Em vários comentários vc justifica o golpe de 1964 ( havia terrorismo de esquerda, o país teria uma ditadura pior, o Jango era fraco e impopular, o golpe teve apoio da população e outras bobagens). Vai enganar quem que isso não é ser simpático ao golpe de 1964 ? Engana outro, companheiro ! Sobre me processar, vá em frente. É um direito seu. Só não pode falar mal do Chávez por calar quem se opõe às ideias dele porque pelo visto vc quer fazer o mesmo. Sua máscara de democrata caiu por “justificar” o golpe de 1964. E vai cair a sua máscara de defensor do contraditório, se me processar. Vá em frente ! O único problema é que eu trabalho e meu pouco tempo disponível terei que perder com um processo. Não sou como vc que é estudante profissional e tem o tempo todinho para “brincar” de processar alguém para ocupar seu tempo.

    • Flávio Morgenstern

      8 de Março de 2013 at 15h26

      Pode xingar mais por falta de argumentos, já que você quer pintar todo mundo que discorda de você como “simpático ao golpe de 1964”. Nós vamos anotando tudo por aqui.

  10. Lulinha

    7 de Março de 2013 at 16h11

    Ligo a televisão e vejo essas mídias de massa porcaria e só passam notícias de como esse vagabundo safado foi bem sucedido na vida política…PQP!! O pior é que o povo engole essa porcaria ao ponto de aceitar os meios escusos q ele usou p levá-lo a posição q ocupou no mundo…só podem ter uma ameba no lugar do cérebro!

  11. Hilton

    7 de Março de 2013 at 15h17

    Puxa! É uma pena que o lula e a dilma não tenham se tratado em Cuba. Quem sabe teriam a mesma sorte de hugo chavez…

  12. [email protected]

    7 de Março de 2013 at 11h56

    Diarréia cerebral.

  13. Diego

    7 de Março de 2013 at 10h42

    Contexto, eu preciso de você.

    Flávio, você continua sendo uma piada. Que visão simplista, porca.

    • Flávio Morgenstern

      7 de Março de 2013 at 13h44

      Ah, foi mal, a Venezuela sofre tudo isso, mas no “contexto” correto Chavez é um herói. Argumentão, hein?

  14. Marco Alberto

    7 de Março de 2013 at 10h39

    Caro Flávio,
    acho que neste Seu editorial, você disse tudo e não somente da Venezuela. Vou traduzir em lingua, para meus amigos na Europa. Pois as noticias que vem da America latina de hoje, são todas de parte. As assessorias de imprensa no exterior copiam os press releases emitidos pelos governos (o nosso “Dr Goebbels”, o tal de Marco Aurélio Garcia, é mestyre nisso) e assim a desinformação é completa. Menos mal existe (ainda) Internet.
    Melhores saudações,

    • Flávio Morgenstern

      7 de Março de 2013 at 13h45

      Obrigado, Marco! Infelizmente, imprensa hoje tem se tornado relações públicas. Que a internet não se cale!

  15. Luis Carvalho

    7 de Março de 2013 at 7h22

    lula tremia perante chavez??

    Meu Deus! estude sobre o Foro de Sao Paulo, e como esses esquerdistas se articulam.

    o Chavez eh criacao de Lula e Fidel Castro.

    https://www.olavodecarvalho.org/semana/050926dc.htm

  16. Marcos Jr.

    6 de Março de 2013 at 23h49

    O mais engraçado foi ler um comentário na fanpage da Carta Capital dizendo que o Chávez transformou a Venezuela numa “Escandinávia Bolivariana”…Só se for no custo de vida de sua capital (Caracas), ÚNICA cidade de pais emergente a figurar entre as dez mais caras de se viver no mundo.

    • Adam Smith

      9 de Março de 2013 at 9h21

      Chamar venezuela de emergente é piada… la so regride, inclusive em qualquer aspecto financeiro.

  17. alexandre

    6 de Março de 2013 at 21h36

    Um indivíduo que defendeu o golpe de 1964 querendo ensinar democracia !!! Esse Flávio é um piadista

    • Flávio Morgenstern

      6 de Março de 2013 at 21h57

      Caro alexandre, sinta-se à vontade para demonstrar onde e como defendi o golpe de 1964 (ou sou “saudosista da ditadura”, como você já afirmou). Conseguindo demonstrar que defendo ditaduras, terá o prazer de não ser processado.

      • Sandro P

        7 de Março de 2013 at 10h34

        Esse Alexandre é muito engraçado.
        Estava com saudades dele.

      • Cicero Neto

        7 de Março de 2013 at 17h37

        Como é que é Flavio? Processar o Alexandre? Duvido! Conheço seu tipo! Além de calhorda, você é frouxo!

      • Flávio Morgenstern

        8 de Março de 2013 at 3h08

        *yawn*

    • Joao

      7 de Março de 2013 at 12h32

      Que tal começar a responder ao que está escrito no texto ao invés de inventar coisas para responder? Isso se sua capacidade intelectual permitir, claro.

    • Leonardo

      7 de Março de 2013 at 16h20

      O comediante Alexandre sempre fazendo a nossa diversão

  18. Anonimo

    6 de Março de 2013 at 20h25

    Seria dificil maninuplar os boletins médicos no Brasil?
    É piada? Se o lula tremia perante chavez por que nao tremeria dilma? Ademais com tanta corrupção no país não seria nada dificil manipular os boletins medicos. O bolivariano se sentia mais a vontade em Cuba, só isso.

    • Flávio Morgenstern

      6 de Março de 2013 at 21h55

      Você tem certeza de que uma democracia, ainda que assaltada por um partido, tem a mesma dificuldade de um totalitarismo?

    • Adam Smith

      9 de Março de 2013 at 9h28

      Se mesmo em cuba houve vazamento completo das informações negadas (via dr. Marquina que relatou todas as informações corretamente), aqui seria muito mais facil. Fora que parte dessa neura é tipica dos ditadores.

      Na realidade, naquela foto chavez ja deveria estar morto.

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