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Mais Higienópolis: é burrice, mas há método

Gente "alternativa" faz abaixo assinado por... metrô

por Flavio Morgenstern*

Gente "diferenciada" faz abaixo assinado por... metrô?

 

A alteração do projeto da outra estação de metrô de Higienópolis causou tal celeuma que atingiu o estágio metalingüístico de toda discussão febril: discute-se mais a discussão em si, do que os motivos que geraram a discussão. A partir desta premissa (e do que já escrevi aqui e o André aqui), pode-se traçar alguns pontos curiosos que garantem a diversão de todas as pessoas que passam longas horas despejando bobagem na internet.

Mídia golpista e mídia diferenciada

Não há referência à Folha de S. Paulo no blog de Paulo Henrique Amorim sem o estribilho de que não se deve ler a Folha porque “ela publica palavrão e chama a ditadura de ditabranda”. Em outras palavras, porque… bem, porque ela discorda dele, e teve alguns erros cometidos nos últimos meses.

A Folha é chamada de “mídia golpista”, segundo expressão cunhada por Marilena Chaui, e faz parte do “PiG”, o “Partido da Imprensa Golpista”, segundo expressão cunhada pelo próprio Paulo Henrique Amorim. Segundo esta visão, a Folha seria uma porcaria, um “jornal de direita”, conservador e sem muito mais o que fazer na vida a não ser atrapalhar os alterosos planos do PT no governo em transformar o Brasil na Suécia. Pode-se deduzir disso que a Folha seria um jornal feito de mentiras.

Vamos aos fatos, essa minoria oprimida.

"Obrigado Serra e Alckmin pelo 'melhor' e 'maior' metrô do mundo!" / "Não à Higiene Social"

"Obrigado Serra e Alckmin pelo 'melhor' e 'maior' metrô do mundo!" / "Não à Higiene Social"

A reportagem da Folha fez alusão a uma outra reportagem sobre um abaixo-assinado organizado em agosto de 2010 a respeito do local da estação de metrô na Avenida Angélica. Essa reportagem com o abaixo-assinado foi escrita por James Cimino, que sequer está trabalhando na Folha, hoje. Desde o título, a reportagem mais recente dá a entender que a mudança do projeto da estação se deu graças ao abaixo-assinado.

Dizer “após protestos, metrô muda localização da estação” está correto, mas é um truque retórico conhecido por sinonímia forçada. “Após”, na frase, tem o sentido estrito de significado “cronologamente, aconteceu depois de”. É claro que foi uma forçada de barra para tentar também significar, em sentido lato, “Devido a”. Exige-se um certo número de sinapses um pouco elevado para se perceber o macete. Mas não tão elevado. Eu percebi. Se eu percebi, qualquer idiota consegue. Não estou a exigir grandes conhecimentos de semântica formal. Eu acredito que qualquer um possa chegar à essa mesma conclusão. Vamos lá galera: Tico e Teco dêem as mãos e força na peruca!

"Mudança de nome já para as ruas Piauí e Sergipe"

"Mudança de nome já para as ruas Piauí e Sergipe"

Se a reportagem deu pasto e circunstância à uma interpretação um tanto quanto esquizofrênica da ordem de conectividade factual, dando uma certa rasgadinha no tecido do espaço-tempo que qualquer tia com uma máquina de costura ajeita, poderia-se determinar quem seriam as primeiras pessoas a olhar torto para uma reportagem publicada na Folha e tentar descer às minudências de significado para tentar dar de cara com a verdade, já que dizem gostar tanto dela: os inimigos da Folha. Aqueles que a chamam de PiG. Aqueles que a chamam de mídia golpista. Aqueles que prescrevem a seus leitores terem medinho da Folha.

Essas pessoas que odeiam a Folha por ela não deixar ladrão roubar em paz foram as primeiras a se prostrar perante a sinonímia, fazer uma genuflexão dogmática para o sentido mais troncho que as palavras poderiam possuir e a dizer e maldizer os moradores de Higienópolis pela mudança do local da estação.

