Blog

Metrô de Higienópolis: a Revolução Francesa paulistana

Burgueses fascistas reacionários de direita elitista!, clamaram hoje proletários de Twitter indignados com a nova de que Higienópolis, o bairro higiênico de São Paulo, não terá mais uma estação de metrô, pois o governo desistiu do projeto após protestos de moradores locais. A estação, que iria desapropriar o Pão de Açúcar da Av. Angélica e alguns outros prédios, agora será instalada na Praça Charles Müller, em frente ao estádio do Pacaembu (não ficou claro se será necessário desapropriar a banca de jornal, o único “imóvel” do local).

A chorumela está em um grau obtuso de estapafurdice. Aparentemente, nossos Robin Hoods de bom coração estão pouco a se lixar por Higienópolis e pelas necessidades da população. Se os moradores de Higienópolis não querem mais uma estação (mais uma estação) nos arrebaldes, o correto é torrar um mol de dinheiro público para punir os moradores por não quererem mais uma estação por perto.

Poderia se cogitar o que ocorreria se o fato acontecido fosse um projeto de estação para Pirituba, Cachoeirinha, Guaianazes, Parelheiros, Perus ou Sapopemba, e a população de Higienópolis, ao invés de não querer uma estação, exigisse uma estação, em detrimento a esta ralé periférica. Não urge muita imaginação para perceber que já teríamos entrado em Guerra Civil.

A estação de metrô não está sendo discutida em termos concretos (literalfando famente). Está sendo discutido como uma ideologia, um preço a se pagar, um prêmio angariado pelo operariado se conseguir colocar uma estação na Avenida Angélica. Ninguém, é claro, se pergunta quanto se pagará por essa miudeza de vitória. Ninguém, por óbvio, se perguntou qual a vantagem, também, de permitir que os burgueses elitistas gastem menos com estacionamento e gasolina tendo um metrô.

Não é preciso se preocupar: os moradores de Higienópolis não conseguiram deixar de se misturar. Higienópolis tá do lado de Uganda nos Trending Topics do Twitter.

Foi dito que a preferência da maioria é que deve prevalecer, e não da elite burguesa fascista reacionária de direita elitista de Higienópolis. Um argumento assaz curioso, visto nunca ter havido eleições democráticas, ou sequer assembléias de DCE, para decidir onde iriam ser instaladas as próximas estações. Mas vamos supor que fizessem um plebiscito em São Paulo: será que o povão da Jova Rural, Ermelino Matarazzo, Bairro do Limão, Jardim Danfer e Cangaíba vão mesmo brincar de lutinha de classes e ficar contra uma estação na Angélica, ao invés de na frente do Pacaembu, pra facilitar dias de jogos do Corinthians?

MAIS AMOR E MENOS METRÔ

A quizumba é um pouco difícil de ser compreendida para habitantes de outras cidades, sobretudo as desprovidas de metrô e civilização. Pedagogicamente expliquemos: a linha de metrô é uma linha mais ou menos reta. Em São Paulo, havia duas: uma de Norte a Sul (a azul do mapa), outra de Leste a Oeste (a vermelha, que do lado Oeste até hoje ainda não saiu muito do Centro). Ambas se entroncavam no marco zero da cidade, a Praça da Sé (olhe bem pro centro do mapa: fica um pouco mais pra cima). Quando um circunstante precisa ir de uma estação no Sul para uma estação no Leste (tendo de usar metade de uma linha e metade de outra, portanto), é preciso descer na Sé e, sem pagar outra passagem (mamata que não existe em Buenos Aires), se dirigir à outra linha no andar de cima e pegar outro metrô. Esse ritual pagão na sede do Cristianismo brasileiro é conhecido por “baldeação” (ninguém nunca se perguntou por quê).

Pode-se dizer, portanto, que as linhas do metrô têm um formato de cruz (a parte mais curta de cima seria o lado Oeste, que ainda pára pouco depois do Centro). Não é preciso ser muito gênio para imaginar que andando em diagonal do extremo Sul da linha até o Leste exigirá muitas horas até se cruzar novamente com uma estação de metrô, mas o mesmo não ocorre se formos na diagonal de uma estação quase no Centro de uma linha até outra (andando a pé, a estação São Bento, a primeira do lado Norte, talvez seja mais próxima da Anhangabaú, a primeira do lado “Oeste”, do que da própria Sé).

Acontece que há uns 15 anos inventaram de criar uma nova linha, a da Paulista. A Av. Paulista é como casamento: começa no Paraíso e termina na Consolação. Ela não fica no Centrão, o Centro velho da cidade, que é o centro do Universo, ficando Norte, Sul, Leste e Oeste ao seu redor. A Paulista fica afastada– só é considerada “Centro” por ter hippies e bancos de investimento na mesma calçada – então seu ponto de contato com as linhas é no Paraíso (lado Sul). Tem uma ordem curiosa: Paraíso, Brigadeiro, Consolação, Clínicas… certeza de que foi uma mulher na TPM que nomeou essas estações. Agora tem também a linha amarela, que é um tapa na cara dos pontos cardeais, e vai da Consolação até a Cidade Universitária, passando pela também nobre Faria Lima. É uma linha tão burguesa que só trabalha das 9 às 14h. Por sinal, tem também uma linha tão lumpesinata, em Capão Redondo, desconectada do resto, tão lá nos quinto que os chorões do Twitter sequer se lembraram de sua existência.

Higienópolis é um bairro nobre (dir-se-ia: para padrões brasileiros). Fica entre o Centrão velho pelo lado “Oeste” e a nobre Paulista. Não há nenhuma estação dentro do bairro, mas há simplesmente QUATRO estações ao seu redor, já que está perto do Centro pelo princípio exposto acima. Pior: de diferentes linhas. Em 600m, é possível chegar à Marechal Deodoro (Oeste), Santa Cecília (Oeste; a linha “dá uma volta” pelo bairro), Consolação (Paulista), a futura Mackenzie (da linha burguesa) e esta nova que gerou esse fuzuê (a continuação da Mackenzie).

Mário de Andrade, em “Ode ao burguês”, considerado o melhor trocadalho do carilho do cânone ocidental pelos professores de Humanas, chamou de “aristocracias cautelosas! barões lampiões! condes Joões! duques zurros! que vivem dentro de muros sem pulos” a nova burguesia da avenida Paulista. Perguntem ao poeta comunista o que ele acha de um metrô ali na descida da Angélica.

É lícito perguntar que outro bairro de São Paulo é tão bem servido em estações. Bairros pobres ou nobres, todos entrando na disputa. Simplesmente não faz sentido gastar dinheiro público com mais uma estação para talvez o único bairro de São Paulo que tem QUATRO. Em questão de 6 ou 7 quarteirões, é possível chegar a uma. É um padrão alemão de transporte por trilhos. Aqueles que estão com ódio aos burgueses não deveriam estar estourando champagne de R$500 pelo local ser mudado para uma estação mais povão?!

 

Fica, vai ter metrô.

A bazófia então se resume aos argumentos usados de cada lado. Por um lado, a Associação das Velhas Virgens Católicas Opus Dei da Ala Nobre de Higienópolis acha que o bairro vai perder sua tradição de ser um bairro em que ninguém coloca os cotovelos na mesa quando come. É um argumento melcatrefe? É. Meter uma estação na Av. Angélica então é uma boa coisa? Não, cacete.

O outro lado é o lado das pessoas tirando uma com a cara dos moradores de Higienópolis. Sabe-se que é urgentemente muito mais importante levar o metrô até o Tremembé, a Vila Maria, fazer uma ligação com Guarulhos, esticar a linha lilás (a lumpesina), fazer estações no Jaguaré. Mas se os moradores de Higienópolis reclamam de uma estação ferrar o seu bairro, imediatamente a primeira preocupação dessa galera cabeça passa a ser… enfiar uma estação na Angélica, no afã de épater la bourgeoisie, per fas et per ne fas.

Mas quem sabe não seja uma querela tão ideológica assim. Talvez seja uma argumentação pro domo sua! Só é possível crer que as lágrimas copiosas são todas porque uma estação na Angélica vai facilitar ao proletariado chegar na Panamericana quando o papai não empresta a chave do carro… Mas quando se fala disso, aí passa-se a fazer aquela defesa do capitalismo a la PT: “Ora, veja bem, tem empresas na Angélica, vai facilitar a movimentação…” Sim, empresas. Na Angélica. Como a floricultura e a locadora na frente daquele bar com abacaxis a mostra.

Vou pra Angélica toda semana e não gasto mais de 15 minutos a partir da Santa Cecília. Duvido que o estado tenha mudado de opinião graças apenas a um abaixo-assinado: o projeto está errado por si. Se querem mesmo uma opinião sensata, nem uma estação na Angélica e nem uma estação no Pacaembu são vantajosas. Tragam uma aqui, pra perto de mim, e me façam parar de sofrer com ônibus (Galvão, filma nóis!). Vão cogitar espalhar as linhas da zona Leste até Calmon Viana e vejam se o operariado que nunca nem ouviu falar em Higienópolis vai se beneficiar com uma estação na Angélica, perdendo 15 minutos a menos por dia lá no Centrão, e 3 horas a mais por dia lá perto da periferia de raiz, periferia menino, periferia arte, periferia tiroteio. Vamos ver quem leva o metrô pra Osasco ou pra Freguesia do Ó.

Av. Angélica lá é motivo pra alguém estar com a cueca apertada? Como disse o André, se eu fosse o governador, renomearia a estação Marechal Deodoro (é só uma pracinha cheia de crack!) para Higienópolis e publicava anúncio na primeira página da Folha. Acrescento: também renomearia a Barra Funda (o bairro, não a estação) para “Higienópolis B” e aumentaria o valor dos imóveis em 800%.

Ou vamos cair (como sempre) na esparrela do MBM, o Movimento Bolchevique Mauricinho. Além da farofice no Shopping Higienópolis, que tal um tuitaço, que soa menos brega? Vamos lá, de:

Morte à burguesia! Quero estação de Higienópolis na Angélica pra ficar mais fácil de ir pra Belas Artes! #proletariado #PCO #contraburgues

Hoje a classe média que odeia classe média teve o seu Dia de Princesa. E o idiota aqui, preocupado com a Vila Sapo.

Nunca inseriu um código de desconto no Cabify? Experimente usar o código "IMPLICANTE" e ganhe 50% OFF (com desconto máximo de R$ 20) em 3 corridas.

