facebook
Blog

Mercadante e os Aloprados

Dois petistas já declararam que o PT produziu dossiês na eleição de 2006, e um deles, Expedito Veloso, responsabiliza Mercadante pela farsa conhecida como “Escândalo dos Aloprados”. Dilma precisa demiti-lo do Ministério o quanto antes. Mercadante – considerando as novas acusações – deve ser investigado de forma profunda. A seguir, trazemos a história inteira:

Para o petista Expedito Veloso, Mercadante foi o mandante dos Aloprados

O governo Dilma espera o desenrolar dos acontecimentos que ligam mais um dos seus ministros a esquemas espúrios para saber o que fazer com a mercadoria. Se tivesse brios, talvez não pensasse muito. Dilma está na janela, aguardando as cenas do próximo capítulo para tomar uma decisão: “demito ou não demito?”.

O escândalo da vez tem nome e sobrenome: Aloizio Mercadante, e o cargo que está a prêmio é o de ministro da Ciência e Tecnologia. O ministro foi acusado por um colega de partido de comandar uma das maiores fraudes eleitorais da história brasileira, no episódio que ficou conhecido como “o escândalo dos aloprados”.

O autor da acusação não é um “qualquer”, não. É alguém que teve participação ativa no esquema: trata-se do bancário Expedito Veloso, um dos petistas que estavam no hotel Ibis em São Paulo quando a Polícia Federal prendeu dois de seus colegas de partido com R$1,7 milhão. De acordo com Veloso, Mercadante era o mentor do falso dossiê que seria utilizado como “arma eleitoral” contra o candidato da oposição José Serra (PSDB), ao governo de São Paulo, nas eleições de 2006.

O Dossiê dos “Aloprados”

O caso remonta aos dias 14 e 15 de setembro de 2006, quando a Polícia Federal deflagrou uma operação que prendeu Luiz Antônio Vedoin e seu tio Paulo Roberto Trevisan, ambos acusados de chantagem e ocultação de documentos. Na mesma operação, a polícia prendeu dois petistas portando uma mala com 1,7 milhão em um hotel de São Paulo. Os dois foram pegos quando encerravam a negociação do falso dossiê.

A dinheirama apreendida pela PF seria usada para financiar o falso dossiê

 

A armação elaborada no bunker petista, só faria sentido se alguma publicação “comprasse” a versão de que, quando ministro da Saúde do governo FHC, José Serra teria atuado como “facilitador” de contratos para a empresa da família Vedoin – a Planam. No ano em que ocorreram as prisões, a Planam estava sendo investigada por suspeitas de superfaturamento no preço das viaturas ofertadas a várias prefeituras, a partir de emendas negociadas com parlamentares.

A falsa reportagem seria explorada no horário político do PT, por isso os “aloprados” ofereceram a denúncia a algumas revistas semanais, entre elas a “Época” e a “IstoÉ”.

Alguns dias após as prisões dos petistas no hotel em São Paulo, a Revista Época admitiu ter sido contactada por integrantes do PT que se ofereceram com supostas denúncias que comprometeriam a candidatura de José Serra. Em seu blog a revista “Época”emitiu nota dizendo ter sido procurado por dirigentes do PT que teriam informações comprometedoras a respeito do então candidato ao governo de São Paulo. Na nota publicada em seu site, a revista acabou envolvendo outros nomes de petistas que estariam interessados em repassar as informações (que mais tarde se revelaram falsas), entre eles Ricardo Berzonini, que confirmou ter procurado a revista, mas alegou outras razões, obviamente.
No comunicado, a revista informou ainda que não veicularia nenhuma informação sem antes investigá-las.

Melhor sorte não teve a revista “IstoÉ” que abriu espaço em seu semanário para a publicação de uma forjada entrevista com a família Vedoin. Darci Vedoin e Luiz Antônio Vedoin, pai e filho respectivamente, usaram o espaço para acusar Serra.  De acordo com a matéria, os dois estariam reunindo provas contra Serra, para apresentá-las à  Justiça.

