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O preço do Playstation, a desigualdade social e os pobres

Eternamente baseada em Marx, a esquerda crê que a desigualdade social explica o preço do Playstation. A verdade é simplesmente o oposto: o preço do Playstation explica a desigualdade social.

PlayStation4

O maior economista da história da humanidade, Ludwig von Mises, explicou em uma frase como a mentalidade dos planejadores sociais inverte toda a realidade: “Não é porque existem destilarias que as pessoas bebem whisky; é porque as pessoas bebem whisky que existem destilarias.”

Da mesma maneira, Leonardo Rossatto postou recentemente que a desigualdade social explicaria o preço anunciado do futuro Playstation 4 no Brasil, orçado em R$ 4 mil.

Ora, basta perguntar a qualquer pessoa que não tem dinheiro para comprar o Playstation 4 e gostaria de poder comprá-lo. Não é a desigualdade social que explica o preço do Playstation, é o preço do Playstation que explica a desigualdade social. Afinal, só existe desigualdade porque alguns querem ter coisas e não podem, enquanto outros podem. Parece muito complicado, difícil e pós-doc?

ps gameA tese de Rossatto é baseada (óbvio) em Karl Marx, o único pensador que qualquer universitário brasileiro conhece, e que serve para explicar tudo, desde preço de videogame até unha encravada. São poucos os universitários que escapam da gaiolinha de conceitos do velho barbudo alemão (exploração, mais-valia, desigualdade, luta de classes… ou mesmo simplesmente classes), mesmo negando que se baseia no professor do totalitarismo comunista a todo custo (ops). Obviamente que criticar o fato de Karl Marx ser usado tão totalitariamente na academia, na mídia, na internet e onde mais for é coisa de quem vê comunistas embaixo da cama.

Segundo essa “idéia”, o preço dos produtos é calculado com base nos custos de produção (matéria-prima + salário da força produtiva, ou seja, do proletariado), e todo o restante são lucros que ficam para os donos das empresas. O preço do Playstation 4 no Brasil, que pagaria quase 5 videogames na América, não poderia ser explicado pela altíssima carga tributária brasileira: o escorchante preço seria devido apenas à malevolente ganância da Sony, que quer lucrar no Brasil o que estranhamente não quis no resto do mundo (aliás, onde ela mais vende e lucra é, naturalmente, no resto do mundo). Rossatto tira dados de sua própria caçuleta para inferir:

“E daí constatamos que os R$ 2.300,00 adicionais que a Sony vai cobrar no console são APENAS lucro adicional.”

Stephen Kanitz, ainda em 2003, fez um questionamento curioso sobre esta visão:

Qual é a porcentagem de lucro embutida em tudo o que você compra no Brasil? (Dica: entre 1% e 50%.) Se um produto custa, digamos, 100 reais, quantos reais correspondem ao lucro da empresa que produziu o que você queria e quanto é o custo efetivo do produto? Qual, em sua opinião, é o nível de “espoliação” capitalista, tão enfatizada pelos nossos intelectuais? (…)

Numa pesquisa que realizei anos atrás, 200 operários de fábrica e donas-de-casa achavam que o lucro do patrão era de 49%, quase a metade do preço do produto. (…)

A maioria de nossos jovens estudantes não lê os balanços das companhias publicados nos jornais, prefere acreditar no que os outros dizem. Se tivessem um pouco mais de senso crítico e de observação, descobririam que a realidade é bem diferente. O lucro médio das 500 maiores empresas do país nos últimos dez anos foi de 2,3% sobre as receitas, segundo a última edição de Melhores e Maiores, da revista Exame.

Ou seja, a ganância desenfreada por lucros de que fala Rossatto, tão lindamente descrita na teoria da luta de classes, corresponde a uma média de 2,3% na prática. Claro, isso significa que alguns segmentos ficam um pouco acima disso (a indústria automobilística, por exemplo), e alguns ficam bem abaixo (acredite, um hipermercado multimilionário muitas vezes lucra exploradores 1 centavo sobre cada batatinha que venda).

ps_Gran_Turismo_5Rossatto culpa, então, outro conceito marxistíssimo até o último furúnculo: o “fetichismo de mercadoria”, afirmando que a alta elite brasileira, que tem tanto dinheiro que deve assoar nariz com nota de R$ 100, gosta de pagar caro (sic), assim, por puro prazer de dizer “eu posso, você não pode” (sem brincadeira, é isso que chamam de análise de preço em faculdades e blogs por aí, cada vez mais indiscerníveis uns dos outros).

Ou seja, existem milionários malévolos que pagam caros em produtos como o Playstation 4 tão somente para mostrar que podem, e pobres famélicos coitados. Só estes dois. Lembrando até de um trecho do excelente e profético romance Plataforma, de Michel Houellebecq,

“Segundo o modelo de Marshall, o comprador é um indivíduo que procura maximizar a sua satisfação em relação ao preço; o modelo de Veblen, ao contrário, analisa a influência do grupo no processo da compra (avaliando se o indivíduo deseja se identificar com ele ou então afastar-se). O modelo de Copeland demonstra que o processo de compra é diferente segundo a categoria produto/serviço (compra habitual, compra refletida, compra especializada); já o modelo Baudrillard-Becker considera que consumir é também produzir signos.”

Esta visão seria uma espécie de modelo de Veblen radicalissimo, em que qualquer compra, de uma universal caneta Bic até um videogame desejável também universalmente, são medidos apenas por um único grupo específico: a sua faixa salarial, como se cada pessoa que estivesse interessada em diversão se preocupasse em saber se vai se identificar ou não com outros de contracheque parecido. Como se a diferença entre um Porsche e uma Brasília fosse tão somente a “diferenciação”.

 Todo o comércio (as trocas entre seres humanos que não passam pelo aval e planejamento de políticos) são avaliadas moralmente, num moralismo onipresente que sempre te culpa pelo que você pode fazer, ainda que não faça. O pecado original econômico. E, claro, sempre desculpando-se o quanto o Estado toma à força do indivíduo a cada vez que deseja algo, e oferece alguma coisa em troca desse algo a quem o possui (como nós, oferecendo uma fatia do nosso salário, ou no caso brasileiro, nosso salário e mais um pouco, por um videogame).

O Estado está sempre desculpado, pois é visto como uma espécie de “serviço social” – assim, pode cobrar boa parte do dinheiro em uma troca comercial, encarecendo-a horrendamente, mas por uma “boa causa”. A carga tributária é sempre o menor dos males, de acordo com essa mentalidade. Só de passagem, vale lembrar que 52% do preço do produto são… impostos. Mas a margem de lucro “três vezes maior do que no resto do mundo” de 2,3% é que é culpada. Kanitz de novo:

Tirar 52% do consumidor como imposto para devolver muito pouco à sociedade é considerado justo, mas tirar 2,3% para oferecer o produto que você está comprando é um crime social a ser eliminado. Percebam a crise política que nos espera nos próximos anos, porque a maioria da população não sabe nada disso. (o artigo é de 2003)

Ora, se o lucro que as empresas de certos nichos têm no Brasil é maior do que no resto do mundo, quantas vezes maior é nossa carga tributária, noves fora regulações imbecis, corrupção etc?

Como a conta não fecha (e Marx, não sei se vocês repararam do lado de lá da Cortina de Ferro, está sempre errado), resta então culpar a “classe média” (sempre ela): o Playstation seria um bem de consumo supérfluo, por ser um videogame. Assim, consumidores “fanáticos” pagariam qualquer preço pelo videogame, assim como a Apple faz. A Sony estaria então com pouco trabalho, podendo vender menos videogames e lucrar o mesmo.

