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Novo encontro da blogosfera do dinheiro público: o blogueiro cubano e a vergonha alheia de PHA

por Flavio Morgenstern

O movimento conhecido por “blogosfera progressista” já teve dois encontros nacionais, financiados com aquele mesmo tipo de dinheiro que quando vai parar em cuecas, todo mundo acha feio (ou seja, com aquele tipo de dinheiro que foi tungado do SEU bolso).Sempre rende algumas boas piadas prontas.

Numa das ocasiões, tentamos ajudá-los com um dilema: como o grupo deveria se batizar? Blogosfera “de esquerda”? Ora, alguns temem soar radicais e de pensamento pronto (ou seja, soar o que são) e admitir que defendem toda e qualquer idéia, de antemão e sem reflexão, desde que ao menos se pareça razoavelmente de esquerda (dessas que parecem estar roubando dos ricos para dar aos pobres). Melhor não. Blogosfera “Suja”? É um apelido às vezes usado, mas pega mal fora de contexto. Blogosfera “Petista”? Também não seriam tão honestos assim, né? Que tal algo que una a todos, o único desejo que inevitavelmente é gritado em coro quando uma trupe de blogueiros pró-governo e pró-gastos estatais se une em uma sala para assinar um documento – que tal Blogosfera do Dinheiro Público? Enfim, acharam meio ostensivo demais com tanta gente passando fome pelo país e preferiram um chumbreca “Blogosfera Progressista”, mesmo.

Esse terceiro encontro dos blogs estatais, a ser realizado em Salvador entre os próximos dias 25 e 27, já começou com algumas piadas prontas. O blog do Fábio Pannunzio dedurou e nós caímos na gargalhada.

O pito de Ayres Britto em Paulo Henrique Amorim

Para iniciar o freak show, ninguém menos do que o campeão de caricatura da blogosfera progressista: Paulo Henrique Amorim. Representando a “entidade”, PHA solicitou uma meia hora na atribulada agenda do ministro do STF Carlos Ayres Britto. A idéia era entregar um “honroso” convite para que o ministro fosse abrir a patacoada com algum discurso.

Quando PHA chegou, às sete e meia da noite, algo bastante estranho sucedeu, como relata o Pannunzio:

Além de  Miro Borges, presidente do Instituto Barão de Itararé (o braço institucional da BESTA [Blogosfera Estatal]), estavam com ele o próprio Paulo Henrique Amorim e seu advogado, Marcos Cesar Klouri. O encontro foi registrado por um fotógrafo. A foto foi estampada na capa do Conversa Afiada, o blog de PHA.

A primeira pergunta que ocorreu a alguém que testemunhou a cena: por que um jornalista, ao se encontrar com um ministro do STF, se faria acompanhar por um advogado?

Não é difícil saber a resposta. Ela pode ser encontrada no post escrito por Paulo Henrique Amorim sobre a reunião. “No encontro, (…) Miro foi acompanhado deste ansioso blogueiro e seu advogado para causas cíveis – são umas 40 – Cesar Marcos Klouri”. Ou seja: PHA levou seu advogado para fazer lobby junto a Ayres Britto, antecipando teses que serão discutidas durante o julgamento de questões envolvendo seu notório cliente.

Recorro uma vez mais ao texto do Conversa Afiada para demonstrar como isso aconteceu. “Sobre a crescente judicialização da censura à liberdade de expressão, Britto acredita que o próprio STF já se pronunciou em diferentes decisões – inclusive dele, Britto – de forma a assegurar a liberdade”. E quem apresentou o problema da “judicialização” (eufemismo para introduzir a discussão das “mais de 40 ações” contra o blogueiro) ao ministro?

A esquisitice já estaria em níveis pantagruélicos, quando PHA, não se dando por satisfeito em reclamar do que faz em nome da defesa do que ele próprio ataca, acabou não se segurando e botando as garras pra fora:

É possível que Ayres Britto tenha ficado confuso com o paradoxo dos argumentos que seus visitantes foram defender. Por um lado, o convite tinha como objetivo conseguir que o ministro levasse sua credibilidade para abrilhantar o evento da BESTA em Salvador. O foco do evento, no entanto, estava centrado na “luta pelo Marco Regulatório da Comunicação e a crescente censura a blogueiros pela Justiça”.

Traduzindo: ao mesmo tempo em que pugna pela nova censura para a imprensa convencional, rotulada agora como “Ley de Medios”, PHA pretende obter da Justiça o reconhecimento de que a internet pode ser utilizada como um octágono de vale-tudo, selva sem normas em que até injúrias raciais, como as de que ele lançou mão para ofender o colega Heraldo Pereira, da Globo, poderiam ficar imunes a qualquer sanção.