Não houve outro jornal que divulgasse o fato sem copiar a reportagem da Folha ipsis litteris. Uma nova matéria explicando melhor os fatos saiu só no fim da tarde, na Veja SP. A maior pauta da imprensa brasileira é comentar o que sai na imprensa brasileira. É um movimento um tanto onanista de repetição. Às vezes dando uma falsa sensação de que repetir uma falsidade por n veículos jornalísticos só pode dizer que aquilo é uma verdade inconteste. Creio que meus leitores já viram isso antes.

Passei a noite da quarta-feira conversando pelo Twitter com o James Cimino, responsável pela reportagem da Folha de 2010, que foi muito simpático e amigável, tentando esclarecer o mal entendido. Por sinal, foi ele o mesmo repórter, agora trabalhando para a Veja São Paulo, que fez uma reportagem no fim do dia esclarecendo que a decisão do metrô, afinal, foi técnica, que o abaixo-assinado nada influiu nisso (não faz mesmo sentido ter estações tão próximas uma a outra).

James Cimino não acredita que o abaixo-assinado nada tenha a ver com a mudança. É um direito seu, mas um artigo de fé, e não um fato consumado e documentado. Ele também me perguntou de cara qual a minha opinião sobre o bairro de Higienópolis e afirmou que o Brasil é colonialista. O mesmo James que afirmou ter cunhado a expressão “gente diferenciada”, que a própria entrevistada negou ter usado (e quantos foram entrevistados? quantas opiniões isso reflete?).

Isso só demonstra um fato: a Folha é um jornal plural (talvez o mais plural do país, diga-se), que tem jornalistas com pensamento dos mais diversos matizes por lá. Não é necessário alguém dizer amém ao que pensa Otávio Frias Filho para escrever para a Folha. Há pensamentos discordantes dentro do jornal. Há gente que a considera mídia golpista, e essa mesma gente usa as palavras da Folha ipse dixit quando julga que conseguirá atingir seus inimigos com ela. O próprio Otávio Frias Filho, no Fórum da Liberdade de 2010, afirmou não ver problema em “ter tanto comunista” na Folha. A Folha tem um pensamento democrático e diverso que esses mesmos comunistas odeiam. Eles preferem outros métodos de resolver divergências.

A isso se chama ser “progressista”.

Churrascão da Gente Alternativa

O churrascão da burguesia

Discutiu-se se o churrascão programado como protesto contra la bourgeoisie iria, afinal, dar certo. É claro que daria: em primeiro lugar, protestantes por alguma besteira prontos a fazer uma farrinha ao invés de se preocupar com seu trabalho (como fazem as pessoas pobres) existem às turras. Em segundo lugar, o protesto foi marcado para o Shopping Higienópolis, que fica praticamente encostado à Av. Angélica, onde provavelmente não haverá mais a estação. A Av. Angélica já tem fácil acesso de metrô sem precisar da estação Mackenzie-Higienópolis, que ficará a 3 quadras da avenida. É claro que a maioria da galera galerosa que vai pro churrascão chegará ao shopping, atravessando a Av. Angélica, de metrô. Se não tivesse metrô por perto, o churrasco já estaria miado. Já pensou se fosse no Pacaembu?

Mas é preciso ver quem vai pra esse churrasco-protesto. Basta entrar numa lan house numa periferia e ver se a “classe baixa” está usando Twitter, e tem lá alguma preocupação a respeito da estação ser na Angélica ou não. Quem entope o Twitter com Trending Topics a respeito de séries americanas, MMA, notícias de jornais internacionais e discussões políticas sobre o STF não é senão a própria “burguesia”, nome falho para a classe média brasileira, com padrões brasileiros de “classe média”.