Como se uma empresa preferisse vender eternamente para uns poucos que podem comprar, ao invés de vender para muitos outros que, com uma pequena economia, poderiam comprar. Como se empresas, afinal, fossem tão estúpidas quanto o Estado.

Como se não bastasse, essa visão ainda carrega um preconceito violentíssimo de quem vê pobre de longe, ou só no programa da Regina Casé, bem enjaulados e com desdentados sorrisos obedientes de quem não sabe bem o que está acontecendo a seu redor. De quem vê pobres como golfinhos.

O preço do Playstation não é culpa da desigualdade – a desigualdade é culpa do preço do Playstation. Afinal, pobre quer comprar um Playstation 4 (pergunte a qualquer menino da periferia, se algum dia você pisar por aquelas bandas). E a Sony está desesperada para oferecer um produto que possa ser comprado por cada guri numa periferia brasileira (já imaginou o lucro que ela teria? já imaginou qual seria seu principal objetivo caso fosse diretor de vendas da companhia?).

ps4 openingDane-se que é um bem supérfluo. Se você quer que os pobres melhorem de vida, parem de lhes dar subsistência mais primitiva, quase animalesca, e lhes ofereçam o que pobre mais quer: bens que vão além da mera necessidade de arroz com um pouquinho de feijão e um barraco treme-treme. Para pobre enriquecer, ele precisa ter em casa geladeira, sofá de veludo, papel higiênico macio (ele sozinho explica porque as teorias econômicas “sociais” nunca dão certo), home theater, videogame última geração e, quem sabe, livros (quer um produto mais “supérfluo” do que esse?).

Adivinhe o que acontece com pobres quando tentam poder consumir mais – ou seja, serem menos pobres? Fatalmente, passam a querer produtos taxados demais em nome da “diminuição da desigualdade social”, e percebem que precisam trabalhar 3 anos de sua vida para poder comprar um videogame, blu-ray ou comprar um carro. O Estado, e a visão “social” de pessoas de esquerda, encarece produtos para manter a máquina estatal funcionando, e quem não pode pagar por elas e nunca poderá enriquecer são, justamente, os pobres.

Nada é mais inimigo de um pobre do que alguém de esquerda, ou alguma visão planejadora “social”.

A visão intervencionista, ou seja, de planejadores centralizados, centraliza o poder em suas mãos em nome de “boas intenções sociais”. A esquerda, que só conhece a chave da “desigualdade social” para explicar a realidade, só consegue enxergar estatísticas, e tenta corrigir tudo em nome de estatísticas toscas como “igualdade de resultado”, não importando o quanto cada um trabalhe e estude diferentemente.

Voltando ao whisky e as destilarias, é o mesmo erro recente de feministas reclamando de que existem brinquedos “de meninos” e “de meninas”, acreditando que algum planejador social malévolo assim concebeu. É o mal de planejadores sociais: quando o projeto falha, ou quando encaram a realidade e percebem que ela não se encaixa dentro do seu tubo de ensaio, crêem que é culpa de um planejador social malévolo rival, e não de as coisas não serem como eles pretendem. A bem da verdade, até acertam: algum planejador resolveu entupir o Estado de impostos para diminuir a desigualdade, e criou exatamente isso que eles vêem.

Bastaria perceber o óbvio que qualquer um vê, se não tiver entupido de Marx até os furúnculos: pagar por um videogame seria fácil para as classes baixas brasileiras, como o é para as “classes baixas” em qualquer país de economia livre. Porém, pagar um videogame e mais toda uma máquina estatal “lutando pelo nosso bem” (afinal, nada mais confiável do que políticos pegando o nosso dinheiro e gastando em projetos que nunca usaremos e nem sabemos que existem) já fica mais difícil para um pobre pagar. O resultado: um videogame que custa R$ 4 mil.

Claro, a outra opção é sempre pensar que a Sony escolheu por coincidência o Brasil e a Argentina para lucrar explorando o “fetiche de mercadoria”, que misteriosamente não existe na América, na Dinamarca, na Suíça, em Hong Kong, no Singapura…

Kratos-Horse-god-of-war

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49 Comentários

49 Comments

  1. Edmar

    23 de outubro de 2013 at 17:42

    Flavio

    nao li todos os posts, então nao sei se foi comentado: uma coisa que aumenta preço e desestimula investimentos, alem da insegurança juridica que o governo oferece (sim ,ainda oferece!), impostos e etc, tem que se computar o custo da segurança. O número de roubos de cargas referentes a equipamentos tecnologicos é expressivo (recentemente roubaram uma carga da Macintosh que havia acabado de sair de um aeroporto).
    Então, “precifica” isso tbem, e vemos outra “colaboração” de nosso Estado: leis frouxas, judiciario mole e lerdissimo e ideologizado!

    • Flávio Morgenstern

      24 de outubro de 2013 at 18:01

      Muito bem lembrado, Edmar.

  2. Eduardo

    22 de outubro de 2013 at 23:21

    Muito bla bla bla retorico. Nao sou economista portanto explica para um leigo o seguinte. Quanto custa a producao do video game + carga de impostos + atravessadores, + margem de lucro?

  3. clayton

    22 de outubro de 2013 at 21:36

    Existem coisas que só muito dinheiro compra… para todas as outras existe o Steam!
    (não resisti, hehe)
    Enfim, temos mais é que expor a hipocrisia das pessoas que só sabem chorar as pitangas pra esse estado babá fascista… se bobear eles baixam um decreto para derrubar o preço na marra, e aí é que a sony puxa o carro de vez!
    Perfeito texto, parabens!

  4. Carvalho

    21 de outubro de 2013 at 22:47

    Trabalhei por muitos anos com importação de produtos supérfluos, não eletrônicos, mas com impostos parecidos.

    No mercado que atuei a América Latina inteira representa menos de 2% do mundo para as marcas. O Brasil não chega a 0,5% do mercado. Deve ser parecido para os consoles.

    Mesmo assim há marcas que por razões diversas e em momentos diferentes investem muito no Brasil, baixam bastante suas margens de lucro e subsidiam a operação por anos a fio. Em geral para perder uma montanha de dinheiro após esses anos todos.

    Às vezes é um executivo gringo que gosta do Brasil e convence a empresa a investir aqui. Outras vezes pegam uma parcela do lucro de outros mercados e jogam aqui por alguns anos como investimento, meio que a fundo perdido. Também tem casos em que se investe aqui sabendo que os brasileiros compram muito no exterior, e só compram o que já conhecem no mercado brasileiro.

    São vários fatores mas não muda o fato de que com os impostos altos + custos de logística + dificuldades de operação do Brasil trabalhar com importado aqui é um desafio e tanto. Eu mesmo já estou mudando de mercado pois já deu…chega de lutar como louco e ver somente o governo ganhar dinheiro….

    • Eduardo

      23 de outubro de 2013 at 23:33

      Eu sei, nao entendo mesmo … Muita teoria, muito bla bla bla. Quero ver e a conta. Um treco custa 900 + 100% de imposto, vai pra 1800 reais. Se colocar uma margem de lucro de mais 100% vai pra 3.600. E ainda estao cobrando mais 300 reais em cima da conta toda. O que eu peço é simples: me mostra a coisa nos numeros, pois estes nao tem retorica economistica embutida.

      • Flávio Morgenstern

        24 de outubro de 2013 at 18:02

        Vocês ainda calculam preço igual Marx faz? Matéria-prima + imposto + lucro? Não vão vencer na vida assim.