A pretensa “entrevista bomba” de “IstoÉ” deu com os burros n’agua, logo após o fechamento da edição, na quinta, dia 14 de setembro. Poucas horas depois de chegar às bancas, no dia seguinte, Luiz Antônio Vedoin foi preso sob a acusação de chantagem e ocultação de documentos. No mesmo dia foram presos também dois petistas negociando justamente as informações que os Vedoin alegavam dispor, e que entregariam à Justiça.

A bizarrice da reportagem e a inexistência de uma investigação aprofundada sobre as falsas denúncias despertou a indignação até de jornalistas que trabalham para estatais, como Alberto Dines que apontou várias inconsistências na matéria, classificando a revista como responsável por um “jornalismo de quinta categoria”. Destacamos abaixo alguns trechos:

O diretor do semanário conseguiu até desmentir o que escreveu o seu colega Mário Simas Filho na edição anterior (nº 1926, pág. 32). Disse que a entrevista com os Vedoin foi realizada na quarta-feira (13/9). Mas na primeira linha da matéria em questão está dito o seguinte: “Na tarde de quinta-feira 14, quando receberam a reportagem de IstoÉ, os empresários Darci e seu filho Luiz Antônio estavam tensos…”.

Não se trata de irrelevância: o diretor tentava desfazer um grave deslize cometido pelo seu repórter/redator-chefe ao admitir que escrevera a matéria em cima da perna, uma ou duas horas antes de a revista ser impressa. Como se sabe, a revista rodou na quinta à noite, mas o teor da matéria já fora distribuído por e-mail às redações.

Se a matéria foi escrita 24 horas antes, por que não se procurou ouvir o outro lado? Porque mesmo escrita na semana anterior jamais seria concedido aos acusados o direito de resposta. Os patrocinadores da “denúncia” não queriam esclarecer, queriam pichar. (Grifos nossos)

A farsa construída com a “mãozinha” da Revista IstoÉ foi desmontada de maneira definitiva quando, finalmente, a Polícia Federal tornou público os tais documentos que seriam vendidos ao PT. O material era constituído por um DVD de 23 minutos em que Serra aparece entregando ambulâncias em uma solenidade pública, registrada também pela imprensa, e fotos de José Serra e Alckmin em cerimônias de entrega de ambulâncias.

O que cenas gravadas em uma cerimônia pública provam? Nada! O que fotos tiradas em eventos públicos provam? Nada! Mas, se manipuladas podem servir como elementos de ataque no horário eleitoral. Como provas não representam nada, como elementos simbólicos, passíveis de associação arbitrária, são bens valiosos. Por isso, deduz-se que a única finalidade prática para todo esse material só poderia ser a exibição no espaço destinado à propaganda eleitoral de TV. As acusações dos Vedoin serviriam para dar veracidade à trama, afinal precisavam ao menos de uma capa de revista para forjar as denúncias. Conseguiram.

A capa que os "aloprados" precisavam

 

Investigação? Que investigação?

Passados quase 5 anos da prisão dos petistas no hotel paulista, a polícia ainda não chegou aos responsáveis pela armação da fraude. O resultado dos 51 depoimentos, 28 diligências e 5 prisões temporárias decretadas foi zero. Até hoje, inexplicavelmente, a Polícia Federal não conseguiu concluir o inquérito.

Na semana passada a revista “Veja” finalmente chegou ao provável responsável pelo crime: Aloizio Mercadante. A revista teve acesso à gravações de conversas entre Expedito Veloso e um grupo de petistas. Procurado pela reportagem, Expedito confirmou o teor das conversas, e se mostrou surpreso com o fato de terem sido gravadas. “Era um desabafo dirigido a colegas do partido”, informou. Na mesma reportagem, “Veja” revela que um esquema semelhante já havia sido testado anteriormente – dessa vez com sucesso – em Mato Grosso. A vítima seria do próprio PT: a ex-senadora do Mato Grosso, Serys Slhessarenko.

A má-vontade com que boa parte da imprensa tratou o assunto foi emblemática. Sinal que o trabalho de patrulhamento sistemático que o PT realiza nas redações surtiu efeito. Sinal também que alguns dos companheiros podem respirar um pouco aliviados pois ganharam alguma tempo de sobrevida nos cargos que ocupam.