Mas há figuras ilustres que confirmaram presença. Uma delas é ninguém menos do que Luis Nassif, outro jornalista que não escreve senão para falar mal da Folha, de onde foi chutado após tentar conseguir uma grana do governo paulista. Nassif mora… em Higienópolis. Eu não sei se Luis Nassif já mostrou aos seus leitores fotos detalhadas da casa em que mora. Talvez ajude-os a entender que causa defendem.

Em um projeto governamental sem licitação da estatal EBC (Empresa Brasil de Comunicação), Luis Nassif receberá R$660 mil anuais (mais de 1% do orçamento da EBC, tornando-se o jornalista mais bem pago por audiência do país), verba pública paga a Nassif para ele falar bem da Dilma. De minha experiência como nascente no Itaim Paulista e conhecedor de bocadas como São Miguel, Mogi das Cruzes, Calmon Viana, Osasco e Parada de Taipas (não é muito diferente do que parece), não posso acreditar que tal soma de dinheiro simplesmente exista juntando todo o dinheiro do mundo.

Mas tenho um projeto não muito governamental para apascentar os ânimos. Se o Nassif quiser me dar 5% do salário dele, deixo todo mundo fazer o churrascão no quintal da minha casa e também ocupar a rua e o terreno baldio cheio de ratos na frente. Até ajudo com a farofa. Poderão então me xingar de “burguês” até cansar o gogó. Por 6% aceito até tomar umas porradas. Só não vale é claro xingar a mãe. Mas por 10% acho que até ela entenderia. Mãe é mãe.

Nativos ou manifestantes?

Tente diferenciar os nativos dos manifestantes. TENTE.

Sem gente diferenciada, só boys de vila

A esquerda é nacionalista, estatizante e odeia a burguesia. No TweetDeck, a explicação para Higienópolis estar nos Trending Topics foi: “Judeus safados com nojo de pobre.” A esquerda se surpreende quando descobre que a direita não significa nazismo. Nem que, se a extrema-direita é nazista, ser “só de direita” não significa ser nazista, pero no mucho.

Com todas essas características acima elencadas, quem é mesmo anti-semita nesse país, hein? E, afinal, judeus não podem protestar? O governo deve servir a população, e portanto ouvir o que o povo quer, ou, assim que descobre que são judeus e alguns (ALGUNS) ricos que querem uma coisa, deve fazer o oposto, só de pirraça? Afinal, alguém se perguntou se a dona Guiomar, a do “gente diferenciada”, é judia? Alguém sabe qual é a opinião dos judeus de Higienópolis? É diferente da dos não-judeus? Então foi protesto contra o protesto? Que tal organizarmos protestos contra o protestos e piquetes de quem faz greve para pedir mais dinheiro do governo? Até o MP pareceu que não tinha mais com o que se preocupar e pediu explicações sobre a mudança do projeto para o governo! O MP está protegendo o que ou quem?

Por sinal, se colocassem a estação na Angélica não haveria estação no Pacaembu. Em dias de jogos, quero ver quem vai negar que ocorrerão ocorrências “indesejáveis”. Podem tentar pegar qualquer ônibus que atravesse a Avenida Pacaembu abarrotado de corintianos em direção à zona norte e ver o que acontece com ele quando passa pela escola de samba Camisa Verde e Branco. Sugestão: usem coletes à prova de bala.

Todo o método de interpretação dos fatos, desde que foi anunciado o cancelamento da estação na Angélica até a forma como foi organizada o churrasco-protesto, demonstra o Délire d’Interprétation, como exposto pelo psiquiatra Paul Sérieux. Toda interpretação vem antes dos fatos, desde o uso da “mídia golpista” para favorecer idéias esquerdistas até supor que uma manifestação dessa seria uma luta de classes de pobres contra ricos. Basta pensar no que seria se fosse a Marta Suplicy que vetasse pessoalmente o projeto do metrô de Higienópolis: já estariam tatuando o nome dela nas nádegas. Clamariam a vitória do povo pobre e preto.