  5. Lucas Oliveira

    21 de outubro de 2013 at 20:55

    Correção: *CUSTO de produção

  6. Lucas Oliveira

    21 de outubro de 2013 at 20:53

    Preço: 4 mil reais
    Preço de produção: R$ 858
    Lucros repartidos entre varejistas e Sony: R$ 875
    Impostos: R$ 2.524
    +6,5% de desconto no preço final arcado pela Sony para diminuir o preço do console.

    “Eu poderia dizer que a Sony não está ganhando nenhum centavo. Na verdade, estamos perdendo. Tudo isso é imposto em cascata, imposto sobre imposto. Esse é o maior problema do nosso país” – Anderson Gracias, gerente da Sony/Playstation no Brasil.

    https://g1.globo.com/tecnologia/games/noticia/2013/10/sony-diz-que-perde-dinheiro-com-venda-de-playstation-4-r-4-mil.html

    Agora me respondam: que empresa prefere PERDER dinheiro com esse preço absurdo que ninguém vai comprar só para manter o “status” do produto? Pela Sony a favela inteira tinha PS4.

  7. Ricardo

    21 de outubro de 2013 at 19:50

    Pessoal, acho que logo + está na hora de ir pra fila! Ja perderam muito tempo tentando explicar!

  8. Um leitor

    21 de outubro de 2013 at 19:22

    Flávio, excelente artigo como sempre. Admiro seu esforço. Por aqui, abro o Facebook e vem aquela chuva de links do Sakamoto, Lola Aronovich, Eli Vieira etc. e vejo como deve ser difícil tentar ir contra a corrente. Sendo aluno da USP, sei como o ambiente é hostil a qualquer argumento contramajoritário. Como tentar argumentar logicamente com pessoas que pensam de verdade que, sei lá, “não há capitalismo sem machismo e racismo” (frase que vi alguém proferir na minha timeline do Facebook ontem)!? Enfim, parabéns pelo trabalho. Abs

    • Flávio Morgenstern

      22 de outubro de 2013 at 09:43

      Acho que todo mundo que resolveu pensar de verdade foi contra a corrente. As pessoas só se escondem em grupos (ex.: “não é feminista, então nem leio”), basta saber que você vai perder amigos e continuar pensando com a própria cabeça. :)

      • Arthur

        22 de outubro de 2013 at 12:14

        Vou aproveitar aqui essa conversa para, além de elogiar o Flávio pelo excelente texto (o que cada vez mais se torna desnecessário: Morgenstern™ já virou sinônimo de texto bão! hehehe), fazer um desabafo parecido com o do “Um Leitor”.
        Eu vivo uma vida de “direitista” de armário. Por quê?
        – Por ter empregos (tradutor e músico) que dependem de contatos do meio, majoritariamente de esquerda, e já ter perdido contatos valiosos tentando expor opniões “neoliberais” ou “neoconservadoras”.
        – Por saber que vou ser taxado de “insensível”, “cruel”, “fascista”, “viúva da ditadura” por pessoas por quem tenho apreço, mas que não têm mais nenhuma capacidade de compreensão textual fora dos blocos, e que antes de eu ter a chance de expor meus motivos já vão ter me isolado em um grupo mental ao lado de Hitler ou similares. E outros motivos semelhantes.

        Dói fisicamente ver vários amigos e colegas pedindo por mais governo, mais impunidade, mais fascismo, e chamando de fascista quem repudia tudo isso.
        Mas me dói mais a sensação diuturna de covardia. De que estou sendo omisso em meu papel. Então tenho estudado. Muito. Lido coisas recomendadas pelo Flávio (lendo e amanda Rebelião das Massas no momento), do Olavo, do Reinaldo, do Constantino. Tudo pra tentar criar coragem e ter no mínimo a certeza de que se tentar me expor a isso, pelo menos estarei muito bem preparado para me defender e defender minhas ideias.
        Neste exato momento, uma amiga que toca comigo em uma banda está protestando e defendendo a invasão ao Instituto Royal, e clamando que eu a apoie, possivelmente até vá ao local protestar. E não sei como responder. Medo de perder a amizade, a banda.

        Esse comentário-desabafo não é uma busca por comiseração, ou algo que o valha. É só algo que eu precisava tirar do peito. Tinha pensado em enviá-lo à Coluna do Leitor da Reaçonaria, mas não achei que tivesse importância suficiente. Então segue aqui mesmo, e espero que o Flávio não se importe de eu usar este espaço.

      • Flávio Morgenstern

        22 de outubro de 2013 at 17:32

        Arthur, não fosse por comentários como esse e tentar escrever quilômetros de texto pra internet, muitas vezes só pra perder tempo, não valeria a pena. Obrigado! Ainda penso em escrever um artigo explicando por que todo mundo de Letras é de esquerda (sobretudo professores), mas a maioria dos tradutores que conheço não só não é de esquerda, como é da direita mais conservadora mesmo. É o mal de ter uma empresa, de ver como é tentar simplesmente trabalhar por conta com o governo tomando tudo para ele supostamente “dar” para quem se esforça menos do que você e por aí vai. Mas fico feliz com o respaldo. :)

      • Arthur

        22 de outubro de 2013 at 19:03

        Caraca, você conhece tradutores de direita?! Tirando você e outros na internet, que infelizmente não conheço pessoalmente, acho que só conheci uma na vida. Meu sonho é conhecer mais. Não quer me apresentar uns? hehehe
        Acho que é o preço de eu não trabalhar exclusivamente como freelancer, mas também dentro de uma empresa de tradução (que paga a gente como freelancer e tem me ajudado e escapar bastante de governo me tungando). Eu que agradeço por não só escrever seus textos, mas ainda deixar eu usar este espaço para um desabafo.

        Como me falei, as vezes me sinto covarde de não defender veementemente a abertamente minhas posições. Por outro lado, sinto que ainda não tenho a carga intelectual pra vencer em debates cheios de falácias e apelos emocionais vindos do outro lado. E nesse ponto o Olavo e o Luciano Ayan vem me ajudando demais, mas ainda acho que vai levar um tempo para que eu me sinta a vontade para me arriscar abertamente. Mas ao menos sigo tentando converter uns poucos próximos de mim que sei que têm a cabeça mais aberta, e que pelo menos vão me ouvir até o fim sem xingar.

        Obrigado!

      • Flávio Morgenstern

        23 de outubro de 2013 at 10:37

        Arthur, há uns 5 anos, quando estava firme nessa área, era a maioria do ramo. Lembro que na comunidade Tradutores do orkut (uma das melhores comunidades daquele negócio, parecia ser um site inteiro bem sério) o pessoal não caía nessa conversa mole de esquerdista.

        Mas fico mesmo honrado com seu comentário. De fato, precisamos formar os intelectuais, porque já ganhamos em qualidade cultural de lavada, falta só ganhar espaço (da hegemonia esquerdista que vive achando que há muito conservadorismo num país sem nenhum). Abraço!

  9. Vics

    21 de outubro de 2013 at 19:05

    em vez de chorar quanto lucro a Sony vai ter no PS4, economize e compre o Sistema melhor Xbox One. Vai lancar em Novembro por R$2200 e tem jogos melhores e integracao com TV via HDMI.

  10. Diego

    21 de outubro de 2013 at 17:30

    Flávio, concordo com tudo com o que você escreveu no post. Porém, imagino que nesse caso específico do PS4, há outros fatores mercadológicos envolvidos.
    Tudo o que escreverei a partir daqui é palpite meu:
    A Sony irá realizar em novembro o lançamento mundial do PS4, e o Brasil está entre os países que o receberão.
    Mas a demanda mundial deve superar a oferta nos primeiros meses. Ou seja, vai faltar PS4. O mesmo que ocorre com os iPhones, mas no caso deles a Apple prioriza os países mais estratégicos pra ela, deixando os menos interessantes pra depois e o Brasil pra quando quiser fazer caridade.
    O PlayStation vai desembarcar por aqui no lançamento, mas a Sony não deve querer mandar pra cá consoles que poderia estar vendendo na América do Norte, Europa e Ásia. Portanto, ou deixa faltar ou então reprime a demanda – aumentando o preço.
    Se esse preço se manter até as festas de fim de ano, e baixar joseliticamente em janeiro, é sinal que essa foi a estratégia adotada.

