facebook
...
Blog

Na Carta Maior, negros servem é pra futebol

 por Flavio Morgenstern*

 

Um tal de Marcelo Salles pergunta retoricamente na Carta Maior, embaixo de um banner da Petrobras (ou seja, em cima do seu dinheiro): por que não chamar o terrorista norueguês de “ultracapitalista”? Sua resposta também retórica é justificada com a afirmação de que a revista Veja o chama de “ultranacionalista”. Minha resposta nada retórica o lembra que, afinal, sendo ultranacionalista, não pode ser ultracapitalista, que é um modelo inapelavelmente globalizado.

O tal Salles também reclama das “variantes usadas no restante das corporações de mídia (atirador, terrorista, extremista e outros tantos, que confundem muito mais do que explicam)”. Estranho que uma palavra como “atirador” confunda mais do que explique: ele não atirou? Ou foi na pedrada? Na estilingada? E não é “terrorista”? Aliás, não estava a esquerda reclamando ontem mesmo que “a mídia” supostamente não o teria chamado de terrorista?

Quem nos lembra disso é o próprio tal Salles: “São confiáveis esses veículos de comunicação que imediatamente após o tiroteio apontavam o dedo para um providencial ‘extremista islâmico’? — versão que, aliás, não resistiu a 24 horas.” – quer dizer que, ao constatar que o rapaz não é muçulmano (e foi a polícia que o constatou, não a “mídia”), ele imediatamente também deixa de ser terrorista – rótulo “que confunde”? E eu achava que a Carta Maior seria o último lugar onde veríamos preconceito com muçulmanos…

Há uma explicação aqui: a esquerda reclamou, durante essas supracitadas 24 horas, que “a mídia” não o chamou de terrorista, mas se fosse islâmico, com certeza o teriam chamado desta forma. O problema é que… bem, a imprensa o chamou sim de terrorista, e bem rapidamente. Com a palavra se alastrando, foi melhor fingir então que denominá-lo assim é que é problemático. E que “confunde”. O que se “esquece” é que, se ele fosse de esquerda, ganharia o risco de estampar camisetas de universitários por aí.

Pergunta o tal batráquio: “Estou sendo radical? O capitalismo não prega genocídios? O capitalismo tem um lado humano?” Respondo: Sim. Não. Talvez. O talvez é devido a outro ponto levantado pelo tal Salles: “Estou me referindo ao que é escondido (o trabalho escravo ou semiescravo e a máquina de moer essa gente que trabalha por um salário mínimo de fome)”. Ora, talvez minha definição de “trabalho escravo ou semiescravo” signifique ser obrigado a trabalhar. Via de regra, com um chicote no lombo. O capitalismo, e ninguém cuidou mais disso do que o próprio Marx, é o sistema dominado pelo capital, em que se ganha pelo que se trabalha. Ou seja, o capitalismo foi o único sistema econômico da História a abolir o trabalho escravo. Nenhum outro o conseguiu. Muito menos vocês-sabem-qual.

Mas esse é o blá blá blá de sempre. Como reclamar da crítica do terrorista Breivik ao multiculturalismo. Ninguém menos do que o último marxista que presta, Terry Eagleton, no recém-lançado O debate sobre Deus – Razão, fé e revolução, tasca na cara da esquerda (p. 135):

“O multiculturalismo, em seu aspecto menos atraente, ostensivamente abraça a diferença como tal, sem examinar muito de perto o motivo que a gera. Sua tendência é imaginar que existe algo inerentemente positivo em ter um leque de diferentes visões quanto ao mesmo assunto. Seria interessante saber se esse é o caso quando se trata de indagar se o Holocausto algum dia ocorreu.”

Mas o tal Salles adora o discurso pregador da moral que diz que qualquer pessoa que discorda dele é autoritária e se acha dona da verdade, não reflete e prega o ódio ao próximo ao invés de olhar para os próprios defeitos, atribuindo sempre a culpa ao outro. E emenda: “A propósito: o nazismo não era capitalista? Se não, o que era?” O que era o NSDAP, o Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, o Partido Nacional-Socialista dos trabalhadores Alemães, sr. Marcello Salles? Ora, é difícil ter de explicar isso sem ter vontade de se dar descarga em si próprio, mas era nacional-socialista. Uma versão nacionalista, porque racista, do que o senhor prega. Mas será que é só o Partido Nazista alemão que é racista, e suas visões são tão distantes assim?