Você conhece morador da periferia que ouve jazz?

Você conhece morador da periferia que ouve jazz?

Ao se ver as fotos aqui expostas, tiradas agora há pouco no protesto, entende-se o tipo de gente que perde seu precioso tempo tomando Brahma e indo com roupas chiques para um “churrascão” (modelo universitário, sem carne). Foi praticamente impossível diferenciar os moradores mais caricatos do bairro dos “manifestantes”. Não havia pobres. Os mendigos se assustaram e foram pedir dinheiro nas ruas adjacentes.

Havia apenas o fenômeno só conhecido por quem mora na periferia dos boys de vila. Gente que não mora em Higienópolis, Jardins, Vila Madalena, Moema ou Vila Olímpia. É gente que mora no Tatuapé, na Barra Funda, na Vila Guilherme, no Jaçanã ou até em Pirituba ou Itaquera. Mas tendo juntado sua grana num bairro mais barato, ascendeu e agora tem seu carro nada podre, suas roupas de marca, vai em todas as baladas possíveis e, como bons boyzinhos, nunca trabalharam na vida e passam o dia inteiro na frente de casa, conversando com os amigos. No fim das contas, não moram em Higienópolis, mas têm uma vida melhor do que a população que chegou ao bairro agora, tendo de gastar uma fortuna em apartamentos pequenos e padarias caras, “apenas” para morar perto do centro.

Perguntei na estação de metrô, aliás, quantos metros possui uma plataforma. Não me deram certeza, mas afirmaram que é algo próximo a 100 metros. 100 metros de plataforma, e estação na Angélica 610 metros depois. Só eu acho isso um disparate?

Por fim, é nítido ver mais delírio de interpretação nesse churrascão, vindo dos mesmos manifestantes que se organizam pela internet e adoram falar mal da PM, vendo que os higienopolitanos não se distinguem quase em nada desses (nem pelo preço das roupas, nem pelo péssimo gosto musical), tendo a PM cuidado de sua segurança e fechado o trânsito da Av. Higienópolis desde a entrada da Angélica para eles.

Só que foi uma coisa meio miada. Se organizassem a coisa no boca a boca lá em Perus ao invés de pelo Twitter, talvez não veríamos tantos manifestantes com óculos com preço de computadores. Mas quase cancelaram o churrasco ontem porque temiam que ocorressem manifestações violentas e fosse um povo nada a ver com o protesto.

Medo de ocorrências violentas e de um povo nada a ver por perto… onde foi que li isso mesmo esses dias?!

 

* Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. No Twitter: @flaviomorgen

 

Mais algumas imagens:

PM fascista
“Metrô Higienópolis só com entrada social e de serviço”
Essa gambiarra aí é Higienópolis

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11 Comentários

11 Comments

  1. Filósofo

    25 de agosto de 2011 at 00:16

    “Ou seja, eu quero mais liberdade e menos individualismo.”

    ESSA FOI DEMAIS!

    Copy Roger!! Vai pra sacola de insanidades proferidas por projetos de marxistas.

  2. Marcello

    23 de maio de 2011 at 11:55

    Ótimo texto e excelentes apontamentos.

    Parabens, fiquei fã do Blog.
    Já está em meus favoritos e estou indicando a todos os amigos.

    Abraço

  3. Constantine

    19 de maio de 2011 at 13:33

    Mermão, que texto bacana.
    Agora, o reply ao comentário do “carlos” foi de tirar o chapéu. Lindo demais. ‘Tou cansado de ouvir coleguinhas socialistas com esse papinho… a tua réplica foi muito aguda. Abs.