62 Comentários

62 Comments

  1. Luiz

    22 de maio de 2011 at 21:53

    Quando eu achei que a burrice tinha definitivamente chegado ao llimite, onde nem Metrô, nem associação de moradores de Higienópolis (não representativa, por sinal), nem egressos da FFLCH ávidos por uma mini-revolução tinham razão, achei seu texto. Mais uma burrice inominável, de alguém que não entende patavina de mobilidade urbana, querendo arrotar desconhecimento. Quem será o próximo?

  2. Frank

    16 de maio de 2011 at 13:29

    Nos Guetos de Lodz e de Varsóvia, os malditos nazistas alemães, também confinaram o Povo Judeu, para trabalharem à serviço da Máquina de Guerra Alemã, até os deportarem para Auschwitz-Birkenau, Treblinka e outros campos de concentração onde terminariam as suas preciosas e promissoras vidas em fornos crematórios. crianças, jovens, homens e mulheres de todas as idades “Inocentes ” que não puderam lutar contra os seus algozes, pois não dispunham de armas, nem de um exército naquele momento, e viraram presas fáceis para a Gestapo de Hitler. Tenho quase, que plena certeza, que este preconceito, se é que há, não partiu de nossos irmãos judeus do Bairro de Higienópolis, e sim de alguns figurões que moram no bairro, não sei, até gostaria de saber, e querem impor a sua vontade, ignorando a nossa vontade, e confinando também o povo que utiliza transporte público, e Metrô principalmente; às cercanias da já deteriorada Av. São João e Olimpio da Silveira. Aliás muitos querem a derrubada do Minhocão, mas se esquecem que em diversas importantes cidades americanas, o Metrô passa ao lado de muitas janelas de apartamentos e todos estão satisfeitos e felizes por terem transporte e estações bem perto de onde moram.Então por que não se revitalizar a area, junto com o minhocão e o Metrô inclusive ? não se derrubando obras públicas, que custaram o dinheiro do povo em geral, ricos e pobres, pagaram por ela, então vamos melhor utilizá-la ! isto sim ! Agora, rejeitar o que se diz “como gente diferenciada ” é uma estupidez ! pois somos todos cidadãos(ãs) brasileiros, independente de descendencia ou ascendencia, ricos ou pobres, somos todos por São Paulo e pelo Brasil !!! ENTÃO : ESTAÇÃO DE HIGIENÓPOLIS JÁ !!! o POVO QUER !!!

  3. Frank

    16 de maio de 2011 at 12:18

    O Governo Democrático de São Paulo, na pessoa de sua Excia. o Governador Geraldo Alckmin, resolveu GOVERNAR e exercer plenamente a função para a qual a maioria do povo de São Paulo, o elegeu e – VAI TER ESTAÇÃO DE METRÔ EM HIGIENÓPOLIS – no local pré estabelecido, pela Cia do Metrô de SP no coração do nosso querido bairro de Higienópolis !!! PARABÉNS Á SUA EXCIA. O GOVERNADOR GERALDO ALCKMIN !!!,

    A maioria dos moradores, trabalhadores, trabalhadoras e visitantes do Bairro, serão melhor servidos, e não terão de andar a pé, por quarteirões semi-desertos, de dia e de noite, mas sim se locomoverão, apenas o necessário, e em segurança nas composições do nosso querido Metrô de SP !!!, vejam link abaixo :

    https://www.dci.com.br/Governo-confirma-estacao-de-metro-em-Higienopolis-8-373719.html#d

    (@flaviomorgen: “não terão de andar a pé, por quarteirões semi-desertos, de dia e de noite” EM HIGIENÓPOLIS?!?! HUEAHuAHeuhuEAhuEAHuHEAU)

  4. Laura

    16 de maio de 2011 at 10:06

    Em Porto Alegre, não temos metrô. Burguesia e povão ficariam felizes em ter um, aqui se discutia colocar um nas proximidades do Beira Rio, por conta da Copa do Mundo. Mas era um metrô que seria utilizado só em dias de jogos, durante a semana, a ligação da zona sul da cidade com o centro é bem atendida por ônibus, e onde não é o metrô não chegaria, então era meio burro. Agora parece que a ideia mudou, mas eu ainda duvido que seja construido qualquer coisa, ainda mais que fique pronto até a Copa…
    Só não entendi quando falas de Buenos Aires, lá, qualquer linha leva até o centro e se faz baldiação normalmente, que nem aqui. Além disso o metro custa, em pesos, 1,10 e os colectivos funcionam 24h por dia, com diversas opções. Morei em Buenos Aires e garanto, se o transporte em POA fosse metade do que é lá, eu seria bem mais feliz!

    (@flaviomorgen: Laura, a frase ficou bem confusa porque tentei só lançar uma informação jogada, e acabou ficando estranho mesmo. O metrô de Buenos Aires não tem baldeação de graça em todos os setores como é aqui. Ou ao menos não tem a mamata que São Paulo tem de trocar [quase] sempre de plataforma sem precisar passar pela bilheteria de novo. Mas mesmo isso parece que não é em todas as estações, como me corrigiram num dos primeiros comentários aí embaixo. :))

  5. marcia

    15 de maio de 2011 at 18:50

    quer saber , neste bairro nao tem nada de interessante mesmo. ha lugares melhores que tem alem de metro, tem trem de facil ascesso. este nao e o melhor lugar de sampa façam bom proveito do seu preconceito.sou da periferia com muito orgulho.

  6. Rodrigo

    14 de maio de 2011 at 22:28

    Lamentável a sua visão de mundo!! Você acha que na periferia só existe pessoas burras e ignorantes que não pensam e não se interagem com o mundo!!Acho que você deve sair desse quarto com ar rarefeito e conhecer o mundo como ele é e não como nos seus livros marxistas idiotas dizem ser!!!

    (@flaviomorgen: Eu moro na periferia. Abs)

  7. samantha

    14 de maio de 2011 at 19:32

    Sou namorada de judeu e estou de mudança para Israel, acho um absurdo um povo que foi tão perseguido e sofreu tanto ter essa postura preconceituosa e racista, fico com verginha , o que importa é diminuir o número de carros e termos mais opção de transporte, se vai ter ou não mendigo, os assistentes sociais que providenciem abrigos e cuidem disso, é uma vergonha e um pecado essa população da avenida angèlica tomar essa postura

    (@flaviomorgen: O que tem de imprescindível até mesmo para melhorar o trânsito em criar uma estação 610 metros [uma plataforma do metrô tem 100 m] depois da outra? E se os judeus de Higienópolis são preconceituosos e racistas, como é que não vi sequer declaração da psicóloga falando sobre raças? E foram “os judeus” de Higienópolis que proferiram tal patranha? Você se a psicóloga que condenou a frase à eternidade é judia? A frase reflete o pensamento de todo o bairro? Só dos judeus do bairro? Quem por aqui é que está com preconceito e racismo?!)

  8. Tiago Barufi

    14 de maio de 2011 at 08:44

    Você não entendeu a sequência dos acontecimentos.
    Primeiro aparece esse pessoal se vangloriando da ‘conquista’ da associação deles… junte algumas senhorinhas ‘de bem’ tascando palavras pouco gentis para se referir ao resto… você terá o caldo perfeito para a indignação de alguns e empolgação de outros que querem ver o circo pegar fogo, de preferência com todos os palhaços dentro.
    Não é importante, nesse contexto, a localização da estação do Metrô. É importante notar a resposta a uma atitude de demonstração de força por parte dessa gente. Eles estavam cegos na certeza de terem feito o bem, de terem livrado suas famílias de um terrível mal… e não se preocuparam em controlar, em evitar a propaganda bizarra de suas façanhas.
    Agora, é muito cômico sacar argumentações técnicas do bolso do colete para explicar que não, eles não tiveram nada a ver com isso…

    (@flaviomorgen: Não há nenhuma “explicação técnica” – o fato é que a expressão foi “cunhada” [sic] pelo repórter da Folha em 2010, segundo palavras vangloriadas dele próprio. A própria senhora negou. A reportagem já havia saído em agosto de 2010. Agora retomaram-na, como se a mudança da estação tivesse alguma conexão lógica com o abaixo-assinado. Por que não ficaram chorandinhos em 2010, então?

    Por sinal, você está reclamando de essas pessoas terem sido supostamente ouvidas pelo governo [o que está claro que não o foram]. Por acaso é obrigação do governo estar contra ou a favor a população?)

  9. Luciana

    13 de maio de 2011 at 19:10

    Embora considere alguns pontos exagerados, é bom ler uma opinião articulada e um texto elucidativo sobre a questão. Concordo totalmente quanto a melhorar a distribuição das estações pela cidade. Mas ainda acho que o pior, e o que levantou a onda de críticas sem nexo em cima de reportagens confusas, foi o termo infeliz “gente diferenciada”.

    Li em outro site um comparativo com os metrôs europeus, e citarei especialmente o de Londres, pois alguém disse que “há uma estação diferente a cada 200m”. Longe de ser especialista, mas digo: exagero. Ao menos uns 600, 700 metros (média de 1,5km) e várias dessas mais próximas são de linhas diferentes, ou estão próximas pela conveniência: regiões de movimento intenso, aonde mesmo com metrô e ônibus o trânsito é difícil, por vezes caótico. Sim, SP tb é semelhante. Mas a circulação de carros no centro de Londres não é livre como aqui, por isso a conveniência de se ter tantas estações e ônibus de pouco em pouco tempo (e eu duvido que exista tanta demanda em Higienópolis). Não é tão maravilhoso como muitos deslumbrados alegam, mas é um sistema eficiente e devo dizer que não senti falta de carro enquanto morei lá.

    Comparar cidades diferentes e com problemas diferentes é complicado. Acho que o principal, como foi bem falado no texto, é levar o acesso ao metrô para quem realmente não tem, e principalmente, a melhora do trânsito atual.

    (@flaviomorgen: Poi zé, Luciana, mas esse termo nada teve a ver com a mudança da localização da estação. Aliás, o jornalista afirmou que foi “cunhado” por ele. No mínimo estranho. Tentaram relacionar dois fatos. Mas deu tanta celeuma que dedicarei um texto só a isso logo mais.

    No mais, você apresenta dados que precisam ser mais divulgados. De fato, Higienópolis está além das taxas dos metrôs de Londres, Paris, Berlin. Mais importante: muitas vezes, mesmo essa distância não é devida a uma linha una. Uma estação está próxima de outra de outra linha [não tem apenas uma linha reta indo pro norte/sul e outra pra leste/oeste a partir do marco zero, são várias linhas]. Mas quando é pra meter o pau na burguesia, preferem até torná-la ainda mais hipermetroviada só de pirraça do que tomar uma certa vergonha na cara…)

  10. @antoniopdm

    13 de maio de 2011 at 14:29

    Realmente não acredito que a estação seja desnecessária, partindo do ponto em que o ideal é o máximo de estações possíveis (mesmo que próximas) para facilitar o transporte e desafogar o trânsito. A solução pra essa muvuca toda é sempre gente embaixo da terra, seja por metrô ou óbito.

