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O auto-elogio de Dilma na Economist

por Flavio Morgenstern

Dilma Rousseff assina um artigo na edição especial O mundo em 2012 da revista The Economist, licenciada no Brasil para a Carta Capital. É assaz curioso ventilar hipóteses para uma revista séria como a Economist ser traduzida e licenciada pela Carta Capital no Brasil. A resposta aparece como óbvio ululante com poucas sinapses: os leitores da Carta Capital raramente lêem ou entendem os ensaios da Economist, e quando o lêem, pensam-nos como “idéias exploratórias que estão me mostrando para que eu discorde”.

Dilma Rousseff se rasga rendendo loas a si própria em seu artigo. Intitulado O modelo brasileiro, a presidente começa com o chavão “O mundo está mudando rapidamente.” É a última frase no artigo com a qual conseguimos concordar.

De acordo com a presidente, o mundo vive uma mudança nos centros econômicos mundiais, e o Brasil é um dos novos centros. É uma análise comumente feita, mas perspicaz em sua simploriedade. De todos os fatores que tornam o Brasil um importante pólo econômico hoje, o principal é sua enorme população, além de vastas áreas rurais que garantem um alto número de consumidores para quem quer investir, criar empresas, fazer negócios e ter alguma certeza de lucro, porque fatalmente alguém vai acabar entrando no seu mercado. Mesmo com carros populares custando o mesmo que sedans de luxo nos EUA ou outros países liberais, as cidades têm um trânsito impossível e estão entupidas: o Brasil, país riquíssimo, dá mais de um terço do que ganha para burocratas no governo em troca de muito pouco em serviços e muito em corrupção. Ainda assim, o mercado é fervilhante: 190 milhões de pessoas num país em ascensão não se despreza assim.

Compare-se o caso com outros países cuja ascensão nos últimos anos foi meteórica (ao contrário do Brasil, que se assemelha ao Pequeno Príncipe segurando um foguete com uma peneira, balangando as pernas tentando se acostumar com o vôo): Coréia do Sul, Singapura, Chile, Malásia, Dubai, Irlanda, Hong Kong. À exceção de Hong Kong e Malásia, são todos países de população diminuta, em que não se pensaria repentinamente como hipotéticos nomes de importância mundial para o comércio, pautando mercados de países de proporções continentais. Em compensação, é tirar a população do Brasil e… será que mesmo aproveitando só a área mais rica das cidades mais ricas, teríamos algo comparável a uma Coréia do Sul fazendo peso de “centro de desenvolvimento econômico”?

Dilma prossegue afirmando:

Mais importante, nos últimos oito anos, nós levamos mais de 40 milhões de brasileiros – quase o tamnho da população da Espanha – da pobreza para as classes médias, com acesso à saúde, educação, crédito e emprego formal.

Descontando os dados duvidosos após a palavra “pobreza”, Dilma deveria disfarçar mais ao manipular dados para favorecer a gestão petista: muito antes de Lula ter alguma chance de subir à Alvorada a pobreza já vinha diminuindo. Vide este estudo de Ricardo Paes de Barros, Ricardo Henriques e Rosane Mendonça para o Ipea:

Como se vê, a pobreza vem diminuindo, com seus percalços, desde antes da democratização, e é um tabu nacional lembrar qual foi o governo que começou a fincar uma estaca em seu tamanho. É difícil imaginar como seria diminuir a pobreza sem conquistas anteriores ao governo petista: sem o Plano Real, que provocou um boom, com um dos maiores saltos na diminuição da pobreza em dois anos (4,9% na redução de indigentes e nada menos que 7,8% da diminuição do número de pobres entre 1994 e 1996, um número inconfundivelmente maior do que qualquer período anterior analisado desde 77, descontando um discutível número do período militar).