    (@flaviomorgen: Comentários como esse que me fazem continuar escrevendo. O que desespera cada um que entra na minha mira. :) )

  4. carlos

    17 de maio de 2011 at 16:02

    Eu não estou preocupado com a preferência partidária do Eike. Aliás, na minha opinião, nada mais tucano que um petista. A minha posição se assemelha mais com a do PSOL.
    Outro ponto, não existe liberdade no liberalismo. A única liberdade que existe é a da venda e compra de mercadorias. O trabalhador vende sua força de trabalho(Mercadoria) para o empresário, que através da mais valia, materializa para importante do seu lucro, trata-se da dicotomia Capital -Trabalho. Ora, eu quero mais liberdade, eu quero um mundo onde as características do espírito sejam o objeto do Logos.Ou seja, eu quero mais liberdade e menos individualismo. Isso não ocorreu no Socialismo Real, a grande democracia socialista naufragou na tirania de vermes como Stalin. Isso não quer dizer que este não continue sendo o melhor caminho( A ser aperfeiçoado, diga-se), na minha opinião.
    Quanto a Aristóteles( A tese sobre Aristocracia é muito interessante e ideologicamente atual) fico, ainda, com seu mestre Platão, para quem o fim da política(ética) é sempre o bem do cidadão e não de um grupo ou classe, veja a tese social do comunismo platônico, por exemplo.Neste sentido(ética), para mim, são irrefutáveis: Marx, Levi Strauss, Hannah Arendt e Clarice Lispector.
    Abs

    (@flaviomorgen: Amigo, você pensa de forma muito mais parecida com Eike Batista do que imagina que pensa. Tanto é que não sabe o que ele pensa [tanto que nem procura se informar sobre quais são suas preferências antes de criticá-lo].

    Não deixa de ser um pouco hilariante involuntariamente você afirmar que o liberalismo não traz liberdade, sendo que é o sistema calcado em produzir, investir e fazer o que se bem entender com o mundo e o próprio corpo e ter os frutos do trabalho não sendo expropriados por alguém ou pelo governo – que serve justamente para impedir que tudo seja resolvido pela força bruta. Para os que não criam seu próprio negócio, você pode ganhar trabalhando para outro. A isso você chama de “venda da força de trabalho” – portanto não haveria “liberdade”. Você troca isso por ser obrigado a trabalhar para o Estado, segundo o que burocratas decidem alheios à sua vontade. É essa a sua entrega de “liberdade” para o povo? Quanto ao conceito de “mais-valia”, foi refutado por Eugen von Böhm-Bawerk antes mesmo da última parte d’O Capital ter sido publicada.

    De toda forma, é sempre engraçado ver marxistas dizendo que o “socialismo real” não existiu. Em primeiro lugar, aquele foi o socialismo real – o que não existe e nunca existirá é o socialismo ideal, de imaculada virgindade no reino das idéias, onde todos adorarão ser escravos de uns 3 burocratas que dirigem a sociedade e não morrerão de fome por isso [vide o problema do cálculo econômico, exposto por Mises]. Se é assim, também posso afirmar que o capitalismo real não existe [e não existe mesmo – existiu lugar no mundo que aplicou pari passu as lições de algum liberal, sem nenhuma mudança da teoria na prática?]. No capitalismo “real”, todos serão ricos e livres de impostos. Quem sai ganhando?

    Mas o melhor é ver essa bazófia de “ah, não deu certo e matou mais gente do que todas as guerras do mundo em questão de um século, mas é LINDO!!” justamente dos marxistas, aqueles que diziam que as promessas de liberdade e riqueza dos teóricos capitalistas não valiam nada porque tinham gerado miséria na prática – justamente aqueles que pregavam uma inseparável relação entre teoria e prática…

    Você só confirma mesmo que só existem marxistas que não leram os autores que apresentei. Como refutá-los, afinal? Deve ser mais difícil do que evitar um sarrozinho com “Clarice Lispector” como padrão de leitura…

    Cordiais amplexos.)