Pra se ter uma idéia, até o dia 21 deste mês, o maior jornal do país – a Folha – não havia repercutido o assunto. A reportagem de “Veja” havia sido publicada no dia 18. O mais curioso é que, até então, na única vez em que tratou do assunto, a versão online do jornal publicara um texto onde dizia que as declarações de Expedito Veloso eram “suposições”, e não fatos registrados por “Veja”:

Procuradoria pede que polícia investigue acusações contra Mercadante

(…)
As supostas declarações de Veloso, que atualmente é secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, foram publicadas pela revista “Veja” neste fim de semana.

O petista confirmou o que dissera na conversa gravada a que Veja teve acesso. Mercadante e Quércia, nas palavras de Expedito Veloso, foram os mandantes da montagem do falso dossiê contra o adversário tucano. Ainda nas palavras de Veloso, Mercadante seria o “mentor” do esquema e Quércia o financiador.
No dia 23 deste mês, Serys reafirmou, desta vez à Folha de São Paulo, o que dissera à “Veja”. Admitiu que Expedito Veloso a havia alertado, em 2008, que setores do PT de Mato Grosso promoveram uma “armação” contra a então senadora. O responsável pelo “fogo amigo” seria – nas palavras de Serys – o petista Carlos Abicalil, hoje secretário no MEC (Ministério da Educação). Serys pediu ainda a demissão de Abicalil, cotado para o segundo cargo mais importante na Secretaria de Relações Institucionais da Presidência:

“As credenciais que ele apresenta não permitem que esteja no governo da presidente Dilma, governo que ele pode comprometer.”

Após a entrevista de Serys, o jornal modificou o texto em que tratava como “suposta”, as denúncias feitas por Expedito Veloso à “Veja”, reconhecendo como VERDADEIRAS as informações publicadas pela revista:

As declarações de Veloso, que atualmente é secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, foram publicadas pela revista “Veja” neste fim de semana.

À revista, Veloso confirmou ter feito as declarações. Posteriormente, não falou mais sobre o caso.

Questão de Lógica

Mesmo que “Veja” não obtivesse a confissão de Expedito Veloso, não seria tão difícil chegar ao nome de Mercadante. Afinal, quem seria o maior interessado em prejudicar a campanha de Serra? Some-se a isso a presença de integrantes do PT no local onde foram encontrados os tais documentos “comprometedores” – que de comprometedores não tinham nada. Achou pouco? Os petistas portavam uma maleta contendo R$ 1,7 milhão. Que subordinado conseguiria levantar uma grana dessas? E com que finalidade?

Ainda temos a nota da Revista Época que informou ter sido procurada por dirigentes do PT, que trariam informações “bombásticas” contra o candidato tucano. Ainda não se convenceu? O próprio Berzoini, presidente do PT reconheceu que procurou a revista Época para uma reunião. Há ainda a inconsistente e improvisada entrevista dos Vedoin à Revista IstoÉ, supostamente realizada no mesmo dia em que a revista foi levada à gráfica, da qual participou Expedito Veloso. O mesmo Expedito Veloso que acusa hoje Mercadante e Quércia por autoria e patrocínio do crime, respecticamente.

Mesmo que Mercadante não soubesse do esquema, o que parece impossível, é o candidato da coligação quem responde judicialmente pelos delitos e infrações cometidas por seu comando de campanha durante a disputa eleitoral.

Dilma, demita logo o Mercadante! Aproveite que ao menos ESSE escândalo foi bem antes de sua gestão ou de sua campanha. Dois petistas já o acusaram, as evidências são fortes. Qualquer hesitação parecerá cumplicidade.

Nunca inseriu um código de desconto no Cabify? Experimente usar o código "IMPLICANTE" e ganhe 100% OFF (com desconto máximo de R$ 10) em até 2 corridas. Após ativado, o crédito terá validade de 30 dias.

1 Comentário

1 Comment

  1. Helder Horta

    27 de junho de 2011 at 16h06

    Comentar o que?. Que nosso país está acefalo?. Que nosso país esta sendo administrado por uma “marionete” articulada por ‘quadrilheiros’ que se encrustaram no poder e atraves de mentiras, tenta construir “verdades”?

Deixe um comentário

Mais Lidas

To Top