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O que sobrou do discurso de posse de Lula de 2003

O que prometia quando chegou ao poder e o que findou fazendo na última década

Em primeiro de janeiro, o PT completará 11 anos na presidência da república. Período este que se iniciou com o discurso de posse de Lula em 2003. Esse pronunciamento presidencial costuma ter gorda importância por se tratar do primeiro momento que o político eleito pode,  já sem as limitações impostas por seus marketeiros de campanha, dizer o que de fato pretende fazer no cargo.

Na época, as palavras do ex-torneiro mecânimo não empolgaram muito. No geral, apesar de belas, eram vagas, um tanto confusas e quase nada objetivas. Lembravam mais um texto motivacional do que um plano de metas. E, mesmo do pouco que se conseguiu espremer daqueles 45 minutos de fala, há bastante coisa que, o tempo mostrou, findou esquecida pelo partido.

“Mudança”; esta é a palavra chave, esta foi a grande mensagem da sociedade brasileira nas eleições de outubro.

A primeira palavra já gera um engasgo. O PMDB segue sendo governo. Collor, Sarney, Renan Calheiros e Michel Temmer seguem aliados do governo. No início, é verdade, até tentou-se uma nova forma de se conseguir apoio político. Mas logo ela ganhou o nome de Mensalão e, oito anos depois, estão presos os mentores intelectuais e executores do plano. E assim o PT voltou a agir como mandava a cartilha por eles criticada, vindo recentemente, para citar apenas um exemplo, a negociar com Maluf tempo de TV para Haddad.

A esperança finalmente venceu o medo e a sociedade brasileira decidiu que estava na hora de trilhar novos caminhos.

Mas foi justamente explorando o medo irracional de privatizações da parte da população que o marketing do partido, em 2006, garantiu o segundo mandato de Lula. Assim como o medo do fim das políticas sociais do governo em 2010 garantiu a continuidade com Dilma Rousseff.

O apelo ao medo não passa de uma falácia. Mas não houve qualquer pudor em recorrer a ela quando soava conveniente.

Enquanto houver um irmão brasileiro ou uma irmã brasileira passando fome, teremos motivo de sobra para nos cobrirmos de vergonha. Por isso, defini entre as prioridade de meu Governo um programa de segurança alimentar que leva o nome de “Fome Zero”. Como disse em meu primeiro pronunciamento após a eleição, se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida.

O Fome Zero nunca vingou. Porque sempre se pensou no fim, mas quase nunca no meio. Era basicamente uma campanha de doações ao governo num país que já banca os cofres públicos com uma carga tributária que se aproxima dos 40%. A intenção encontrou algum alívio com o Bolsa Família, uma atualização de políticas sociais da gestão anterior. Mas a fome vem acabando mesmo é com a manipulação dos índices que a nomeiam.

Para isso, será também imprescindível fazer uma reforma agrária pacífica, organizada e planejada. Vamos garantir acesso à terra para quem quer trabalhar, não apenas por uma questão de justiça social, mas para que os campos do Brasil produzam mais e tragam mais alimentos para a mesa de todos nós, tragam trigo, tragam soja, tragam farinha, tragam frutos, tragam o nosso feijão com arroz. 

No entanto, um imagem fala mais que todo este parágrafo.

FHC-Reforma-Agraria

Por tudo isso, acredito no pacto social. Com esse mesmo espírito constituí o meu Ministério com alguns dos melhores líderes de cada segmento econômico e social brasileiro. Trabalharemos em equipe, sem personalismo, pelo bem do Brasil e vamos adotar um novo estilo de Governo com absoluta transparência e permanente estímulo à participação popular.

Com o fracasso do modelo do Mensalão para se conseguir apoio, o PT entrou na era da criação de cargos para compra de aliados. Assim, o número de ministérios cresceu de 21 para 39. Apenas 9 deles não estão sob o comando de membros do PT ou de partidos da base governista. Alguns destes aliados, como é o caso de Garibaldi Alves Filho, assumiram o cargo reconhecendo não entender nada do assunto da pasta.

O combate à corrupção e a defesa da ética no trato da coisa pública serão objetivos centrais e permanentes do meu Governo.

Na verdade, o objetivo central passou a ser o que eles chamam de “governabilidade”, ou basicamente o oposto do que foi proposto.

É preciso enfrentar com determinação e derrotar a verdadeira cultura da impunidade que prevalece em certos setores da vida pública.

Foi o único partido a ir às ruas gritar contra a prisão dos mensaleiros.

Não permitiremos que a corrupção, a sonegação e o desperdício continuem privando a população de recursos que são seus e que tanto poderiam ajudar na sua dura luta pela sobrevivência.

Além do PAC (que não anda), obras e mais obras superfaturadas para garantir a Copa do Mundo figuram como apenas um de muitos exemplos que desmentem Lula.

Ser honesto é mais do que apenas não roubar e não deixar roubar.

Foram quase 10 ministros derrubados no governo Dilma por conta de denúncias. Chegou-se a cair um ministro a cada 51 dias.