  11. danir

    21 de outubro de 2013 at 14:38

    Aproveito para colocar duas máximas que ouvi e penso que têm a ver com este assunto. ¹Não diga que não tem tempo; tempo é uma prioridade que você define. ²Gosto não tem preço, é um valor cujo limite você define. Saudações

  12. Leonardo Rossatto

    21 de outubro de 2013 at 15:34

    Boa tarde, Flávio,

    Como você deve imaginar, eu sou o autor do texto e não vim aqui te criticar não. Seu texto está muito bem escrito e fundamentado dentro dos princípios liberais, especialmente da Escola Austríaca de Von Mises, citado no texto.

    Na real, o que eu quis dizer no texto (e os cálculos originais obviamente foram feitos por aproximação) é que a nossa desigualdade social sistêmica ajuda a explicar. Nem de longe é o único motivo. Eu não isento de culpa a política tributária do governo, altamente protecionista no caso brasileiro. Só não acho que é o único fator que explica o preço final.

    Obviamente não sou ideólogo da doutrina liberal como você e não concordo com alguns pressupostos da doutrina. Mas é óbvio que você realmente entende do assunto e, de fato, culpar a intervenção governamental em aberrações como o preço do PS4 também faz todo o sentido. Não dá pra isentar o governo de sua parcela de culpa.

    Por fim, ontem mesmo, após receber algumas outras críticas com o mesmo suporte ideológico da sua, acabei escrevendo outro texto complementando o raciocínio (e juro que não usei só Marx, aliás a noção de fetiche da mercadoria serve muito mais ao capitalismo que ao socialismo – e essa é outra história). Acho que responde algumas questões que você colocou aqui:

    https://leorossatto.wordpress.com/2013/10/20/o-videogame-a-desigualdade-o-fetiche-e-a-teoria-que-explica-o-brasil/

    • Flávio Morgenstern

      21 de outubro de 2013 at 16:50

      Boa tarde, Leonardo, obrigado por sua mensagem aqui.

      Creio que você fez uma leitura que já reconheceu nesse segundo texto: tentou explicar coisas demais com um fator apenas. Óbvio que empresas podem chutar o balde quando têm um público que vai pagar obrigatoriamente (uma rodoviária cobrando R$ 10 pra você usar o banheiro é o exemplo mais óbvio, e nosso setor turístico faz isso loucamente, sabendo que os aviões e hotéis estarão lotados, ainda mais com a Copa, de qualquer jeito). O problema é que isso não se aplica a um produto como o Playstation. Imagine, vender PS4 mais caro pra menos gente significa menos gente comprando cada um dos jogos; acha mesmo que a Sony seria trouxa de fazer isso? Só isso mostraria que sua explicação não só falhou por analisar apenas um pedaço da realidade: esse pedaço fez com que a avaliação inteira estivesse errada.

      Aqui nos comentários há muito sobre o preço do XBox, o valor de risco, o quanto é difícil lançar um produto no Brasil, o custo de oportunidade, o lançamento de produtos em prejuízo (sabe que todas as operadoras de telefonia ficaram em prejuízo por pelo menos 5 anos?) etc. Recomendo que dê uma olhada.

      Uma coisa que devo dizer que considero EXTREMAMENTE CONDENÁVEL (assim, em caixa alta) é mesmo usar Marx para qualquer explicação sobre preço. Não foram só liberais que o esmerilharam, até sociais-democratas o fizeram (mal). Recomendo que pesquise rapidamente na internet sobre marginalismo, ou o problema do cálculo econômico (a Escola Austríaca é muito xingada, mas sempre que se lê, passa-se a defendê-la) e entenderá o caso. Sugiro sobretudo esse artigo de Thomas Sowell, o melhor economista vivo (já disse que quem refutar apenas essa página vai me transformar num esquerdista no ato):
      https://townhall.com/columnists/thomassowell/2010/06/01/the_real_public_service/page/full

      Não entendi bem o que você quis dizer afirmando que se “as pessoas tivessem boa índole, eu seria o primeiro sujeito a apoiar o livre mercado”. O livre mercado não depende de boa índole, e condena posturas injustas, afinal. Não é preciso ser santo para ele funcionar (na verdade, se assim o fosse, nem precisaríamos defini-lo e defendê-lo, ele aconteceria sozinho). O Brasil tampouco é “explicado” pelo livre mercado: o livre mercado NUNCA existiu aqui, apenas vemos o que aconteceu com outros países e tentamos trazer para cá. Vide: https://www.ordemlivre.org/2012/01/as-algemas-economicas-do-brasil/

      Talvez você queira responder com a passagem “Mas como confiar no empresariado brasileiro, que historicamente é um dos mais dependentes do setor público?” – mas note bem, o empresariado brasileiro odeia livre mercado (não é só porque você é do mercado que você está no livre mercado). Veja que empresário quer contrato com governo, não lutar sozinho no mercado sem conchavo. Quem faz isso é o tio da quitanda, não o Eike Batista.

      O risco de usar Marx para alguma coisa é entupir a linguagem com cacoetes que nem se percebe que é dele. Como por exemplo quando você afirma “Quando [empresários] vão investir em alguma coisa que envolve risco, investem em ações, e não no setor produtivo”. Ora, usar “classe produtiva” ou “setor” é o pensamento “classista” de Marx em ação. Não existe ação que não vá pra “setor produtivo” (do contrário, naufragam como as do Eike). Ação é justamente dar dinheiro para quem produz. Sobre isso, recomendo este outro artigo:
      https://www.ordemlivre.org/2012/08/uma-unica-licao-de-economia/

      Aliás, foi relançado pela Vide Editorial agora o livro “A Mentalidade Anticapitalista”, de Ludwig von Mises, com prefácio meu (que é quase uma complementação desse último artigo), recomendo fortemente a leitura, para se entender como essa mentalidade opera sem que o percebamos.

      O livre mercado não tornaria tudo lindo sempre que surgisse um problema. Ele só é mais eficiente do que o monopólio estatal, sua máquina pública, agências de intervenção, planos diretores e afins. Simplesmente por não ser apenas uma idéia, e sim várias. Tente imaginar como será a Correiobras resolvendo nossas panes no e-mail, ao invés de correr para serviços concorrentes que faturam muito oferecendo um produto tão barato que é DE GRAÇA para o consumidor, como é no mercado sem o agente estatal pegando algo pra si.

      Acho seu discurso final bonito, mas pouco prático. Primeiro, porque como você verá num dos artigos acima, é um mito acreditar que a Escandinávia funciona por bom mocismo, e que lá o mercado é domado. Pelo contrário, ela tem mais liberdade econômica do que muito paraíso fiscal.

      Segundo, porque concorrência entre empresas é benéfica, sim. Não quero ambas trocando favores entre si, quero que elas lutem para oferecer o melhor serviço pra mim. Imagine se todos os navegadores trocassem favores, se teríamos saído do Internet Explorer 6? Só o fato de eu ter várias opções a escolher, mesmo antes de escolher, já é uma vantagem a mim.