  5. Carlos

    16 de maio de 2011 at 15:51

    A distância ideal entre estações do Metrô é de 500 metros. Esta é a meta para todo o centro expandido. O Secretário de transportes na gestão Serra disse, para a rádio CBN, que a estação deveria, sim, ser construída na Angélica. Mas o fato, em si, dispensa toda a fraseologia do texto: Existe no Leblon, em Moema, Higienópolis etc, um determinado agrupamento social, que detém capital( Não necessariamente os meios de produção) e produz ideologia que prega a supremacia da classe dominante( Aliás, como toda ideologia). A ideologia brasileira é essa mesmo: Gente diferenciada, Rampa para Mendigos, Estado Mínimo e sem serviços públicos de qualidade, culto ao Eike Batista e ao trabalho alienado. Enfim, uma mistureba de ideias burguesas com fetiche. Pessoas se transformam em coisas e perdem sua identidade de sujeito, são, agora, objeto. Mas é melhor parar por aqui, afinal, para você, não existem classes( Li coisa parecida noutro post)… e aí a abstração supera qualquer vínculo com a realidade e com o debate.

    (@flaviomorgen: Pinço do arrazoado supraescrito a seguinte passagem: “Gente diferenciada, Rampa para Mendigos, Estado Mínimo e sem serviços públicos de qualidade, culto ao Eike Batista e ao trabalho alienado. Enfim, uma mistureba de ideias burguesas com fetiche.” Como é que é? Eike Batista, o petista, favorável ao Estado mínimo e sem serviços públicos de qualidade? E o Estado mínimo é favorável a serviços públicos sem qualidade?! E alguém que não siga essa bazóia de “sociedade de classes” é favorável ao trabalho alienado?

    Amigo, TODO MUNDO É REACIONÁRIO. A diferença é se já leram Sowell, Ortega y Gasset, Bastiat, Hayek, Rothbard, Mises, Chesterton, Mencken, P. J. O’Rourke, Ayn Rand e Voegelin ou não. Porque esses caras são irrefutáveis. Seus erros são corrigidos uns pelos outros, e nunca por uma barbeiragem marxista de “sociedade de classes” [pra entender porque isso está errado, exige-se o Organon do Aristóteles]. Citarei apenas de passagem um deles:

    “Como o snob está vazio de destino próprio, como não sabe que existe sobre o planeta para fazer algo determinado e impermutável, é incapaz de entender que há missões particulares e mensagens especiais. Por essa razão é hostil ao liberalismo, com uma hostilidade que se assemelha à do surdo em relação à palavra. A liberdade significou sempre na Europa franquia para ser o que autenticamente somos. Compreende-se que aspire a prescindir dela quem sabe que não tem autêntico mister. […]

    Com estranha facilidade todo o mundo se colocou de acordo para combater e injuriar o velho liberalismo. A coisa é suspeita. Porque as pessoas não costumam pôr-se de acodo a não ser em coisas um pouco velhacas ou um pouco tolas. Não pretendo que o velho liberalismo seja uma idéia plenamente razoável: como pode ser se é velho e se é ismo! Mas sim penso que é uma doutrina sobre a sociedade muito mais profunda e clara do que supõem seus detratores coletivistas, que começam por desconhecê-lo.” [Ortega y Gasset, A rebelião das massas]

    Sentiu?)

  6. Georgeumbrasileiro

    16 de maio de 2011 at 09:30

    A título de curiosidade, não tinha uma gente diferenciada se aproveitando desse mercado, vendendo umas latinhas de Bohemia ou um choconhaque pra esquentar? Não é possível. A PM não teria deixado gente nada a ver passar? Ou ninguém teria avisado no Orkut? Mas que lástima.

    (@flaviomorgen: Olha, cheguei um pouco tarde [não diga pro meu editor], mas não vi nenhum daqueles famosos tios com caixa de isopor a tira colo. Tinha lá um pessoal tomando Dolly Guaraná pela segunda vez na vida e e uns hipsters com roupas meio clubber [como aquela combinação escalafobética de calça xadrez com listras laterais e tênis meio sapatênis meio só tênis que parece um navio negreiro], todos com óculos escuros caríssimos – apesar das nuvens e do frio, o dia ainda estava com um sol meio ardido demais pra quem vive em apartamento.)