    Também não tiro o mérito de priorizar bairros mais distantes, onde o correto seria atender às duas demandas, mas enfim. Se fazem, tá no lugar errado, se não fazem, são negligentes. O projeto é duvidoso e o povo é reclamão.

    Erraram também os moradores do bairro, por tentar manter o paraíso burguês. O bairro é muito bem servido de metrôs, mas nos arredores. Tanto que o Marechal já é considerado Campos Elíseos e Santa Cecília é praticamente um Higienópolis emergente.

    É mais do que óbvio que todas as linhas que cruzarem a cidade vão, inevitavelmente, passar pelo centro. Já que a linha vai passar por alí, arruma um buraco e põe estação a cada 200 metros se for o caso. Não entendo tanto drama. O grosso do rombo financeiro é fruto de desvio, não da quantidade de estações.

    E pior ainda foi a galera do protesto. Aposto meu testículo esquerdo como a maioria dos participantes do tal churrasco de gente diferenciada vão pra lá, pásmem, DE METRÔ.

    E ainda tem a galera das piadas de judeu, mas essa parte é escrota demais pra comentar.

  11. Tanarim

    13 de maio de 2011 at 14:19

    Tudo isso escrito ao som de Augusta, Angélica e Consolação
    do Tom Zé.

  12. Isaac Vieira

    13 de maio de 2011 at 14:06

    Flavio, você parece ser um cara inteligente, porém, ingênuo.
    Primeiro: você generaliza, exatamente como aqueles que você critica. Sou de “esquerda” e não acho necessária a estação de Higienópolis. Concordo com o seu argumento: as áreas periféricas precisam mais de metrô do que Higienópolis. Mas o projeto, provavelmente desenvolvido por um conjunto de políticos de “direita”, não contempla o Jd. Danfer, Sapobemba ou Perus.
    Segundo: considerando que as pessoas que tomam este tipo de decisão ocupam altos cargos públicos, e que tais cargos têm alto salários, então, sim, a decisão foi tomada por algum “rico”, talvez até morador de Higienópolis, quem sabe?
    Terceiro: Você acha mesmo que o governo de São Paulo iria até os bairros periféricos pra ouvir a população? Quanta ingenuidade.
    Quarto: a periferia também tem internet, também tem twitter. Procure olhar para além dos seus sensos-comuns.
    Quinto: a indignação da maior parte da galera é pelo fato de a decisão ter sido tomada para agradar o “povão” de Higienópolis.
    Sexto: quem são os “VOCÊS”? Eu sou apenas um. Você está com algum problema de visão, ou é mental?
    Abraços.

    (@flaviomorgen: Vamos por pontos, amigo:

    1) Óbvio que generalizo. Não dá pra falar “a esquerda, embora Deleuze pense um pouquinho diferente, Foucault prefira corroer o sistema por dentro e Žižek prefira partir pra porrada”. O próprio termo, sendo genérico, demonstra sua generalidade.

    2) Não foi uma decisão tomada por alguém de altos cargos públicos. Muitos engenheiros e, veja só, até operários [pela primeira vez em uns 12 anos, uso o sentido estrito do termo] devem ter reclamado da estação ali, visto que ela foi mudada por motivos técnicos, right?

    3) Existem CEUs, subprefeituras e diversos outros mecanismos para ouvir as diversas áreas da cidade, onde morem quaisquer diferentes populações [juro que tentei melhorar a frase, mas tô com coisa no fogo]. Isso é inegável. E independe de ideologias: Marta criou uns, Serra criou outros, Kassab outros… Então, dá pra odiar políticos, mas ainda ter um pouquinho de realismo. No mais, o fato de que uma população não é ouvida não desmerece que o governo ouvisse outra [que não ouviu]. O que se deveria fazer então seria, ora, fazer a população pobre ser ouvida, não fazer o governo ser incompetente com os outros!

    4) Olha, isso merecia um estudo sociológico mais aprofundado. Mas você acha que o grosso da população da periferia usa Twitter e se liga em discussões de Trending Topics que envolvem MMA e séries americanas? Você sabe bem que o uso lá é completamente diferente. Uma dica [já que vivo tendo de fazer isso}: entre numa lan house e digite o começo do endereço do Twitter e veja se o navegador completa. Veja quantos perfis foram vistos. Tente agora o mesmo com o orkut. Sinta a diferença.

    5) Não, não foi. Isso foi só como a Folha divulgou a notícia. O abaixo-assinado é de 2010, a reportagem de agosto. O metrô não falou nada de abaixo-assinado. Ainda que fosse, então o governo teria a obrigação de ir contra a população?!?!

    6) Nem problema de visão, nem problema mental. Ok, um pouco de visão, mas não vem ao caso. A questão é de definição. Óbvio que “VOCÊS” [assim, em caixa alta] fala com interlocutores no plural. Óbvio que sei que cada um deles é diferente um do outro. Do contrário, só usaria um grosso e este sim generalizante “VOCÊ”. Embora, no fim das contas, esteja cada vez mais difícil encontrar um ser humano com pensamento lá muito diverso um do outro.

    Abraço.)

  13. João Paulo

    13 de maio de 2011 at 13:43

    “sobretudo as desprovidas de metrô e civilização” Quer dizer que outras cidades são desprovidas de civilização………….. Vai a *****. Riquinho burguês Chupa ***.

    (@flaviomorgen: Peraí, você não sabe entender uma piada com 3 palavras e quer dizer que entendeu O Capital melhor do que o Eugen von Böhm-Bawerk entendeu, é isso?)

  14. Carolina

    13 de maio de 2011 at 12:54

    Achei esse texto legal. Eu moro em Higienópolis e mudei de imóvel para Higienópolis pois além de ser um bairro ótimo e bonito tem um monte de metrô. Cogitei mudar de bairro mais fiquei com fobia de não ter metrô perto, sério. Quando anunciaram outra estação achei ótimo e, quando vi esse povo querendo lutar pelo meu bem-estar também achei ótimo, mas não sem uma ponta de culpa. Imagine alguém de sai de Conchinchininha da Serra, pega lotação, ônibus e sei lá mais o quê vir lutar para que eu e meus vizinhos tenhamos mais acesso a transporte? É bizarro. Como se isso fosse mudar tanto a vida de quem só entra no metrô depois do trem da CPTM e/ou várias conduções. Parece que vem gente até de outras cidades, e gente que nem sabe onde fica o bairro. Bom, espero que o governo remude de idéia e faça a estação, e que ela beneficie as pessoas das periferias que vêm trabalhar. Os locais (agora super xingados pelo povo do twitter por serem “ricos”) com certeza serão muito beneficiados, apensar do que diz aquele grupo das assinaturas.

  15. ze nois

    13 de maio de 2011 at 11:30

    Parabens pelo texto (total ironic mode on). Realmente, se ja tivessemos muitas estaçoes de metro, uma na Angelica seria benvida devido ser uma avenida muito movimentada e com area comercial e médica importante. So qque o local não deveria ser onde tem o unico supermercado do bairro (sergipe x angelica)> Acho melhor que deveria ser uma quadra abaixo (para x angelica), onde se extinguiria apenas uma farmacia (entre tantas, a da onofre) e alguns pequenos refeitorios (alem do que ficaria em frente a esc panamericana…em que os alunos usariam mais o metro que os da faap)
    Porem existem gargalos muito maiores, com a ausencia de metro em aeroportos -como em qualquer cidade civilizada- (congonhas, cumbica e ate campo de marte). Se os tivessemos o transito diminuiria muito. Alem de outros para regioes tanto com concetração de empregos, estudantes e populacional, alem das ditas extensoes faladas no seu texto.
    Assim esse fusue todo fica meio sem logica, porem houve a provocação burguesa. No mais é tudo bobagem pois acredito que a maioria doos moradores de higienopolis iriam querer essa nova estação, so nao queriam perder o supermercado. Assim que se tire a farmacia…kkkkk..

  16. Marcello

    13 de maio de 2011 at 11:21

    Há um ponto que ainda não foi comentado sobre tudo isso.
    Por pior que fossem os motivos dessas 3,5 mil pessoas que assinaram o manifesto. Qual é o problema desse pessoal fazer isso ??
    Não é democrático pessoas se unirem e criarem um abaixo assinado para se manifestarem contra alguma coisa ?? Sim, claro que é !
    Mas e se forem pessoas ricas, aí não pode ?
    E se forem pessoas ricas com motivos idiotas ? Aí não pode também ?? Claro que sim.

    Criou-se essa polêmica por motivos ideológicos esquerdistas e por incompetência de parte da imprensa.
    Esses esquerdistas não perdem uma oportunidade para criarem uma “luta de classes”. E nossa lamentável imprensa adora publicar as bobagens deles.

    (@flaviomorgen: Corretíssimo! Pior que na quarta-feira passei a tarde discutindo isso. Reclamam que fizeram “lobby“. Ora, e o governo não serve pra servir a população? De repente, os esquerdistas saíram do armário, mostraram que não importa o quanto digam que mudaram, continuam os velhos comunistões de armazém, e querem mesmo é que o governo esteja contra a população. O Estado, para eles, não é um mecanismo de distribuição, mas apenas de punição a quem teve sorte na vida antes deles. Enquanto isso, adoram greves, piquetes, fechar avenidas… pra pedir mais dinheiro do governo.)

  17. João Costa

    13 de maio de 2011 at 11:15

    Pô, não vi ninguém reclamando que não existe NENHUMA estação de metro na USP Zona Leste, que fica longe de tudo e de todos, inclusive, por mais irônico que seja, da própria Zona Leste. Não existe linha de metrô, trem ou ônibus que façam esse trajeto de maneira rápida e confortável. É preciso sair às 16h da Zona Sul para chegar à aula às 19h no campus. e aí? Cadê a cornetagem para ter metrô lá? Afinal, Faap e Mackenzie estarão super bem servidas de acesso. E a USP Zona Leste? Parece mais o neurônio desse pessoal politicamente correto: não liga nada a lugar nenhum!

    Abraços e excelente texto

  18. sam

    13 de maio de 2011 at 02:25

    incrível o post. não sou de são paulo e fiquei incrivelmente chocada com o fuzuê. e principalmente com as manifestações no twitter, que foram de protestinhos mambembes a sangue nuzói em dois segundos. parabéns pela sensatez.

  19. Raphael

    13 de maio de 2011 at 01:43

    haha, genial o taggart transcontinental :D

  20. Alexandre Carvalho Menossi

    12 de maio de 2011 at 20:41

    Tá certo isso aí. Gostei.