      No mais, obrigado pelo comentário e espero ter também te dado algumas coisas para pensar nessa tertúlia. :)

      • Leonardo Rossatto

        23 de outubro de 2013 at 11:39

        Bom dia, Flávio.

        Agradeço pelo comentário. Confesso que não conhecia bem o trabalho de Thomas Sowell. É o tipo do autor que eu ouvia falar e pensava “preciso ler um dia”, mas nunca li. Como o site dele é mais de colunas, preciso inclusive consultar os trabalhos acadêmicos do autor na área de economia. Mas lendo alguns dos textos do site, as ideias dele me lembram bastante do Ron Paul, o que é positivo.

        Não discordo que “a primeira lei da economia seja a pobreza”, que o “estado natural” seja esse. Mas não consigo considerar a pobreza algo correto ou relativizável. O fato da humanidade ter alcançado um desenvolvimento técnico absurdo, que possibilitou proezas inimagináveis há menos de um século, sem ter resolvido o problema da fome não denota apenas o nosso fracasso social: denota o nosso fracasso como espécie mesmo. Somos provavelmente a única espécie na natureza que deixa parte do bando definhar e morrer de fome tendo condições para evitar isso.

        Não acho que o discurso do livre mercado (que é obviamente diferente do capitalismo de estado oligárquico e protecionista que o Brasil sempre viveu) está errado. Existem milhares de pesquisa provando que a liberdade econômica é fundamental para o desenvolvimento dos países. Só acho que ela é insuficiente. E, para tentar explicar isso, recorro a um autor que provavelmente os liberais não gostam, por ter a pecha (que pessoalmente acho injusta, no caso dele) de Keynesiano: Amartya Sen.

        O que me traz mais identificação na obra de Amartya Sen é a percepção de que o nosso objetivo como espécie é o aproveitamento pleno das nossas capacidades pela maximização de todas as dimensões da liberdade, não apenas a econômica. Sen diz que a liberdade política e a satisfação das necessidades sociais também são dimensões igualmente importantes, bem como a transparência governamental e a segurança, como mecanismo de proteção dos cidadãos. A grande questão é justamente essa: na prática, a limitação do livre mercado é na satisfação das necessidades mínimas de uma parcela específica da população que está marginalizada das relações de mercado. Não consigo concordar em não fazermos nada para reverter essa situação “natural” de pobreza que invariavelmente vai atingir uma parcela relevante da população no livre mercado, e o Estado deve ter como propósito justamente a maximização das capacidades dessas pessoas em situação de vulnerabilidade, eliminando as privações de liberdade dessas pessoas para a vida em sociedade.

        Daí eu volto ao exemplo da Escandinávia. É inegável que os países escandinavos estão entre os mais próximos do livre mercado, mas também é inegável que os governos contam com um sistema de proteção social capaz de lidar com essas “privações de liberdade” e de fazer as pessoas aproveitarem o máximo de suas capacidades.

        Eu acho que devemos concentrar nosso foco na eliminação dessas privações de liberdade, ainda que o estado “natural” da humanidade seja o de pobreza. A pobreza é uma privação de liberdade, assim como a opressão do Estado, a recusa à participação política, a organização do Estado em caixas-pretas pouco transparentes e insuladas, ou a subversão do princípio da segurança que ocorre quando sofremos violência, seja ela praticada por criminosos ou por policiais.

        E, basicamente, a solução pra Sen é que o governo se concentre no que é importante: saúde e educação. Para ele, são coisas que não proporcionam diretamente crescimento econômico, mas que trazem vantagens incomparáveis quando o país resolve abrir seus mercados, porque dão conta da maioria das privações de liberdade que a parcela mais vulnerável da população sofre, fazendo com que a população do país aproveite suas capacidades de forma muito mais eficaz.

        Nesse sentido, o Brasil conta com um enorme desperdício histórico da capacidade das pessoas, ainda que tenha tido períodos de forte crescimento econômico. E o preço do PS4, que todo mundo concorda que é absurdo, é só uma prova disso.

      • Flávio Morgenstern

        24 de outubro de 2013 at 17:48

        Olá, Leonardo!

        O Sowell, dentre os vivos, talvez seja o maior guru que um liberal possa ter, além do David Horowitz. Recomendo muito. Em economia pelo menos ele é bem parecido mesmo com o Ron Paul, embora sem muito do radicalismo de alguns membros da Escola Austríaca (como o Paul pai). Os livros de ambos são fantásticos, e pelo menos o Sowell é prolífico num nível assustador.

        Sobre a pobreza, nada a diminuiu mais do que o mercado. Por um fator simples: se você tem duas maçãs e eu tenho dois bifes, trocar uma maçã por um bife torna a nós dois mais ricos do que éramos antes – ou seja, ao contrário do que pensa Marx, a pobreza de João não é culpa da riqueza de Pedro, e quando dois indivíduos trocam bens entre si livremente, ambos se tornam mais ricos. A riqueza total é maior do que dois indivíduos com dois bifes: é uma sinergia que é criada aí, a soma total fica maior do que o número de elementos na soma.

        Sobre Sen, ele é definitivamente um economista não-laisses faire que deve ser estudado. Mas não acredite que o livre mercado “não faz nada” pelos miseráveis: apenas não crê que o governo seja um bom meio para isso. Veja o blog “Capitalismo para os pobres”, do excelente professor Diogo Costa, e aqui o Augusto Nunes publicou um comentário meu explicando como o livre mercado tem uma visão melhor para os desassistidos do que as teses redistributivas (ou seja, a comparação do modelo de Robert Nozick com John Rawls):
        https://veja.abril.com.br/blog/augusto-nunes/feira-livre/flavio-morgenstern-o-ego-de-lula-e-mais-faminto-que-um-buraco-negro/

        Creio que você mistura algumas coisas quando fala da Escandinávia. O sistema de bem-estar deles, que já está falido (veja o quanto estão discutindo tudo), não é bem o modelo de redistribuição econômica que acreditamos ser. É muito mais transparência política e participação mais direta, com projetos públicos em cidades minúsculas. É como, ao invés de uma cidade de 50 mil pessoas ter três escolas caras, criarem um sistema em que todos vão pra melhor das três escolas através de impostos altíssimos, mas que todas as famílias milionárias por ali podem pagar – ou seja, é quase como terceirizar a compra.

        Falei um pouco sobre como essa confusão que fazemos com o dócil termo “social-democracia” está emperrando o Brasil aqui:
        https://www.ordemlivre.org/2012/01/as-algemas-economicas-do-brasil/

        A educação é o tea mais complexo de todos, e acho que os liberais estão muito mais corretos do que os esquerdistas em suas teses, mas ainda não apresentaram uma visão suficientemente boa da educação (que é, afinal, contra a liberdade de escolha por definição). Sou mais pra conservador nesse ponto, mas nem de longe acho que o governo provê bons resultados nessa seara.

