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Nobel de economia alertou há um mês sobre bolha imobiliária no Brasil

Robert Shiller é bem claro: “Eu não investiria no mercado imobiliário brasileiro.”

Em 5 de setembro passado, uma notícia passou um tanto despercebida pela grande mídia brasileira. Hoje, quando o norte-americano Robert Shiller dividiu o Nobel de Economia com Eugene Fama e Lars Hansen, a manchete foi revisitada. Nela, o mercado brasileiro era avisado pelo primeiro do risco de estar vivendo uma bolha imobiliária semelhante à que quebrou a economia americana em 2008.

Robert Shiller, que previu o colapso do mercado imobiliário americano depois de um salto nos preços, acredita que uma bolha semelhante está se formando no Brasil, onde a economia fraca e a inflação persistente abalam a confiança do investidor.

Os preços das casas subiram 181 por cento em São Paulo desde janeiro de 2008 e 225 por cento no Rio, segundo o índice Fipe Zap. A alta é até 2 vezes maior que o aumento dos aluguéis no período, o que sinaliza superaquecimento do setor, segundo Schiller, que é professor da Yale University e ajudou a criar o índice S&P/Case-Shiller no mercado imobiliário americano. O índice caiu 13,7 por cento desde 2007.

(grifos nossos)

A diretoria da Caixa Econômica, o banco estatal que representa quase 70% do mercado de hipotecas, negou a existência de tal bolha:

Rezende (vice-presidente de empréstimos imobiliários da Caixa) afirmou, em entrevista em Brasília, que o aumento dos preços das propriedades não é uma bolha. Ele reflete a demanda reprimida após anos de hiperinflação que infestaram a economia nas décadas de 1980 e 1990, disse Rezende.

“Entre 1984 e 2002, os valores das propriedades se depreciaram”, explicou. “Houve estagnação econômica, hiperinflação, perdas salariais, desemprego alto. Portanto, o que observamos desde então é um reajuste de preços depois desses problemas”.

(grifos nossos)

Shiller, que já provou ter conhecimento no assunto bem antes do Nobel (quando previu o colapso no mercado imobiliário americano), não engoliria a desculpa.

“Sempre há uma forma de argumentar em favor de qualquer alta nos preços”, disse Shiller. “As pessoas gostam de pensar que isso é um aumento estável e sólido. Eu disse coisas similares a essa sobre os Estados Unidos em 2005 e recebi respostas indignadas. Alguns me falaram que eu poderia estar mudando a psicologia dizendo essas coisas. Há quem pense que é como gritar fogo em um teatro lotado – você não deveria fazer isso porque poderia criar pânico. Eu senti que talvez não devesse fazer isso. Mas por outro lado, eu penso, pelo menos há que advertir as pessoas”.

(grifos nossos)

Somada esta desconfiança à conduta de Mantega, que vem dando prejuízos à Petrobras, gerando desemprego e aumentando os juros a níveis recordes, a economia brasileira vem se provando um mercado inseguro, cada vez menos atrativa a investidores. Shiller mesmo já deixou claro: “Eu não investiria no mercado imobiliário brasileiro.” Se o Nobel de Economia diz isso, quem diria o contrário?

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16 Comentários

16 Comments

  1. Geovani Brunoro

    22 de outubro de 2013 at 16:38

    Brasileiro se rende fácil para os americanos. É só um cara ganhar um premio que todos o creditam a criticar o Brasil. O cara não fala nada sobre a grande diferença de mercado nos dois países. Sem me prolongar muito, a bolha nos USA se deve em grande parte por ser possível hipotecar um imóvel recebendo 120% do valor imóvel. Ao invés de financiar um carro o cidadão americano hipoteca a casa e compra o carro. No brasil não se financia mais 80% dos imóveis, em casos extremamente raros, se consegue financiar 90%. Tirem suas conclusões.

