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O atirador de Realengo e os desarmamentistas: locos si, pero no tontos

Por Flavio Morgenstern:

Um atirador entra na escola onde estudou em Realengo e mata 10 meninas e um menino, deixando dezenas de outros feridos. Isso é falta de:

a)   Socialismo;

b)   Bolsa-Família;

c)   Fim da sociedade patriarcal;

d)   Proibição da venda de revólveres de baixo calibre;

e)   Cadeira-elétrica.

(faltando é claro a opção “é tudo culpa do Bolsonaro”.)

Agora que o Brasil ganhou, infelizmente, o seu primeiro caso a la Columbine, uma camorra de “especialistas” que só são especialistas a posteriori veio a público dar suas soluções milagrosas para a violência (entre eles destaca-se Paulo Henrique Amorim, para quem a tragédia está ligada à “imprensa golpista” que segue ordens da embaixada dos EUA para promover a islamofobia).

Na Lei de Murphy já aprendemos: especialista é um cara que veio de fora. No entanto, os preconceitos e idiotias que pipocam nessas horas são da época em que o arco-íris ainda era em preto-e-branco. O mais at hand de todos eles, aquele que sempre pode ser sacado em caso de emergência, é a questão do desarmamento da população.

O simples fato do lobby sobre proibição do porte de armas voltar a surgir das trevas quando um assassino mata crianças usando 2 armas frias já diz bastante sobre esse tipo de pensamento anti-armas.

O argumento central também já foi tão repisado que não vale mais a pena lidar com ele: fala-se que com menos armas circulando, haveria menos possibilidade de crimes – quando é consabido que tais crimes são cometidos quase sempre com armas ilegais (ou será que alguém acredita que o maluco realmente comprou a arma de uma loja autorizada, fez o registro e consegui o Porte que é absurdamente dificil de conseguir no Brasil?).

Ademais, alguém já VIU uma loja de armas de fogo? Onde tem uma? Porque os donos dessas lojas devem estar faturando horrores com uma loja em cada esquina pra conseguir alimentar todo o PCC, o CV, os Amigos dos Amigos e todos os assaltantes que vemos por aí… no estado em que estão Petrobras e Vale, logo logo as lojas de armas se tornarão a primeira blue chip da Bovespa!

O problema aqui é como a quizumba toda é colocada: a violência seria um “fenômeno complexo”, que não pode ser explicado por meio de “explicações simplistas”. Curiosamente, esse argumento costuma vir das mesmas bocas que querem proibir o cidadão de andar armado, sem atinar com a origem das armas de crimes.

Para eles, a polícia faz apenas uma parte ínfima do trabalho. O grosso da coisa vem de ONGs, diminuição do desemprego, AfroReggae e outras instituições de bater lata. Aparentemente, os policiais pouco fazem pela diminuição da violência: quem merece uma medalha mesmo é o Mano Brown.

É um pensamento curioso: segundo essa visão, o sargento Alves que parou o assaltante com um tiro fez bem menos do que a diminuição do desemprego em 0,2%. Onde já se viu ver heroísmo nisso, quando heróis são burocratas do governo?! Talvez, vá saber, o lunático tivesse matado umas duas crianças a menos se estivesse desempregado há menos tempo. Aliás, alguém aí analisou se o rapaz estava mesmo desempregado?!

Os dados sobre desemprego e violência não batem. A criminalidade em SP tem caído constantemente, quase de forma independente das oscilações da taxa de desemprego:

 

Por essa lógica, os bairros mais pobres de SP deveriam ser os mais violentos. Curiosamente, os mais pobres e os mais violentos simplesmente não batem.

Em 1999, em Diadema, ocorreram 102,82 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Já em 2007 esse número reduziu para 21; em 2006, essa taxa ficou estável com 20 ocorrências.

Desemprego? Organizações criminosas? Ou proibição de bar de madrugada e mais polícia? Quá, quá, quá.

Sendo essa visão tacanha um dos shibboleth que definem o que é que a esquerda pensa, fica fácil perceber que a esquerda considera que pobres são pessoas desonestas e perigosas, enquanto a direita pensa que pobres são vencedores, porque são a maioria da população e permanecem honestos. Mas é só a esquerda que gosta de pobre, né?!

Assim, a “visão complexa” do fenômeno da violência, na prática, é apenas reduzir o fenômeno da violência a seus entes secundários: tudo funciona, exceto polícia. Mesmo que o ranking das cidades mais seguras no gráfico acima apresente todas as capitais – e em todas elas houve diminuição do desemprego (sobretudo no Nordeste, onde estão a maioria das cidades mais violentas), ONGs, reggae, conversões religiosas etc.

Acontece que dar valor à polícia implica “gostar” de punições. O que sempre dá a pecha à classe média de “fascista”. Como se fascismo tivesse alguma coisa a ver com punições rigorosas a crimes hediondos. E como se o desejo de se punir tais crimes viesse de uma busca sádica subconsciente de obter prazer através da dor ao próximo (algolagnia ativa), o que torna cada cidadão da “classe média” alguém que quer ser um Rambo e que obtém um prazer quase sexual ao ver sofrimento alheio – e, de uma maneira estranha, apenas o cidadão que quer ver criminoso sendo punido obtém esse prazer, não o criminoso que sai matando por aí (por caricata e ridícula que seja essa visão, ela é amplamente defendida por intelectuais como Michel Foucault e Jacques Lacan, ídolos dos coitadistas penais que abundam nas faculdades de Direito desse país).

