facebook
Painel Implicante

Não é verdade que o preço da passagem aérea subiu por causa da cobrança por bagagens

A lógica diz que, se as bagagens despachadas passarão a ser pagas por fora, o preço da passagem aérea, ainda que subisse para quem as despacha, cairia para quem viaja apenas com os itens que as companhias aéreas permitem entrar pela porta da frente. Mas, de repente, reverberando dados da FGV e do IBGE, grossa parte da imprensa brasileira se deu a repetir que “após cobrança por bagagem, preço das passagens aéreas sobe no país“.

É possível afirmar isso? E a resposta é não. Ao menos, não com estes dois levantamentos.

Preço de passagem aérea reage a uma enorme sazonalidade. A depender da época do ano, em especial com a proximidade do verão, eles aumentam insanamente. Um estudo mais firme pesaria a diferença entre os valores da data de emissão com o da decolagem. E ainda confrontaria os custos da passagem para quem despacha alguma mala, e para quem economiza este troco.

Nem a FGV, nem o IBGE, ao menos pelas informações trazidas pela imprensa, atentaram a estes detalhes. De quebra, em vez de confrontar os meses observados com igual período do ano anterior, preferiram calcular tickets emitidos em setembro para viagens de outubro a novembro com valores praticados em junho para viagens de julho a agosto. E o resultado é a falácia gritada nas redes sociais para quem acha que livre concorrência é uma balela liberal.

Mauro Rodrigues escreveu no UOL que “definitivamente NÃO podemos olhar para a mudança nos preços e atribuí-la à nova regra. Em outras palavras, somente com base nesse dado agregado, não podemos concluir NADA: nem que a nova regra aumentou, nem que diminuiu o valor das passagens“. Porque o economista entende que há vários fatores influindo no valor final, como preços de combustíveis, sazonalidade, taxa de câmbio, entre outros:

“Para termos uma noção realista e precisa do efeito da política, precisaríamos comparar preços de empresas que cobram pela bagagem ao de empresas que não cobram. Dessa forma, fatores comuns a todo o setor (como taxa de câmbio ou preço do combustível) se cancelam na comparação. Temos, assim, uma estimativa mais “limpa” do efeito da cobrança para despachar malas.”

Contudo, ele lembra que estudos mais sérios feitos nos Estados Unidos confirmaram que há sentido na lógica da medida:

“Artigo acadêmico Jan Brueckner e coautores faz exatamente isso. Os resultados mostram uma queda no preço médio da passagem, como resultado da adoção da taxa de bagagem. Só que esse preço cai menos do que o valor da taxa. Ou seja, passageiros que não despacham bagagens passam a pagar tíquetes mais baratos; mas aqueles que despacham se defrontam agora com viagens mais caras.”

É a lógica. Mas um lado político não gosta dela. Pois seu discurso não sobreviveria dentro dela.

Nunca inseriu um código de desconto no Cabify? Experimente usar o código "IMPLICANTE" e ganhe 100% OFF (com desconto máximo de R$ 10) em até 2 corridas. Após ativado, o crédito terá validade de 30 dias.

Clique para comentar

Deixe um comentário

Mais Lidas

To Top