        De toda forma, a maluquice que fazemos no Brasil realmente torna o preço do PS4 conseqüência, e não causa de alguma coisa. Como você agora parece ter admitido. Que bom! :)

  13. danir

    21 de outubro de 2013 at 14:31

    Eu já trabalhei em grandes e pequenas empresas, prestadoras de serviços e industrias, e não vi em nenhum lugar, uma aplicação das teorias marxistas como citado no artigo comentado. No meu entender, esta aplicação das teorias marxistas em tudo que acontece, é uma síndrome do esquerdista ideológico, que tenta adaptar o fenômeno à teoria ao invez de tentar encontrar ou desenvolver uma teoria que explique o fenômeno. Isto é muito difícil ou talvez impossível de acontecer, por não terem eles bases culturais para tanto. Estão impregnados de dogmas e palavras de ordem que explicam todo o universo O que sempre vi, inclusive algumas vezes participando do processo decisório, foi a busca de um preço que oferecesse a melhor relação possível entre preço de venda (aceitação do mercado) e margem de lucro (valer a pena produzir). Só na época da super inflação que vivemos no Brasil a uns doze anos é que víamos produtos oferecidos com margens acima de 50% e reajustes com uma periodicidade insana, para preservar um mínimo de lucratividade real para o produtor. Nos dias de hoje, as empresas procuram manter margens de lucro bem menores, começando de um preço relativamente alto para as expectativas do mercado e gradativamente baixando este valor na medida que os custos são amortizados, chegando a um preço estável ao mesmo tempo em que outros produtos, desenvolvimentos de novas tecnologias, são lançados com preços iniciais mais caros. Isto aconteceu com os celulares, com os jogos, com os computadores e com uma enorme quantidade de outros produtos. A obsolescência provocada pelas novas tecnologias também entra nesta equação (o investimento inicial em tecnologia é muito caro e entra na planilha de custos). Outro fator que também influencia esta variação de preços ao consumidor, é a política do fabricante, que pode ser de fornecer um produto de Grife, e portanto para um mercado menor. Neste caso não há interesse de aumenta-lo (o mercado), para que permaneça como símbolo de status, e consequentemente sua margem é maior para manter esta política (não penso que seja o caso do Play Station). Existe um limite para estes casos, que quando ultrapassado cancela o interesse do consumidor. O consumidor paga caro pelo que ele acredita que valha; pela qualidade intrínseca do produto. O processo é complexo, não cabendo aí as mesquinharias marxistas como explicação, e muitas variáveis dependem de fatores não totalmente controláveis pelo fabricante. Embora hoje em dia muitos desenvolvimentos de técnicas psicológicas sejam aplicados para fazer com que a incerteza quanto ao comportamento do mercado seja menos incerteza. Na verdade, a política do fabricante do Play Station no Brasil, tem a ver com tantos fatores que tentar aplicar um chavão marxista é um erro infantil. Fica claro que quando aplicarmos uma planilha de custos de produção e venda (podem ser duas coisas diferentes) e virmos que a porcentagem de impostos diretos ou indiretos é de aproximadamente 50% (talvez mais) do preço de venda, e ainda colocarmos os outros custos, como tempo de uso de equipamentos produtivos e depreciação, matérias primas, mão de obra, espaço, armazenagem e logística, amortização de capital, incluindo neste cipoal de valores e porcentagens o lucro final da operação, que é o que interessa aos acionistas, e que realmente sobra como “mais valia”; fica difícil dizer que a desigualdade explica o preço. Se aplicarmos a mesma técnica na avaliação da margem de retorno do que é pago pelo consumidor como tributação, ver-se-á que a margem de lucro que o dono deste processo(leia-se governo) aufere, é muito maior do que aquela que o fabricante ou comerciante auferem. Então poderemos perceber que a verdadeira injustiça que provoca a desigualdade está localizada nesta entidade diáfana chamada governo. Quando o retorno é justo, gera-se mais oportunidade pois existe um excedente disponível para incrementar a atividade econômica. O resto é balela para justificar que um bando de extremistas ideológicos tentem controlar as nossas vidas usando raciocínios canhestros como dogmas de justiça e igualdade. A minha opinião sobre o Play Station? Não está na minha lista de prioridades, que é definida por interesse, preço e disponibilidade de recursos para atender as duas primeiras demandas. Meu genro e minha filha, estão pensando em comprar mais a frente quando o preço for menor. O consumidor consciente pode fazer alguma diferença, sem que ideologias ou críticas revolucionárias sejam necessárias.

  14. Fernando

    21 de outubro de 2013 at 09:46

    eu acho que outro fator que pode ter influenciado no cálculo do preço final, é que, ainda que o mercado brasileiro não seja importante, havia muita reclamação de estrangeiros com relação a usuários brasileiros que jogavam em rede com o Playstation; saiu uma reportagem na Folha sobre isso mostrando como usuários estrangeiros comemoraram quando souberam do preço do Playstation no Brasil, pois os brasileiros atrapalhavam os jogos e faziam mendicância, ou então chantageavam os estrangeiros em troca de dinheiro. Um estrangeiro comentou que nunca viu um grupo de jogadores tão “ruins e irritantes” como os brasileiros. Se os brasileiros não dão retorno financeiro o suficiente e ainda interferem na atividade daqueles que estão sustentando a empresa, tentar limitar o acesso dos brasileiros não seria mal justificado pela tentativa de melhora de qualidade qualidade e até a lucratividade do serviço.

    • Mulholland

      21 de outubro de 2013 at 13:04

      Bem notado.

    • Leandro

      21 de outubro de 2013 at 13:50

      Cara você tem problemas de interpretação de textos? Leia novamente o artigo, talvez você consiga entender que o problema é uma carga tributária elevada junto com um custo de produção elevado.

      • Flávio Morgenstern

        21 de outubro de 2013 at 14:44

        Não é o custo de produção elevado, é o custo de risco. Investir no Brasil e ter certeza de retorno é sofrível. Aqui, até petrolífera dá prejuízo.

  15. Marcelo

    21 de outubro de 2013 at 07:45

    Um monte de falácias e nenhuma explicação do preço. O preço do Xbox é a prova do absurdo do preço do PS4. Qualquer desculpa de custo de oportunidade poderia se aplicar no Xbox, por que não se aplica?

    E que infantil achar que o interesse da empresa é vender para o maior número de pessoas possível. Qualquer aluno da quinta série consegue calcular que é melhor vender para 10 por 4 mil reais do que vender para 15 por 2 mil reais. A grande questão é que brasileiro, burro, aceita pagar o preço que for para ter certos itens, principalmente de status, como carros. É óbvio que a carga de imposto é alta e o retorno é baixo, mas isso é uma questão completamente ortogonal ao preço do PS4.

    • Flávio Morgenstern

      21 de outubro de 2013 at 10:43

      A primeira frase do seu segundo parágrafo foi uma das mais engraçadas que já vi, vou explicar sua genialidade no comércio pro Abílio Diniz, ele vai gostar de aprender com você.

      • Marcelo

        21 de outubro de 2013 at 11:35

        Que argumentação, hein? Então responda: é melhor vender para 10 por 4 mil reais do que vender para 15 por 2 mil reais? A conta é fácil, prometo.

      • Flávio Morgenstern

        21 de outubro de 2013 at 12:21

        É melhor vender para 80 por 2 mil reais. Abaixe o preço e veja se só aumentam as vendas em 50%. Mas não, é tudo culpa da Sony, gananciosa, que SÓ quis lucrar assim no Brasil…

      • danir

        21 de outubro de 2013 at 14:56

        Olá Marcelo. Você é da categoria de consumidor que por ser burro paga o preço ou do consumidor que é tão esperto que fica o tempo todo reclamando do preço que não pode pagar? Ou de uma terceira categoria que tem opinião e busca o que interessa e está ao alcance, sem ficar colocando suas frustrações a respeito do que não tem recursos para comprar? Você também se acha vítima das desigualdades sociais que serão sanadas pelos nossos irmãos socialistas? Trocar 10X4.000,00 por 15X2.000,00, não é exatamente um primor de raciocínio, os números são bem diferentes, não representam uma realidade e acredito que você não tem uma estatística confiável para colocar este seu raciocínio simplório, como uma regra que justifique sua indignação. Se o problema fosse simplesmente aritmético, eu sugeriria vender 20X2.000,00 ou 25X1.600,00 ou sei lá, qualquer relação que desse mais que R$ 40.000,00 como resultado em seu raciocínio! Saudações

      • danir

        21 de outubro de 2013 at 15:07

        Outra coisa. A maioria das empresas, tem sim, interesse de vender o maior número possível de unidades de seu produto ( a não ser quando é o caso por exemplo de alguns modelos de Ferraris ou McLarens que têm uma produção fechada em um número definido; não todas). Não se trata simplesmente de lucro maior ou menor, que é um interesse real e legítimo. É que quanto maior o número de produtos você coloca no mercado, menor a participação de seus concorrentes e maior a possibilidade de fidelizar o mercado no seu produto. O monopólio é condenável, e existe até legislação a respeito, mas de um modo geral, toda empresa busca abocanhar a maior parte possível do mercado, dentro das regras estabelecidas do jogo. As vezes até tentando fugir delas. Saudações

    • Mulholland

      21 de outubro de 2013 at 13:05

      “E que infantil achar que o interesse da empresa é vender para o maior número de pessoas possível.”