De repente, o tal Marcelo Salles muda completamente de assunto:

“É evidente que o genocida norueguês nunca assistiu a um desfile da Estação Primeira de Mangueira. E nem viu um Neymar da vida jogando. Muito menos teve a oportunidade de apreciar uma partida como a de quarta-feira, entre Flamengo e Santos. Ali, na Vila Belmiro, quando todos os deuses do futebol (que não são nórdicos, por suposto) baixaram simultaneamente em campo, ficou provada a existência de milagres. Esses milagres que permitem uma jogada como a do terceiro gol do Santos, quando o miscigenado Neymar fez com a bola algo que desafia a compreensão até mesmo dos deuses. Esses milagres que fizeram com que o Flamengo virasse uma partida após estar perdendo por três gols de diferença, sendo que o miscigenado Ronaldinho fez três e foi chamado de “gênio” pelo melhor jogador do mundo na atualidade. (…) Deve ser duro para os racistas ouvirem isso, mas a verdade é que esses milagres nascem justamente com a miscigenação que as teorias nazistas repudiam. Futebol e música soam melhor quando tem mistura, é assim em qualquer lugar do mundo.”

Em primeiro, a principal diferença entre o socialismo e o nacional-socialismo mostra-se esponjosa aqui: esse tal Marcelo Salles também é nacionalista. E parece ser anti-nórdicos, apesar de defender a “miscigenação”.

Mas o pior é sua conclusão: então defende o tal Salles os negros porque… eles jogam futebol bem. Afinal, já viu o Marcelo Salles negros fazerem outra coisa bem além de jogar futebol? Negros, em sua visão, servem é pra fazer milagres com uma bola – mas, ora, devemos combater o racismo e respeitá-los em sua condição de seres que servem para nos entreter. Se o negro precisa de um emprego, basta lhe dar uma bola ou uma lata para ele bater e ser animal exótico para turista ver.

Os exemplos dados sobre negros que deixam brancos comendo poeira não são de homens como Thomas Sowell, o maior economista vivo do globo – que, por sinal, de esquerdista não tem nada. Não são intelectuais como Walter Williams. Não são bastiões das artes como Machado de Assis, Cruz e Souza, Capistrano de Abreu, Lima Barreto. Não tem nem uma porcaria de um Obama na lista. Negro, para esse pensamento (com o perdão da hipérbole), é futebol, samba e macumba. Se os negros não vão à ópera, os brancos vão ao baile funk. E assim se atinge a tão sonhada igualdade.

São os descolados classe média alta que fazem concurso público para ganhar mais e trabalhar menos, e defendem que todos deveriam poder trabalhar para o governo – inclusive ele próprio, com concursos mais fáceis, que exigem menos estudos. Não são cabeças muito afeitas a se perguntar de onde vêm o dinheiro que o governo usa para pagar seus salários torrados a rodo – não são cabeças que já se perguntaram por que é “moralmente errado” trabalhar para uma empresa, e correto para o Estado, muito menos por que o Estado “moraliza” o dinheiro que não vem senão tungado das empresas.

É a turma progressista politicamente correta que se acha completamente tolerante e sou da paz porque trata bem o seu pedreiro. É a turma elitista e preconceituosa das cotas e do “preconceito lingüístico” do Marcos Bagno, que quer defender os negros porque acha que eles nunca saberão usar um objeto pessoal do caso oblíquo – e devem ser “tolerados” por isso. É a galera do bem que acha

que um negro nunca escreverá (nem apreciará) uma ópera como Lohengrin ou Idomeneo Re di Creta, então se acham muito culturais e pró-humanidade indo ouvir maracatu na Vila Madalena. Aliás, até entram na onda e vão buscar baseado na boca da favela – praticar um pouco de “distribuição de renda”. Assim, se tornam muito mais “multiculturais” do que os “reacionários”… uma boa favela para buscar bagulho é a do Morro do Cantagalo, em Ipanema, onde fica o Ciep Presidente João Goulart, da Secretaria Municipal de Educação, que, com AfroReggae e Criança Esperança, obtém os piores resultados do Rio de Janeiro. É o resultado em números do bom-mocismo de nulidades como Marcelo Salles et tutti quanti.