É também aplicar com eficiência e transparência, sem desperdícios, os recursos públicos focados em resultados sociais concretos. Estou convencido de que temos, dessa forma, uma chance única de superar os principais entraves ao desenvolvimento sustentado do País.

Transparência no governo é um item cada vez mais raro.

E acreditem, acreditem mesmo, não pretendo desperdiçar essa oportunidade conquistada com a luta de muitos milhões e milhões de brasileiros e brasileiras.

A história foi bem diferente.

Sob a minha liderança o Poder Executivo manterá uma relação construtiva e fraterna com os outros Poderes da República, respeitando exemplarmente a sua independência e o exercício de suas altas funções constitucionais.

Nos dois primeiros anos de mandato, Lula assinava uma média de 5,3 medidas provisórias por mês, atropelando, assim, o trabalho dos parlamentares. Dilma assinou um pouco menos, é verdade. Mas ainda acima do que foi feito por FHC.

A grande prioridade da política externa durante o meu Governo será a construção de uma América do Sul politicamente estável, próspera e unida, com base em ideais democráticos e de justiça social. Para isso é essencial uma ação decidida de revitalização do MERCOSUL, enfraquecido pelas crises de cada um de seus membros e por visões muitas vezes estreitas e egoístas do significado da integração.

Hoje, o Mercosul está tomado por políticas bolivarianas cada vez menos democráticas.

Crimes hediondos, massacres e linchamentos crisparam o País e fizeram do cotidiano, sobretudo nas grandes cidades, uma experiência próxima da guerra de todos contra todos. Por isso, inicio este mandato com a firme decisão de colocar o Governo Federal em parceria com os Estados a serviço de uma política de segurança pública muito mais vigorosa e eficiente. Uma política que, combinada com ações de saúde, educação, entre outras, seja capaz de prevenir a violência, reprimir a criminalidade e restabelecer a segurança dos cidadãos e cidadãs.

Já ficou provado que essa política não surte resultados contra a violência. E o país segue batendo recordes de assassinatos.

E, para isso, basta acreditar em nós mesmos, em nossa força, em nossa capacidade de criar e em nossa disposição para fazer. Estamos começando hoje um novo capítulo na História do Brasil, não como nação submissa, abrindo mão de sua soberania, não como nação injusta, assistindo passivamente ao sofrimento dos mais pobres, mas como nação altiva, nobre, afirmando-se corajosamente no mundo como nação de todos, sem distinção de classe, etnia, sexo e crença.

A promessa era de não haver distinção, mas as políticas de defesa de minorias seguem se chocando com esses ideais.

Agradeço a Deus por chegar até aonde cheguei. Sou agora o servidor público número um do meu País. Peço a Deus sabedoria para governar, discernimento para julgar, serenidade para administrar, coragem para decidir e um coração do tamanho do Brasil para me sentir unido a cada cidadão e cidadã deste País no dia a dia dos próximos quatro anos.

Os principais críticos do PT dizem que aos poucos o partido mostra a sua verdadeira face, uma face mais autoritária, pouco republicana ou democrática. Concordando ou não com eles, é fato que o PT eleito em 2002 há tempos se desfigurou e não mais reflete os desejos de quem o colocou no poder. O desafio da oposição é justamente provar a este eleitor que ele foi enganado e que ajustes precisam ser feitos. O que não quer dizer que seja fácil: ninguém reconhece um equívoco desses com um sorriso no rosto.

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3 Comentários

3 Comments

  1. Gabriel Birkhann

    7 de dezembro de 2013 at 22:24

    NAS MOSCAS

  2. André HP

    7 de dezembro de 2013 at 15:49

    Excelente analise. Revelou que o discurso do ex-presidente foi vazio e demagógico.

  3. Alexandre

    7 de dezembro de 2013 at 14:40

    Realmente não me lembro se fazia parte do discurso. Provavelmente não fazia. Mas foi, ao lado do Fome Zero, uma das principais bandeiras de Lula e do PT naqueles primeiros meses de 2003: a reforma da Previdência. Sim, aquela mesma que o PT dava sempre um jeito de barrar quando o autor da iniciativa era outrem, num dos melhores exemplos do “quanto pior, melhor” (mas muito longe de ser o único).

    Isso sem falar na mudança do discurso. Naquele distante dia, a fala não era permeada de ódio e messianismo. Mas não demorou muito para mudar. Já nos primeiros discursos em público depois disso, Lula começou a referir-se a si mesmo sempre em terceira pessoa (“o presidente da República”) e a misturar o “nunca antes na história desse (sic) país” com o arrogante “agora o presidente da República irá…”.

    Não, o presidente não irá nem iria nem foi. Apenas no discurso. É possível fazer uma análise tão precisa quanto esta logo acima com quaisquer dos discursos proferidos por Lula ou Dilma nos últimos quase onze anos. Por exemplo, com o discurso em rede nacional de Lula em agosto de 2005, a respeito do Mensalão, logo após “a casa cair” — mas deram um jeito de consertar.

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