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Nassif publica carta de leitor como se fosse editorial do El País

Uma idéia surge de algum planejamento racional a partir da realidade. Uma ideologia é um modo de pensamento que seleciona elementos da realidade para vender uma idéia anterior. Luis Nassif vende a idéia de que o PT é uma falange de anjos. E trata qualquer estupidez como fato científico para doutrinar seus leitores.

Como não bastasse ter caído em uma piada sobre a morte de Oscar Niemeyer há poucos dias, a despeito de suas ganas de ser um jornalista “mais articulado e pesquisador” (não clicou sequer no link da notícia, de um perfil humorístico fake), afirma agora que o jornal El País elogia visão estratégica de Dilma.

Publicado em espanhol em seu bem remunerado blog, a “notícia” é outra esparrela: trata-se da carta de um leitor, Bruno Ayllón Pino, como os comentários que qualquer um pode fazer ali abaixo, rasgando-se de elogios a Dilma. Nenhum jornalista do El País fez uma seqüela de elogio a Dilma nessa patacoada toda. Pior: o escritor do “elogio da visão estratégica” (seja lá qual ela for) é pesquisador da UFSC e da USP, além de atuar no IPEA.

Por que um comentário qualquer de um leitor qualquer, para Luis Nassif, é alçado à categoria de “notícia” que deve ser lida com urgência por seus leitores, e ainda atribuída ao El País? Alguma relação com sua “atuação” em eventos “progressistas”, em que costuma(va) aparecer lado a lado de José Dirceu, sempre muito bem alimentados com dinheiro do contribuinte?

(Para quem não lembra, é aquela forma estranha de imprensa em que se paga por ela à força, mesmo que não se queira lê-la por desconfiança em seus quadros, usualmente expulsos da imprensa por sua falta de credibilidade.)

 Não deixa de ser engraçadamente curioso o que Nassif destaca como se fosse fala do jornal, quase na abertura:

Me considero una persona racional y científica, pero no pude contener la emoción al escuchar el discurso de la presidenta y al procesar mentalmente todos los avances de aquel país que pisé por primera vez hace más de 25 años.

Y sentí también una envidia sana. De una presidenta con visión estratégica, con personalidad, afirmativa y altanera sin pretenciosidad. De un país pujante, que confía en sus capacidades y recursos, que planifica elementos centrales del crecimiento económico, la inclusión social y la proyección exterior. oda una experiencia de desarrollo y de presencia soberana en el mundo que nuestra pobre España debería conocer y aplicar.

Não se sabe se Nassif também se considera “uma pessoa racional e científica”, nem sequer o que exatamente é “uma pessoa científica” – provavelmente aquelas que se acham certas o tempo todo, e que menos fazem uso de alguma ciência para  tal (o excelente filme Lost Skeleton of Cadavra mostra um bom exemplo do que é uma “pessoa científica”).

Mas é mesmo engraçado que tal frase abra um texto atolado de apelos emocionais irracionais de cabo a rabo, sem nenhuma explicação factual do que afirma – abarrotado de expressões como “proteção exterior”, como se um jornal espanhol fosse elogiar perder comércio com o Brasil, ainda mais colocado como “elemento central do crescimento econômico” – sim, aquele, de 2,8%, o menor dos BRICs, mas prometido como 5% pela “visão estratégica” (eleitoral?) de Dilma (e já antevisto como “vigoroso” para 2013, para quem já esqueceu o festival de dadas para trás das previsões de Mantega e sua “visão estratégica” em 2011).

Também é bacana ver um “editorial do El País” que, depois da emocionadíssima primeira pessoa que faltou pouco para ir às lágrimas depois de “processar mentalmente” os avanços dos últimos 25 anos do pais (deste aqui), tem “confiança em seus recursos” (!) e agradece pela “planificação dos elementos centrais de sua economia” (!!!). Algo meio Mao Tsé-Tung criando fazendas coletivas e confiando na produção de grãos para comprar armas nucleares – o que nos dá muita felicidade por estarmos muito melhores do que nosso amigo faz crer.

Claro que sempre se pode coroar o bolo cerejosamente elogiando a “presença soberania” brasileira. Como se todo Estado que é mesmo um Estado não fosse soberano simplesmente por ser um Estado, não deixando espaço na imaginação do já risonho leitor para saber o que falta à Espanha aplicar sua “soberania”. Claro que não se fala em expurgar estrangeiros aleatoriamente como bodes expiatórios do fracasso nacional elogiando a tal “proteção exterior”, mas fica dado o recado.

Mas, claro, um elogio a Dilma vira sempre motivo para um grande post doutrinador no blog do governista supremo da nação. Mesmo com “erros factuais”. Mesmo em primeira pessoa, com estilo lírico, emotivo, de um eu-lírico tresloucadamente arrebatado pela estrela vermelha, que o faria ser expulso de qualquer redação, se inventasse de torná-lo uma espécie de Carta ao Leitor do El País, de “quando o olhar estrangeiro percebe com simplicidade o que custa ser reconhecido no nosso próprio quintal”.