O melhor mesmo é buscar “complexidades” que servem apenas para evitar se chocar com o óbvio: mais bandidos presos, ruas mais seguras, vidas salvas. De quebra, ainda dá pasto e circunstância para o velho ódio à classe média pela própria classe média. Um beijo pra minha mãe, pro meu pai e pra você.

 

Violência: o que se vê, o que não se vê

Os bonzinhos, legais, intelectuais, antenados e descolados também têm um proto-argumento pronto para quando dão de cara com essa sanha “fascista” da “classe média” em querer justiça (como se a classe pobre não tivesse ainda mais clamor contido por justiça).

Trata-se do lugar-comum “a classe média deseja punição por um desejo irracional – punições mais rigorosas não diminuem a criminalidade”. É doloroso como o rótulo “irracional”, impingido ao adversário ad nauseam, dá estranhos ares de “racional” ao próprio discurso, mesmo que essa repetição do rótulo seja a coisa mais irrefletida possível.

Esse estrategema é bastante comum quando se discute a pena de morte (como se a crítica ferrenha á prática não pudesse ser bastante irracional, fanática e pouco humanitária), mas também quando usam a propaganda desarmamentista usando tragédias como desculpa (como o caso de Realengo).

De um lado estão os irracionais da classe média, que são apenas poços de vingança, alimárias bestiformes que só por cortesia podem ser chamados de formas inteligentes de vida, babando sua bile negra que só pensa no sangue daqueles que ganham menos do que eles (seja os explorando, seja querendo puni-los quando cometem crimes, baseando-se na idéia de que tais crimes são cometidos por estes outros cidadãos ganharem menos).

De outro lado, todos os racionais que criticam qualquer pena que não dê liberdade para criminosos o mais brevemente possível são todos versados nas algaravias de Voltaire, em mentirosos compulsivos como Rousseau, malucos da gema como Marquês de Sade e homicidas como Althusser – todos elevados à categoria de ipse dixit como gênios mais alterosos da humanidade, aos quais qualquer refutação é barbarismo obscurantista.

Não importa que países cuja população costuma se armar ferozmente sejam bem mais seguros do que o Brasil: sempre que se comenta que praticamente 100% da população adulta suíça possui uma arma (com o corolário interrogativo mais inescapável: você prefere fazer um assalto num vagão de trem em Guainazes ou em Berna?), imediatamente se obtempera com a “razão pura”: a cultura deles é diferente – como se armas não fizessem parte dessa tal cultura de segurança, e como se brasileiros tivessem lá alguma disposição para a criminalidade que os suíços, americanos, canadenses et tutti quanti não tenham.

Aí chega-se à papagaiada mais chumbreca que foi martelada em nossos ouvidos na época do desarmamento: está mais do que comprovado que quem tem armas morre em assaltos.

Ora, alguém aí tem os dados de quantos assaltos foram evitados (e vidas foram salvas) dando-se dois tiros pro ar quando alguém tentava invadir uma propriedade rural? Alguém crê que a primeira providência do quase-assaltado foi correr para uma cidade grande no meio da noite para fazer um Boletim de Ocorrência (ridiculamente, a forma como essas “estatísticas” são feitas)?

Alguém aí tem os dados de quantos % das pessoas armadas evitaram assaltos, em oposição a quantos % foram mortas com a própria arma? Em brigas de trânsito é comum ouvir o estulticoco de que, se uma das partes está armada, sempre mata a outra parte – alguém tem os dados de quantas brigas de trânsito ocorreram em qualquer cidade no último mês, e quantos % das pessoas armadas não usaram suas armas?

Ou o modo genial de chegar a essa conclusão de nossos “especialistas” (sociólogos devem ser os campeões em todos os concursos de matemática estatística) foi verificar as brigas de trânsito com ferimentos por armas e concluir que, então, por não haver registro de brigas entre armados que não terminaram virando caso de polícia, concluem aristotelicamente logo bater no retrovisor de alguém armado tem como resultado tiro na caçuleta na certa?!

Com efeito, parece que a população pobre brasileira é perversa, já que a pobreza faz com que a moral vá pro vinagre (e a julgar pelo réveillons do PCO, uma moral socialista deve mesmo custar bem caro). E a população armada é composta apenas por loucos irracionais, prontos para usar sua arma como instrumento de virilidade, votando no Maluf, no Bolsonaro e em Mussolini.

Para piorar, há uma pendenga entre coletivo e individual acontecendo aqui. O cidadão que usa uma arma para se defender age individualmente – coisa próxima da ilegalidade para o establishment reinante no Brasil. O correto é privatizar a sua defesa, e só deixar que o Estado, que detém o monopólio da violência, te proteja. Caso não dê tempo do Estado chegar a tempo de evitar uma chacina, sempre se pode andar de branco e fazer a pombinha da paz com as mãos.

 

Bullying: Though this be madness, yet there is method in’t.

Está claro a todos que nosso atirador era maluco. Isso não torna o caso um octógono de vale-tudo de interpretações possíveis: se é fácil perceber a loucura, é porque há uma série de eventos que demonstra que se agiu de maneira já conhecida – o que caracteriza o comportamento não-padronizado (essas coisas da sociedade hipócrita, como não atirar em crianças), insano.