  2. Mulholland

    19 de outubro de 2013 at 23:06

    Pelos anos citados na resposta da diretoria da Caixa, dá até para acreditar que Lula acabou com a ditadura e é o pai do Plano Real.

  3. Bruno

    17 de outubro de 2013 at 05:13

    “Em 5 de setembro passado, uma notícia passou um tanto despercebida pela grande mídia brasileira. Hoje, quando o norte-americano Robert Shiller dividiu o Nobel de Economia com Eugene Fama e Lars Hansen, a manchete foi revisitada. Nela, o mercado brasileiro era avisado pelo primeiro do risco de estar vivendo uma bolha imobiliária semelhante à que quebrou a economia americana em 2008.”
    Como é que a imprensa brasileira só descobriu fala Robert Shiller só no dia 14 de outubro, do Nobel, não no dia 5 de setembro, quando falou? Quer dizer que só dão mais atenção dos economistas brasileiros do que os de fora? Ou são incompetentes ou sabiam disso, mas não noticiaram, pra atender interesses ao desgoverno corruPTo contestado nas ruas desde junho? Muito estranho…

    “Entre 1984 e 2002, os valores das propriedades se depreciaram. Houve estagnação econômica, hiperinflação, perdas salariais, desemprego alto. Portanto, o que observamos desde então é um reajuste de preços depois desses problemas”.
    O que mais estranha esse desgoverno dos 10 anos do Lulla-Dillma é que insistem que período de algum ano até 2002 (quando PT e seus aliados eram oposição) foi tudo ruim e depois de 2003 (quando PT e seus aliados, incluindo alguns dos governos passados) foi tudo excelente, esse discurso é político do que econômico.

    “A diretoria da Caixa Econômica, o banco estatal que representa quase 70% do mercado de hipotecas, negou a existência de tal bolha (…)”
    70%?????????????????????????? Isso é absurdo! País sério não tem isso! Precisamos mais empresas de hipotecas, para livre concorrência e com isso os preços caem, mas como Estado brasileiro é ineficiente e corruPTo, não quer concorrência, pois quer manter mercado livre restrito. Se o governo não fizer nada, a Caixa vai entrar em crise e pior: pode falir mesmo. Isso aconteceu… em 1929 e em 2008! é hora de voltar privatizar antes que seja tarde demais.

  4. Thiago

    17 de outubro de 2013 at 02:20

    Moro em uma região aqui no Rio chamada Jacarepagua. Aqui era uma região com muitas casas em amplos terrenos… repararam no era né? Por que desde 2008/2009 as casas estão sumindo para dar lugar a condomínios de apartamentos, onde cada um não sai por menos de R$ 300 mil. Alguns em alto nível, fica por volta de R$ 600 mil. Mas encheram alguns pontos com tantos condomínios de apartamentos que agora estão mudando o foco e fazendo prédios de escritórios, só que cometendo o mesmo erro! São vários prédios subindo ao mesmo tempo e os que ficam prontos, estão na maioria das vezes vazios.
    Mas basta passar pelas obras e reparar nas placas de financiamento dos Bancos. E se o pessoal aqui não sabe, os bancos tem que financiar habitação, com 65% do que possuem acumulado nas poupanças. Mudaram até na forma de cálculo da poupança para que o pessoal não enfiasse mais dinheiro na poupança e acabassem sobrecarregando os bancos com tanto dinheiro, o qual não sabem como emprestar para as obras.
    Conhecendo um pouco o mercado e o sistema financeiro brasileiro, logo se vê a bomba que armaram. E quando ela estoura, vão colocar a culpa em alguém, mas não vão olhar para o passado! Pois no Brasil o costume é acreditar que as coisas acontecem do nada!

  5. Hay

    16 de outubro de 2013 at 14:57

    Já há alertas sobre a formação de uma bolha imobiliária no Brasil desde 2009/2010. O IMB publicou um artigo a respeito em Fevereiro de 2010.