Não são pessoas que acreditam que negros e brancos sejam todos do mesmo sangue, só mudando a cor da pele. É uma gentinha que acredita em “raças”, mas é do bem porque também acredita que uma mereça “compensação histórica” sobre os filhos da outra (descontando-se que os negros e árabes foram muito mais escravizadores do que os brancos, como atesta a História da África e suas eternas querelas entre tútsis e hutus, tão “ignorada” pelos professores de História brasileiros). Não foi senão um insuspeito Adolf Hitler que fez a contragosto uma saudação ao atleta negro Jesse Owens nas Olimpíadas de Verão de 1936, em Berlim. É uma admissão tão “cortês” quanto a defesa dos negros por se admitir que eles nos entretêm mais do que os brancos no futebol. Ademais, como ficará seu glorioso argumento se o Brasil ou Gana perderem para a Holanda ou a Suécia na Copa?

 

Bananam et circeneses

O tal Marcelo Salles, que pouco sabe sobre nazismo, e menos ainda sobre capitalismo, poderia ter lido o fabuloso ensaio El Origen Desportivo del Estado (El Espectador, vol. 7), de Ortega y Gasset – talvez o mais importante filósofo político do séc. XX, e não por outra razão escorraçado e proibidão nas faculdades que lidam com política. Lá, aprenderia que a atividade esportiva, como a primeira atividade humana, é despropositada, luxuosa, supérflua – e, portanto, a atividade realmente criadora da vida. Como tal, não é à toa vê-la pautando, por emulação, o Direito Internacional e a estrutura dos debates parlamentares democráticos. Não foi, portanto, o Direito que instituiu a lei como melhor meio de convivência em sociedade, e o esporte a imitou – foi exatamente a atividade lúdica do esporte que, sem pretensões muito maiores do que reunir um bando para roubar mulheres de outras tribos, definiu as primeiras regras, e o primeiro fair play para a vida em sociedade.

Por outro lado, não foram senão forças retrógradas, entre a direita progressista e a esquerda populista (que adotou essa tática após seu fracasso retumbante), que se aliaram ao esporte para controlar as massas – o que sai mais barato do que o Estado policialesco que o socialismo defendido pelo tal Marcelo Salles e seu irmão gêmeo fascismo propõem. Não é uma novidade, portanto, o culto ao corpo e a submissão voluntária das massas a regras de comportamento que limitem suas possibilidades de ação, que regem todos os Estados totalitários, de Esparta até a China. O Estado totalitário precisa de uma unidade que nunca poderá ser encontrada no modelo liberal e seu culto ao individualismo: daí que sempre busque “um homem ideal”, e tente prová-lo em disputas com outros Estados, como foi o uso das Olimpíadas por tiranos como Hitler e Kim Jong Il, na última Copa do Mundo – num regime, aliás, bem afeito ao que o tal Marcelo Salles defende.

Não é difícil entender por que tantas pessoas preferem o caminho disputado e globalizado do esporte (não soa bem capitalista e “desumano”?) se nascem em ditaduras, sobretudo os totalitarismos que grassaram no séc. XX –o fascismo e o comunismo. É um meio fácil de ascender e ter algum poder de barganha com o governo para salvar a própria pele – ou picar a mula, como mostram os pugilistas cubanos que Tarso Genro entregou para Fidel. Mas não são senão com reflexões como a de Ortega e de seu amigo, o historiador holandês Johan Huizinga (outro proibidão nas faculdades) em Homo ludens, que se compreende por que os Estados máximos sempre promoveram o esporte – sejam as medalhas sempre conquistadas por Romênia, Hungria, Alemanha Oriental (que decaiu muito esportivamente quando Dresden e Dessau voltaram à democracia), União Soviética e, em seu esteio, Cuba e China, seja mesmo a relação da ditadura militar populista sul-americana com o futebol.

Não sem razão Ortega e Huizinga concordam com a visão do esporte como uma atividade primitiva do homem, porém, não a vêem em sentido denegritório: não é senão o esporte o criador, e não se vê senão decadência entre sua força e sua honestidade e ulterior a corrupção das sociedades. Mas o esporte não deixa de ser, como a guerra, atividade essencialmente masculina e ligada á força – o que fez com que a esquerda, até idos dos anos 70, ligassem o esporte sempre com a reação, com a inanição das massas para a revolução. Foi justamente a manipulação política do esporte e sua comercialização sem peias que permite a ascensão de um oligopólio ao poder com apoio das massas.

