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Marina Silva = Kassab 2.0

Sonháticos de outros tempos

Sonháticos de outros tempos

Ou, por outra, Cristóvão Buarque aparentemente mais preocupado com plantinhas (só aparentemente, registre-se). Mas fiquemos com Kassab, porque mais recente e bem mais parecido com a ex-petista.

Marina lançou sua legenda, cujo nome ainda não é bem o nome, e seria algo como Rede ou Rede de Sustentabilidade. Não é de esquerda, direita, governo ou oposição. Basicamente, a única coisa que se sabe é que é pró-Marina (e, alegam, pró-Natureza ou algo do tipo).

Assim como o PSD, que surgiu para não ser governo nem oposição, mas sim uma legenda a dar apoio a Kassab, o partido de Marina surgiu para ser o partido de Marina. Puro e simples projeto pessoal, ficando para segundo plano qualquer idéia para o país.

E isso não chega a ser tão ruim quando se descobre QUAIS são as idéias. Os partidários de Marina (Redeiros? Sustentáveis? Marineiros?) são denominados “sonháticos” (sim, não é anedota), em que pese o velho pragmatismo de ficar entre situação e oposição, naquele meio-termo de Kassab e seu PSD.

Com o que sonham os sonháticos? Não se sabe. Tirando aquelas patacoadas como “economia criativa” e “manter a idéia de um movimento”, sobram as opiniões de Marina. E essas são as seguintes: defende o ensino do criacionismo em escolas (igualado por ela ao evolucionismo), é contra pesquisas com células-tronco embrionárias, contra o casamento gay e assim por diante.

Uma estrutura ideológica tão moderna quanto qualquer dogmatismo milenar. Coloca-se aí alguma retórica ecológica (em geral praticada por engajados urbanos que pouco ou nada fizeram ou fazem pelo meio-ambiente) e temos a “Rede Sustentabilidade” – não por acaso, apoiada por grandes empresas.

Parece contraditório, e de fato o é quando visto pela luz da lógica, mas é o tipo de postura totalmente adequada à trajetória política de Marina Silva. Senão vejamos.

Ela participou de todo o Governo Lula, como Ministra do Meio-Ambiente. Estava lá, por exemplo, quando explodiram escândalos como Mensalão, Palocci, Waldomiro Diniz etc. Saiu apenas quando Mangabeira Unger foi nomeado para, entre outras coisas, tratar da Amazônia (era um Ministério do Futuro, algo assim). Marina perdeu poder no governo e saiu.

Não o fez por escândalos graves de corrupção, não largou o PT por motivos de ética (ou falta dela), não achou por bem deixar de ser governo por atos ou fatos importantes. Voltou ao Senado (para o qual foi eleita em 2002, mas deixou suplente todos esses anos) quando sua pasta perdeu força.

Desse modo, portanto, Marina Silva não é mesmo esquerda ou direita, governo ou oposição. E nem é assim tão sonhática, mas muito pragmática. Marina é, antes e acima de tudo, Marinista e, agora, tem um partido que também segue essa diretriz. É o partido da Marina, não do Brasil ou de qualquer causa relevante e concreta. Uma caudilha sem agrotóxicos.

Há contradição? Não histórica, pois, ao sair do PT para conseguir viabilidade legal eleitoral, Marina foi ao PV e só o demonizou quando dele saiu. Levou para lá gente ex-PT, ex-PPS, ex-PSDB e, em alguns casos, ex-mais-de-um-ou-dois-partidos. Agora, além do Partido Verde, os sonháticos somarão mais uma legenda em seu histórico marinista, porém sempre em favor da promoção de uma figura (não de idéias ou projetos).

Mais kassabiano, impossível.

E o ideário é aquele já exposto (com fontes linkadas), tão moderno quanto uma abadia do século VIII. A prática política, embora tragicamente antiga, também remete ao recém-criado PSD.

Marina é uma espécie de Kassab 2.0, da era de aquário e sonhática. Mais do mesmo. E esse “mesmo” não é nada bom.