  6. Jacques

    16 de outubro de 2013 at 13:51

    Tá na cara essa bolha de aumentos no mercado imobiliário. E, fica fácil perceber como se paga (e muito!) para “especialistas” afirmarem que “O brasil é diferente dos EUA”. E é mesmo, somos infinitamente mais pobres e burros.

  7. Gabriel

    15 de outubro de 2013 at 23:05

    Outro ponto interessante é o valor que se paga pelos financiamentos. Quem andou pesquisando preços de imóveis ultimamente sabe que um imóvel de 300.000 é considerado barato em São Paulo, porém é necessária uma renda de uns 10.000 para poder financiar esse imóvel.
    Todos sabem que não é qualquer um ou mesmo qualquer casal que tem uma renda desse nível e o que fico me perguntando é “quanto tempo levará até as pessoas começarem a ter problemas para pagar esses impréstimos e acabarmos com uma bomba na economia?”.

  8. Luís Henrique Oraggio

    15 de outubro de 2013 at 14:58

    O que sustentará a tese do défict imobiliário, se a taxa de natalidade no Brasil está menor que 2. Ou seja, os casais estão tendo menos de 2 filhos, em média. Além disso, esta taxa de natalidade só é maior nas classes de menor renda.
    Estão é construindo imóveis demais, visto que a população tenderá a diminuir no médio e longo prazos.

  9. Roger

    15 de outubro de 2013 at 11:44

    Meu vizinho comprou a casa há pouco mais de um ano e pagou 280K, parte financiada pela CEF, obviamente. Agora está vendendo por 490K (mobiliada, mas nem tem tanta coisa assim, e a casa nem é grande, 160m^2). Coisa de louco, não?

    Seria um “ajuste natural” de preço se não tivesse a CEF metida no meio, inundando o mercado de dinheiro.

  10. helio

    15 de outubro de 2013 at 10:29

    sinto muito mas esta claro que o Sr. Nobel sabe do que esta falando e a Sra. Diretora da caixa exercendo um cargo político puro e simplesmente !!!

  11. Esther

    15 de outubro de 2013 at 09:25

    O grande descompasso entre o valor dos aluguéis – mesmo após reajustes – e o valor dos imóveis já demonstra a existência de uma bolha. O eu ocorrerá é que nos anos a seguir haverá uma desvalorização contínua. Na verdade, os preços reais – os de venda – ao menos aqui em Bh estão estagnados já há quase 2 anos. Após a Copa começará um ciclo longo de desvalorização, como ocorreu no Japão após as megas valorizações dos anos 90.

  12. Gabriel

    14 de outubro de 2013 at 23:42

    Certeza que o ~economista~ é um reacionário a serviço do PSDB e da zelite.

    E o Nobel é um instrumento do PiG, por isso que o Brasil nunca ganhou. Eles têm o racismo do primeiro mundo contra o Brasil.

    Mas falando sério: Depois da Copa eu quero ver como esse país vai estar.

  13. João Marcelo

    14 de outubro de 2013 at 20:30

    Já perceberam que tudo de ruim no Brasil teve como período “até 2002”?
    Quando alguém diz isso, eu já desqualifico, pois mistura assuntos técnicos com discursos políticos.

    • Regina

      15 de outubro de 2013 at 02:10

      Puxa, vim comentar exatamente isso! Citou 2002 como marco do bem no Brasil, já perde a credibilidade pra mim.

  14. Eduardo

    14 de outubro de 2013 at 20:21

    Existem vários indícios que essa bolha existe. A tese contrária defende que o déficit habitacional brasileiro é grande o suficiente para suportar o crescimento do setor e justificar o aumento de preços.

    Entretanto, o último censo (2010) encontrou muito mais domicílios desocupados que o previsto, o que muda toda equação. Nenhum estudo sério foi realizado até o momento.

    • Marcia

      16 de outubro de 2013 at 22:05

      Li ótimos comentários aqui, o melhor foi do Eduardo. Lamento que o que aqui se lê não chegue ao conhecimento/entendimento da “massa”.

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