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Entrevistas

Para o MBL, uma imprensa livre é livre inclusive para receber críticas

Segundo Arthur do Val, “o MBL apoia ideias, não apoia pessoas”

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O Movimento Brasil Livre nasceu na semana seguinte à reeleição de Dilma Rousseff. Tendo como norte a defesa do liberalismo, foi às ruas pedir o impeachment da presidente e se converteu no grupo que mais irritou o petismo durante o processo que encurtou a vida do quarto mandato presidencial do partido. Desde então, não tem – nem dá – descanso. E enfrenta em campo aberto a esquerda brasileira, incluindo grossa parte da imprensa tradicional.

Arthur do Val, que foi oficializado no grupo em meados de 2016, conversou com o Implicante sobre a origem do movimento e sua atuação nos três primeiros anos de trabalho.

IMPLICANTE – O MBL surgiu em novembro de 2014. De lá para cá, o trio Kim Kataguiri, Fernando Holiday e Renan dos Santos permanecem à frente do grupo. Mas algumas lideranças que discursavam nos palanques do movimento o abandonaram e até o criticam abertamente em público. O que aconteceu para aliados terem se tornado adversários?

ARTHUR DO VAL – Quando alguém briga com um movimento grande, o pessoal dá muita atenção. Mas são poucas pessoas. Se você pegar o tamanho do MBL, e o tanto de membros que tem, dá pra ver que, na proporção, é um grupo bem pequeno. De qualquer forma, cada um tem uma história diferente. Eu pessoalmente acredito que é basicamente uma questão de ego. As pessoas infelizmente não sabem lidar com os seus orgulhos. E o conflito de egos acaba gerando um conflito de interesses. Nesse momento, as pessoas que acabam se afastando ou saindo do grupo querem crescer pisando em alguém maior. E não conseguem. De qualquer forma, eu acredito que o movimento como um todo tem muito mais pessoas que o admiram e o apoiam do que pessoas que saíram e eventualmente tentam difamá-lo.

IMPLICANTE – Como o próprio MBL define a postura diante do governo Temer? É um aliado? É um opositor? Ou nada disso, muito pelo contrário?

ARTHUR DO VAL – O MBL apoia ideias, não apoia pessoas. Por exemplo: nós todos sabemos que o Brasil precisa de uma reforma previdenciária. Isso é um fato. O governo Temer tocou o dedo na ferida e resolveu fazer uma. Nesse caso, o MBL não estava nem a favor de manter a previdência como se encontrava, nem da reforma que o Temer apresentou do jeito que apresentou. O que o MBL fez: apoiou a reforma da previdência com um aditivo. Então, a gente fez força para que fosse aprovada a reforma da previdência com uma modificação feita pelo próprio MBL com base na FIPE, que seria uma reforma muito mais liberal.

A partir daí, as pessoas começaram a rotular o MBL como um apoiador do governo Temer. Quando, na verdade, não é. Por exemplo: nós, como liberais, temos que aprovar a reforma trabalhista. Não tem como ser contra isso. Se ela está acontecendo no governo Temer, paciência. Se você sair na rua e perguntar para as pessoas, ninguém acha que o Michel Temer é um cara correto. Se você pegar o próprio movimento, ninguém nunca militou a favor da inocência do Michel Temer. Nós não defendemos o Michel Temer em si. Mas apoiamos boas ideias. Se no governo Michel Temer aparecem boas ideias, como foi, por exemplo, a PEC do teto, nós vamos apoiar.

IMPLICANTE – Em 2016, o objetivo do grupo não era adotar um partido, mas uma pauta, e trabalhar para que lideranças criassem uma bancada liberal em seus municípios. Para 2018, como o MBL pretende atuar? Quais serão os critérios para um candidato receber apoio do MBL?

ARTHUR DO VAL – Exatamente da mesma forma. Nós temos uma agenda liberal. O primeiro critério, inclusive, é gravar um vídeo falando que ele apoia toda aquela agenda liberal. O MBL tem os seus princípios. Vou dar um exemplo bem trivial: nós queremos a diminuição de impostos. Então o cara vai ter que gravar um vídeo falando: “Sou a favor da diminuição de impostos”. Esse cara, se ele tiver a ficha limpa, se ele for um cara honesto, se ele se mostrar trabalhador e for a favor dessa agenda, beleza, ele vai. Aí vamos supor que esse cara, no meio do seu mandato, vota a favor de um aumento de impostos. Nesse exato momento ele perdeu o apoio do MBL. É assim que funciona.

IMPLICANTE – Olhando de fora, há a sensação de que o MBL se tornou o maior inimigo da esquerda, o inimigo que a esquerda quer derrubar. Por vezes, mais até do que nomes como Jair Bolsonaro, Michel Temer ou João Doria. Faz algum sentido achar isso? Isso seria uma vitória ou uma derrota para vocês?