  21. eder

    12 de maio de 2011 at 20:21

    Viva os trabalhadores!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Abaixo a burguesia!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  22. tais

    12 de maio de 2011 at 20:05

    Vc está discutindo o Metrô. Eu estou discutindo (indignada) a declaração do Governo de que cedeu à intenção de criar nova estação na Angélica porque a associação de moradores acredita que criaria-se um camelódromo ao redor do local. A decisão do Metrô deve ser técnica e não política, burguesa ou proletária. O Metrô é para São Paulo, a estação deve contribuir à malha atual e aos paulistanos como um todo. Eu não sou especialista em transporte, e acredito que vc também não seja. Só quero uma discussão técnica feita por quem pode e deve fazê-la, e não politicagem barata.

    (@flaviomorgen: Pois a decisão foi apenas técnica. Quem inventou essa bazófia de que o metrô mudou de opinião foi uma reportagem da Folha, já escorregadiamente enganosa desde o título [veja o post do André: https://www.implicante.org/blog/so-vai-dar-gente-diferenciada/ ]. Ninguém parou pra notar que falavam de uma decisão de ontem, lembrando de um abaixo-assinado com quase um ano de idade, e colocando os dois fatos como se possuíssem um nexo causal desde o título. Infelizmente, xinga-se muito a tal “mídia golpista” e o “PiG”. Quando uma coisa dessas acontece, mostrando como a Folha é plural e tem de todas as ideologias lá dentro [mostrando que tem muito mais poder de ser confiável do que esses jornalecos aí], esquecem-se rapidinho dela e passam a dizer “amém” para qualquer asneira que acabe passando junto. A decisão foi técnica. Mesmo porque não tem cabimento fazer uma estação 650 metros depois de outra.)

  23. alexandre

    12 de maio de 2011 at 19:49

    Achei legal o comentário da Adriana, carioca como eu. Higienópolis aqui no RJ fica no subúrbio e a renda per capita deve ser 0,0000001% da Higienópolis paulista. E para finalizar, que doce problema para São Paulo !!! Estão até rejeitando estação de metrô. Aqui no RJ, é inaugurada uma estação a cada 4 anos. Uma eternidade ! Aliás, se a Higienópolis paulista não quer metrô , mande para a sua xará carioca !! Seria de enorme agrado.

  24. Isaac Vieira

    12 de maio de 2011 at 15:34

    Essa discussão sobre a escolha das linhas deveria ser pública, aberta para a comunidade. Enfim, o Brasil não é democrático? Claro que não. Aqui os ricos batem o pé e o governo muda de posição. Os pobres, quando batem o pé, são tratados com descaso, ou, quando chegam a incomodar, com violência. E há quem diga que não existe desigualdade. Bléééh!!

    (@flaviomorgen: Opa! E foi algum “rico” que mudou a decisão do metrô? E se fosse, não teria sido por uma decisão pública, aberta para a comunidade? Ou a comunidade que se lasque, o que importa é que VOCÊS querem ferrar quem não gostam, mesmo torrando milhões pra isso? Por sinal, se a questão é o que os pobres querem, vão perguntar lá em Perus, Sapopemba ou Jardim Danfer o que eles acham de mais uma estação na Angélica, a 650 metros de outra. Vão lá. Sério. Ou precisam torrar mais alguns milhões para o referendo?)

  25. Adriana

    12 de maio de 2011 at 14:55

    Como carioca estou assistindo “de camarote” a discussão, e achando que seria o MÁXIMO um metrô em Higienópolis, bairro homônimo ao da discussão, onde moro NO RIO DE JANEIRO! Vocês deveriam conhecer “meu” Higienópolis…Uma ” BELEZA” onde a burguesia nem passa perto!
    Fiquem felizes, pois aí se discute ONDE vão colocar a bendita estação, porque aqui, nós que peguemos ônibus para chegar à estação de metrô mais próxima e chegando, lutar (literalmente) para entrar num vagão e rezar para não ser esmigalhado antes de chegar ao destino! E NADA de estação nova…nem para ricos, nem para pobres.
    @Dridda

  26. IsaMonts

    12 de maio de 2011 at 14:31

    Não disse que preferia viver numa sociedade sem classe. Quis dizer, apenas, que é injusto tamanha concentração de renda. Injusto que uma criança não saiba se vai ou não comer hoje enquanto uma dondoca compra uma bolsa de R$10 mil no shopping mais próximo. Talvez minha raiva venha daí. E, numa sociedade assim, tão díspare, dinheiro compra até caráter. Mas tudo bem, né? A dondoca conseguiu grana ralando muito, que se foda a criancinha.

    Disse que acho 6 quarteirões longa caminhada, mas concordei que há prioridades de outros bairros em relação a metrô.

    Enfim, ou vc não me entendeu ou eu não me fiz entender.

    =)

    (@flaviomorgen: Eu entendo o seu ponto, mas estou mostrando um outro lado que também não é visto. Não adianta reclamar da dondoca e querer distribuir o dinheiro dela na porrada que não vai adiantar em nada. Trocaremos uma dondoca que ganha um milhão por mês sem fazer nada por 100 donas marias pequeno burgueses que ganham 10 mil por mês sem fazer nada. E quem produz a riqueza fica sem sua compensação. Only this, and nothing more.)

  27. Fransa

    12 de maio de 2011 at 12:59

    Concordo com o comentário.
    De qualquer forma, se a nova opção for a Praça Vilaboim, como já está sendo proposto, entendo como uma boa solução técnica.

  28. Leonor

    12 de maio de 2011 at 11:30

    Quase chorei de emoção lendo esse texto. Sou moradora do Higienópolis, e antes que venham me encher o saco e me chamar de burguesa, vim pra São Paulo pra estudar, moro sozinha numa kitinete, não tenho nem nunca tive carro, sempre dependi de transporte público (ônibus e metrô). Ou seja: sou da parcela da população que deveria querer mais uma linha de metrô. Mas devo dizer: concordo com cada linha do texto. O bairro de Higienópolis tem essa característica bacana de que a gente pode fazer a pé as coisas do dia-a-dia (padaria, mercado, cabeleireiro e até o happy hour). E além de ter metrôs perto, tem ônibus que te leva pra USP (duas linhas, aliás), pra Pinheiros, pra Paulista, pro centro, pra outros metrôs, pra outras zonas. Fica lotado em hora de pico? Fica! Mas isso não é privilégio de Higienópolis, nem mesmo de São Paulo. Já morei em Florianópolis e em Porto Alegre e a situação “sardinha em lata” é a mesma. E os congestionamentos também, diga-se de passagem.

    Alguém aí nos comentários falou que as estações que já existem são ótimas de dia, mas de noite são perigosas, a gente corre o risco de ser assaltado. Pergunto: por que uma estação na Angélica seria mais segura? Eu acho que, pela lógica, uma nova estação atrairia os mesmos problemas que as demais estações já atraem. Eventualmente acabaria se tornando uma região “perigosa em que à noite só dá pra andar em bandos”. E isso não é preconceito, é seguir a lógica. Ou vai ter policiamento ostensivo 24hs na nova estação? ISSO SIM eu consideraria extremamente elitista, afinal nenhuma outra estação em São Paulo é assim. Quem quer uma nova estação porque as que já existem não são seguras à noite tá usando o mesmo argumento de quem não quer uma nova estação porque uma nova estação potencialmente atrairia insegurança. E ainda se acham no direito de esculhambar quem não quer a estação nova. É ou não é o cúmulo da contradição?!

    (@flaviomorgen: Eu não posso comentar nada, ou vou acabar com a emoção do seu relato. Queria que todos que leram esse texto, sobretudo os que o criticam, lessem também suas palavras, já que minha relação com Higienópolis também é bastante parecida. :))

  29. Fe

    12 de maio de 2011 at 10:48

    O engraçado, é que essas pessoas vão para Paris, e ficam maravilhados com o fato de que a cada esquina existe uma estação do metrô. Agora em Higienópolis não precisa, temos 4 nos arredores… nos arredores. Sabe, sou moradora da Freguesia do Ó, esse bairro que você “cita” em seu texto. Se não conhece, convido-o a conhecer. Somos um dos bairros mais antigos de SP, e um dos únicos que ainda mantém características de cidade de interior. Temos pracinhas com crianças brincando e idosos jogando seu carteado… temos barzinhos deliciosos, dentre ele o Frangó, uma delícia de lugar com sua carta de cervejas de todos os lugares do mundo. Temos trânsito também, muito por sinal, afinal os moradores daqui possuem carro… pois é, uma evolução, e infelizmente não, NÓS NÃO TEMOS METRÔ…. Ahhhh como eu adoraria, facilitar minha vinda para a empresa que trabalho… que pasme! O dono da empresa É da Freguesia do Ó, e pasme mais ainda! ele possui 2 empresas e está rumo ao seu terceiro negócio…tudo isso morando aqui! Temos assalto também. Pouco, graças ao nosso bom Deus, eu aliás nunca presenciei e nem fui assaltada, mas temo sim… Sorte dos moradores de Higienópolis que não chegam nem perto dessa realidade.
    Sabe, antes de criticar, procure conhecer, ali em Pirituba (perto da Freguesia do Ó), existem condomínios de luxo sabia??? Olha só como SP está misturada não é mesmo? Pessoas que também possuem dinheiro e não moram dos bairros nobres…. pena que nem sempre as pessoas também sejam nobres.
    Creio (na minha ignorância de suburbana da Freguesia do Ó) que este protesto, acontece mais pelos moradores de Higienópolis que hostilizaram os usuários do transporte público, generalizando que todos levariam o caos, do que pela mudança da linha de metrô em si. Os inúmeros 3.500 indivíduos (muitos deles nem brasileiros) incomodados com a redoma deles. Ninguém gosta de camelô, nem avacalhação, mas não podemos nos achar melhor que ninguém… Acho que facilitaria pra quem por exemplo trabalha no Hospital Samaritano…
    Sei lá… você escreve bem, só que assim como nós que estamos indignados com determinada postura e criticamos tais decisões, o senhor também se indignou com a nossa, nos chamando de proletariados e bla blá blá, criticando tal postura…. Você vê? No fundo somos todos iguais….

    Um Grande Abraço de uma Proletariada com nível universitário, e na terceira pós graduação… Ah e moradora da Freguesia do Ó!!!