O caso agora vem sendo explicado através do bullying. E foi com o bullying que primeiramente aprendemos que a forma civilizada e democrática de resolver conflitos é apelando a uma autoridade superior que combinamos anteriormente ser a única outorgada a partir pra ignorância: a diretora. Mas, tão ou mais importante, aprendemos que a porradaria é selvagem e brutal, mas espertinha o suficiente para só comer solta bem longe dos olhos de professoras, monitoras barangas e mesmo da tia da cantina.

Assim como os assassinos escapam de penas severas com o pensamento coitadista (e “racional”) de se alegar “insanidade temporária” (dê um pratinho de cocô pra ver se o desgramado come, ou analisa se ele rasgou dinheiro logo depois de tê-lo roubado para averiguar essa “insanidade”), aqui trata-se de tirar do cidadão (desde tenra infância) sua possibilidade de defender-se sozinho, e depois que a autoridade (estatal ou da diretora) não consegue agir a tempo, reclama-se que é preciso ter MAIS atuação dessa autoridade.

Quando eu estava na quarta série, voltava sozinho da escola de ônibus. Às vezes, para trocar o dinheiro do ônibus por uma tubaína, voltava a pé, numa longa rua numa cidade do interior. Numa dessas, dei de cara com uma criança de uma gangue adversária à de um primo meu. O problema é que é uma dessas crianças que valem por 3, enquanto eu sempre fui mirrado e franzino.

Não tive outra opção que não correr. Por 10 metros. Assim que cheguei a um terreno de uma construção, estava munido de uma pedra tão grande que seria o equivalente na vida real a soltar um hadouken com as três barras de especial e a energia piscando na reserva. Antes que eu transformasse nossa animada partida de Street Fighter em um sanguinolento Mortal Kombat, meu desafiante valentemente picou a mula.

Imagine o que seria se eu precisasse esperar um adulto, a autoridade “de fora”, para conter a briga? Não é preciso atentar para que a rua estava repleta delas – e enquanto eu não estivesse com apenas 3 dentes malemolentes restando na arcada, ninguém daria bola para minhas súplicas, porque criança é assim mesmo e não se bate em filho dos outros.

Acontece que essas pestes, quando crescem e resolvem praticar o mesmo tipo de agressividade, o fazem com metralhadoras. E aí a vítima terá ainda MENOS tempo de pedir socorro a uma autoridade capaz de conter uma arma desse porte. Se nunca precisei refazer meus dentes foi porque “andei armado” quando precisei. Isso é justiça. Justiça é tratar igualdade os iguais, e desigualmente os desiguais, já determinava Aristóteles. Pois todos os homens nascem diferentes: Samuel Colt os tornou todos iguais, inventando o melhor instrumento nivelador de forças da História: o revólver.

(E nem entro na questão do gordinho ter evitado bullying nele próprio a vida inteira não recorrendo às professoras, que pouco poderiam fazer para defendê-lo, mas sim descendo a porrada no cocoruto alheio.)

É preciso que alguém fale o que nunca se falou antes na história desse país – Bullying: eu sofri. Eu pratiquei. Ninguém saiu matando crianças por isso. Eu aprendi que não posso atacar alguém injustamente, mas quando sou atacado, a sobrevivência (do meu Sistema Nervoso Central ou só da minha arcada dentária) pode depender muito mais de uma arma do que de rezar para uma autoridade aparecer e negociar pacientemente com meu agressor. Que não faz o menor sentido tirar toda a possibilidade de defesa pelo próprio cidadão de sua vida – e depois exigir MAIS Estado para cuidar dela.

Enquanto não vir um desses psicopatas (um spree killer no caso, não um serial killer como já erroneamente foi afirmado) sair atirando num clube de caça, num treinamento de tiro, no posto de treinamento da infantaria da polícia – ao invés de abrir fogo apenas em escolas, hospitais e igrejas, será apenas o velho loco si, pero no tonto, que caracterizava Dom Quixote. Aquele “insano” que mede muito bem os seus atos – mas sempre será apenas alguém sem lógica para algum extremo-racional humanista que o defenda.

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=0t78Gq9Hqf4[/youtube]

* Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia.

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22 Comentários

22 Comments

  1. Mayara

    12 de abril de 2011 at 22:54

    Alexandre, você não perguntou diretamente para mim mas vou me meter mesmo assim.

    Ter uma arma não significa andar armado, reagir a todo e qualquer assalto, puxar o gatilho pra qualquer pessoa que te ofenda ou agrida.

    A questão é a legítima defesa. É poder se proteger dentro de casa, é ter a chance de salvar a sua vida, sua integridade e da sua família também.

    Não posso generalizar, mas posso falar por mim e pelos que conheço.
    Realmente, ter uma arma e não saber atirar não faz o menor sentindo, a não ser que você queira acertar bandido com uma porrada na cabeça. Mas pra isso um pedaço de pau ou ferro bastam.
    É por isso que quem possui uma arma, geralmente sabe como ela funciona. E um curso especializado não é necessário para isso. Como pras outras coisas da vida, cérebro, atenção, prática e bom senso já são suficientes. Tanto no manuseio como no ‘armazenamento’.