Quer entender por que o tal Marcelo Salles escreve tanta bobagem flertando perigosamente com o racismo mais deslavado? Suas próprias bobagens o explicam.

(Post Scriptum: O tal Marcelo Salles assina dizendo que é jornalista e “colabora com outros veículos de comunicação democráticos”. Para quem não sabe, um “veículo de comunicação democrático”, ao contrário da tal “mídia”, é um veículo que pede verba do governo para sustentar burguesinhos saídos de faculdades de jornalismo que não sabem escrever nem jogar futebol, pois, sem o governo, faliriam; ou seja, o “veículo de comunicação democrático” é o que te obriga a pagar por ele mesmo que você não o leia.)

 

* Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Além do Implicante™, colabora com outros veículos de comunicação aristocráticos – mas se você não quiser o ler, não vai pagar nada por isso. No Twitter, @flaviomorgen

Nunca inseriu um código de desconto no Cabify? Experimente usar o código "IMPLICANTE" e ganhe 50% OFF (com desconto máximo de R$ 20) em 3 corridas.

27 Comentários

27 Comments

  1. rayssa gon

    14 de setembro de 2011 at 15:17

    bem, eu realmente concordo com vc diz q quando muita gente ao querer “valorizar o negro’ acaba por estereotipa-lo. pelo pouco que pude notar no meu estagio da licenciatura ainda se trabalha a questão da escravidão naquele velho mote: “os negros contribuiram com musica e comida”. hoje se se adiciona o futebol e todo mundo aplaude. acho triste.

    com relação ao capitalismo ter sido o unico sistema economico da historia a abolir o trabalho escravo acho problemático. a condenação oficial do trabalho escravo é algo recente na historia do capitalismo. a não ser que você ache que o capitalismo só surgiu, de fato, em meados do seculo XIX. mas essa hipotese eu realmente desconheço. o capitalismo de 2 ou 3 seculos atrás era baseado não apenas na escravidão, mas na escravatura, ou seja, escravidão & trafico de escravos. atividade das mais lucrativas, por sinal. então, nesse, ponto, eu tendo a discordar.

    o ortega y gasset me é passado desde o primeiro ano da faculdade. nessa semana, a gente teve q ser um texto dele pra historia da arte. faço história então acho q nós lidamos minimamente com politica.e na usp, universidade que eu, suponho, esteja dentro desse esquema “playbas usando camiseta de terroristas de esquerda”. o huizinga tbm é muito lido mas mais pelo povo de medieval. então, em quais faculdade ou departamentos esses autores são ‘proibidões’? vc pode ver os programas das disciplinas no site do departamento de história da usp. lá tem os autores tratados em cada aula. história iberica costuma usar o ortega y gasset tbm.

    • flaviomorgen

      16 de setembro de 2011 at 16:48

      Rayssa, obrigado pelo comentário.

      Essa questão sobre quando começa o capitalismo (p. ex., o mercantilismo é capitalismo, ou é quase seu oposto?) dá muito pano pra manga. Não sou muito especialista no assunto, mas a maioria dos liberais, pelo menos os não clássicos, tende a não acreditar nisso.

      Mas, sendo como for, acho que o cerne do que quero dizer está nas suas próprias palavras – como assim, o capitalismo era no tráfico de escravos? Se é tráfico, é porque é um comércio proibido. Sendo o capitalismo um regime que exige lei, é claro que o tráfico é uma transgressão a isso.

      O tráfico negreiro era lucrativo? Era. Aliás, o que não se torna lucrativo sendo proibido? Justamente por isso, os escravos só trabalhavam nas colônias, longe dos olhos da metrópole que cuidava das leis. Não à toa que todas elas viraram meio “terra sem lei” até hoje.

      O erro é o mesmo que um historiador futuramente supor que “o capitalismo no Rio de Janeiro é baseado no tráfico de drogas, altamente lucrativo”. Estaremos errando feio sobre a economia da cidade, correto?