    (@flaviomorgen: Não conheço a Freguesia muito bem porque moro na outra ponta da zona Norte, onde [que curioso!] também não temos metrô. Você não falou nada que eu não tenha afirmado no texto. Estou mais preocupado com a periferia do que com Higienópolis, por isso acho ridículo gastarem dinheiro ali. Não percebeu? Pirituba tem uma classe média crescente porque as pessoas sabem ganhar com as próprias forças. O mesmo acontece no Tucuruvi e em Santana, bairros que eram poucas merdas há algumas décadas. Mesmo a Barra Funda e Itaquera têm gente que enriqueceu. Você vê problema em gente enriquecendo? Prefere que sejam pobres para não sujar a imagem dos bairros? Humm… onde foi que li isso ontem?!

    Gostei da forma como você reclama da generalização “dos moradores de Higienópolis”, como se 3500 pessoas fossem “os moradores de Higienópolis”, e como se as 3500 assinaturas refletissem o pensamento da dondoca da “gente diferenciada” [que ainda não tenho certeza se foi mesmo uma expressão dela ou do autor da reportagem… de 2010.

    A estação na Santa Cecília não fica muito mais longe do Samaritano do que uma na Sergipe. Mesmo com a do Mackenzie [500 METROS depois!!!], ainda acho que talvez seja mais fácil ir pela Santa Cecília.

    E não “critiquei” ninguém os chamando de “proletários”. Pelo contrário: quem critica o cancelamento da Angélica no Twitter são todos uns burgueses que ganham uma puta grana, mas querem se fazer de pobres porque tá na moda parecer ser politicamente correto. Mesmo que isso torre uma grana pública montanhosa para um projeto completamente inútil.)

  30. Gibão

    12 de maio de 2011 at 10:25

    Que horror os pobres vão invadir o Higienópolis. Socorro!!!! Desta vez caiu o pano. A elite paulistana mostrou a sua face. Nada de novo, se eles pudessem eliminariam os pobres da face da terra.

    (@flaviomorgen: O único pano que vi caído foi a da esquerda, que mostra que está mais interessada em poder do que em povo, e tá é se lixando pra pobre. Se tem alguns milhões pra torrar, torrará punindo ricos, e não fazendo algo que preste. A propósito, a estação Mackenzie fica a 3 quarteirões da Angélica. Se fosse por medo de pobre que alguém como eu, que precisa ir pra Angélica às vezes 5 vezes por semana, não vissem lógica nessa estação, seria melhor impedir a linha inteira. Mas enfim, você não parece estar lá muito interessado em uma estação indo até o Jardim Ângela, né?)

  31. Thiago

    12 de maio de 2011 at 09:01

    “metrô nunca é demais!!”

    Realmente, metrô não é. Mas estações… cada estação gera um atraso na linha, diminui a frequência possível, custa caro…

    O fato de que Paris tem um zilhão de estações é muito bom, não nego, quando se está no meio de um quartier X e se quer uma estação de metrô. Mas cada vez que eu pego RER A ou B ou a linha 1 eu fico pensando em quão mais fácil seria se o RER fosse igual a linha 14, e tivesse trens que não parassem a cada 4 placas de Coca Cola…

    (@flaviomorgen: Pois é, e é curioso que São Paulo, apesar de ter uma malha minúscula [ou, por que não dizer, ridícula], ainda tem um dos melhores metrôs do mundo. Rápido e eficiente para os padrões de transporte de terceiro mundo que temos. Agora o pessoal quer transformar metrô em ônibus, e ainda começar por Higienópolis. Tudo isso pra ser contra a classe média… Dá pra ver como amam eficiência e boa gestão de dinheiro público, mesmo.)

  32. alexandre

    12 de maio de 2011 at 06:52

    Não sou de São Paulo mas vou me meter nessa discussão. Se Higienópolis precisa ou não de mais uma estação, não sei. Mas pelo que li e entendi, os moradores de Higienópolis não querem outra estação e foram criticados nas redes sociais. Se não querem por motivos nobres, ou seja, achar que seria mais importante uma estação em outra região do que em uma já saturada, aí eles teriam razão. Mas se não querem metrô por preconceito contra o povão, aí tem que ser criticado mesmo! e não é coisa de bolchevique,petista ou outras denominações. Seria a indignação contra o preconceito, que infelizmente existe. Aqui no RJ, por exemplo, moradores do Leblon sempre vêem com maus olhos uma estação de metrô no bairro. Quando contruíram a Linha Amarela, ligando o subúrbio à Barra da Tijuca, foram explícitas o preconceito dos moradores da Barra em relação aos suburbanos. E declarações em televisões, afirmando que não iriam deixar de frequentar a praia da Barra. Então, concluindo, infelizmente há preconceito de alguns moradores desses bairros de classe alta. Se esse foi o caso dos moradores de Higienópolis, o que não irei concluir por desconhecimento da cidade e da situação, é lamentável. Se não houve preconceito, aí seriam exageradas as críticas

    (@flaviomorgen: Eu mesmo afirmei que o queixume foi devido a uma reportagem da Folha/UOL tentando lembrar de outra reportagem sobre o abaixo assinado de 2010. O metrô não falou anda sobre o abaixo assinado. Isso foi uma tentativa de se criar um factóide. Até conversei com o jornalista que fez a reportagem sobre o abaixo assinado [por sinal, o mesmo que divulgou que o metrô não se preocupou em 0% com esse manifesto na Veja SP, como o pessoal do shopping Higienópolis construiu o shopping mesmo com a mesma choradeira]. Ou seja, deveriam agora fazer um manifesto contra reportagens mal feitas. Mas se a “vítima” em questão foi a burguesia, querem mais é que se lasque mesmo, não é?)

  33. Alexandre Giesbrecht

    12 de maio de 2011 at 06:30

    Outro exemplo de bairro que tem várias estações em seus arredores: Bela Vista. Tem Brigadeiro, Trianon-Masp e Consolação, além de São Joaquim e Vergueiro, que não ficam no bairro, mas ficam bem ao lado (assim como Marechal Deodoro, Santa Cecília e Consolação, no caso de Higienópolis).

    (@flaviomorgen: As estações aí são uma linha reta. E a Consolação não é bem na Bela Vista. De todo modo, São Joaquim e Vergueiro já estão se aproximando do Centro velho. São o caminho entre os dois centros, como Higienópolis fica nesse caminho, mas do outro lado da Consolação. Aí eu acho que as estações da Paulista nem são estações do bairro [quantos a usam para ir para a Bela Vista?], são mais estações que servem à Paulista mesmo. Poucos saem muitos quarteirões de lá. Mas de toda forma, seriam apenas Higienópolis e Bela Vista, ambos pelo mesmo motivo, de cada lado da Consolação.)

  34. Tony Tramell

    12 de maio de 2011 at 02:34

    Que post mais mal informado!!! Deveria se informar melhor. Rapidamente para ilustrar:
    1. A linha verde não foi inventada há quinze anos atrás.
    2. A sua necessidade de humor entra numa de “velhas virgens católicas da Opus Dei” num bairro notoriamente conhecido por sua grande população judaica. Mais desinformação ou temor de ser acusado de antisemetismo?
    3. As estações não são próximas para alguém que anseia chegar logo ao trabalho ou ao lazer comparando com o local da nova estação e onde se encontram as atuais. Além da falta de visão que com o caos do transporte, qualquer forma para melhorar o transporte coletivo e diminuir a poluição é sempre útil. Além de que uma estação é algo que irá permanecer para o futuro, muito além da sua existência e da minha aqui neste planeta. Então deixe de pensamentos pequenos e de olhar micro. Hoje mesmo estive na linha roxa/lílas, mas sem dúvida devo ser diferenciado por isso, pelo menos aos olhos de alguns.

    (@flaviomorgen: 1) Foi de estro próprio ou com ajuda de um Napoleão Mendes de Almeida que descobriu-se que “uns 15 anos atrás” não significa necessariamente o número 15?

    2) Se você quer me “informar” sobre Higienópolis, conte quantos judeus há no bairro [a maioria abaixo da Veiga Filho, que na verdade é o limite norte do bairro] e quantos católicos há. A propósito, onde ficam as sedes do Opus Dei e da TFP, mesmo?

    3) A distância da estação Mackenzie para a Angélica é de 500 m, ou 3 quarteirões. Uma distância absurdamente menor do que em relação a qualquer outra estação da malha. Se pra você os boyzinhos do Mackenzie perfazem a “população”, posso entender seu queixume. Já o pessoal da USP sofre tendo de pegar ônibus pra chegar até a Butantã… e descobrir que ela fecha no começo da tarde.)

  35. Jorge Kawasaki

    12 de maio de 2011 at 01:33

    Moro na Av. Sapopemba e as estações mais próximas são as da Vila Prudente (só até 21h) e Tatuapé. Depois enfrento filas para embarcar numa lotação sem as mínimas condições de conforto (!!!) nem frequencia para atender a demanda.
    Certamente, se eu juntasse 3.500 assinaturas PEDINDO uma estação de Metrô mais próximo de casa, a Cia. do Metropolitanode São Paulo, o Exmo. Sr. Governador Geraldo Alkmin e o Ilmo. Sr. secretário de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, estariam atendendo com a mesma presteza e rapidez, em benefício do povo desta região, mudando um plano que, suponho, tenha sido planejado e estudado atentamente. Creio, também, que os Ilmos. Srs. Coelho da Páscoa e Papai Noel prestigiariam a inauguração da obra.

    ” ISis H Flores – TODOS NÓS SABEMOS que a revolta da galera não é só por conta do metro ser feito ou não, mas por 3500 assinaturas mudarem o projeto.
    duvido que se fosse aqui no Jaçanã ( periferia da zona norte) onde eu moro, 3500 assinaturas fizesse qualquer tipo de mudança
    E não é uma coisa pela outra, não é porque vão fazer um metro lá, é que não podem fazer um pra cá, pro Tremebé, ou pra Vl Nova Cachoeirinha ou até mesmo a Vl Sapo, que aposto, vc nem conhece….”

    (@flaviomorgen: A Folha/UOL lançou uma reportagem fazendo menção a um abaixo-assinado de 1 ano atrás, como se o cancelamento do projeto na Angélica ontem tivesse uma coisa a ver com a outra. A internet inteira não se perguntou qual o nexo causal, nem TODOS os jornalistas que simplesmente copiaram a matéria. O metrô não falou em nada de abaixo assinado. Então, essa discussão já nasce perdida. E eu conheço até Calmon Viana [sabe onde fica isso?], nunca tive carro na vida… que mania é essa de achar que só se defende a lógica pro domo sua? No fim das contas, a galerinha aí pedindo mais estação em Higienópolis, e reclamando da burguesia, só mostra que isso não funciona.)