      Olhem para ele. Olhem para ele e riam.

    • Mulholland

      21 de outubro de 2013 at 13:10

      É melhor vender para 100 por 500 reais. Esses 100 gastarão com jogos nas lojas da Sony.

      Por que iPhone no plano de 400 minutos por mês é mais barato?

      • Flávio Morgenstern

        21 de outubro de 2013 at 14:43

        Essa turma “só” se esqueceu de que as empresas que fabricam jogos (uns 80% do faturamento da empresa chefe) vão querer que, afinal, mais gente tenha o videogame. Mas esquece, explicar oferta e procura (ou 1+1) para esquerdista é como tentar ensinar álgebra abstrata para uma pedra.

    • Raphael

      21 de outubro de 2013 at 22:14

      Sobre a Microsoft e seu preço maravilhoso: Já ouviu falar de dumping? Bata na porta da Hyundai que eles te explicam o que é.
      Seu 2°parágrafo explica bem o mercado de calças jeans premium, mas não o de videogames, ainda mais a sony, que produz uma ampla gama de jogos exclusivos.Será que eles querem vender menos Gran Turismo ou God of War?Não, bicho.
      Tá puto?Não compra. A empresa vai entender teu recado.

  16. Fabio Sooner

    20 de outubro de 2013 at 23:37

    Me perdoem pelo flood de comentários, mas lembrei de outra coisa relevante:

    Muita gente não sabe, mas console tradicionalmente é vendido subsidiado – ou seja, a prejuízo – para gerar uma base instalada grande o mais rápido possível e recuperar o investimento na venda de jogos. Isso é uma prática comum e mundial desde pelo menos o primeiro Playstation, que chegou em um mercado dominado por Nintendo e Sega e precisava ser agressivo para conquistar espaço e o apoio das desenvolveras de jogos terceiras.

    (É por isso inclusive que os consoles da Nintendo desde então ficam para trás em termos de potência de processamento bruto: a Nintendo se recusa a vender console subsidiado, ela faz questão de ter lucro já no hardware. Como hardware de ponta é caro, ela prefere usar hardware quase obsoleto e se diferenciar com inovações como controle de movimento ou o tablet-controle do Wii U).

    Como a venda de jogos aqui mal chega a 10% da venda nos EUA, dá para entender que uma empresa como a Sony decida não vender aqui a preço de custo ou com prejuízo, e jogue o preço lá no alto como custo de risco. O espantoso é a Microsoft manter a filosofia. Eles provavelmente estão apostando muito a longo prazo, acreditando que um dia o mercado aqui vai explodir… E sinceramente, vão se ferrar, porque as vendas de jogos aqui NUNCA vão atingir sequer metade das vendas nos EUA com o nosso poder aquisitivo atual, nem se os impostos baixarem drasticamente – os jogos para PC custam 50% mais barato e mesmo assim não vendem milhões de cópias cada.

  17. Fabio Sooner

    20 de outubro de 2013 at 22:15

    Belo texto. Deixa ver se consigo complementar com algumas coisitas.

    Nesse caso, vale procurar no YouTube pelo vídeo do pessoal do Arena IG sobre o preço do PS4 no Brasil. São jornalistas com anos de experiência na área de games, com relacionamento direto com as filiais brasileiras das grandes empresas (as que estão aqui: Sony e Microsoft) e com outros jornalistas das revistas oficiais brasileiras dos respectivos consoles, Playstation e Xbox. Acho que vale a pena acreditar que eles tenham insider knowledge sobre o assunto, e o que estão dizendo é o seguinte: a Microsoft está montando no Brasil e subsidiando o Xbox One – isto é, vendendo a prejuízo propositadamente a R$ 2200 – enquanto a Sony decidiu não fazê-lo.

    Aliás, aí vale voltar à “conta” do Rossatto, repetida por muito papagaio na Internet esses dias, marxista ou não. O pessoal está chegando a esse “preço de custo” de R$ 1700 (um pouco mais, dependendo do “contador”) cometendo um errinho muito, muito básico: estão aplicando, em grande parte, impostos e valores que incidiriam sobre o produto se ele fosse importado por *pessoa física*, não por uma empresa, em que outros impostos são aplicados e há dezenas de outros custos a serem cobertos (alguns deles com mais impostos em cima, como os custos trabalhistas, de energia etc.).

    Em alguns casos, erram até na conta de pessoa física, atribuindo 60% de “imposto de importação” como única tarifa, quando eletrônicos na verdade sofrem quase 100% no total – simule a importação de um produto dessa categoria na Amazon e você vai ver. (Foi isso que tive que pagar de imposto no meu 1º Kindle há uns 4-5 anos.).

    Isso dito, o preço a R$ 4000 ainda parece estar acima do normal. Uma maneira de enxergar isso é pensar em “dólar empresa”, ou seja, dividir pelo preço original em dólar e ver quanto a empresa está cobrando pelo “seu” dólar. O “dólar Sony” sai a R$ 10 no PS4. No Xbox One sai a R$ 4,4. No Kinect, produto anterior de game da Microsoft e que vendeu horrores, saía a R$ 4. Nos smartphones da Apple também fica entre R$ 4 e R$ 5, enquanto nos computadores dela chega a R$ 6.

    O que fica claro é que a Sony claramente resolveu não se esforçar e largou mão do mercado brasileiro. Não é de se espantar. Um jogo de primeira linha, como um Assassin’s Creed novo, vende pelo menos 3 milhões de cópias nos EUA só no primeiro ano; aqui no Brasil, vende 300, 400 mil cópias – e isso com política de preços agressiva para o mercado local, com o preço do últimos dois Assassin’s Creed caindo pela metade em seis meses.

    Nós temos um dos seis ou sete maiores mercados de game do mundo, mas esse mercado está todo em jogos de browser, Facebook, smartphone e PC. No caso do PC, em grande parte graças aos jogos online free-to-play, mas também porque os jogos pagos se beneficiam da lei de desoneração de software e produtos de informática, que reduz drasticamente o imposto (jogos de console, bizarramente, não são considerados “software” porque não rodam em um computador “tradicional”). Assim, o mesmo jogo costuma sair pela metade do preço na versão para computador em comparação à versão de console – uma demonstração CLARA de como imposto arrebenta com as coisas aqui.

    Resultado: temos população dos EUA, custo de vida médio semelhante (até maior em cidades como São Paulo – é mais barato viver em boa parte dos EUA), um dos maiores mercados do mundo… Mas as empresas de *console* têm aqui vendas de país pequeno a médio europeu, com uma fração da fração da população total. E isso vem acontecendo há anos. Há anos que se vende a ideia para os gringos de que o Brasil será o próximo grande mercado de games a ser conquistado… E não anda, pelo menos nos consoles.

