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Nassif e os mortos

Depois de examinar as relações de Luis Nassif com o Governo Federal, seu credor e ao mesmo tempo contratante, e com seus antigos empregadores e colegas de profissão, voltamos a falar do auto-intitulado “introdutor do jornalismo de serviços no Brasil”. Desta vez, abordaremos dois casos interessantes envolvendo Nassif e pessoas que já não estão mais vivas para processá-lo.

O primeiro é relacionado ao “Dossiê Veja” e seus desdobramentos. Em um post de novembro de 2008, Nassif afirma ter sido procurado por um “emissário de Roberto Civita” que teria proposto uma trégua: em troca do fim dos artigos contra a revista, a editora se comprometeria a retirar todos os processos contra Nassif e a “parar de atacá-lo”. O post, junto com todo o blog de Nassif da época do iG, foi apagado no Grande Incêndio da Internet que ocorreu em meados de 2009, mas diversos sites e blogs o reproduziram e o texto pode ser encontrado facilmente através de sites de busca.

Depois disso, durante mais de dois anos Nassif voltou a mencionar o tal encontro esporadicamente, mas nunca apresentou maiores detalhes ou qualquer evidência de que tenha mesmo ocorrido. A única testemunha ou participante conhecido da reunião misteriosa até então era o próprio Nassif. Até que, em março de 2011, morre o vice-presidente de Relações Institucionais da Abril Sidnei Basile, e Nassif publica o seguinte comentário em seu blog, sob o título “Sidney [SIC] Basile, um grande caráter”:

Grande jornalista, grande caráter, Sidney soube caminhar pela lama sem se deixar sujar. Ocupou o cargo de assessor direto de Roberto Civita no período das piores loucuras da revista Veja. Sempre manteve a dignidade e a coragem de alerta-lo sobre as loucuras da revista.

Foi ele quem me procurou, em nome do Civita, para propor um acordo na guerra com a Veja. A proposta era de parar de falar da revista, em troca da retirada de todos os processos e do fim dos ataques do esgoto contra mim. Recusei. Disse-lhe que não abriria mão do meu Direito de Resposta na revista. Ele disse que não devia empacar nisso, porque – segundo ele – eu teria saído do episódio maior do que entrei.

Não chegamos a um acordo, mas foi uma conversa onde o caráter de Sidney se mostrou na sua integralidade. Admitiu que foi o pior episódio da história da Veja, deixou entrever o desconforto com os abusos da revista, tentou de todas as maneiras resolver o imbróglio, mas dentro dos limites do mandato que recebera e sendo sempre legal com seu empregador.

Depois, foi testemunha de acusação no processo do Eurípedes contra mim. Comportou-se com a mesma dignidade de sempre, leal à empresa mas sem afrontar a sua dignidade pessoal.

Deixa uma imagem extraordinária de caráter. Principalmente por ter atravessado tempos tão bicudos preservando sua integridade.

(grifos nossos)

Nassif poderia ter revelado que Sidnei havia sido o emissário de Civita (e o elogio que ganhou dele na tal conversa) enquanto o vice-presidente da Abril estava vivo e gozava de boa saúde, para que ele pudesse confirmar a informação. Por que Nassif esperou a morte de Basile para mencionar seu nome? Além disso, o fez num texto que servia como uma espécie de obituário, ou seja, a informação, até então inédita, de que o vice-presidente de Relações Institucionais do grupo Abril procurou Nassif em nome de Civita para negociar uma “trégua” ficou em segundo plano em relação à notícia de seu falecimento.

Bem, Basile ao menos recebeu um texto elogioso e comentários respeitosos no blog de Nassif quando morreu. O diretor do jornal O Globo Rodolfo Fernandes não teve a mesma sorte. Apesar de ter ganho dois posts, o primeiro foi apenas a reprodução da notícia, copiada de um grande portal, e no segundo, sobre a doença que o vitimou, Nassif aprovou os seguintes comentários de seus leitores:

Os comentários seguem no ar até o momento em que publicamos este texto, mas salvamos em caso de novo incêndio.

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6 Comentários

6 Comments

  1. A Carioca

    19 de setembro de 2011 at 20:56

    Eu acho, Wilson, que o próprio acabou estimulando tudo isso. É só ver o que ele fez com o Gravata. Ele ajudou a espalhar o ódio, acabou por atrair o naipe de leitores hidrófobos que atualmente são maioria nos comentários e espantar alguns poucos civilizados que se deixaram enganar por ele.

  2. Wilson

    16 de setembro de 2011 at 11:32

    Colaborei com o blog do Nassif por um bom tempo e fui percebendo a conversão gradual dele (…). Por um tempo deu para aguentar, mas chegou ao um ponto que abandonei o barco.
    Hoje em dia, entro no site duas ou três vezes por semana, para quem acompanhou o site dele ainda no UOL com boas discussões, comentaristas inteligentes e civilizados, dá uma pena danada ver que aquilo se transformou numa espaço dominado pelo esquerdismo mais ignorante e fascista, nada mais fascista do que petista ignorante, que temos no Brasil.
    Esta semana o André Araújo, o maior colaborador do blog e um cara muito bom, postou uma boa crítica ao Alexandre Schwartzman falando na Globonews. E lá veio a claque ignara defendendo o controle da mídia e outras idiotices fascistas, forçando o André a explicar o beabá de uma sociedade democrática, mas, como ele não desenhou, ninguém entendeu e passaram a ofendê-lo grosseiramente, como numa briga de bar. Não sei como ele continua a escrever lá.

    Para manifestar minha solidariedade ao André e o meu espanto com o nível horrendo dos comentaristas, postei um comentário lamentando a dominação do blog pelo petismo mais estúpido e o nível risível dos comentaristas. Imagina se foi publicado, que nada, sumiu.

    O nível dos comentaristas chegou a tal ignorância, são só militantes petistas repetindo slogans da ala mais desprezível do partido, que o Nassif já teve que explicar aos caras que programa de melhoria de qualidade da indústria brasileira não é ideologia neoliberal mas necessidade de sobrevivência.

    Um abraço.
    Wilson

    (Gravz: Dei uma pequena editada lá na primeira frase, pq numa dessa o cara resolve processar… Mas, assim como está, não tem erro)

  3. A Carioca

    14 de setembro de 2011 at 20:07

    Ligeiramente mudando de assunto, mas ficando no mesmo: Os comentários sobre o 11 de Setembro ainda são mais macabros.
    Ler aquele blog só para fins meramente recreativos.

  4. Gabriel Soares

    14 de setembro de 2011 at 09:52

    Os comentários do blog do Nassif são hilários, pra não dizer trágicos. Estes dias mesmo me deparei com um maluco falando o seguinte: “Imprensa livre teremos no dia em que votarmos para escolher os mandachuvas da mídia”. Ainda no mesmo comentário, o animal falava que tais eleições seriam a única forma de acabar com a “partidarização do poder informativo”. Então tá.

  5. Danir

    14 de setembro de 2011 at 02:29

    Fico contendo a curiosidade quanto ao próximo capítulo da dissecção de tão triste figura. (…)
    É repugnante.
    Pela moralidade de todas as figuras públicas deste pais.

  6. Kristiano

    13 de setembro de 2011 at 21:11

    Chutar cachorro morto, ao contrário do que dizem, tem certa graça. Parabéns pela matéria, é bom ter na internet alguém chamando à atenção para determinados profissionais como ele.

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