Não é demais lembrar que o “ansioso” blogueiro, quando acuado por seus contendores, ameaça processar em série quem o critica, “judicializando” as contendas sempre que está em desvantagem — como estava quando foi obrigado a se retratar diante de Heraldo Pereira e a indenizá-lo com R$ 30 mil por tê-lo qualificado como “negro de alma branca”. O próprio editor deste Blog está na relação de 15 veículos, blogues e jornalista que ele anunciou que irá processar. Assim, PHA reivindica para si algo que quer suprimir dos outros: o direito à crítica.

Depois desse show de galhofices, restaria ao menos cumprir o prometido. Quem sabe Britto não poderia ao menos aceitar o convite e mostrar que, lá no fundo, até que PHA poderia estar fazendo algo que possa ser levado a sério por alguém com algum apreço pela realidade?

Lá pelas tantas, o ministro tentou explicar cordialmente por que não iria ao encontro da BESTA. “Ayres Britto informou que aceitará o convite, desde que não haja um impedimento técnico: assunto correlato estar em julgamento no Supremo”, diz o post do Conversa. Ou seja:  recusou o convite.

O “assunto correlato em julgamento no Supremo” atende pelo número AI 770191 (clique para consultar) no protocolo do STF. Trata-se de um Agravo de Instrumento em processo de indenização por danos morais movido por PHA contra Diogo Mainardi e a Editora Abril.

Assim, para não chegar de mãos abanando no blog, depois de representar “os blogueiros mais democráticos de toda a democracia” com advogado e tudo, restou mendicar um prêmio de consolação. PHA e Miro pediram  para Britto ”enviar mensagem que possa ser lida como abertura oficial do evento” que discutiria a nova censura proposta dentro do cavalo-de Tróia da “Ley de Medios”, a despeito de o juiz da corte suprema ter afirmado que “não vê necessidade de qualquer lei que regule a liberdade na Comunicação, porque a Constituição regula tudo”. A idéia era ter a mensagem de Britto em um banner acima da mesa de abertura.

As sugestões de Ayres Britto? Bom, não há muita certeza de que a blogosfera la démocratie c’est moi tenha gostado. As frases foram “A liberdade de expressão é a maior expressão da liberdade” e “os excessos da liberdade se corrigem com mais liberdade“.

O encontro com o ministro foi resumido por estas bandas com uma palavra: FAIL.

O blogueiro cubano castrista fala sobre liberdade de imprensa

Cansamos de afirmar por aqui: a blogosfera progressista não é uma nova onda ou modinha, é apenas um sintoma de uma infecção muito maior. Ela tem método, e a loucura por trás do método só é vista por quem tem um bom olhar para diagnóstico.

Mesmo com todo o aparato de “patrocinadores” por trás, está difícil fechar os 400 lugares reservados para a boca-livre. Como sempre, a propaganda é defender a liberdade de imprensa, sobretudo a liberdade de calar a imprensa de que não gostamos. O que poderia ser propaganda melhor do que isso? De novo o Pannunzio mostra:

Agora, a principal atração será a presença do blogueiro governista cubano Iroel Sánchez, uma espécie de anverso de Yoani Sanchez. Além do sobrenome (em Cuba, Sanchez é tão popular quanto Silva no Brasil), os dois não tem nada em comum. A começar pelo fato de que um luta para legitimar a férrea censura imposta por Fidel Castro à imprensa em seu país, enquanto a outra se utiliza da internet como arma contra a mais longa ditadura do planeta.

Sanchez (Iroel, não Yoani) faz parte de uma rede chamada Cubadebate, a BESTA de lá. O papel central dos blogueiros aliciados pelo regime é contrapor-se aos cubano-americanos que usam a internet para atacar os irmãos Castro.

Iroel é engenheiro e jornalista. É um dos poucos nativos da ilha que escrevem o que querem — porque só fala bem do governo, exatamente com o congênere brasileiro da BESTA. Ele é um dos integrantes de um coletivo de blogueiros que organizou um encontro recente em que penas alugadas para a ditadura foram discutir a importância da internet num país que, a rigor, não tem internet.