    Ter uma arma também não significa, necessariamente, querer matar bandidos. Atirar no braço ou na perna para neutralizá-lo ou diminuir sua ação até que uma autoridade chegue são alternativas válidas. Até mesmo tiros pro alto tem poder de intimidação frente a uma situação de emergência.

  2. Jefferson

    12 de abril de 2011 at 15:37

    Excelente texto. O mestre Dal deixou saudades…

  3. Carol

    12 de abril de 2011 at 13:20

    Muito bom.

    E como disseram por aí, em áreas rurais é ainda mais complicado querer desarmar, porque além de bandidos, às vezes a pessoa pode precisar da arma para abater algum animal selvagem enfurecido. Ok, eu sei que a vida de uma capivara vale mil vezes a vida de um assassino, mas mesmo assim, às vezes não tem jeito.

    E às vezes fico pensando nessa coisa de “causas complexas” da violência: não tenho dúvida que as causas são complexas, mas muitas vezes é necessário recorrer a soluções simples para problemas complexos, ou seja, mesmo que não resolva uma situação, essa solução pode amenizar as consequências nefastas. Punição tem mostrado resultado desde que o mundo é mundo. Tirar malucos homicidas de circulação também. Então, honestamente, às vezes fica parecendo que todo esse #mimimi de direitos para os bandidos só serve para quem faz o #mimimi aparecer dando entrevista na Globo News.

    Bj

  4. Sandro P

    12 de abril de 2011 at 10:27

    Pablo,
    Comentário perfeito. Disse tudo que penso a respeito.

  5. Joyce Peu

    12 de abril de 2011 at 00:43

    O fato de a discussão ter tomado a estrada do bullying só me faz lamentar (é bem mais interessante quando os especialistas – oi? – tentam explicar o caso pelas vias da psicopatia histericossocioneurótica combinada à ação dos espíritos obsessores).

    Excelente texto.

  6. alexandre

    11 de abril de 2011 at 23:21

    e só uma pergunta para o flávio e para o gravataí ? vcs andam armados na ruas e reagem a assaltos ? porque defender algo que não faz só para implicar com o governo, aí é meio ridículo !

    • flaviomorgen

      12 de abril de 2011 at 15:15

      Ninguém aqui está dizendo que andar armado vai te tornar imortal, nem que é sempre mais inteligente reagir a um assalto (na maioria absoluta das vezes não é). Mas eu te garanto que, armado ou não, dependendo do caso nem precisarei de arma para nocautear um meliante. Felizmente, os desarmamentistas ainda não se preocuparam em proibir o kung fu.

  7. alexandre

    11 de abril de 2011 at 23:13

    faço minhas as palavras de luiz eduardo soares sobre a suposta “direito do homem de bem de se defender armado”. e sobre a suiça, então podemos diminuir a violência no brasil super fácil : vamos dar armas para todos os brasileiros e ensiná-los a atirar !!!! por que será que ninguém pensou sobre isso !!!!! e continuo a perguntar, e ainda ninguém respondeu aqui nesse blog : para que ter uma arma em casa ? ah, ia me esquecendo de falar sobre casos de crianças que acham a arma do pai e ficam brincando com elas, e adivinha o que aconteceu ? procure na internet e vc vão achar várias respostas sobre o destino dessas crianças !!!! e para que armas em casa ?

    Poder Online – E os que justificam que compram as armas para se defender?

    Luiz Eduardo Soares – A regra também é para os cidadãos de bem, que muitas vezes acabam recorrendo às armas, mas que em um determinado momento, ao invés de ser um instrumento de proteção, se converte num acervo de destruição. É uma ilusão achar que o indivíduo não profissional pode recorrer às armas para se defender. Esses são exceção. As estatísticas apontam o contrário: mesmo entre cidadãos de bem as armas não ajudam. Elas aumentam as chances de acidentes, aumentam as chances de homicídios, fazem com que a violência doméstica se converta em tragédia letal. Por todas as razões do mundo, as armas devem ser controladas. Temos hoje no Brasil cerca de 16 milhões de armas na sociedade. Sendo que metade delas é ilegal. Estão circulando ilegalmente e as instituições públicas não têm sido capaz de controlar essa disseminação. É preciso uma atitude muito mais rigorosa por parte das autoridades políticas.

  8. Mayara

    11 de abril de 2011 at 20:17

    Bueno, sou obrigada a comentar que quem têm armas em casa não as deixa aos olhos de quem quer que seja, até porque sempre existe o risco de cair nas mãos de uma criança ou mesmo de um assaltante como já foi falado.

    Vou comentar a situação da minha cidade. Temos aproximadamente 7 mil habitantes entre zona urbana e rural. A extensão territorial é de 516,288 km² e a economia da cidade é agropecuária. O efetivo da Brigada Militar é pequeno para controlar essa área.

    Ano passado aconteceu um assalto em um agência bancária da cidade. Os policiais pediram que a população emprestasse munição e armas, pois não tinham equipamento suficiente para tal investida.
    Constantemente a propriedade de alguém é roubada. Meus avôs moram no sítio e um dia tivemos a notícia de que havia uma movimentação estranha por lá. Meu pai estava hospitalizado e como não havia ninguém mais que pudesse ir até lá conferir, eu fui. Por sorte era um alarme falso. Mas se fosse verdade, eu gostaria de ter a chance de me defender.