  36. Jonatas Pontes

    12 de maio de 2011 at 01:08

    E quando o estadio do Corinthians ou o novo do Palmeiras estiver pronto, de que servirá uma estação no Pacaembu? Atender o Museu do Futebol?
    Acho que as trocas de linha é fator muito mais importante para escolher o local da estacao do que simplesmente o quanto uma estacao esta distante da outra.

    Podemos falar até que a estacao no Pacaembu ajudaria os alunos da FAAP, mas se voce usou o argumento de que andar 6 quadras é facil, entao seria melhor ter a estacao na angelica e deixar os alunos andarem mais. Pelo menos teríamos um estacao numa área mais adensada!

    Sobre andar em São Paulo: É muito cansativo. Andar em Londres, Paris, Berlim é tudo lindo simplesmente por ser terreno plano! Eu gosto de andar e sempre subo da Est. Santa Cecília para Higienópolis, mas se pudesse economizar tempo andando menos, com certeza faria!

    Agora, concordo que precisamos de mais estações na periferia, indiscutivelmente.
    Bom mesmo se tivéssemos estações como as cidades européias:
    -Se voce está andando e percebe que perdeu uma estação, continua andando e logo encontra outra.
    -Estações européias não são grandes estruturas de concreto, que desapropriaram lotes, gastaram milhões, frutos de lavagem de dinheiro ou que demorem tanto tempo pra ficarem prontas. São pequenos acessos pro sub-solo que às vezes até nos passa desapercebidos, mas que pela grande quantidade acaba funcionando perfeitamente e ajudando a desafogar.
    Mas é Europa né gente :/

    Londres tem 11 linhas que somam mais de 400 km de extensão e mais de 300 estações. Isso tudo para 8 milhões. A diferença da idade do nosso metrô com o deles é grande, mas acho que eles tem alguma coisa pra ensinar em como fazer estações.

    Abs

    (@flaviomorgen: Como eu afirmei, uma estação tanto na Angélica quanto na Charles Müller estão erradas. O próprio metrô confirmou que não será na Charles Müller. Todo esse balacobaco é derivado de uma notícia da Folha/UOL de ontem que resgatou uma outra notícia de 2010 citando esse abaixo-assinado sugerindo a Charles Müller. Era verdade? Não. O metrô alegou limitações técnicas [e não abaixo assinado] e a estação sequer vai pra Charles Müller.

    No mais, você está certo. É óbvio que eu [que muitas vezes tenho de ir pra Angélica mais de 5 vezes por semana] gostaria de andar menos, e me atrasar menos, também. Mas não adianta tacar uma estação 500 m depois de outra. Serão as estações mais próximas de toda a malha. E bem em Higienópolis. Ah, essa elite querendo tudo pra si, viu…)

  37. Leiloca

    12 de maio de 2011 at 00:38

    Eu trabalhei no shopping higienópolis, pelas conversas com as clientes, o problema da estação é a invasão de pobres invadindo a praia deles. Cansei de ver os seguranças acompanhando pessoas que estavam vestidos de forma mais simples, deve ser um ladrão né? A pessoa passeava pelos corredores e os seguranças ficavam no radinho se comunicando, já vi gente sendo convidada a se retirar do shopping. Tem uma entrada vip no primeiro subsolo que os funcionários não podem passar uniformizados, talvez uniforme ofenda a elite que não pode nem respirar o mesmo ar de um funcionário,se o pobre coitado está numa ponta do shopping e precisa ir pra outra, nem pensar em passar pelo estacionamento, tem que dar a volta toda, perdendo um tempão. Quando foi feita a ampliação do shopping teve uma reunião com os moradores do bairro, acreditem se quiser, o Habib’s, a C&A, até a Renner foram vetados por serem lojas populares e poderiam atrair a clientela que eles não querem.
    Não sei se algo mudou até hoje, pois faz um ano que não vou pra aquelas bandas. Quanto a estação andar 15 minutos do metrô até o shopping não é nenhum problema se você for de dia, agora a noite é um problema sim, aquela migração da cracolândia fez as duas estações se tornarem um perigo pra quem está só, os pobres mortais aqui tem que andar de bando, se não, corre o risco de ser assaltado. Eu acharia ótimo andar um pouquinho e me sentir mais segura. Mas acho justo a questão das prioridades, tem mesmo muitas estações aos arredores do bairro, o certo mesmo seria um transporte que favorecesse mesmo as regiões mais distantes.

    (@flaviomorgen: É óbvio que Higienópolis está cheio dessas dondocas escrotas que deveriam ter apanhado mais na bunda e nunca ganharam nada por mérito próprio na vida. Mas isso não desfaz o fato de que a estação na Angélica seria desbaratada. Quanto às lojas do shopping, não vejo problema nenhum em encarar o fato de que uma Renner não combina bem com uma Calvin Klein ali do lado. Tente colocar uma H. Stern no Aricanduva e veja se não vai ter artigo de jornalista tentando chamar a atenção para a “desigualdade de renda” do mesmo jeito.

    Sobre os 10 minutos a pé para a estação serem tranqüilos apenas de dia… bem, qualquer estação só é tranqüila de dia, e 2 ruas depois já está um perigo. É assim em São Paulo inteiro. Por sinal, os arredores de estações mais seguros à noite são os que têm movimento. E a Santa Cecília tem inúmeros bares perto do Mackenzie, como a Consolação também tem o seu movimento rotineiro. Ou seja, é uma das MAIS seguras. Não dá para querer mais do que isso. Compare com 2 ruas longe de uma grande estação como Santana e sinta o verdadeiro drama. Fora que, afinal, já vai ter estação no Mackenzie antes da Angélica. Se a Angélica já é razoavelmente segura, um fluxo da Angélica pro Mackenzie tornará as ruas transversais de Higienópolis ainda MAIS seguras.)

  38. Lena

    11 de maio de 2011 at 23:42

    Entendo o humor de seu texto, mas não “inventaram há uns 15 anos de criar uma linha na Paulista”!! O projeto da linha na Paulista, assim como o de diversas outras linhas, já existia desde o primeiro planejamento de metrô para a cidade.

    Até onde eu sei, foi proposto pelo então prefeito Fiqueiredo Ferraz, engenheiro, que fez um projeto de vias em mais de um nível para a Paulista, além do metrô, com a intenção de desafogar o trânsito na avenida. Naquela época São Paulo já crescia muito e havia necessidade de se investir no metrô para impedir o caos.

    Por questões financeiras, a expansão do metrô esteve parada por muitos anos. E é lógico que com o passar do tempo, a cada nova linha implementada, são feitas várias modificações no projeto original, devido ao próprio desenvolvimento da cidade.

    Uma malha metroviária só funciona de verdade quando existem várias linhas que se cruzam e que permitem baldeações entre elas. É assim em todas as cidades do mundo. O metrô no México começou no mesmo ano que o de São Paulo e possui quase 200km em linhas. O de São Paulo chega a pouco mais de 60 km. A superlotação da linha leste-oeste se dá exatamente pelo tamanho de sua extensão, sem cruzamentos com outras linhas, a não ser com a linha norte-sul na Sé. Houvesse outras linhas se cruzando por todo seu comprimento e o trem que chega na Sé não teria a configuração de uma lata de sardinhas!

    A tal linha Laranja liga Brasilândia a estação São Joaquim. Ou seja, vem sim lá da “periferia arte” como você diz e passa, veja só (!), pela FREGUESIA DO Ó!!

    Pelo que li, ela está sendo chamada de “linha das Universidades” por passar pela PUC, FAAP e Mackenzie. A localização da estação Angélica teria como objetivo atender à região da FAAP e o Metrô estuda ainda qual será a melhor localização para ela, Angélica, Vilaboim ou Pacaembu. A decisão é técnica e nem moradores do bairro, nem irados do twitter deveriam se meter.

    Acontece que já é tradição em Higienópolis a oposição de moradores a todo e qualquer projeto para o bairro. Foi assim com a construção do shopping que hoje eles amam; foi assim com o projeto da estação Mackenzie da linha amarela; não seria diferente com uma estação da nova linha Laranja, esteja ela onde estiver, Angélica, Vilaboim ou Pacaembu.

    O argumento de que a região vira um caos durante as obras é um absurdo pela visão imediatista. Fosse assim, não se planejaria o futuro, para evitar o caos no presente.

  39. Karin Pfannemuller Gomes

    11 de maio de 2011 at 23:38

    o metrô é um benefício para a população, independente de sua classe econômica. Atualmente há tanto empresários, quanto diaristas (ambos com trabalho digno e honesto) que utilizam do metrô e podem ser beneficiados de novas estações. As razões da construção de uma estação na Av Angélica devem estar descritas no plano diretor da cidade e quero crer que não foi somente pelas 3.500 assinaturas de moradores que obstou a construção do mesmo. Toda essa situação precisa ser melhor esclarecida para a população, pois novas estações sempre beneficiarão a população em trânsito na cidade.

  40. Sofia

    11 de maio de 2011 at 23:08

    Oi, só um comentário: a linha amarela vai até a estação Butantã. A estação Cidade Universitária é de trem e não se liga com a Butantã do metro. Brilhante, neh? Ah, e nenhuma das duas fica dentro da cidade universitária, ou ao menos realmente perto de um portão.

    (@flaviomorgen: É verdade, disse “Cidade Universitária” só por passar lá na frente da estação saindo da USP. A estação que parece um gigantesco tanque de lavar roupa. E, com esse horário, não serve aos estudantes.)

  41. Rafael Almeida

    11 de maio de 2011 at 23:06

    Nossa, tão pedante sua maneira de escrever! O sr ainda vai entender que a SIMPLICIDADE E CLAREZA na escrita são tão mais nobres…

    (@flaviomorgen: Pode tentar convencer alguém bem versado nos clássicos como Camilo Castelo Branco, Augusto dos Anjos e Alphonsus de Guimarães disso. Ou pode só tentar convencer o pessoal acostumado com Mário de Andrade, Clarice Lispector e Caio F. Abreu disso. Mas você já sabe quem vai convencer primeiro. :))

  42. fabiano martins

    11 de maio de 2011 at 22:59

    “Simplesmente não faz sentido gastar dinheiro público com MAIS UMA estação para talvez o único bairro de São Paulo que tem QUATRO.” “Mais uma estação no bairro??? não precisamos!!!” mas qdo madamme chega em Paris acha um luxo uma estação em cada esquina e trânsito civilizado. Não seja burra madamme!!! metrô nunca é demais!!

  43. Lucyana

    11 de maio de 2011 at 22:51

    Simplesmente maravilhoso! Só para pessoas inteligentes, diga-se de passagem. Os projetos do metrô tem que dar prioridade para nossos bairros de periferia, a zona norte inclusive, e procurar liberar as marginais para a Elite que pode pagar combustível e carroças a preços abusivos. Estou contigo e não estamos sozinhos. Parabéns!

