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Brasil

No 23º encontro do Foro de São Paulo, a presidente do PT assumiu a atuação regional do grupo

Plenário do Senado durante sessão deliberativa extraordinária destinada a discutir o PLC 38/2017, que trata da reforma trabalhista. Em discurso, senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR).

Mesmo após as importantes derrotas de 2015 e 2016, o Foro de São Paulo ainda comanda 10 países latinos

Foto: Geraldo Magela / Agência Senado

Com a queda do Muro de Berlim, e antevendo o fim da União Soviética, a esquerda latina percebeu que precisava atualizar o discurso ou não iria adiante defendendo um sistema que – o mundo acabava de conferir – falia nações inteiras e levava a população ao caos. Assim sendo, em julho de 1990, atendendo a um convite do PT, reuniu-se em São Paulo com 48 partidos e organizações para traçar um plano de ação regional. No ano seguinte, já sob o nome de “Foro de São Paulo”, faria um novo encontro na Cidade do México, desta vez com 68 organizações e partidos de 22 países.

As primeiras ressalvas pintaram ainda nos anos 1990, e se focavam na participação de grupos criticados por ações terroristas, como as FARC e o MST. Mas a submissão de soberanias nacionais aos interesses de uma organização continental, com interferências por vezes explícitas em disputas eleitorais, sempre soou problema maior. O que alimentou teorias e mais teorias conspiratórias que nunca foram devidamente refutadas.

Com o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, e a eleição de Mauricio Macri no ano anterior, o grupo perdeu seus maiores trunfos. Mas, ao que tudo indica, segue longe do fim. Em 2017, possui representantes no comando de ao menos dez nações latinas:

  1. Bolívia – Evo Morales
  2. Chile – Michelle Bachelet
  3. Cuba – Raúl Castro
  4. Dominica – Roosevelt Skerrit
  5. República Dominicana – Danilo Medina
  6. Equador – Rafael Correa
  7. El Salvador – Salvador Sánchez Cerén
  8. Nicarágua – Daniel Ortega
  9. Uruguai – Tabaré Vázquez
  10. Venezuela – Nicolás Maduro

Mesmo na oposição, os membros brasileiros contemplam a maior coleção de partidos em um único país. A saber:

  1. Partido dos Trabalhadores
  2. Partido Comunista do Brasil
  3. Partido Democrático Trabalhista
  4. Partido Comunista Brasileiro
  5. Partido Socialista Brasileiro
  6. Partido Popular Socialista
  7. Partido Pátria Livre

Dono da iniciativa, o PT jamais escondeu as colaborações com o grupo, ainda que alguns defensores insistam que tudo não passa de alucinação dos teóricos da conspiração. Entre 2009 e 2017, por exemplo, o perfil oficial da sigla citou o encontro em ao menos 51 oportunidades. Na mais recente participação, a presidente Gleisi Hoffmann deixou claro alguns posicionamentos: insistiu que Lula foi condenado sem provas; chamou de golpe o impeachment de Dilma; declarou apoio ao ditador Nicolás Maduro; defendeu que a crise econômica internacional de 2008 ainda não acabou; reclamou do bloqueio econômico de Donald Trump a Cuba e comemorou o centenário da Revolução Russa de 1917, além de homenager Che Guevara nos parágrafos finais.

O mais importante, contudo: não escondeu a atuação em bloco do Foro, em especial no Brasil e na Argentina.

“Apesar do revés eleitoral que sofremos na Argentina e o golpe parlamentar no Brasil, os principais partidos membros do Foro de São Paulo estão retomando a ofensiva política diante dos atuais governantes da direita nestes dois países com a perspectiva de voltar a governa-los no curto prazo. (…) Tenho certeza que as discussões realizadas neste 23º Encontro pelos partidos membros do Foro de São Paulo contribuirão para a implementação de uma política de desenvolvimento para a América Latina e Caribe. (…) Para isto, chegamos a um grande acordo que se traduziu na concretização de uma ampla plataforma programática e de ação: o ‘Consenso de Nossa América'”.

Como coerência não é o forte, chegou a pregar também a “não ingerência externa“. Mas basta observar as ações dos envolvidos para ter certeza do trecho em que falava a verdade.

Fonte: Agência PT de Notícias

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