    A população do município e das outras cidades da região fazem seguidamente uma arrecadação para comprar armas e munições pros policiais. Isso é segurança?

    Num País que de fato protege sua nação com eficiência, talvez eu seria contra o uso de armas também. Mas no Brasil de hoje, infelizmente isso é utopia.

  9. Vinicius

    11 de abril de 2011 at 18:26

    Do Blog do Vamp:

    https://blogdovampirodecuritiba.blogspot.com/

    “Como há bobagens sendo ditas nestes tempos sombrios! Bobagens sempre foram ditas pela Imprensa tupiniquim, mas essa Era da Mediocridade que avança inexoravelmente pelo mundo fará o Brasil passar da barbárie à decadência sem termos conhecido a Civilização. Nem poderemos repetir Lobão: “Decadence avec elegance”. Nossa decadência não tem nada de elegância. Pelo contrário, somos bregas até à medula!

    Há fatos que ocorrem e nos chocam para que possamos com eles aprender e evitar repetir erros já cometidos anteriormente. Esse caso do massacre das crianças de Realengo, por exemplo, tem força suficiente para trazer à tona toda nossa estupidez, todo nossa idiotice terceiro-mundista. Dois temas ganharam o pensamento da Imprensa neste episódio. Os dois, obviamente, distorcidos pelo véu da ignorância, ou seja, nos dão respostas simples e erradas para casos complicados: desarmamento e bullying.

    Desarmamento: esqueçamos ideologias, religiões, toda forma de alienação e sejamos lógicos. Não podemos – e nem devemos – querer transformar toda escola brasileira em presídio de segurança máxima de forma que ninguém de fora consiga adentrar em suas dependências, isto é fato. Como então defender nossos alunos? Me respondam com sinceridade: se um professor ou algum funcionário da escola estivesse portando uma arma, legalizada, obviamente, a tragédia toda não poderia ter sido bem menor? Oras, ao primeiro disparo efetuado pelo maluco, ele poderia ser abatido por uma arma legal e assim teríamos evitado o restante das mortes.

    Uso este caso em particular pois é ele que está sendo usado pelo PT e por boa parte da Imprensa para justificar o… desarmamento dos cidadãos de bem! É como se dissessem: “olha, a coisa tá séria, a situação está perigosa, há muita violência, muita gente maluca com acesso à armas ilegais. Portanto, você, pessoa de bem, deve se prevenir e não usar arma alguma. Se alguém lhe agredir, faça como nos ensinou o judeu aquele e ofereça a outra face, oras”. Não, não vou entrar no assunto religião, falo de política mesmo. Se bem que a mentalidade de nossos representantes políticos é formada basicamente pelo catolicismo mais imbecil que se possa imaginar. Uma mistura de Catolicismo e sub-marxismo forma todo o pensamento da América Latina, mas isso é assunto para um post específico. A questão é que o Estado quer indivíduos fracos, alienados e desarmados para assim poder controlá-los e escravizá-los cada vez mais. Os governos sabem que indivíduo forte, Estado fraco; Estado forte, indivíduo fraco. Como no Brasil só existe partido de esquerda, adivinhem qual será a pregação!

    Bullying: Outros estão justificando os assassinatos por um possível “bullying” que o atirador teria sofrido na infância. Sim, ninguém nega que fatos ocorridos na infância nos marcam de maneira proeminente. É nesse encontro da criança com o mundo, com a rua, com o diferente que se dá a descoberta da vida, mas também – e principalmente – de si mesmo. Cada um reage à sua maneira a tudo, inclusive ao que estão chamando de “bullying”. E dessa forma vai se construindo o adulto. Sim, o menino é pai do homem! Tanto o menino como o homem já estão ali se formando. E sim!, o homem é o homem e suas circunstâncias. Ninguém pode negar, entretanto, que cada um de nós é um Universo. Ou seja, cada um de nós irá agir e reagir de maneira diferente a cada desafio que a vida nos impõe. Alguns irão crescer e dar boas risadas de sua infância, outros, uma minoria, quero crer, torna-se-ão problemáticos durante a vida toda. Isso não é responsabilidade do outro, mas de cada um individualmente. O Inferno não são os outros! E triste que esse erro tenha sido proferido justamente por alguém que se queria “existencialista”. Esqueçam Sartre e leiam Hermann Hesse! No profundo e pesadíssimo “Demian”, uma análise perfeita sobre o contato do menino com o mundo, com a rua, com o diferente.

    O que precisamos cada vez mais é sermos fortes para enfrentarmos o Estado e a Era da Mediocridade! Nos armemos, portanto! Com armas e com livros!”