Fora as turbulências nas crises (Tigres Asiáticos, México e Rússia), um detalhe curioso é que o número esconde o número total de pobres do Brasil: 1% em 1980 significa bem menos do que 1% hoje. Significa que muitos pobres saíram da pobreza: mas, ainda assim, não há uma diminuição tão grande do número de pobres conforme se pensa. Na verdade, muitas vezes o número total aumenta. No mais, a pobreza extrema simplesmente caiu no mundo inteiro com a abertura dos mercados – onde não caiu foi em países que não aderiram à liberdade econômica do capitalismo como a África subsaariana e ditaduras socialistas. Estas até hoje justificam sua miséria com “embargos econômicos” – esperam por um disk 1-800-AMERICA para se livrarem da miséria.

Há uma continuidade clara com o modelo anterior. É ótimo que ela exista – mas não dá grandes méritos a quem a continua, se seu discurso é e foi de rompimento. Há de discutir então a gestão de cada modelo. Tanto o PSDB quanto o PT privatizaram e criaram programas sociais. Por que um só é lembrado por uma coisa, e outro só pela outra?

Basicamente, o programa social do PT era a unificação de diversos programas da gestão tucana. Foi chamado de Fome Zero e quase rendeu um Nobel da Paz a Lula, após arrancar muitas lágrimas na Suíça em sua apresentação. O fiasco é conhecido: sua gestão baseava-se em taxas sobre gorjetas de restaurantes e outras idéias doidivanas. Mas até hoje você consegue fazer doações ao programa em agências do Banco do Brasil. É um grande ato de fé. O Bolsa Família causou o rompimento definitivo de Lula e Frei Betto – há explicação: unificava diversos programas geridos por Ruth Cardoso, os quais foram alvo de feroz crítica no período de oposição.

O custo de tais manobras foi elevado: a carga tributária média ficou em 33,47% na gestão Lula, contra já elevadíssimos 30,07% de FHC. Com maior carga tributária sobre mais pessoas que enriqueceram mais, faz muito sentido alardear que só durante os oito anos de gestão petista é que se fez tanto pelo país? Melhor nem comparar com outros dados, como, quem sabe, aumento do número de telefones por habitante em cada período (alguém tem coragem de averiguar este ótimo indicador de crescimento de renda?), queda da inflação, queda da evasão escolar, crescimento das matrículas nas universidades, crescimento do PIB em relação ao governo anterior (e o mais importante: quanto o PIB cresceu em relação ao mundo) e, sobretudo, aumento da dívida pública para se fazer tudo isso? Há uma tabelinha bem interessante aqui.

A presidente também espezinha as “economias avançadas”, afirmando que aumento de salários não substitui aumento de dívidas. Bastante curioso para quem se gaba de facilitar crédito, e para quem elogia um governo que deixou uma dívida de R$98,580 bilhões, comparada a R$56,082 de seu antecessor (quase duplicou). Que tal comparar o aumento do poder de consumo de sua gestão com a gestão passada, se é essa a lição que Dilma quer ensinar aos ensinadores? Basta lembrar do aumento da dívida interna, usado de maneira que deveria ser criminosa para vender a idéia falsa de que “quitamos a dívida externa”. Mas Dilma afirma que nosso modelo é “autoalimentável” e “focado no mercado interno”. Vamos perguntar pros chineses que compram nossa soja se a informação procede.

Há também o clichê de que mercados desregulamentados produzem instabilidade e desigualdade. O mercado financeiro é o mais regulamentado e estatizado de todos, estamos patinando nas últimas posições em liberdade econômica como todas as economias que estão precisando pedir dinheiro justamente para as mais liberais e, afinal, é preciso desconhecer bastante o sistema econômico para acreditar que a crise é culpa do capitalismo sem interferência do Estado – uma crise acontece quando gastamos mais do que arrecadamos, e qualquer empresa simplesmente vai à falência se assim atua – a não ser quando tem conchavo com o governo. Aí a conta é de todo mundo. Não parece ser o que está ocorrendo? E os próprios dados que comemora vieram atrelados à abertura do mercado. É difícil pescar uma contraditório?

