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O questionável otimismo de Luiza Trajano com o governo Dilma

A militância pró-governo comemorou como um gol do time da casa a resposta dada a Mainardi, mas não se tocou que seus gritos apenas confirmavam algumas derrotas do planalto nos últimos anos.

luiza

Que Luiza Trajano é uma empresária simpática, poucos discordam. E sua participação no Manhattan Connection no último fim de semana serviu para fortalecer a fama de mulher sorridente. Contudo, teve o azar de uma resposta sua ao colunista Diogo Mainardi cair nas graças da militância governista (que de bom humor costuma entender pouco). E, de repente, o que deveria ser apenas uma tentativa da entrevistada de rebater uma informação passada pelo entrevistador ganhou ares dramáticos nas mãos daqueles que não suportam a ideia de alguém assumir uma postura crítica para com o governo.

O dado ao qual Diogo Mainardi se referia foi divulgado pela SPC Brasil em 14 de janeiro passado. Nele, apesar de mostrar uma melhora no estrago ocorrido em 2012, ainda notava-se uma aumento de 2,33% na inadimplência no comércio varejista. Luiza Trajano, no entanto, já tinha em mãos dados da Serasa Experian, os quais diziam que, pela primeira vez em 14 anos, a inadimplência teria recuado. O debate poderia girar em torno de qual instituto teria informações mais relevantes para o mercado, mas a empresária – assumidamente governista – optou pelos dígitos mais positivos e jogou pra torcida o email prometido ao colunista.

O real significado da queda

A militância pró-governo comemorou como um gol do time da casa a resposta dada a Mainardi, mas não se tocou que seus gritos apenas confirmavam algumas derrotas do planalto nos últimos anos. A dívida do brasileiro só cresceu porque o governo inconsequentemente a estimulou para evitar a crise “Tsunami x Marolinha” de 2008. E a inadimplência só diminuiu porque os bancos dificultaram o aumento da mesma, fazendo o brasileiro deixar de gastar para quitá-las, o que confirma que o último natal esteve longe de ser dos melhores para o varejo, algo que os governistas negam.

Fatores como a inflação alta – algo que também vem sendo negado pelo discurso oficial – tiveram forte influência nessa decisão. Com preços inacessíveis, o brasileiro optou por limpar o nome na praça. É o que contou a mesma matéria da Folha que tentava dar razão à empresária:

Um ciclo de crédito farto e medidas de incentivo ao consumo após a crise de 2008 tinham contribuído para um avanço da inadimplência. Em 2012, por exemplo, houve aumento de 15% do indicador.

Para reduzir perdas com devedores, os bancos mudaram. “Ficou mais difícil obter crédito porque as garantias exigidas aumentaram“, diz o economista Manuel Enriquez Garcia, presidente da Ordem dos Economistas do Brasil.

(…)

Não há muitas evidencias de que a inflação possa cair abaixo de 6% de maneira significativa. Com isso, o BC vai continuar elevando os juros para conter o aumento de preços. Até porque a outra opção seria controlar o gasto público, algo que não vem ocorrendo”, afirma Garcia.

Assim, a perspectiva é que a inadimplência se mantenha estável em 2014, diz. Myrian Lund, planejadora financeira e professora da FGV, também acredita que os calotes continuem sob controle, mas não descarta aumento dos indicadores de inadimplência ao longo do ano.

(grifos nossos)

O passado de Luiza Trajano

Ou os governistas têm memória curta, ou apostam que o brasileiro tem. Porque há pouco mais de 2 meses estavam a xingar a mesma Luiza Trajano que hoje aplaudem. O motivo era a condenação por “dumping social”: o Magazine Luiza desrespeitou direitos trabalhistas para reduzir custos, o que vai completamente de encontro ao que prega o Partido dos Trabalhadores.