      No mais, a escravatura era condenada pelo Estado, tinha uma polícia que atrapalhava muito os negócios no tráfico (mesmo críticos ferrenhos da escravidão falam disso nos seus retratos, como o poema „Sklavenschiff”, “O navio negreiro”, de Heirich Heine, que é bem diferente do de Castro Alves). E até a Igreja a condenava. Se quiser, dê uma olhada:

      https://www.escolasempartido.org/?id=38,1,article,2,174,sid,1,ch
      https://www.escolasempartido.org/index.php?id=38,1,article,2,174,sid,1,ch

      Quanto a Ortega e Huizinga, também sou da FFLCH, mas de Letras. O pessoal de História realmente aborda os dois (também, ignorar Huizinga para falar de História medieval é algo como ignorar Machado de Assis para falar de literatura brasileira – embora meu curso de portuguesa não tenha Camões). Só que é uma coisa restrita. Geralmente, são citados de passagem apenas em outros cursos, mesmo sendo alguns dos maiores filósofos e pensadores do séc. XX. O pensamento “liberal” ou “conservador”, o pensamento “de direita”, ainda é completamente “proibidão” nas Universidades brasileiras – e você, sendo da FFLCH, pode se assegurar disso simplesmente olhando pros muros.

      Sei que odeiam o autor, mas vale a pena dar uma olhada nesse texto. É curtinho: https://www.olavodecarvalho.org/textos/naosabendo.htm

  2. Priscila V.

    26 de agosto de 2011 at 11:54

    Ok. Você venceu: batata frita!

  3. Doutor Gori

    22 de agosto de 2011 at 10:34

    Flávio, meu caro

    Os deuses do futebol não são nórdicos? O tal jornalista que colabora em outros veículos democráticos deveria saber quando foi que a Seleção Brasileira (a principal, nada de sub-qualquer-coisa) ganhou da… Noruega. Conseguimos até mesmo perder jogo de Copa do Mundo (França, 1998, primeira fase, Brasil 1 X 2 Noruega). Quem inventou o futebol? Os ingleses, povo com forte influência… escandinava.

    Pelé era negro? E Zico? Di Setefano (este sim o maior jogador argentino de todos os tempos, com a vantagem de não ser cocainômano)? Cruyf? E os “miscigenados” Friedenreich, Ademir da Guia e tantos outros?

    Chama a atenção também o fato de Neymar e Ronaldinho serem “miscigenados”. São “miscigenados” porque ricos, mas seriam “negros” por não ter ido à escola? A indústria do vitimismo é realmente interessante: as categorias (que eles mesmos criam) flutuam ao sabor das necessidades.

    • flaviomorgen

      22 de agosto de 2011 at 12:27

      Poi zé, Doutor, nem tinha notado nessa outra demonstração de racismo apontada no último parágrafo: negro só é negro se ajudar no discurso. Se enriquece, aí vira “miscigenado”. Acho que noto isso porque sou descendente de índio, apesar de não parecer. Então, por ser de direita, sou “branco”, mas por ser pobre, sou “caboclo”?

  4. Nelson

    18 de agosto de 2011 at 20:31

    Ah! Pra mim é tudo culpa do Jorge Amado! Se não foi ele quem criou o ‘negro inato’, pelo menos ele foi um dos que mais ufanou supostos atributos apriorísticos dos negros! Até a tia rotunda que vende Acarajé na esquina, sob uma visão ‘Amadora’, ‘dança enquanto anda’, joga capoeira e furta que é uma beleza!

  5. alexandre

    18 de agosto de 2011 at 06:40

    Nos países do leste europeu não tinha trabalho forçado. Elas tinham o mesmo patrão e ganhavam o mesmo salário. Não estou dizendo que eram democratas mas não eram regimes escravocratas. Aliás, na escravidão não existe salário. A maior característica da escravidão é a “não-existência” de salários. Se vc provar que não existia salário nos regimes comunistas, aí tudo bem.Nos países comunistas se pagavam salário. Era menor que no capitalismo mas existiam.

    • flaviomorgen

      18 de agosto de 2011 at 10:19

      Pela sua lógica, não há trabalho escravo nenhum na Zara, então. Próxima.