O cuidado com as palavras é esmerado. Dilma comenta sobre “transferência governamental”. É um velho mito que precisa ruir: o governo não tem um centavo. O governo não transferiu nada do próprio bolso. Tudo o que o governo dá ele tira de alguém. Esse discurso costuma enganar muitos adolescentes que pensam em desigualdade e empresários que “visam o lucro”, e acreditam que monopólios do Estado na economia fazem com que políticos dêem dinheiro ao povo. É difícil imaginar o que são milhares de empregos públicos perto do que um simples banco ou empresa de telefonia consegue empregar – do zelador do prédio até o presidente, estariam todos desempregados, sem poder desfrutar da riqueza que só surge com a administração competente de todos organizados em uma empresa. É a sinergia do mercado. E só o maior banco da América Latina já tem como clientes exatamente o mesmo equivalente à população da Espanha que Dilma diz que seu governo tirou da pobreza. Será que são pessoas ainda abaixo da faixa da pobreza que fazem a máquina funcionar? E como ficam os primeiros empregos (não era nome de um falido programa estatal petista, aliás?) com telemarketing e derivados?

Não é senão a própria Dilma quem confirma:

Hoje o mercado do Brasil, em crescimento rápido, suporta o desenvolvimento autossustentável não só no Brasil, como em toda a nossa região.

O mercado, afinal, são as pessoas, não só as empresas. Não faz muito sentido trocá-lo por burocratas e acreditar que se conseguirá produzir riqueza que atingirá os pobres. Há conquistas sociais importantes a serem comemoradas, mas o auto-elogio de Dilma são apenas platitudes que não unem causa á conseqüência (pelo contrário, apenas joga ao ar premissas aleatórias sem algo que as una) bem afeito ao bom mocismo que domina o debate. Mas nada se sustenta a uma breve lufada de verdade.

Resta apelar para a evasão escolar (mais atenuada no governo tucano), igualdade sexual (como se Lady Gaga e a ondinha lésbica fosse obra do governo), o papel da mulher… mas quem disse que é a mulher que está galgando novos degraus? Basta observar os nomes das mulheres em sua gestão, a começar por ela própria: Dilma Rousseff, Gleisi Hoffmann, Ideli Salvatti… são sobrenomes facilmente encontráveis por aí? Também há uma grande predominância de sulistas. Será que há mais diferença entre uma mulher e um homem qualquer, ou entre um gaúcho cercado de colonização alemã e italiana e um paraense, sejam ambos homens ou mulheres? (vide o artigo Dilma e sua equipe ítalo-alemã, no Valor Econômico)

Dilma se aproveita de coincidências. Infelizmente, o que pode ser elogiado na gestão petista é derivado mesmo disso: ou alguém esquece do papel da internet nos últimos 10 anos, e atribui o quanto mudou nossas vidas ao PT? Por ora, prosseguimos com o mesmo: o PT fez coisas boas e novas – o problema é que as boas não foram novas, e as novas não foram boas.

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Ao invés de um broche “Fora FMI!”, ganhou apenas um adesivo numa manifestação em 99. Não será novamente enganado. No Twitter, @flaviomorgen

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25 Comentários

25 Comments

  1. Mauro

    21 de março de 2012 at 15:24

    Desculpe, Marco. É que alguns dos outros comentários me fizeram lembrar das palavras de ordem que cansamos de ouvir a por metade da década de 1990 (esqueci de alguma?), repetidas à exaustão pela mesma turma que hoje parece acreditar que o universo começou em 2003 (antes disso, só a terra informe e vazia, e trevas flutuando sobre a face do abismo).

    Recordar é viver!

  2. Marco

    20 de março de 2012 at 23:29

    Mauro,
    caso não tenha aprendido este mantra nas sessões de lavagem cerebral petista, imagino que conseguiria definir o termo “neoliberalismo” com mais clareza. Com as devidas fontes, por favor!

  3. Mauro

    17 de março de 2012 at 09:06

    PLANO REAL É ESTELIONATO ELEITORAL! CANSEI DE SER ENGANADO! FORA FHC! ABAIXO O NEOLIBERALISMO!

    PARECE PESADELO, MAS É REAL!

  4. Thiago

    13 de março de 2012 at 15:45

    “E pelo lado petista, o Palocci (responsável pelo governo Lula “abraçar” o modelo).”

    Que bondade trazer esse nobre fato ao nosso conhecimento!