  44. Alexandre Giesbrecht

    11 de maio de 2011 at 22:26

    Mas então a estação Arthur Alvim que conhecia da minha infância nem existe mais? Deixaram os cacarecos lá abandonados e pronto?
    Existir, ela existe, só que não funciona mais. Está fechada. O acesso a partir da passarela ao lado das catracas do Metrô ainda está lá, mas colocaram correntes para impedir a entrada. Na frente dos portões de ferro giratórios o pátio virou um estacionamento, com carros parados colados aos portões. Os trens ainda passam por lá, mas bem rápido. Um passageiro desatento nem perceberia que um dia o trem parava por ali. Eu fotografei como está a Estação Artur Alvim hoje, onze anos depois de ela ser desativada, e fiz uma postagem sobre isso. No site Estações Ferroviárias, do meu pai, também há uma página dedicada à estação (e a todas as outras). Pelo visto, faz mais de uma década que você não pega a Linha 11. Sugiro um passeio. Mudou muita coisa.

  45. Rodrigo

    11 de maio de 2011 at 22:05

    Não acho que o bairro de Higienópolis é o que tem mais acesso as estações de metrô, ainda acho que esse abaixo assinado tem caráter burguês classista pq para chegar na Angelica tenho que andar seis ou quatro quarteirões a pé…é a futura estação Higienópolis – Mackenzie não vai adiantar muita coisa

    (@flaviomorgen: Aguardo exemplo de outro bairro. Quanto á reivindicação “burguês e classista”, mesmo que o Brasil não tenha burgos e “classes sociais” sejam um conceito que vai contra o Órganon de Aristóteles, não ando te considerando muito proletário com a sua preocupação de chegar na Angélica andando seis ou quatro quarteirões a pé… sendo que com a Mackenzie só andará três.)

  46. Raul Mangolin

    11 de maio de 2011 at 20:32

    Trabalho poucos metros do shopping Higienopolis e não levo 10 minutos andando do metro Marechal até lá. Uma eatacã na Angélica não facilitaria a vida de muita gente e só atrapalharia mais o trânsito durante sua construção – principalmente se demorar o mesmo tempo que a linha amarela para ser construída.

    Como você e todos os jornais disseram, a estação Mackenzie estará a uns 600 metros dali. Um “trabalhador” que usaria a estação problemática e se recusa a andar estes 600 metros merece alguns “tapa na cara da sociedade” e cair na real ou então sofrer no ônibus lotado o resto de sua vida sedentária.

    (@flaviomorgen: Amigo, preciso ir pra mesma região o tempo todo. Pior: descobri que ir da Santa Cecília pro shopping leva ainda menos tempo [e a subidona não é tão íngreme, e dá pra tomar um legítimo CALDO DE CANA no meio do caminho]. Gente de esquerda usar isso como argumento agora para PUNIR Higienópolis fazendo-os ter uma estação quando não querem é pra mostrar o quanto esse povo “ama” pobres e nem liga tanto assim pro poder.)

  47. Tupinambá

    11 de maio de 2011 at 20:23

    “Ain, seu vocabulário é rebuscado” Porra, toda hora aparece algum maldito que colava nas aulas de português/interpretação/gramática, se é que as teve, pra dizer essa idiotice.

    Mantenha o bom português!

    Luís de Camões manda uma saudação calorosa.

    (@flaviomorgen Pois mande meus cordiais amplexos para ele de volta, já que me ensinou a não me nivelar por baixo. :))

  48. Isa

    11 de maio de 2011 at 20:06

    Seus argumentos são muito válidos, mas eu sinto que leva a mesma altura daquilo que o gerou: briguinha entre classes. Bom mesmo era se NÃO HOUVESSE classes, mas pff, divago, tô sonhando. Enquanto isso, em alto e bom som: que a elite se foda mesmo pq parte dela contribui pela miséria do país. Não falo nem em concentração de renda apenas, falo em miserabilidade de caráter mesmo. Dessa higienização tresloucada de praças e afins, desses argumentozinhos xinfrins de ‘ai, seu pobre sujo’. Desculpe porque parece infantil e até é, mas o genuíno sentimento é este.

    Não sei vc, mas eu ando muito a pé e acho ‘6 ou 7 quarteirões’ uma looonga caminhada e, na realidade de SP, uma grande perda de tempo. Aposto que a negada que trabalha nas lojas do luxuoso Shopping de Higienópolis pensa o mesmo.

    Mas sim, acho que a prioridade são outros lugares mais carentes e mais distantes de tudo. Refutei apenas, a questão luta de classes.

    E olha, eu não vejo nada de errado em defender os interesses do povão, mas não querer viver no mesmo sofrimento. Qualé o problema? Se defendo o povo, preciso rasgar dinheiro e negar balada VIP? Gente engraçada…

    (@flaviomorgen: A palavra “classes” é completamente errada. São espécies. Completamente mutáveis durante a vida. Você quer viver numa sociedade sem classes? Escolha entre o Camboja ou o Haiti, ambos perfeitos exemplos de sociedades sem classes… nem a Islândia, onde todo mundo é milionário, se considera uma sociedade sem classes. :)

    Por outro lado, aparentemente você acha que o dinheiro é que gera miséria de caráter? Como disse a Ayn Rand nas 5 páginas que teriam salvado o mundo: “O dinheiro é flagelo dos homens que tentam inverter a lei da causalidade – aqueles que tentam substituir a mente pelo seqüestro dos produtos da mente. O dinheiro não compra felicidade para o homem que não sabe o que quer, não lhe dá um código de valores se ele não tem conhecimento a respeito de valores, e não lhe dá um objetivo se ele não escolhe uma meta. O dinheiro não compra inteligência para o estúpido, nem admiração para o covarde, nem respeito para o incompetente. O homem que tenta comprar o cérebro de quem lhe é superior para servi-lo, usando dinheiro para substituir o seu juízo, termina vítima dos que lhe são inferiores. (…) Não inveje um herdeiro que não vale nada; a riqueza dele não é sua, e o senhor não teria tirado melhor proveito dela. Não pense que ela deveria ser distribuída – criar 50 parasitas em lugar de um só não reaviva a virtude morta que criou a fortuna. (…) Quando o dinheiro deixa de ser o instrumento pelo qual os homens lidam uns com os outros, então os homens se tornam instrumentos dos homens. Sangue, açoite, armas – ou dólares. Façam sua escolha.” [A Revoluta de Atlas, v. II, p. 83 e seguintes]

    Por fim, 6 quarteirões a pé, grande coisa? Em que lugar do mundo se anda menos para se chegar ao metrô? Em NY? Não. Em Berlim? Não. Em Paris? Não. Em Tokyo? Também não. Então, que frescura é essa? Ah, calma lá! São 6 quarteirões AGORA. Com a estação Mackenzie, serão apenas TRÊS… uma estação a TRÊS quarteirões uma da outra. Com dinheiro público, em Higienópolis! Me diga se fosse a Marta Suplicy vetando o projeto, se já não estariam tatuando o nome dela nas nádegas…)

  49. Jair

    11 de maio de 2011 at 20:05

    Pelo que li a discussão foi pelo argumento usado, não pelo fato em si. Se o argumento fosse [vai custar muito caro, vamos fazer em outro lugar] acho que estaríamos vendo outra discussão.

    (@flaviomorgen: Como eu escrevi, o argumento apresentado por umas centenas de dondocas que nunca apanharam o que deveriam na vida não invalida o fato. Mas de que adianta reclamar do argumento e usar alguns bem piores, como tentar punir os moradores locais com uma estação a soldo público?!)

  50. Júlia Rodrigues

    11 de maio de 2011 at 20:03

    Tá, os moradores de Higenópolis não precisam de metrô, mas e quem precisa ir pra lá, faz como? É fácil olhar a situação com esse tom burguês e elitista.

    (@flaviomorgen: Opa! Boa pergunta! Você mora na zona leste? Desça em Santa Cecília ou Marechal Deodoro, dependendo da altura da Angélica pra onde você vai. Mora na zona sul ou norte e precisa de algo lá pra cima? Desça na Consolação [agora ainda mais perto, com a saída pela própria consolação da linha amarela]. Senão, faça baldeação. Já que para existir a estação na Angélica é preciso existir a Mackenzie, mesmo morando na Brasilândia você estará a TRÊS QUARTEIRÕES da Angélica. Faltou algo?…

    Pô, gente… não adianta nem mostrar o mapa no texto que não percebem que Higienópolis é o bairro de SP que MAIS TEM ACESSO ao metrô de todos… e pedir estação lá em Guaianazes é elitista e burguês? Lembra-me o que já escrevi aqui: https://bit.ly/gEnQTd)

  51. Alexandre Giesbrecht

    11 de maio de 2011 at 19:54

    O metrô de Buenos Aires cobrou de um amigo apenas para usar o metrô em sentido reverso. É uma coisa que não existe no metrô paulistano.
    Nas estações antigas (construídas entre os anos 1910 e 1940), quando as plataformas são laterais realmente não é possível trocar de plataforma sem pagar uma nova passagem. Passagem esta que, aliás, custa menos de um sexto da passagem em São Paulo, mas isso é outra história. Quando precisei ir no sentido inverso, segui em frente até uma estação de plataforma central (essas estações são marcadas no mapa com bolinhas cortadas) e lá troquei de sentido.

    Não sabia que a estação de Arthur Alvim estava abandonada. O que é pior ainda para quem mora na periferia – e que sabe o real significado da palavra “trem lotado”.
    Não é só Artur Alvim: Patriarca e Vila Matilde seguem abandonadas, sem ter sido completamente demolidas. Assim como Itaquera (velha), Guaianazes (velha), Engenheiro Gualberto e Carlos de Campos, foram desativadas em maio de 2000 — Clemente Falcão tinha sido desativada em 1981, quando da inauguração da Estação Tatuapé da RFFSA (hoje da CPTM). À exceção das três primeiras que citei, todas as outras foram demolidas e delas só sobraram, em alguns casos, as plataformas, bem visíveis para quem utiliza o Expresso Leste (Linha 11-Coral).

    Mas foi justamente a desativação dessas estações que permitiu a criação do Expresso Leste, que acabou aliviando um pouco a lotação daquela linha. Acredite, nos anos 1970, 1980 e 1990 a coisa era muito, mas muito pior. Ao menos deixaram para os habitantes dessas regiões a alternativa das estações do Metrô. Mas o ideal seria que houvesse mais estações, seja do Metrô ou da CPTM, em outras partes das periferias, sem deixar de ampliar as opções de interligação no centro. Quanto mais “anéis” se formarem no sistema, melhor. Até hoje o Metrô sozinho ainda não tem nenhum, dependendo da CPTM para isso. Terá quando a Linha 4 chegar à República e/ou à Luz.