    Não me espanta a Sony jogar a toalha, botar o preço lá em cima, lavar as mãos e se recusar a continuar investindo aqui. Ela monta PS3 há dois anos aqui e a “explosão” prometida, até agora nada. A essa altura, até acho que ela fez isso de propósito, para fazer o brasileiro comprar no mercado paralelo e/ou direto nos EUA, seja via importação ou trazendo em viagem. Em todas essas hipóteses, a venda é contabilizada como aparelho vendido nos EUA, e assim ela infla um pouco os números de lá. O Brasil está instável mesmo, com investidores cada vez mais receosos de torrar dinheiro aqui…

    A Microsoft PRECISA do mercado brazuca porque ela fez uma série de decisões imbecis no console dela (proibir que ele rodasse usados, exigir que ele estivesse sempre conectado à Internet para funcionar etc.), e queimou seu filme de tal maneira que mesmo voltando atrás nessas decisões, o número de pre-orders no mundo fica entre metade e 1/3 dos números do PS4, dependendo do país e região. Ela não tem outro jeito a não ser torrar o dinheiro que tem e o que não tem para garantir mercado, especialmente porque nessa brincadeira, teve que reduzir o número de países no lançamento para 13, contra os 21 iniciais (e mais de 30 no caso do PS4).

    A MS está se jogando, a Sony largou mão. É simples. Não tem nada de “desigualdade” nessa merda, é apenas a lei da oferta e da procura. E se vai ter “playboyzinho” que vai comprar como “símbolo de status”, tanto melhor. A idiotice é achar que esse é o cenário que a Sony queria. Ah-hã. A Sony está DOIDINHA para perder mais mercado – ela que dominou o mercado brasileiro no PS2, viu sua fatia do mercado (pelo menos o oficial) reduzir até ser ultrapassado pelo XBox 360 quando este começou a ser montado no Brasil a preço menor, e vai entrar na próxima geração aumentando AINDA MAIS a diferença de preço? Só rindo mesmo dessa galera…

    • Flávio Morgenstern

      20 de outubro de 2013 at 22:59

      Tem uma conta extra a ser feita aí: o custo de risco. Quando uma empresa vai lançar um produto novo com custo altíssimo (imagine quanto custa cada propaganda de cada jogo do PS), ainda mais enfrentando burocracia, impostos e outras coisas gigantescas, ou ela joga o preço pro alto, ou ela pode ter um prejuízo histórico logo de cara. Faz mais sentido manter o preço no alto e depois ir abaixando do que lançar com preço “normal” logo de cara. TODO produto no mundo é feito assim. Mas não, tudo é lucro porque pode, tudo é mais-valia…

      • Fabio Sooner

        20 de outubro de 2013 at 23:12

        Sim, e a Sony Brasil inclusive tem histórico disso. O PS3 começou a ser montado (não fabricado, só montado) aqui em R$ 2000 (preço original em dólar: US$ 300, dependendo do modelo). Hoje sai a R$ 1100 (na própria Sony Store: https://store.sony.com.br/br/site/catalog/LeafCategory.jsp?category=dvd&id=cat5060004). Ou seja, saiu a “dólar Sony” perto de R$ 7 – para um console já com 3 anos de idade na época e o câmbio oficial abaixo de R$ 2 – e hoje custa quase a metade do preço. Sem dúvida o esquema do PS4 será o mesmo: em 2-3 anos equiparar com o preço do Xbox One, R$ 2200.

        Que, aliás, se seguir a lógica do antecessor no Brasil, vai continuar custando em torno disso até lá. O Xbox 360 hoje custa quase o mesmo que o preço do lançamento; a Microsoft prefere “agregar valor” incluindo jogos e/ou acessórios no pacote em vez de reduzir preços, o que corrobora o lance do subsídio – o custo de produção vai diminuindo, mas como eles já estavam tomando prejuízo desde o começo, melhor incluir encalhe de estoque do que abaixar preço.

        Quem conhece esse mercado se assustou já com o preço de R$ 2200 do Xbone One, é um preço meio irreal. Uma coisa é vender um acessório como o Kinect por R$ 600 (US$ 150 -> “dólar Microsoft” a R$ 4 na época em que o câmbio estava um pouco abaixo de R$ 2), porque é algo mais barato e que estava com tanto hype que venderia certo (tanto que esgotou em pré-venda e a MS não conseguiu suprir a demanda nos primeiros meses). Outra coisa é lançar um console novo mais caro, com dólar oficial mais alto, no atual cenário brasileiro. Todo mundo do meio dos games estava chutando um preço maior para o Xbox One. A Sony está fazendo mais ou menos o que se esperava dela pelo histórico no país, embora R$ 4000 tenha sido um tanto acima do previsto até pelos mais pessismistas…

      • Fabio Sooner

        20 de outubro de 2013 at 23:22

        Corrigindo:
        ” O PS3 começou a ser montado (não fabricado, só montado) aqui em ***2010 e vendido por*** R$ 2000…”

  18. Eduardo

    20 de outubro de 2013 at 22:09

    Excelente texto.

    Apareceu algumas horas depois de eu ler aquela análise econômica estúpida sobre desigualdade social explicar o preço do Playstation.

    Imagine calhamaços de páginas sendo escritas e aperfeiçoadas ao longo dos séculos desde os escolásticos de Salamanca, David Ricardo, Menger, Mises, dedicados a explicar os preços, para aparecer um blogueiro com a visão de mundo que eu tinha com 17 anos (antes de ler qualquer coisa sobre economia), e dizer que o preço é explicado por consumidores magnatas vilões ostentadores e a “desigualdade” social (sabe-se lá como matematizaram os indivíduos para fazer essas comparações).

    Embora o artigo da margem de lucro das maiores empresas de 2.3% não se refira diretamente ao videogame, não duvido que a margem seja pequena se analisado todo o mercado global.

    Você falou de hipermercados lucrando 1 centavo por batatinha, e aproveito para adicionar que as empresas ultraexploradoras de petróleo (e de pessoas, obviamente!) nos EUA, como a Exxon, lucram em torno de 7 cents por galão de gasolina vendido. O governo deles, claro, leva quase 50 cents.

    De alguma forma, existem pessoas que acham um absurdo o PRODUTOR de um treco, que NÃO EXISTIA, que vai servir a uma pessoa, lucrar UM ALGARISMO DECIMAL porcento em cima disso.
    Ao mesmo tempo em que acham razoável políticos e burocratas corruptos e mentirosos até os ossos, que não produziram nada, levarem metade do que foi produzido para aplicar (o que sobrou após passar pela burocracia.. que seriam uns 20% do que tomaram) ineficientemente em seus projetos falhos.

  19. Marcel

    20 de outubro de 2013 at 21:59

    Estaria tudo correto, se o concorrente direto do PS4, que custa mais caro no país de origem, custará quase metade do preço do PS4 aqui no Brasil.

    • Flávio Morgenstern

      20 de outubro de 2013 at 22:52

      Chama-se custo de oportunidade. Pode ver os links que deixei aí.

    • Fabio Sooner

      20 de outubro de 2013 at 23:17

      Leia o meu comentário, que tem algumas explicações para isso (a MS tá vendendo a preço de custo porque precisa garantir mercado, o console é montado aqui e o PS4 não, etc.).

      Não se pode comparar o preço dos dois consoles aqui diretamente, que estão em situações MUITO diferentes do que nos EUA e na Europa.

    • Marcel

      20 de outubro de 2013 at 23:26

      Ficou mal redigida minha frase o correto “não fosse custar quase metade do preço do PS4 aqui no Brasil”

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