É preciso ser mais abertamente contraditório do que chamar um blogueiro cubano para falar de liberdade de expressão na internet? Poderiam usar o chavão comunistóide de afirmar com temor que Yoani Sánchez é financiada pela CIA, pelo Pentágono, pelos sionistas, pelos templários e pela Implicante™ Golpist Media Inc., mas… chamar um blogueiro do Fidel?! É assim que o próprio define seu trabalho:

un espacio de participación horizontal en el proyecto político cubano, asumiendo nuestro rol de blogueros como un deber cívico, portadores de ideas antimperialistas y consecuentes con un pensamiento revolucionario

Discordou? Então participação horizontal não é pra você, seu imperialista. Pannunzio que conhece bem o caso explica:

Para começar, a internet em Cuba só pode ser acessada nos saguões dos grandes hotéis ao custo mínimo de oito dólares por hora. Isso corresponde a um terço do salário pago aos trabalhadores da ilha caribenha, que recebem, em média, cerca de US$ 25 por mês. Não há conexão domiciliar, tampouco 3G ou wifi abertos. Até os torpedos são objeto de monitoramento oficial. Não raro, as redes de celular entram em colapso provocado para evitar a dispersão de informações que não interessam ao Comitê Central do Partido Comunista Cubano.

A aberrante situação tecnológica de Cuba, toda ela induzida pelo medo do despertar da opinião pública, faz com que personalidades proeminentes em todo o planeta  sejam completamente desconhecidas em Cuba. É o caso da própria Yoani, que ninguém em Havana, salvo os arapongas que a monitoram, sabe quem é. Yoani se autodefine como uma “não pessoa”, proscrita que está da seara política e institucional de seu próprio País — e a despeito de ser o rosto cubano mais conhecido hoje em todo o planeta.

Em janeiro, na véspera da visita da presidente Dilma Rousseff a Havana, Yoani foi proibida, pela trigésima vez, de sair de Cuba. A negativa veio a propósito de um convite que ela recebeu para participar do lançamento de um filme no Brasil. Só isso já bastaria para definir quem é Iroel Sánchez que, ao que consta, não teve a menor dificuldade para obter a permissão de saída. E não teve porque o governo local sabe bem o  que ele vem fazer por estas plagas: propaganda do regime castrista para a BESTA brasileira.

Sentiu? Caso queira ver a entrevista que a própria Yoani Sánchez, com suas riquíssimas roupas e seus milhões de dólares financiados pela NASA e pela FOX News, deu ao fabio Pannunzio, aí segue o vídeo.

[youtube]https://youtu.be/x2_7rIjJ3fw[/youtube]

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Em encontro de blogueiro sujo, além de advogado a tiracolo, só come da própria comida e lava a mão com creolina depois de cada aperto de mão. No Twitter, @flaviomorgen

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6 Comentários

6 Comments

  1. Guerson

    24 de maio de 2012 at 02:08

    Tá fraca a audiência, hein?!

  2. Flavio

    22 de maio de 2012 at 20:58

    alexandre

    Que bom que você reconhece que Cuba é uma ditadura! Isso quer dizer que você não está 100% enganado.

    O problema da esquerda não é não admitir que Cuba é uma ditadura, mas achá-la uma ditadura boa, revolucionária.

  3. alexandre

    20 de maio de 2012 at 23:37

    Flavico
    Existem pessoas que se consideram como centro-esquerda, como eu, que acham que Cuba é uma ditadura. Ué, não tem pessoas de centro-direita que reconhecem que o Pinochet é ditador ? E não entendo a surpresa. Nunca nesse blog defendi o Fidel e o Chávez. Podem olhar nos arquivos.

  4. Flavico

    20 de maio de 2012 at 20:33

    Peraí?!.. O comentário aí é daquele Alexandre?…. DAAAAAQUEEEEELE Alexandre?!

  5. Michel

    20 de maio de 2012 at 19:28

    Quanto à atuação de guerrilha destes senhores, temos um texto da Marilena Chauí comentando as táticas do Malufismo, escrito para a revista do Cedec em 84:

    “Talvez uma pista para encaminhar uma resposta apareça, se avaliarmos o sentido dos ataques pessoais desfechados pelo malufismo contra Antônio Ermírio de Morais e os que prepara contra José Sarney. O estilo empregado é o da intimidação, mesclado de difamação, calúnia e verdades.
    Quantos dossiês “confidenciais” possui Maluf? Que uso pode fazer deles? Que uso já fez? Assim, o que o torna assustador é o fato de que, num país onde não existem instituições políticas no sentido pleno do termo, mas simples agrupamentos periódicos de interesses privados disfarçados em públicos, o poderio da intimidação pessoal é ilimitado porque não há como regulá-lo nem como detê-lo. O malufismo é um estilo de mando fundado na dominação pessoal.”
    revista lua nova, vol 01 número 03, dez/84

  6. alexandre

    18 de maio de 2012 at 19:06

    Blogueiro cubano que diz que existe liberdade de imprensa naquele país é dose ! Até quando alguns setores da esquerda vão continuar com essa crença a respeito de Cuba ? Lá é ditadura e ponto final.

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