  7. Rafa

    15 de maio de 2011 at 14:32

    Cara, é engraçado ver essa “gente diferenciada”… quantos trabalhadores estavam ali para protestar pelo “preconceito”? Opa, trabalhador estava trabalhando… esqueci…

    é o mesmo papo da “ditadura do proletariado”… vão os “intelequituais” ensinar como os trabalhadores devem tomar o poder e chutar os burgueses… depois, quem vai ficar no poder? hehehe…

    coletei uns posts no twitter que resumem bem:

    @boechat Guilherme Boechat
    Também quero ser #gentediferenciada, cês viram as bicicletas caras, as roupas
    de grife e as câmeras que filmam em full HD da galera?

    @FabioRex Fabio Rex
    O bom de ter um Starbucks no Shopping Higienopolis é q os manifestantes
    vão poder comprar um frappuccino p/ tirar o gosto do guaraná Dolly.

    quanta maldade… Abraço.

  8. Gustavo

    15 de maio de 2011 at 09:53

    (i) Nunca foi uma alternativa entre a Pacaembu e a Angélica. Essa conversa veio só depois dos protestos. Tem que ter as duas estações, como tinha no projeto original que vigorava até a semana passada. Basta dar uma olhada nas distâncias que você percebe que precisa de duas estações entre a Cardoso de Almeida e a Mackenzie, ou vamos ficar com a maior distância entre estações da parte central da linha. (ii) Dê uma pesquisada na distância média entre estações em Paris, Nova York ou Buenos Aires. 600 metros é razoável, sim. O que não é razoável é 2km entre uma estação e outra, sendo que vão gastar bilhões pra linha passar ali de qualquer jeito. A não ser que a gente resolva que São Paulo, né, não precisa de um metrô bom e funcional de padrão internacional, qualquer coisa serve. (iii) Vamos combinar que não é muito legítimo responder às acusações anti-burguesia com suas próprias acusações anti-burguesia-que-odeia-a-burguesia. O antirriquismo que você acusa neles você comete em seguida. (iv) O ponto é que a única explicação (de novo, procure fotos dos projetos em vez de fotos de um evento bobo e divertido) pra discrepância nas distâncias é a Estação Angélica, com demanda de 25 mil pessoas, ter sido *removida* . Daí a gente pode discutir os tais critérios técnicos ou se foram pessoas endinheiradas que pressionaram pela remoção. (v) Capaz de a nova estação, num lugar menos burro que a Charles Miller, acabar sendo vizinha da FAAP e da Vilaboim. Em termos de distâncias, está perfeito. Vamos ver o que os higienopolitanos acharão…

    (@flaviomorgen: 1) Ainda que não fosse [mas já se cogitava o Pacaembu, sim: o projeto só foi mudado para a Angélica porque o solo do Pacaembu é mais difícil de ser escavado], a discussão não veio após os protestos. Só uma notícia da Folha quis dar a entender que sim. O próprio repórter que escreveu sobre o abaixo-assinado na Folha em 2010 foi o que mostrou que o abaixo-assinado em nada influiu na decisão do metrô na Veja SP, na quarta-feira. De toda forma, concordo com o segundo ponto. Aliás, disse até que o problema é que a linha tem de passar por Higienópolis, mas em qualquer ponto que coloquem uma estação, estarão desperdiçando dinheiro público. Higienópolis, definitivamente, não precisa de mais nenhuma estação;

    2) Os metrôs dessas cidades foram projetados de outra maneira. A única distância tão curta que temos no metrô de SP é entre a Sé e a Liberdade. Projetar duas estações tão próximas com o resto da malha com distâncias mais longas VAI dar problema. Não é preciso ser engenheiro para concluir isso;