Mas a relação de Luiza, como é chamada pela presidente do Brasil, com o PT não é de intrigas. Pelo contrário: em 2011 chegou a aceitar o convite para se tornar a trigésima nona ministra de Dilma. Sua assumida paixão pelo atual governo é tanta que até prometeu abrir mão do salário que receberia. No entanto, a burocracia estatal adiou o projeto para 2013 e interesses políticos fizeram com que a pasta caísse nas graças do PSD de Kassab.

Tanto amor, claro, não sai de graça. Em 2008, quando os desembolsos do BNDES para o varejo cresceram 160% em um ano, a empresária conseguiu R$ 80,4 milhões para o Magazine Luiza. O expediente obviamente não é de exclusividade de Luiza, mas não dá para não lembrar do caminho percorrido pelo também festejado Eike Batista que, após algumas visitas ao Banco Nacional de Desenvolvimento, também bateu boca com Diogo Mainardi e colocou a credibilidade da presidência do país em questão.

Credibilidade e imparcialidade

Fato é que Luiza Trajano não prioriza a razão quando o assunto é o governo Dilma Rousseff. E isso ficou claro em entrevista sua à Folha de São Paulo em maio de 2012. “Teremos um segundo semestre muito melhor do que no ano passado“, disse 6 meses antes de a inadimplência subir 12,18% na comparação com 2011. Seu ufanismo chegava a soar ingênuo: “Há 20 anos, em todo o lugar do Magazine Luiza se canta o hino nacional toda segunda-feira.” Mas ela garantia ser algo bem dosado: “Sem fanatismo. Eu sou apaixonada pelo Brasil.

Sobre o BNDES, ela achava que deveria haver ainda mais participação no mercado: “O BNDES não pode só pegar a indústria. Ele tem que pegar a economia como um todo.” Mas se fez bem clara quanto a uma carreira política: “Não, de jeito nenhum.” O que nunca a impediu de torcer pela presidente: “Eu torci muito para ter uma presidente mulher. Ainda mais porque eu conhecia a ministra Dilma na época. E sabia que ela ia fazer um bom governo.

Finalizando a entrevista, a empresária tentou mais uma vez prever o futuro. No caso, sobre a migração completa do varejo para a internet: “Não. As lojas podem ter outro formato. O contato humano vai existir sempre. Acredito nessa mistura de estar onde como e quando o consumidor quiser.

A pergunta de fato foi boba. Poderia ter girado em torno das dificuldades que a internet representaria à estrutura física que o varejo levanta há tempos, mas preferiu focar num fim apocalíptico. O que não a impediu de reconhecer os méritos do comércio eletrônico: “São as [vendas] que mais crescem: 50% ao ano.

Luiza Helena Trajano Inácio Rodrigues é uma empresária brasileira que tem sim uma grande história de vida para contar. Mas, quando se trata da atual gestão, ao emitir qualquer opinião, seu otimismo e posicionamento pró-governo jamais devem ser ignorados.

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16 Comentários

16 Comments

  1. EKO

    26 de janeiro de 2014 at 20:00

    Mandou muito bem Morgenstern. o Diogo é o meu porta voz.

  2. Thiago

    25 de janeiro de 2014 at 18:47

    Empresários que dependem do governo deveriam vir com um aviso antes de qualquer fala, seja na mídia escrita ou audiovisual…

  3. João Miramar

    25 de janeiro de 2014 at 16:59

    Poucos dias antes do segundo turno de 2006 Luiza Trajano sai de audiência com Lula com um financiamento daqueles de mami poderosa Pilar para o Félix de R$ 250 milhões. Explicação do BNDES a Magazine Luiza venderia computadores a 100 dólares, uma daquelas fantasias do Barba.