  10. Pablo Vilarnovo

    11 de abril de 2011 at 16:50

    Há uma grande confusão nesse assunto. A Campanha pelo Desarmamento não é ruim. Se uma pessoa quiser se desfazer de uma arma de fogo que não quer, é válido que o governo organize uma campanha sobre isso. O que o Alexandre não entende é que na prática, não existe mais comércio de arma de fogo ao cidadão no Brasil. O número de armas vendidas aos civis é extremamente baixo por conta da legislação. Hoje o comércio de arma de fogo legal é praticado na quase sua totalidade ao grupo de cidadãos autorizados pela lei: policiais civis e militares, bombeiros, promotores, juízes, políticos e outros abnegados. Ano passado mesmo houve um aumento no número de armas vendidas. O pessoal do Viva Rio chiou, mas, como sempre, não disseram a verdade
    A legislação brasileira já é uma das mais restritivas do mundo. O argumento da “arma roubada” não passa de uma invenção, de uma tortura dos poucos dados disponíveis exsitentes. Isso porque ninguém sabe ao certo o número de armas de fogo que entram no Brasil pelas fronteiras.
    Para isso basta ler o relatório final da CPI do Tráfico de Armas que tão logo foi finalizado, foi abandonado por que seu resultado não foi de agrado dos Viva Rio da vida.
    Aliás, o Sr. Rangel não passa de um mentiroso. Em 2008 houve um aumento do número de armas de fogo. Só para terem uma idéia: em 2001 antes da nova lei, o Brasil vendeu 556 mil armas de fogo. Em 2009 foram 68 mil. Em 2008 houve um pico de 133,7 mil. O Sr. Rangel logo afirmou que era um absurdo a venda de armas de fogo para cidadão comuns que logo depois são roubadas. Ele não tem nenhum dado disso. O Coronel que cuida da fiscalização falou a verdade. Afirmou que o aumento deveu-se a liberação do calibre 40 aos policiais.
    O rapaz de Realengo não tinha porte, não comprou arma em loja. A lei não toca nele.
    Alexandre: qual foi a última vez que vc leu sobre um crime que tenha acontecido com alguém com porte de arma? Vc acha que alguém que paga taxas altíssimas, passa por processo de capacitação técnica e testes psicológicos para ter uma arma legal irá sair matando pessoas ou cometendo crimes? Isso é lenda, balela, mentiras.

    Agora é muito fácil para o Sr. Ministro da Justiça, que deveria estar controlando as fronteiras, as armas ilegais falar sobre o desarmamento. Joga o problema em uma lei que não irá funcionar e tira o problema de suas costas.

    Quem acredita nisso é otário. É burro, é ignorante, é inocente útil.

  11. Yashá Gallazzi

    11 de abril de 2011 at 11:36

    Excelente texto, amigo. Como sói.

    O único ponto que eu gostaria que você abordasse melhor é referente à aplicação da pena de morte. Estamos mesmos certos de que a adoção dela concorreria para a diminuição da criminalidade?

    Perceba: não estou advogando em favor do direito penal mínimo, ou qualquer outra estrovenga que o valha. Sou a favor de um recrudescimento da legislação penal brasileira, uma das mais ridículas e benévolas do mundo. Minha bronca é só mesmo com o instituto da pena de morte em si.

    Li há algum tempo uma matéria (acho que foi na Time, mas não tenho certeza) mostrando que no Texas a criminalidade seria maior que em outros estados, onde a pena de morte não é adotada. Dito isso, é claro que cada lugar tem suas peculiaridades que influenciam na construção do todo, mas não deixa de ser uma coisa que chama a atenção. Até que ponto, afinal, o fato de existir pena de morte funciona, na prática, como fator de intimidação?

    Um abraço!

  12. alexandre

    10 de abril de 2011 at 12:43

    imagine a seguinte situação : um assaltante entra numa casa onde o dono é um sujeito que possui uma arma. o assaltante além de roubar os pertences tradicionais como dinheiro, móveis e outras coisas, vê uma arma guardada ! óbvio que o bandido irá levar a arma do dono. resultado : mais uma arma na mão de bandido e que chegou a ele por causa de uma suposta “liberdade das pessoas decentes de terem armas em casa “. a minha pergunta é : para que arma dentro de casa ? porque ele tem direito ? então será liberado a posse de granadas, bombas e guilhotinas também ?

    (@flaviomorgen: Alexandre, guilhotinas já são liberadas. Encontro uma em cada casa de tirar xerox. Note que no texto não repisei esses famosos argumentos pró-desarmamento porque acho que a discussão já foi passada ao Brasil e democraticamente se definiu que a verdade é X [note a ironia, s’il vous plaît]. A questão foi mostrar como esse tipo de argumento é criado, e você deu um exemplo agora: “Se um assaltante rouba uma casa e encontra uma arma, teremos armado um bandido”. Ora, você tem dados aí de quantas vidas foram SALVAS com uma arma? Ou você simplesmente acredita piamente no que disse no outro comentário, de que “a probabilidade de ser morto ao reagir a um assalto é muito maior se a vítima estiver armada” [existe ALGUM estudo sobre isso, embora todos os pró-desarmamento muitas vezes digam que “está mais do que provado”?]. Se querem tanto falar que a Suíça só é extremamente segura “mesmo” com a população armada até os dentes por um “fator cultural”, lembrem-se qual é a única diferença: saber atirar e operar com destreza suficiente a sua arma de fogo, lá, faz parte da cultura – ao invés de deixar a sua vida nas mãos da sorte. Com ou sem arma. Abs.)