    3) Não sou contra ricos. Aliás, é justamente isso que critico: gente rica indo contra ricos, se fingindo de pobre. Eu, que sou nitidamente bem mais pobre do que a maioria absoluta [e digo “absoluta” porque vi e tirei fotos com estes olhos e essa câmera que a terra há-de comer] dos manifestantes, não tento me fingir de pobre para reclamar da “burguesia”;

    4) Isso é um artigo de fé. Se o projeto da estação mesmo vai continuar em Higienópolis e nem ligaram para perguntar para a população [a burguesia dos protestos no Twitter ou os habitantes de Higienópolis, tanto faz] se querem isso mesmo, acho meio difícil sustentar essa fé de que foram os “endinheirados” que mudaram o projeto por lobby. Ainda que fosse, acho que o governo deve servir a população, e não ficar contra ela só por ela ter mais dinheiro do que a média;

    5) Eu mesmo afirmei no primeiro texto que ambos os lugares são burros. A Angélica por ficar a 3 quarteirões da estação Mackenzie-Higienópolis, e a Charles Müller por ficar no meio do nada. Exatamente como uma estação paralela, a Sumaré, onde ninguém nunca desce, e a única estação que permanece vazia até em horário de pico [até a Oscar Freire não tem nada na altura da estação]. Minha sugestão seria na pracinha na frente do Samaritano. Acho melhor até do que a Vilaboim.)

  9. alexandre

    15 de maio de 2011 at 08:56

    no blog do juca kfouri tem algumas informações interessantes : em outros países é normal ter estações de metrô a cada 500 mts. E colocar uma estação no Pacaembu será uma bobagem porque até lá, o Fielzão estará pronto e não terá mais jogos no Pacaembu. E o blogueiro mora em Higienópolis e repudiou os comentários antissemitas. Friso isso para que não acusem o Juca Kfouri de petralha, denominação dada a qualquer pessoa que ouse contriar a posição desse blog. Aliás, como teve blogs “não progressistas” que meteram o pau na Folha de SP ( não estou incluíndo este). Falam que o governo detesta a imprensa mas é só a mesma imprensa publicar algo que não agrade, que esses blogs de oposição passam a agir igual ao governo e outros blogs pró-governo : meter o pau na imprensa.

    (@flaviomorgen: O único túnel em São Paulo com uma distância tão curta é entre a Sé e a Liberdade. Existem, é claro, diversas estações a uma distância de poucos metros uma da outra em Londres, Paris, Berlin – mas aí entra um outro problema: as estações são pequenas e as linhas não se direcionam apenas na transversal [até há pouco tempo, basicamente existia em São Paulo a linha norte-sul, a leste-oeste e “a da Paulista”]. Então o problema aí diz respeito também a haver poucas linhas. Pelo mesmo princípio que apresentei no primeiro texto [linkado aí no começo], com linhas diversas correndo a cidade feito uma colcha de retalhos fica fácil ter estações perto uma das outras [vide o caso Anhangabaú-São Bento, ou mesmo Paulista-Mackenzie]. No mais, reclamei justamente desses setores da imprensa dizerem “Amém” para uma reportagem nitidamente tendenciosa. Não critiquei a Foiha [aliás, mostrei que ela é BEM mais confiável do que esses blogosfentos], justamente porque ela tem uma pluralidade interna de opiniões que me permite concordar e discordar dela mais claramente do que com outros jornais [com os quais, é claro, faço o mesmo]. Apenas demonstrei o que foi que havia na reportagem, conversei com um dos repórteres e fui atrás da reportagem. Não sou jornalista. O espantoso é que os jornalistas de verdade não fizeram o mesmo.)

  10. Camila

    14 de maio de 2011 at 23:03

    Que chato esse Flavio Morg… #nemli

  11. Franchini

    14 de maio de 2011 at 18:22

    Olha que tinha bastante #gentediferenciada no batuque: https://twitpic.com/photos/franchini Mas o pagode era péssimo

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