  4. Bruno

    24 de janeiro de 2014 at 16:21

    O motivo dela falar impropérios é por que ela é a versão de “Eike Batista” das lojas Magazine Luiza (que tem escassas lojas em todo Brasil) e “Guido Mantega” (que desde foi mantido no desgoverno de 11 anos, errou todas previsões do PIB), com certeza é ajudada pelo desgoverno (que persegue várias lojas, como Daslu). Lamentável essas declarações infundadas dela que não correspondem à realidade. (https://ucho.info/esquerda-abusa-da-utopia-ao-valorizar-e-festejar-a-discordancia-entre-luiza-trajano-e-diogo-mainardi)

  5. Adu ElShari

    24 de janeiro de 2014 at 16:09

    Sempre aparece um pateta com uma colocação ridícula como esse “fabio”. Não, Mainardi não é nem um deus pra direita oou centro ou seja lá o que vc acha que os “contra nóis du pt” são. O fato é: a dona Marisa é sim mais uma “meprezária du governo” comprada devidamente com o dinheiro do contribuinte via BNDES e via “cartãozinho compra votos melhor”, mais um “brilhante golpe” do PTralhismo do atraso….

  6. Mulholland

    24 de janeiro de 2014 at 15:53

    Será que o Sakamoto escreveu sobre o dumping social na Magazine Luíza? Porque ele escreveu sobre o do Carrefour.

  7. Daniel

    24 de janeiro de 2014 at 12:37

    Bom, o último que era um otimista total e o Diogo deu aquela desancada básica foi um tal Eike Batista.

    O resto da história vocês já sabem…

  8. fabio

    23 de janeiro de 2014 at 15:52

    • Flávio Morgenstern

      24 de janeiro de 2014 at 08:44

      Na época da ditadura? Wow. Só para você nos informar com menor atraso da próxima vez, uma versão estendida dessa seção de fotos saiu na própria Veja para divulgar o livro Lula É Minha Anta.

      • Mulholland

        24 de janeiro de 2014 at 15:47

        Agora que protestar contra o governo é mal visto, nem o Mainardi pode fazê-lo, ainda que fosse contra o governo da ditadura.

        Os petistas são tão elásticos!

      • Sandro P

        25 de janeiro de 2014 at 14:01

        Flávio, estes petistas me dão uma preguiça.
        Não sabem nada, de coisa alguma, e se acham o máximo.

    • Bruno

      24 de janeiro de 2014 at 16:06

      Fabio Petralha, pra defender Luiza Trajano, usa matéria de site do PIG (Partido da Imprensa GoVERNista) pra atacar Diogo Mainardi (que teve que fugir do Brasil por conta de processos de pessoas duvidosas que se venderam ao desgoverno contestado nas ruas desde Junho e ameaças de morte) nos Anos 70 (na época do Regime Militar, que baniu muitas figuras suspeitas pré-1964) com Rolex? que Brasil em que vive? do Brasil real (esmolas assistencialistas, país de impostos, alto índice de corrupção, diversos problemas [na saúde, educação, segurança, economia, etc]) ou Brasil falso (país rico, sem corrupção, sem problemas em diversas áreas, etc)? Mainardi usava relógio comum (veja direito, seu jatobá), pois era caro (e continua até hoje) obter esse relógio! Ou sabia disso ou simplesmente ignorou por não viver na época pra escrever esse impropério? Quando esse desgoverno e a máfia criminosa que aderiram depois de 2002 caírem nesse ano (que torço muito a acontecer!), a tua bonança vai também.

    • Matafuego

      26 de janeiro de 2014 at 09:50

      Bom, pelo menos o Mainardi se corrigiu. Já o Lindberg, que “lutava” contra o Collor, resolveu virar bandido.

  9. Maxwell

    22 de janeiro de 2014 at 15:19

    Aqui no Brasil existe uma espécie abaixo do ser humano que se chama brasileiro, e esta espécie acredita que os erros na economia produzem efeitos imediatos.

  10. Zeca

    22 de janeiro de 2014 at 11:39

    Sinceramente não me pareceu que a Luiza estava defendendo o desempenho do governo, ela falou sobre o desenvolvimento do varejo, o que é comum num país onde de forma artificial ou nao se elevou o poder aquisitivo. Já o Mainardi é um fanfarrão, está lá para avacalhar geral. em tempo, não sou PTista e muito menos pró governo, mas vamos parar com essa mania de procurar pelo em ovo.

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