Mas talvez seja um excelente ensejo para um novo contratinho com o governo. Tudo em nome da ciência e da razão.

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15 Comentários

15 Comments

  1. alvaro

    1 de dezembro de 2012 at 20h57

    Não conheço esse Nassif, eu conheço o Na$$if.

  2. razumikhin

    30 de novembro de 2012 at 13h09

    E o PIB? 0,9%

  3. chu13rs

    27 de novembro de 2012 at 23h16

    Morg,
    O rapaz teve um orgasmo científico com o PresidAnta.
    Um europeu após ler o texto deve imaginar que o Brasil foi fundado ou emergiu das trevas somente em 2003 pelo partido das erenices, waldomiros, e roses.
    O “proyección” é “projeção” e não “proteção”.

  4. Ledour

    27 de novembro de 2012 at 18h51

    André, aquele comentário “PIG International” fui eu que fiiz, na verdade foi um ironia em linguagem petista. Multiplique por -1.

  5. JONY

    27 de novembro de 2012 at 16h22

    Esse Al-Nassif alem de incompetente na profissão, virou um lambe botas nojento da petralhada…E ainda deram de quebra a elle um programinha na TV Estatal.

  6. Asdrubal

    27 de novembro de 2012 at 7h43

    Nassif e’ um vigarista! Nada mais. Quem afinal lê o blog desse senhor?

  7. Paulo Pavesi

    27 de novembro de 2012 at 4h51

    Nassif é o jornalista padrao brasileiro. Pagando bem, (ou nem tanto), ele escreve o que voce desejar.

  8. Douglas Corrêa

    26 de novembro de 2012 at 22h38

    Flavio lembre-se que a divida ainda é grande , portanto o trabalho tem que ser arduo .

  9. Denovo

    26 de novembro de 2012 at 19h24

    Esse é o mundo da fantasia no qual vivem os petistas. Isto tb é culpa da oposicinha, que deixa a petezada mentir a vontade. E nas raras vezes que reage ainda a oposição consegue ser soft, educadinha.

    Estão destruindo o Brasil e o povo ainda não acordou.

  10. Soninha Francine

    26 de novembro de 2012 at 16h52

    O Discurso em questão é aquele em que a Presidente diz: “Ao mesmo tempo em que observamos um estrito controle das contas públicas [OOOOI?], aumentamos nossos investimentos em infraestrutura e educação [SIC]. Ao mesmo tempo em que controlamos a inflação [Arrã], atuamos vigorosamente nas políticas de inclusão social e combate à pobreza [Tá, tá]. E, ao mesmo tempo em que fazemos reformas estruturais [ESTRUTURAIS] na área financeira e previdenciária, reduzimos a carga tributária [IPI ZERO, espetáculo de política anticíclica sustentável], o custo da energia e investimos em conhecimento para produzir tecnologia e inovação”. Emocionante – como alguém pode dizer tanta mentira e não ser contestado. (Íntegra do discurso-da-carochinha: https://www2.planalto.gov.br/imprensa/discursos/discurso-da-presidenta-da-republica-dilma-rousseff-durante-a-cerimonia-de-abertura-do-seminario-201cbrasil-en-la-senda-del-crecimiento201d )

    • Flávio Morgenstern

      26 de novembro de 2012 at 18h03

      Cara Soninha, só falta mesmo ela dizer que diminuiu o número de criminosos sem precisar prender ninguém, que aumentou a quantidade de dinheiro circulando sem imprimir moeda, que abriu mais estradas sem gastar asfalto, que fez mágica puramente científica. Eu não sei como Dilma ainda não demonstrou em público suas habilidades para jogar tênis contra si própria.

    • JONY

      27 de novembro de 2012 at 16h19

      É isso ai Soninha! Disse tudo…adoro voce!

  11. Roberto

    26 de novembro de 2012 at 16h37

    Notaram também o aumento de posts que expressam a “alma” do poder? Sobre Luis Adams, sobre o significado da expressão de Dilma na posse de Barbosa, etc.
    A expressão “pena de aluguel” finalmente ganhou uma face clara. Pudera, depois de tanta pux.. ah! deixa prá lá.

  12. André

    26 de novembro de 2012 at 16h00

    E nos comentários, que postaram que o ElPaís é o braço espanhol do PIG internacional. Eu não consegui parar de rir até agora…

  13. Yuri

    26 de novembro de 2012 at 15h42

    “oda una experiencia de desarrollo y de presencia soberana en el mundo que nuestra pobre España debería conocer y aplicar.”

    Ensinar a ESPANHA a ser um Estado soberano. É o fim do Império, mesmo.

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