    Não sabia que tinha sido o Palocci que conversou com os investidores estrangeiros e fizeram eles pararem de tirar os tão valorosos dólares do Brasil nas eleições de 2002, quando chegou a quase R$ 4 pelo risco Lula-PT!

    Mas fui ler essa reportagem da época…

    https://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u38332.shtml

    É, maldito PSDB! Sempre fazendo propaganda com a encomia! Nesse vídeo fica claro como o PSDB age!

    https://www.youtube.com/watch?v=ymtxOyD-TQU

    É, o PSDB não usou todos os recursos que o BC (como se o governo mandasse no BC, bem, talvez o PT mande atualmente né? mas deixemos isso de lado…) tinha em 2002 … Será que o BC/Ministério da Fazenda fazem tudo certinho desde 2008? Sempre vejo o Mante(i)ga falando que o governo tem uma carta na manga para realizar atos mágicos com a economia brasileira… Ah, já até sei qual vai ser a resposta! “Somos a 6ª economia do mundo!” … Com isso só me resta a acreditar em papai noel, coelhinho da pascoa e outras coisas legais…

  5. alexandre

    12 de março de 2012 at 21:25

    Sobre a origem do Real, vou citar algumas pessoas que acho que são um pouco “esquecidas” : Itamar Franco (foi o presidente da época e deu carta branca para os formuladores do plano), Lara Resende, Pérsio Arida e Armínio Fraga (responsável pelo tripé superávit primário-meta de inflação-câmbio flutuante após a crise de 99). E pelo lado petista, o Palocci (responsável pelo governo Lula “abraçar” o modelo).

    • flaviomorgen

      13 de março de 2012 at 15:25

      O curioso é precisar elencar alguém do PT pelo grande feito de… aceitar a realidade, ao invés de fazer birra.

  6. PEREIRA, POA/RS

    12 de março de 2012 at 13:10

    BUENAS !

    40 MILHÕES DE BRASILEIROS FORAM INCLUIDOS NA CLASSE MÉDIA … ACHO QUE ESTA FOI A MAIOR CONQUISTA DA ERA LULA-DILMA ! INFELIZMENTE, TAL “PROEZA” FOI ALCANÇADA PELA MELHORA VIRTUAL DA RENDA DAS FAMÍLIAS. NO PRIMEIRO MADATO DO Sr LULAMOLUSCO FORAM ALTERADOS OS CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DAS CATEGORIAS SOCIAIS BASEADAS N ARENDA. OS TAIS MILHÕES QUE SAIRAM DA POBREZA E NEM PERCEBERAM. RESUMINDO… QUALQUER FAMÍLIA (pai, mãe e 2 filhos) EM QUE OS ADULTOS RECEBAM 1 SALÁRIO MÍNIMO CADA, SERÁ ENQUADRADA COMO A NOVA CLASSE MÉDIA ! E ISTO É UMA PIADA APLICADA PELO GOVERNO E QUE A IMPRENSA DE MODO GERAL ACEITA E ACABA AJUDANDO A CONVENCER OS POBRES-COITADOS QUE SÃO OS “OS NOVOS RICOS” DA CLASSE MÉDIA. JÁ QUE 2 SALÁRIOS SÃO MAIS OU MENOS R$ 1.200 MENSAIS, DIGAMOS QUE ESTA FAMÍLIA GASTE R$ 600 COM ALIMENTAÇÃO: SOBRAM OUTROS R$ 600 PARA OS GASTOS COM EDUCAÇÃO, TRANSPORTE, VESTUÁRIO, LAZER, MORADIA E INVESTIMENTOS NA BOLSA DE VALORES, FÉRIAS NO NORDESTE E ASSIM VAI …

    REALMENTE, MERECEMOS ESTE GOVERNO QUE TEMOS…

    UM GRANDE ABRAÇO DE UM BRASILEIRO QUE AINDA INSISTE EM ACREDITAR NO FUTURO DA NAÇÃO !

  7. alexandre

    12 de março de 2012 at 07:46

    Flávio
    Não falei isso. E acredito que a melhora do nosso país começou após o Plano Real. E serei sincero : daqui a 50 anos, na economia e no social, os anos FHC e Lula será lembrado como se fosse um só período. Bem, isso se até lá não existir mais esse Fla x Flu entre PT e PSDB.

