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Brasil

Poucas coisas se justificam menos no Brasil do que o espaço que a imprensa abre ao PSOL

Até o palhaço Tiririca sozinho conseguiu fazer bancada maior que a do PSOL

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

No momento da redação deste texto, a bancada do PSOL na Câmara Federal tem exatos seis deputados. É um número minguado mesmo para uma casa com 27 partidos. Apenas duas jovens siglas (REDE e PEN) possuem representatividade menor. Com Randolfe Rodrigues na Rede Sustentabilidade desde 2015, nem cadeiras no Senado os psolistas têm mais.

Na melhor leitura possível, o Partido Socialismo e Liberdade (sic) configura apenas a 19ª força do parlamento brasileiro. No entanto, a imprensa brasileira não se cansa de consultá-la sobre basicamente qualquer assunto, dando-lhe voz rotineiramente. Por quê?

O Google Trends flagra o fenômeno conforme se observa no gráfico mais abaixo. Ao se confrontar as citações ao PSOL com três siglas que somam 25 vezes mais assentos na Câmara, nota-se a meia dúzia de psolistas duelando diretamente com os 32 deputados do PSB, e por vezes superando os 50 do PSDB, além dos 66 do PMDB. E olha que estes três últimos somam ainda 37 senadores, um presidente da República e um número muito mais significante de projetos estaduais e municipais.

Em 2015, quatro deputados do PSOL ficaram entre os dez mais votados no Prêmio Congresso em Foco, uma escolha nascida do julgamentos de 186 jornalistas que cobrem o Congresso Nacional. Ao todo, os cinco psolistas que foram lembrados acumularam 35% dos votos. Para efeito de comparação, o PT, que teve 18 parlamentares representados, não passou de um terço disso.

É destaque demais para um projeto tão inexpressivo. A meia dúzia de gabinetes dos deputados liderados por Ivan Valente é menor, por exemplo, do que as sete vagas que o palhaço Tiririca conseguiu sozinho das duas últimas campanhas.

O PSOL nasceu três meses após Roberto Jefferson revelar para as câmeras de todo o país que o governo Lula comprava votos do baixo clero. E abrigaria os petistas que sentiram um mínimo de vergonha do Mensalão. Desde então, se dizem uma oposição à esquerda do PT, algo que só faz sentido nos primeiros turnos das eleições. Porque, quando a coisa esquenta, a linha auxiliar entra em campo e faz todo o jogo que o petismo precisa.

E a imprensa brasileira adora reverberar tal jogo.

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