  6. Thiago

    18 de agosto de 2011 at 02:30

    É, racistas são os outros… esse tal de Marcelo Salles é defensor dos fracos e oprimidos…

    Vitor,

    Bem, fui recenseador no último censo (2010), e tínhamos que selecionar a opção a qual a pessoa entrevistada declarava, sendo que as opções eram: branco, preto, pardo, amarelo e indígena. Muitos que poderiam se autodeclarar como preto, não o faziam por falar que eram negros e não tinha essa opção, ai escolhiam a opção pardo. Resumindo, o IBGE e o Censo é uma zona!

    E ainda espero uma amiga me explicar o porque dessas opções de cor ou raça, e não etnia como caucasiano, negro, etc.

    Estava sentindo falta desses comentários sem nexo do Alexandre…

    E sempre lembro dele as sextas-feiras durante as aulas de Macroeconomia com a professora “negona” (ela mesmo se declarou assim, estou apenas reproduzindo palavras da mesma… digo isso para evitar comentários de que sou racista…) de 1,80 m

  7. alexandre

    17 de agosto de 2011 at 20:04

    A escravidão é incompatível com o comunismo. Então o capitalismo não é o único.

    • flaviomorgen

      17 de agosto de 2011 at 21:10

      Tem algum país comunista que não viva por obrigar sua população a fazer trabalhos forçados, alexandre? Um único contra-exemplo e lá se vai minha argumentação. Isso, é claro, depois da sua outra tentativa não ter dado nada certo e você desistir dela como se nem tivesse tentado.

  8. Alexandre Mignoni

    17 de agosto de 2011 at 14:51

    “Ou seja, o capitalismo foi o único sistema econômico da História a abolir o trabalho escravo. Nenhum outro o conseguiu. Muito menos vocês-sabem-qual.”

    Você tem alguma coisa a dizer sobre o episódio Zara ?

    • flaviomorgen

      17 de agosto de 2011 at 15:54

      O mesmo que disse ao seu homônimo aí embaixo: a afirmação “A é o único que faz B” não significa “A só faz B”. É difícil? Complexo? Abstrato? É por isso que ainda existe esquerda: por não entender isso.

      Ora, é só mostrar outro sistema que tenha abolido o trabalho escravo e eu estarei errado. Enquanto isso, continuarei certo.

  9. Vitor

    17 de agosto de 2011 at 09:29

    Não sou considerado negro pelo IBGE, que insiste em me chamar de PARDO.

    Mas quando pergunto a minha raça respondo que sou a “variante humana do vira-lata, tem de tudo e nada prevalece, é bom que sou resistente a rabugem”, e me olham estranho….

    Mas se boberar o Bagno tá certo, fiz um ano de alemão e não consegui sair do “Ich bin Auslander und sprache nicht gut Deutsch. Bitte langsamen…” até o interolucutor perder a paciência.

    E é!

  10. João

    16 de agosto de 2011 at 18:54

    Walter Williams é simplesmente perfeito, mas os brancos dos EUA (e os negros da África) de hoje não precisam de anistia nenhuma porque não têm culpa nenhuma pela escravidão, uma vez que não têm nada a ver com os crimes praticados por seus antepassados e não podem pagar por eles.

  11. Vitor

    16 de agosto de 2011 at 10:25

    Quando pessoas vêm com argumentos racistas para cima de mim mando na lata: Pessoal, os maiores economistas vivos são dois negões, Thomas Sowell e Walter Williams. Se não conseguem refutar a genialidade desses dois então assumam que são idiotas e parem de besteira.

    Racista é quem coloca negros imediatamente vinculados a esportes e ainda mais ao futebol. Muito mais brancos foram campeões mundiais que negros, o futebol NÃO É um “esporte negro”, o que talvez explique porque é tão popular. Transcende cor, ainda bem.

    Pelé foi o maior de todos os tempos e era negro? Beleza, Maradona e Zico são brancos, Zidane é “africano branco” e tantos outros como Romário e Ronaldo são mestiços. Nem a tal da “ginga negra” é mesmo verdade, Pois se Robinho e Neymar são negros e dribladores Odvan e Junior Baiano são negros que têm a ginga de um trator descendo uma ribanceira.

    Dizer que negros são automaticamente bons em futebol é racismo “do bem”. Não deixa de ser racismo, falso e idiota.

    Grande texto, como aliás é o padrão Morgenstern, sei lá se escrevi certo, se não quiser que eu erre escolha outro apelido, tipo Flávio ZOIÃO. Sei lá.