    • flaviomorgen

      12 de março de 2012 at 13:03

      alexandre, na verdade, mesmo no fim da ditadura os números já vinham diminuindo. E, de fato, ao menos na Economia, o continuísmo é tão claro que, se pedirmos para alguém apontar alguma diferença, vai engasgar feio. O problema é quem definir criou o modelo e quem o criticou, para depois segui-lo pari passu.

  8. Thiago

    12 de março de 2012 at 01:40

    “A pesquisa foi do centro de políticas sociais da fgv.”

    A FGV, que cobra pelos dados, fez essa pesquisa de graça?

    E outra, qualquer real a mais para quem ganha pouco, faz uma diferença enorme em %

    Vou citar um exemplo com números, talvez evite a necessidade de “desenhar”…

    Um pobre ganha R$ 300 por mês [isso para ser legal, pois pelo que me lembro, a miséria é na faixa do R$ 70 (é, sabia que era R$ 70 https://www.brasilsemmiseria.gov.br/conheca-o-plano/ )], mas voltando, ai ele ganha mais 30, ou seja, 10% … e o que ele faz para ganhar esses dinheiro a mais? Bem, de repente consegue isso ai com algum bico!

    Agora vamos ao caso dos ricos, um que ganhe, R$ 10.000 … o que ele tem que fazer para aumentar os mesmo 10%? Bem, vai ter que trabalhar bem mais que o pobre, afinal, para aumentar na mesma proporção é muito mais complexo quando se ganha mais!

    Olha que fui generoso com os números! https://noticias.r7.com/brasil/noticias/renda-dos-ricos-supera-a-dos-pobres-em-39-vezes-20111116.html

    E como pode ser visto na reportagem, dependendo de onde ocorra esse ganho, o percentual é muito maior, pois, novamente, qualquer real para quem ganha pouco faz uma enorme diferença!

  9. Thiago

    10 de março de 2012 at 20:37

    Tem uma entrevista com o FHC em um roda viva que ele aborda esse tema dos programas sociais e sua unificação, fica claro que a ideia de unificar tudo em um só programa foi do governo FHC, ao Lula só coube dar um nome para o “novo” programa.

    Poderia comentar várias coisas presentes no texto, mas a maioria já entende o texto e acabaria falando muito para “ninguém”, pois os esquerdistas já não vão concordar com o texto e muito menos com o que escreveria…

    E sofro do mal de ser “elite”, tenho um colega que adora falar que sou elite… eu não sei como sou elite, não consigo viajar nem para a Região dos Lagos aqui do Rio, muito menos para o exterior… Não consigo ter um aparelho de ar condicionado, não pelo valor do aparelho, mas pelo que pagaria de conta de luz! E tem vários outros fatores que poderia citar como exemplo … Mas até hoje eu não entendi o porquê dele me chamar de elite, mas vai entender o raciocínio de esquerdista…

    • flaviomorgen

      11 de março de 2012 at 22:37

      É a tática de gente lunática e policialesca: se o argumento é bom demais, o jeito é apenas dizer que quem concorda com ele, concorda com intenções ocultas de sociedades secretas e órgãos de controle poderosos. Curiosamente, nunca percebem que utilizar tal expediente é confirmar que esse controle verbal, afinal, funciona. (também não consigo nem pegar ônibus pra Guarulhos quando meu pagamento atrasa)

  10. José Marcos

    10 de março de 2012 at 12:35

    Como é bom ler um texto assim, que não deixa dúvidas no ar para dar ar de intelectual. É apenas muito bem escrito. O lado negativo, e ele sempre existe, é que se alguém acha que alguma criatura pertencente ao reino dos seres imperfeitos-mais-que-perfeitos do PT tem a mínima capacidade para ler (?) e entender (?) um texto como esse, pode tirar o cavalo da chuva. E não é a-toa, o “filósofo” Leonardo Boff tem um texto sobre a cultura da paz no qual ele deixa bem claro que bom mesmo era quando a sociedade era matriarcal … éramos nômades e fazíamos coco em pé. Essa é a Utopia dos ruminantes … O pior é que ,assim como Noan Tchomisky, quando precisa vai ao hospital mais próximo fazer uma tomo com puta sem o menor pudor. É nessa hora que não se pensa como era bom ser apenas um animal coletor… em cima de uma árvore … a fazer …