  13. alexandre

    10 de abril de 2011 at 12:32

    sou a favor de uma campanha de desarmamento. quando alguém quer matar, pode pegar qualquer coisa mas o número de vítimas com certeza será menor. ou vc acha que se o atirador de realengo estivesse com uma faca ele mataria o mesmo número de pessoas ? e esse papo de que pessoas decentes tem o direito de andar armada, é conversa fiada : para que uma arma ? se defender de bandidos ? a probabilidade de ser morto ao reagir a um assalto é muito maior se a vítima estiver armada. eu iria para uma outra pergunta : deixar a população usar armar é para diminuir a violência ? pelo que vejo nas análises de pessoas a favor do armamento, parece que sim. é sempre o mesmo argumento : as pessoas de bem não tem direito a arma e bandido tem ! ora, nem um nem outro devem andar armados. Só porque os bandidos conseguem armas ilegalmente, em vez de combater a ilegalidade, vamos então aumentar a “ilegalidade” e armar toda a população ?

    (Gravz: Quando alguém quer matar, compra arma no mercado negro, já que elas passam sem problema algum pelas vigiadíssimas fronteiras. Aquele cara que metralhou uma turma no cinema, p.ex., tinha uma Metralhadora Uzi! Obviamente, não foi registrada em lugar algum, pois é de uso estritamente militar. Mas conseguiu comprá-la. Acho engraçado isso de supor na diminuição de armas depois de proibição legal, mas ter certeza – p.ex. – de que ninguém usará mais ou menos droga pelo fato de serem proibidas ;))

  14. vieira

    9 de abril de 2011 at 20:49

    Parabéns pelo texto.

  15. Odracir Silva

    9 de abril de 2011 at 10:16

    Tem muito articulista por ai falando q a queda da criminalidade ee devido ao Estatuto do Desarmamento e a respectiva campanha (por exemplo, Luis Nassif https://advivo.com.br/blog/luisnassif/a-campanha-pelo-desarmamento e o Jose Roberto de Toledo, https://blogs.estadao.com.br/vox-publica/2011/04/07/desarmamento-da-populacao-coincide-com-queda-abrupta-de-assassinatos-de-criancas-em-sp/ ). Porem, o q nao bate ee o fato q o estatuto soo foi publicado no diario oficial e a campanha do desarmamento soo comecou em Julho de 2004. Jaa havia um claro declinio dos crimes em 2003 (e uma tendencia de queda em 2001/2002 – somente olhando os dados apresentados pelo Toledo). Jaa no caso especifico de Diadema, o gov. petista local fez um bom trabalho em proibir a venda de bebidas alcoolicas aa noite, implementando a lei seca em 2002. Obs: Nao tiro a merito de uma campanha de desarmamento. Pessoalmente acho q a ideia em si ee boa, mas acho q ee como usar um baid-aid em uma ferida q ee muito maior. Abcs a todos, Odracir.

    (@flaviomorgen: Também há uma empantulhação de que a campanha de desarmamento diminuiu os crimes na época. Assim, por mágica. Parece que a bandidagem viu a campanha na TV e se sentiu mais culpada, vai saber. Enquanto isso, se prendia mais em SP e muito professor de Direito Penal achava isso um absurdo.)

  16. Mayara

    9 de abril de 2011 at 00:42

    O desarmamento é muito justo mesmo.

    Enquanto a classe política que aprova essa lei absurda anda sob a escolta de seguranças armados por onde vai, o trabalhador rural, por exemplo, que trabalha honestamente, de segunda à segunda, paga seus altíssimos impostos e sofre constantemente com a desvalorização do seu produto é alvo fácil de bandido armado que rouba propriedades Brasil afora. Rouba, espanca, tortura física e psicologicamente, destrói e mata.

    Ficamos a merce de um governo que não protege, não cumpre o seu papel e que faz o possível para tirar a chance de defesa das pessoas honestas. Justíssimo!
    Esquecem apenas de um detalhe: armas não matam sozinhas, sempre precisam de pessoas que apertem o gatilho. E nem toda a gente é louca e irresponsável nesse mundo.

    Imagino que possamos elaborar algumas leis igualmente justas que proibam o uso de automóveis, de facas, de garrafas, de cordas, de aviões, de fósforos, etc… já que estes também podem ser usados como armas.

    (@flaviomorgen: Mayara, para piorar, sua exposição revela algo que não tratei no texto para não me alongar ainda mais do que o de costume: comprar uma arma e matar alguém pode dar menos de 1 ano de cadeia com todas as regalias coitadistas oferecidas pelo CP. Passar por cima de alguém com um carro, como fizeram com o filho da Cissa Guimarães, pode te fazer perder alguns pontos na carteira ou ter de pagar uma cesta-básica. Não é lindo?)

  17. Paula

    8 de abril de 2011 at 23:08

    E as estatísticas criadas sei lá de onde? Assim: 95% das armas usadas em assaltos são armas legalizadas e roubadas. Daí se explica o porquê de todos os meus AK 47, meus mísseis e outras arminhas sumirem de dentro da minha gaveta de calcinhas, onde os escondia. Foram roubados pelos criminosos! Oh meu Deus, será que a arma que derrubou o helicóptero da PM era minha?

    (@flaviomorgen: Isso sem falar em um estranho dilema: parece que TODA arma legalizada “some” e cai nas mãos de bandidos, assim como você sempre morre com a sua própria arma – sobretudo se for uma vovózinha de 62 anos: https://www.youtube.com/watch?v=oeyvzHR-lZM&feature=related. Porém, misteriosamente, o grosso da violência é feito com armas que nem sequer são vendidas – ou, mesmo com porte, alguém consegue comprar ParaFAL 7,62mm M964A1, AK-47 e Uzi 360mm?!)