    (@flaviomorgen: Mas então a estação Arthur Alvim que conhecia da minha infância nem existe mais? Deixaram os cacarecos lá abandonados e pronto? Dessa não sabia… e olha que pegava trem até Calmon Viana, no fim de Poá… por isso conheço bem essas paradas.)

  52. Ricardo Amaral

    11 de maio de 2011 at 19:49

    Só corrigindo: a Linha 6 vai terminar na Linha azul. Você desceria na São Joaquim e iria até Angélica ou o mico do Elefante Branco do Pacaembu ou na longínqua estação Higienópolis.
    Além disso, cabe lembrar que originalmente a Linha 6 iria pegar o Itaim e terminar na Vila Mariana. Por qual razão mudou, eu não sei. Ou sei: sairia caro colocar metrô em bairros densamente ocupados e cheios de empresas, apesar de subverter a lógica de que o metrô deve estar justamente nesses locais (enquando os trens de alta capacidade deveriam atender a conexão do subúrbio com os centros – e SP tem vários). Por exemplo, faz mais sentido colocar em Guaianases trens maiores ligando ao Brás do que mais metrôs de lá até o centro.

    (@flaviomorgen: Ou resumindo: por mais que a idéia que fazemos de onde deveria haver metrô seja excelente [em todo lugar], na prática a teoria é outra.)

  53. Paula

    11 de maio de 2011 at 19:14

    Moro na Cidade Dutra, pertíssimo do Autódromo (o que ainda é longe de Parelheiros, creiam). Quando quero curtir de montão a cidade, usando metrô, levo só uma hora e meia, sem contar o trajeto a pé e a espera pelo ônibus, até a estação mais próxima. Eu peço a São Longuinho todo dia para que a CPTM encontre dinheiro e vontade de fazer as 3 estações que separam a Linha Lilás da Azul. Quando isso acontecer, darei 300 pulinhos.

    (@flaviomorgen: Poi zé, Paula, uma coisa ficou claríssima: essa rejeição é apenas política e quer “punir” os moradores da “elite”. O que não percebem é que, atacando assim, deixam a rabadilha exposta: mostram que estão se lixando pro povo e se preocupam mais em punir os ricos, mesmo torrando dinheiro público pra isso. E é um costume da esquerda se espantar quando descobre que a direita não é nazista [ou que, se a extrema-direita é nazista, a direita não é “um pouquinho” nazista]. Basta acontecer algo como isso de Higienópolis hoje e descobrimos rapidinho quem são os anti-semitas, não é?)

  54. MBSjnr

    11 de maio de 2011 at 18:50

    :: Excluindo-se a desnecessária papagaiada no texto, o que sobra é um bom argumento contra a estação.

    Por isso, vou ler o resto do blog agora, verei se o bom nível se mantém.

  55. ISis H Flores

    11 de maio de 2011 at 18:22

    TODOS NÓS SABEMOS que a revolta da galera não é só por conta do metro ser feito ou não, mas por 3500 assinaturas mudarem o projeto.
    duvido que se fosse aqui no Jaçanã ( periferia da zona norte) onde eu moro, 3500 assinaturas fizesse qualquer tipo de mudança
    E não é uma coisa pela outra, não é porque vão fazer um metro lá, é que não podem fazer um pra cá, pro Tremebé, ou pra Vl Nova Cachoeirinha ou até mesmo a Vl Sapo, que aposto, vc nem conhece.
    Temos direito ao transporte, que ele passe por todos os lugares e vá pra todos os lugares que precisamos ir. E acima de tudo que pessoas que pensem assim não achem que sairam vitoriosas em seu preconceito:”Eu não uso metrô e não usaria. Isso vai acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que fica ao redor das estações do metrô? Drogados, mendigos, uma gente diferenciada…” essa é opinião de uma moradora que falou a Folha de SP.
    Então, a quizumba pe muito mais do que uma estação do metro. Achava que estava claro isso… mas acho não,

    (@flaviomorgen Disse claramente no texto que a argumentação errada não muda o fato de que a estação não faz o menor sentido. Por sinal, a argumentação favorável à Av. Angélica [que, pelo visto, quer PUNIR os habitante de Higienópolis forçando-os a terem um bairro que não querem, quod erat demonstrandum] também não fica atrás. Mas não há como afirmar que foi um abaixo-assinado com 3 mil assinaturas que mudou algo [Higienópolis tem quantos habitantes?]. Mesmo lá, muita gente é favorável à estação na Angélica. Isso foi só como uma reportagem mostrou o fato. Não é sequer a posição oficial do governo [cujo projeto original era para, ora, Pacaembu]. E, ora, pode ter certeza de que uso metrô todo dia e não moro tão longe do Jaçanã quanto você pensa. Por sinal, é um dos ônibus que uso pra voltar pra casa quase de madrugada da faculdade.)

  56. Endora

    11 de maio de 2011 at 18:22

    seu rebuscado português não foi capaz de explicar que a estação privilegiaria muito mais a população que ali trabalha do que os próprios moradores, estes, que certamente não usam metrô pq estão muito bem aprisionados, digo, protegidos em suas landrovers. sim, acho que sapopemba e parelheiros merecem, E MUITO, uma estação de metrô. principalmente se ela for até higienópolis, onde muitas das pessoas que moram na periferia, trabalham. acho sua visão, ainda que bem articulada, muito limitada em relação ao real problema do transporte público em sp.

    (@flaviomorgen: O que você quer dizer é que você torraria toda essa grana só pra diminuir em 5 quarteirões a distância de uma estação de metrô dentre as 4 possíveis até a Angélica, só para favorecer as pessoas que moram na Angélica em sentido Pacaembu, que nem é tão povoada assim? Então… por que a choradeira com a estação no Pacaembu, que ainda favorecerá quem trabalha em toda a Pacaembu?!)

  57. Carlos Oliva

    11 de maio de 2011 at 18:21

    Existe baldeação em Buenos Aires sim. A estação Diagonal Norte em BsAs funciona como uma estação da Sé. Mas se formos falar de andar de metro, como diria meu amigo do tuiter Vitor Fasano “quer andar de metrô ? vai pra NY. essa é minha opinião. quando bate vontade, faço isso. VF”

    Carlos

  58. PV

    11 de maio de 2011 at 17:50

    Hehe.. demais!
    Mas é isso aí. Vou zuar os dois lados: desde os higienistas de higienópolis até os twitteros do B.

  59. Prigueh

    11 de maio de 2011 at 17:47

    Só uma correção… A linha amarela funciona das 4h40 às 15 horas… Vida de proletário é assim mesmo né? rsrsrsrs

    (@flaviomorgen: Mea culpa. Confundi os números, mas ainda acho uma carga horária muito burguesa, não acha? :))

  60. Alexandre Giesbrecht

    11 de maio de 2011 at 17:43

    Só um aparte para duas correções: (1) em Buenos Aires, não se paga para baldear no metrô, a não ser para passar da linha A para a H na Estação Once; e (2) a Linha 4 ainda tem um horário estranho, mas hoje funciona das 4h40 às 15 horas.

    De resto, sou totalmente a favor de mais estações na periferia (existem até estações de trem abandonadas, como Artur Alvim, bem ao lado da estação homônima do Metrô), mas para isso é necessário ampliar as integrações no centro do sistema, senão tudo que acontecerá será a piora dos gargalos que já existem na Sé, Paraíso, Ana Rosa, Luz, Brás, Barra Funda e Tamanduateí.

    (@flaviomorgen: Não sabia dessas informações, e errei nos números, mas obrigado! O metrô de Buenos Aires cobrou de um amigo apenas para usar o metrô em sentido reverso. É uma coisa que não existe no metrô paulistano. Não sabia que a estação de Arthur Alvim estava abandonada. O que é pior ainda para quem mora na periferia – e que sabe o real significado da palavra “trem lotado”.)

  61. Vitor

    11 de maio de 2011 at 17:40

    A Imagem no topo deveria ser a tela “A Liberdade Pulando a Roleta”, talvez estrelada por aquela mina musa-do-lixo-menos-musa-mais-lixo da FEFELÉCHHHHH.

  62. Ricardo Amaral

    11 de maio de 2011 at 17:31

    Perfeito, Flávio, mas volto a insistir (da discussão no Twitter): a estação existirá. Ou será um elefante branco no vale do Pacaembu ou estará onde ele realmente faz sentido (no local mais densamente localizado no perímetro).
    Outro ponto esquecido por você: a Linha 6 sai da Brasilândia e não cruza a linha vermelha. Mas o melhor ponto para isso seria a estação estando na Angélica e não no Pacaembu. Como diz o próprio projeto original:

    “A Linha 6-Laranja receberá R$ 75 milhões, provenientes do município, para a execução dos projetos. A primeira etapa dessa linha, até São Joaquim, ampliará a rede metroviária com mais de 12 quilômetros e 11 estações. A Linha 6 se integrará com as linhas 7-Rubi e 8-Diamante, da CPTM, na estação Água Branca Linha 4-Amarela, na estação Higienópolis e Linha 1-Azul, na estação São Joaquim. A demanda prevista é de 600 mil passageiros/dia. A linha atenderá os bairros Freguesia do Ó, Limão, Perdizes, Sumaré, Bela Vista e Liberdade e beneficiará grandes centros educacionais como a UNIP, PUC, FAAP Mackenzie e FMU.”

    Assim como você, acho uma idiotice a definição da localização da estação por critérios de pobre x rico. Meu critério aqui é a simples lógica: haverá uma estação ali, acima ou abaixo. Abaixo será um elefante branco. Acima ela servirá de acesso aos moradores da Zona Norte e Oeste (especialmente a linha vermelha) ao espigão da Paulista/Hospital Samaritano/complexo médico da Angélica/moradores de Higienópolis/restaurantes sem a necessidade de 3 trocas de linha.

    (@flaviomorgen: Obrigado, amigo! O ponto que acho válido diz respeito às trocas de linha. Mas Higienópolis já tem linhas demais, e a estação não atingiria a única linha que falta, que é a azul [norte-sul]. Mesmo assim, eu, que moro na Zona Norte, chego ao bairro sem grandes complicações. Pela linha vermelha [leste-oeste] é muito fácil chegar á Angélica em menos de 15 minutos [no meu passo, na verdade, não gasto 10]. A estação no Pacaembu favorecerá basicamente o estádio, ok. Mas todo o resto da Angélica já está mais do que favorecido. E a nova estação não trará nenhuma solução que já não existe, afinal.)

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

To Top