  11. alexandre

    9 de março de 2012 at 23:09

    Olhe que boa notícia. No globo de ontem(08/03) saiu uma reportagem dizendo que a desigualdade no Brasil é a menor desde os anos 60. A pesquisa foi do centro de políticas sociais da fgv. Nos últimos dez anos, a renda dos 50% mais pobres cresceu 68%, enquanto dos 10% mais ricos cresceu 10%. Enquanto nos países ricos, a desigualdade aumentou, no Brasil ocorreu o contrário.

    • flaviomorgen

      11 de março de 2012 at 23:41

      Aposto que se você pegar os dados antes da gestão petista, vai ser exatamente o oposto, não é?

  12. antipetralhas

    9 de março de 2012 at 21:48

    Prezado Flávio Morgenstern, só discordo desta sua frase: “O Bolsa Família causou o rompimento definitivo de Lula e Frei Betto – há explicação: unificava diversos programas geridos por Ruth Cardoso, os quais foram alvo de feroz crítica no período de oposição.”
    .
    Discordo porque o Frei Betto continua sendo um bajulador de Lula. Leia, p.ex., a matéria bajuladora “Lula, a voz do Brasil” (blergh!!!) , escrita pelo Frei Betto, publicada no site cubano Granma em 25/11/2011: https://www.granma.cu/portugues/nossa-america/25nov-lula.html

    • flaviomorgen

      9 de março de 2012 at 22:30

      É verdade. O rompimento foi governamental: Frei Betto era o grande articulador do Fome Zero (e considerado um gênio da causa dos pobres até hoje por isso). Saiu do governo, mandou cartas alertando Lula de que ele poderia ser uma nova decepção, um novo Lech Wałęsa. Mas, enfim, nunca foi tão fácil ganhar um Nobel da Paz…

  13. Another Byte on the Web

    9 de março de 2012 at 20:10

    Na minha opinião, um bom governo é aquele que opera na primeira ou na segunda derivada dos indicadores. Muita coisa na economia se dá por inércia, o que acaba mascarando muito do efeito dos governos anteriores no atual. Uma comparação entre Lula e FHC nesse sentido é uma puta falta de sacanagem.

  14. Lucas

    9 de março de 2012 at 14:58

    Olha, sinceramente acho seus comentários descabidos. Não sou Petista, longe disso. Também tenho pouco conhecimento, mas sua argumentação me parece por demais enviesada a criticar apenas pelo esporte o governo do PT. Mesmo sendo ignorante, tenho certeza de que o PT comete erros de Administração e deve sim ser culpado pelo papel mesquinho que desempenhou como oposição. Porém, esse tipo de ataque é só mais do mesmo. E esse mesmo é exatamente o que devemos combater de maneira a evoluir no sentido de uma governança transparente. Enquanto a oposição, ou mesmo os contrários aos governos, estiverem mergulhados em uma crítica rançosa, ressentida e que não se preocupa em contemplar cientificamente a realidade nacional estaremos condenados ao descaso e à corrupção, perpetuados pela hipocrisia do discurso.

    • flaviomorgen

      9 de março de 2012 at 17:47

      Tentei pinçar alguma crítica a algum ponto errado no texto e não consegui encontrar. Tampouco faço parte de um “governo de oposição”. Seria isso uma crítica igualmente por esporte? Assim não conseguiremos contemplar cientificamente a realidade nacional etc etc. :)

  15. Vítor Bonini

    9 de março de 2012 at 13:45

    Pois é . Enquanto isto , aqui no mundo real e longe das fantasias e maracutaias petistas , o país teve pelo 9º ano seguido , um PIB menor do que o PIB médio da América Latina , ou seja , desde o primeiro mandato de Lula , o Brasil não consegiu por uma vez sequer , crescer mais do que a média de crescimento dos paises latinos .
    PS : Para registro : Nos 8 anos do governo FHC , o Brasil teve um PIB maior do que a média latina , por 5 vezes .