  18. Bruno

    8 de abril de 2011 at 21:59

    Só a parte que faz uma pretensa análise criminológica deixou a desejar. E muito.

    A questão de incremento de pena não significar redução de crime é fruto não só dos citados “coitadistas penais” – que efetivamente existem, sempre achando brechas para de alguma forma inverter o discurso e deixar o autor do crime numa posição de vítima -, mas de uma aprofundada pesquisa de diversos criminalistas que muitas vezes sequer têm algum tipo de relação ideológica ou filosófica com Foucault ou Lacan. Jescheck, Roxin, Muñoz Conde, Luzon-Peña, Stratenwerth, Wessels, Welzel, Nelson Hungria, Magalhães Noronha, Aníbal Bruno, nenhum desses autores se valem de ensinamentos de Foucault ou cia esquerdista ltda. para afirmar que ninguém vai deixar de delinquir pelo mero aumento abstrato da pena cominada.

    Na verdade essa constatação é histórica, baseia-se em estudos de casos e fatos, e remonta ao próprio iluminismo, sobretudo a Beccaria, que, entre outras coisas, percebeu que, paradoxalmente, durante as execuções das desumanas e inacreditáveis penas medievais contra autores de roubo, vários dos espectadores da barbáries tinham seus objetos roubados. Os criminosos de plantão aproveitavam a aglomeração para realizar os roubos e furtos, mesmo estando diante de uma execução de pena de morte por o que? Sim, roubo. Nem mesmo Jakobs, contemporâneo autor da Teoria do Direito Penal do Inimigo, admite que o simples aumento de pena leva a redução de criminalidade. Ele busca outros meios: tolhe as garantias processuais dos autores dos crimes mais graves, por exemplo.

    Fica aí a dica para uma reflexão sobre isso, antes de sair falando que dizer que aumento de pena não adianta patavinas para a criminalidade é coisa de esquerdista, coitadista, quando, na verdade, até direitistas e alguns “punitivistas” escarram na ideia.

    (@flaviomorgen: Bruno, é claro que o discurso não é apanágio do que chamo de “coitadistas penais” – os abolicionistas e os que usam o Direito Penal Mínimo como um meio para se atingir o abolicionismo – e que se sabe que APENAS o aumento da pena é inócuo para a diminuição da criminalidade. Ademais, nem é isso o que EU penso. O que apontei no texto é que as punições funcionam para manter as ruas mais seguras. E aí, quem vai contra a idéia são, justamente, os coitadistas apontados.)

  19. Isa

    8 de abril de 2011 at 20:58

    Difícil explanar uma opinião, a priori, porque seu texto, embora muito bem escrito é, também, muito longo. Então são várias idéias e tal…

    Sempre movi minhas ideologias e comportamento para o que vcs chamam de ‘esquerda’. Mas no fundo acho engraçada essa dicotomia simplista e maniqueísta: direita x esquerda e todo mundo tem razão. Endurecendo E perdendo a ternura, sempre. Pobre Che!

    Tenho um amigo de extrema direita que concordaria com vc do primeiro ao último parágrafo. Umas das soluções dele para acabar com a criminalidade, inclusive, é dizimar todos os criminosos, marginais, enfim, ‘limpar a cidade’ desses párias.

    Eu sofri e pratiquei bullying, não mato criancinhas, mas tô longe de ser uma adulta saudável e bem-resolvida. Enfim, talvez sanidade não seja para todos. Parabéns pra vc que conseguiu.

    Eu realmente ainda não tenho uma opinião formada para oferecer. A única coisa em que pensei sobre sua linha de raciocínio foi: ‘então será assim, olho por olho, dente por dente?’.

    (@flaviomorgen: Isa, a dicotomia entre esquerda e direita ainda é aprovadíssima tanto por gente da esquerda [como Bobbio] quando gente mais próximo da direita [como Rothbard]. A questão não é que a dicotomia não é mais válida por ser simplista, e sim porque ela foi feita historicamente, a a história dá voltas – ecologia já foi apanágio da direita [era “luxo burguês”, antes], e veja a discussão sobre aquecimento global hoje e o que virou…

    O problema é achar que pedir uma punição rigorosa é coisa de “extrema-direita”. Como tentei mostrar aí, isso nada tem a ver com fascismo. Significa apenas não acatar um discurso politicamente correto que já foi também arduamente refutado, mas assim como o comunismo já foi refutado [com 160 milhões de cadáveres probandos], essas refutações passam ao largo da Universidade, e continua se aprendendo as mesmas algaravias como verdade intocável.

    Não disse que deve-se resolver na lex talionis, mas por que punir é considerado, oras bolas, errado? E inócuo? De toda forma, você pode ter problemas como todo mundo tem na vida adulta. Mas será que tudo tem de ser derivado de problemas na infância? O dr. Freud não superfaturou o seu valor? Claro que combato o bullying, mas, como afirmei, ele que me ensinou que não posso esperar tudo vindo diretamente do Estado.)

  20. André

    8 de abril de 2011 at 17:54

    Corretíssimo.

    (@flaviomorgen: Obrigado, amigo!)

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