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10 Comentários

10 Comments

  1. Conservatore

    24 de fevereiro de 2013 at 9h22

    Caro Gravatai, como o meu outro comentário ainda está aguardando moderação, acrescento alguns links que, além de mostrarem o “outro lado” do darwinismo, nos faz refletir sobre o que é considerado ciência pelo establishment acadêmico(hegemônicamente composto pot esquerdistas e ateístas militantes).
    Não tenho a ilusão de mudar seu pensamento em relação à existência ou não de um Criador; apenas quero chamar a atenção para o que entendo como Liberdade de Pensamento: EXPOR OS DOIS LADOS DA QUESTÃO DE FORMA CLARA E OBJETIVA, sem tomar partido de um dos lados, afinal de contas, espaços como esse, servem para se contraporem à mídia tolhedora do pensamento alheio. Sou cristão e adimiro o trabalho de vocês, mesmo sabendo que vocês são ateus. Não misturo as coisas.

    https://espectivas.wordpress.com/2013/02/24/michael-behe-e-os-limites-do-darwinismo-video/

    https://espectivas.wordpress.com/2013/02/07/o-que-surgiu-primeiro-o-ovo-ou-a-galinha/

    https://espectivas.wordpress.com/2013/02/19/um-conhecido-cientista-diz-o-darwinismo-nao-sabe-o-que-e-a-macro-evolucao/

  2. Thiago

    21 de fevereiro de 2013 at 4h08

    Se é para ser apolítico, poderia nem existir e deixar a verba partidária para os (muitos) partidos que já existem… queria ver se fizessem uma reforma política e só deixassem existir… sei lá, uns 5 partidos… e olha que eu acho 5 um número suficiente para espalhar esses políticos indecisos que não sabem se são de esquerda, direita, governo ou oposição…

  3. Luis Junqueira

    19 de fevereiro de 2013 at 7h19

    O partido não participou de nenhuma eleição, ninguém sabe como ele funcionará na prática. Acho que para fazer uma boa argumentação nós precisamos esperar um pouco para poder julgar, não?

  4. Elías

    18 de fevereiro de 2013 at 18h21

    Não é “Cristóvão Buarque”, senão que é “Cristovam Buarque”.

  5. sergio vieira

    18 de fevereiro de 2013 at 12h23

    Interessante e “inovador” este movimento personalístico, ao qual sugiro o epíteto de Status Quo Ad Hoc, afinal sob medida enunciado para manter o que já existe.
    Eu diria ser Marina e seus sonháticos resultantes histórico-políticas de Sarneys e Collors (e claro, do inesquecível Centrão velho de guerra) Ainda para ajudar ao discurso de brasilidade dessa “nova ideia” de partido o(a) REDE já lançou mão dos acordinhos partidários com o PSD (outro locatário político) e o PMDB (mais um locatário político) para garantir a não aprovação de lei que impediria seu “partido” a receber as benesses do fundo partidário e tempo de tv.
    E la nave va…

  6. Alexandre Fonseca

    18 de fevereiro de 2013 at 11h04

    Com relação à denominação dos membros do partido, apoio a sugestão do jornalista Mauro Pereira: “redículos”.

  7. Mulholland

    18 de fevereiro de 2013 at 10h09

    É uma mistura de Tea Party com Greenpeace com PMDB.

  8. luiz

    18 de fevereiro de 2013 at 9h18

    Bela tentativa de reducionismo. Aliás, tenho visto muita gente incomodada com a criação desse novo partido, muito mais do que ocorreu quando da criação do PSD.

    Libera aí Gravata, qual é a ordem do comando maior? Por que desacreditar tanto o futuro partido?

    (Gravz: Ué, nenhuma ordem. Basta ter polegar opositor para discordar e ver como é tudo feito para enganar gente idiota. O problema é quando se acredita em aula de Criacionismo, porque a piada não faz muito sentido)

    • eloi

      25 de fevereiro de 2013 at 9h56

      Luiz, a crítica que tantos fazem a esse novo partido é sua roupagem e como vendem isso. Por exemplo, não querem ser chamados de partido político pois isso seria uma coisa ruim, mas são um. Começaram dizendo que não aceitariam doações de empresas, depois mudaram, só não aceitarão de agronegócio, armas e cigarro, empresas que representariam o mal.

      Esse partido já nasce com uma candidata que faz propaganda de seus 20 milhões de votos, já se lança no mercado, quem dizer a melhor oferta leva o apoio. E essa é a maior proposta que fizeram.

      No fundo são um monte de novos a procura de um novo messias ético, pois o passado não deu certo, guiados por meia dúzia de pragmáticos sem escrúpulos.

  9. Marcos Jr.

    18 de fevereiro de 2013 at 8h19

    “Não é de esquerda, direita, governo ou oposição.” – Enfim, não é porcaria nenhuma. Bonito, hein Marina Silva…

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