  16. Conservatore

    9 de março de 2012 at 13:29

    O problema da esquerda, em relação à economia, é o “corte” dialético marxista, ou seja, tudo é divido entre explorador e explorados. Eu até concordo, em partes, só acrescentando que os exploradores são de esquerda, não o contrário.Os explorados continuam sendo os empresários não companheiros e os trabalhadores pagadores de impostos.Numa aula de Ciência Política, fomos “ensinados” que a culpa é do neo-liberalismo. A Europa foi usada como exemplo de políticas neo-liberais, um “retrocesso” nas conquistas dos trabalhadores.
    Todos os cortes no orçamento, em áreas de saúde, educação e segurança, são “impostas” pelo Banco Mundial e o FMI(se bem que eles têm “culpa” no cartório, mas, não por esse motivo).Mesmo sem ter um conhecimento adequado de economia(estou me desdobrando para chegar lá, todavia, tenho de buscar fora do curso), perguntei ao(a) professor(a), se quem está emprestando não têm o direito de exigir garantias?Sem resposta satisfatória, fui taxado de direitista(prefiro conservador), quando disse que Governo nenhum produz riquezas,tudo é arrecadado.Agora ,se o Governo não sabe administrar o que arrecada, precisando tomar empréstimo para cobrir os rombos, porquê culpar os outros?
    Tenho uma “tese” de que, se os impostos arrecadados, não fossem desviados para outros fins(“malfeito”), não haveria necessidade de tantos cortes, todavia, os “explorados” , neste caso, não teriam como praticar, mui sinceramente, os malfeitos, tudo em nome do social.
    PS.Detalhe, mesmo o IBGE insistindo em me classificar como classe média, continuo pobre,morando em periferia.

    • flaviomorgen

      9 de março de 2012 at 18:22

      Sofro do mesmo problema que você, acredite. O simples fato de alguém usar a palavra “neoliberal” mostra que não sabe do que está falando (o que é neoliberalismo? qual escola inventou isso? quem são seus teóricos? isso tudo não existe). E reclamar do que pedem o FMI e o Banco Mundial é reclamar de alguém pedir para você gastar menos do que arrecada. Fundos funcionam como bancos: não dão dinheiro para quem vive no vermelho sem condição de pagar de volta com os juros que fazem bancos existirem. Eles querem, ora, que você enriqueça para ter o dinheiro de volta! Só comunista pensa o contrário (e só argumenta dando risadinha nervosa).

      Claro que é fácil colocar alguém na classe média: basta dar um telefone e um computador para ele e voilà. O resto do trabalho a internet faz. Mas aí, basta obrigá-los a pagar por serviços ruins que não usam com impostos, enriquecer bastante os governantes e pouco os pobres e achar que está fazendo um trabalho excelente…

  17. Caps

    9 de março de 2012 at 00:51

    Esqueceu de falar do boom das commodities! E da queda do dólar em relação a quase todas as moedas do mundo, o que permite que países bananeiros como o nosso (e certos vizinhos…) possam torrar tudo em consumo, em vez de aproveitar o verão para melhorar a infraestrutura, aumentar a poupança e o investimento, que é o que realmente conta no longo prazo, em vez de subsidiar crédito e mais consumo, porca miséria! (teve um país que fez isso e se deu mal…) Por ora, temos que aturar o canto das cigarras!

    Outra coisita: esses índices de pobreza da FGV são uma fraude! Eles usam valores dolarizados e ridiculamente baixos. Quer dizer, o povo continua morando na mesma favela de sempre… mas, em dólar, saíram da pobreza. Mérito da “impressora” do FED. Por que Alan Greenspan não fez isso em 95?

  18. Rodolfo

    8 de março de 2012 at 23:04

    Engraçado este número dos brasileiros tirados da pobreza. Eram 15 milhões, depois passou pra 20 milhões, chegou a 30 milhões e agora os caras já falam em 40 milhões. As pesquisas recentes da ONU e do IBGE mostraram que o número é bem menor, perto dos 15 milhões falados inicialmente.

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