ARTHUR DO VAL – Isso é uma vitória. Afinal, você incomodar a esquerda, que é, sim, dominante no nosso país, não só em termos de militância, mas também em termos legais… Se você pegar a nossa própria Constituição, é uma Constituição de esquerda. Se você pegar todas as PECs que passam, a grande maioria é de esquerda. Então… Você pegar uma esquerda venenosa como essa e se tornar a principal antítese disso, eu acho que é claramente uma vitória.

Eu acredito que isso acontece porque o MBL é muito completo, tanto em termos midiáticos – sabe muito bem passar a mensagem que quer passar – quanto também em termos políticos, em termos de articulação. É um dos únicos movimentos que, além de ter uma página no Facebook, um canal no YouTube, uma jornal apresentado ao vivo e pessoas que fazem movimentos de comunicação, também tem importantes atores articulando de maneira institucional lá em Brasília, dentro dos municípios, dentro das Assembleias Legislativas, toda a parte política também. É um conjunto muito eficiente na hora de se passar uma medida, ou na hora de se bloquear outra medida. Isso faz com que o MBL seja eficiente justamente na destruição desse pensamento e dessa cultura de esquerda que temos em nosso país.

IMPLICANTE – O primeiro dos cinco objetivos do grupo defendia uma “imprensa livre e independente”. Mas, uma vez objeto de pautas negativas, o MBL costuma contra-atacar mirando os jornalistas que o criticam. Isso soa incoerente, mas certamente vocês discordam disso. Como explicar para a opinião pública que a postura não vai de encontro ao objetivo?

ARTHUR DO VAL – Passar isso para a opinião pública é justamente o desafio. A gente vê que às vezes existem pautas que são extremamente fáceis de entender, como a reforma trabalhista, e ainda assim, na hora de passar a opinião para as pessoas, você vê que tem muita gente que acaba ficando perdida ou desinformada, por conta inclusive de maus jornalistas da grande imprensa que às vezes passam a desinformação.

A questão é: você falar mal de alguém faz parte inclusive da liberdade de expressão. O oposto de uma imprensa livre é uma imprensa censurada, que tem que passar por um crivo censor, que vai dizer a ela o que pode ou não fazer. Por exemplo, o Lula já deu sinais de que faria isso se ganhasse a presidência novamente. Mas uma imprensa livre não significa ser uma imprensa livre de críticas. Uma imprensa livre é livre inclusive para receber críticas.

IMPLICANTE – Qual foi o maior acerto do MBL nesses primeiros três anos de atuação? E o maior erro? Por fim, qual o maior objetivo do MBL para 2018?

ARTHUR DO VAL – É difícil citar uma ação específica. É a mesma coisa que pegar os pilares de um prédio e falar assim: qual que é o mais importante? A mais emblemática, eu poderia citar o impeachment, que também não é uma ação isolada. Se você pensar, foi uma série de ações, manifestações organizadas, toda uma pressão nas redes sociais, pressão para a mídia noticiar as coisas corretamente. Ações como fazer a marcha até Brasília a pé, fazer o acampamento em frente ao Congresso… Isso em conjunto com pessoas dentro do Congresso dia a dia articulando deputado por deputado, batendo na porta de cada gabinete, mostrando a pressão popular para que os votos aconteçam. Depois disso, todas as ações que tentam colocar o país no rumo certo, como a articulação para a PEC do teto. Tinha gente lá articulando para que a PEC do teto passasse, gente nas redes sociais tentando explicar para as pessoas aquilo que é realmente a PEC do teto, entrando em escolas invadidas e mostrando que os alunos estavam lá como massa de manobra de sindicatos e pessoas mal intencionadas. Então é uma série de ações vitoriosas. É difícil escolher uma.

É difícil também dizer o maior erro. Todos os erros que eu vi o MBL cometendo são erros pragmáticos, não são erros de caráter ideológico, não é de índole ou de uma mudança estrutural em que você fale “poxa, você traiu seus ideais”. Até hoje, tudo que eu tenho visto do MBL é coerente com a agenda liberal que a gente defende desde o começo. Os erros são pragmáticos. Um que eu poderia citar é justamente deixar que pessoas de má índole se aproximassem e depois difamassem o movimento. Mas são erros muito pequenos em relação a todos os acertos que tiveram.

O maior objetivo para 2018 é influenciar diretamente nas eleições. Mas isso é só o começo de uma longa jornada. Uma vez que você colocar as pessoas certas dentro da máquina, é só o primeiro degrau de uma escada muito alta a ser subida, que é você ser um importante ator político mobilizando toda a sociedade e todos os parlamentares em prol de uma agenda liberal. Eu acredito que, para 2018 especificamente, seria colocar o máximo de candidatos que queiram defender a agenda liberal. Após isso, tomar todas as ações necessárias para que essa agenda liberal progrida.

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