    • flaviomorgen

      16 de agosto de 2011 at 21:09

      Obrigado, Vitor! :)

      Se fosse o Marcos Bagno, diria que você, sendo negro (é?), pode escrever Morgenstern errado e devemos respeitar porque você é negro e nunca vai escrever algo em alemão direito. Mas enfim, tá certinho. :P

  12. Mauro

    16 de agosto de 2011 at 08:18

    Sacanagem, você excluiu Paulo Leminski do rol de literatos por puro preconceito (lingüístico, contra pessoas que citam Leminski no Twitter).

    Agora, falando sério: eu quero muito que o tal jornalista de “veículos de comunicação democráticos” leia o seu artigo e se mate de vergonha.

    • flaviomorgen

      16 de agosto de 2011 at 21:07

      Mauro, pode ter certeza de que esse povo lê, ignora, toma mais cuidado pra não postar a mesma bobagem duas vezes e depois diz que ignora, não conhece, nunca ouviu falar.

  13. alexandre

    15 de agosto de 2011 at 20:55

    O capitalismo pode ter abolido o trabalho escravo na Europa mas na África, durante o imperialismo não . Ou vc vai dizer que Grã Bretanha, França, Alemanha e Itália não eram capitalistas durante o fim do século XIX ?

    • flaviomorgen

      16 de agosto de 2011 at 20:56

      alexandre, a afirmação “A é único que faz B” não significa “A só faz B”.

  14. Filipe Mendonça Lima (@LipeML)

    15 de agosto de 2011 at 19:25

    Eu pararia fortemente de ler esse texto quando o cara disse que o Terceiro Reich era capitalista.

  15. Ivanildo Terceiroo

    15 de agosto de 2011 at 16:22

    ” Os exemplos dados sobre negros que deixam brancos comendo poeira não são de homens como Thomas Sowell, o maior economista vivo do globo – que, por sinal, de esquerdista não tem nada. Não são intelectuais como Walter Williams. Não são bastiões das artes como Machado de Assis, Cruz e Souza, Capistrano de Abreu, Lima Barreto. Não tem nem uma porcaria de um Obama na lista. Negro, para esse pensamento (com o perdão da hipérbole), é futebol, samba e macumba. Se os negros não vão à ópera, os brancos vão ao baile funk. E assim se atinge a tão sonhada igualdade ”

    O trecho acima ficou simplesmente perfeito. Me fez lembrar que o Waltr Willians tem uma declaração de anistia a todos os brancos dos EUA pela escravidão, dizendo que eles nada tem haver com os seus antepassados.

  16. Carlos

    15 de agosto de 2011 at 16:02

    Ótimo texto contra essa lástima de “terrorista ultracapitalista”.
    Acerta em cheio o que realmente está escondido debaixo da pedra de bom-mocismo da esquerda.

    E pensar que estamos pagando pelas idéias brilhantes desses bloqueiros do “veículo de comunicação democrático”.

  17. João

    15 de agosto de 2011 at 15:36

    “Ali, na Vila Belmiro, quando todos os deuses do futebol (que não são nórdicos, por suposto) (…) Deve ser duro para os racistas ouvirem isso”

    Deve? O próprio marcelo salles poderia responder se é, pois com a primeira afirmação antinórdica, mostra que ele, sim, é racista.

  18. Carol

    15 de agosto de 2011 at 13:24

    Hahaha! Adoro entrar na Carta Maior e similares de vez em quando. Diversão garantida.

    Eu desisti de procurar alguma congruência lógica no discurso político de quem se auto-intitula esquerdista. É uma ânsia de “quero controlar tudo porque EU sei fazer o bem” absurda.

    Porque basta estudar um tiquinho para ver que não, as variáveis da economia e da sociedade não são controláveis. São, no máximo, influenciadas artificialmente.

    • flaviomorgen

      15 de agosto de 2011 at 13:29

      Acho que era o Rothbard que dizia que o capitalismo e a anarquia são idênticos – incontroláveis. Aí vem o esquerdista e, em nome de uma “igualdade” que é a própria desvantagem em pessoa, querem aplainar tudo. E, claro, autoritários e controladores da vida alheia são os outros!

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mais Lidas

To Top