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Onde é que está o Estado de Direito?

 

Por Ana Paula Paiva:

Em junho de 2005, Roberto Jefferson surpreendeu o Brasil ao denunciar o maior esquema de corrupção de que se tem notícia na política brasileira – o Mensalão. O pavoroso escândalo de grossa corrupção e ladroagem, envolveu o PT, PL (atual PR, depois da fusão com o Prona), PTB e outros. José Dirceu, à época ministro da Casa Civil, foi o cérebro da camarilha que loteou a administração pública brasileira e passou a distribuir mesada a deputados. Com a opinião pública agitada e a omissão da oposição, CPIs foram instauradas. Um verdadeiro espetáculo mambembe foi montado.

Recorrendo ao mais velho artifício da política, José Dirceu, que era considerado homem forte de Lula, pediu para sair da Casa Civil; Roberto Jefferson se licenciou da presidência do PTB e por último, mas não menos importante, Delúbio Soares se licenciou do cargo de tesoureiro do PT.

O Mensalão aconteceu nas coxias do Planalto, caiu o rei de espadas, o rei de ouros e o rei de copas. Mesmo assim, o então presidente da República, Lula, seguia (e segue) no mantra que não sabia de nada.

Seis anos depois,  a “bomba atômica”  lançada por Roberto Jefferson não passou de uma simples pistola de fulminantes: é mais o susto que outra coisa.

Um Estado de Direito é aquele onde existe confiança. Confiança nos órgãos de soberania, nas instituições, nos agentes e nos representantes do poder público.

A confiança é um pressuposto base para a manutenção do contrato político. Sem ela, é a própria ideia de Estado que fica em causa e o Direito não passa de um conjunto de normas escritas, sem tradução concreta na vida das pessoas e das comunidades.

O processo do Mensalão conta com 42 mil páginas, reunidas em mais de 200 volumes, com quase 600 depoimentos e um sem número de provas colhidas. Provas cabais. Trabalho desperdiçado, dinheiro público jogado na lata de lixo da política farisaica da República das Bananas.

A política brasileira, de tão dissimulada, sonsa e paliativa, deixou prescrever o crime de formação de quadrilha. A partir de agosto, teremos algozes de alta periculosidade desfilando na cena política sem nenhuma intervenção e, com uma ficha limpíssima.

E o circo político continua fazendo habilidades para embasbacar os espectadores, também chamados utentes, contribuintes e eleitores. Afinal, o julgamento do processo de desmantelamento do esquema, Mensalão, ficará para 2013. Uma vez que o Supremo Tribunal Federal (STF) passou a raciocinar com um olho no julgamento e o outro no calendário eleitoral.

É a modalidade em plástico da política espectáculo. Mas é o que há. “Evente-se” o burro à vontade do dono.

* Ana Paula Paiva é analista política e cursa o 2º ano de Relações Internacionais

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6 Comentários

6 Comments

  1. euclidesbarbosa

    2 de abril de 2011 at 14:49

    JESUS É BRASILEIRO E UM DIA A CASA CAI!!!!

  2. Cláudia

    1 de abril de 2011 at 23:17

    Demorou três décadas, mas eles conseguiram se infiltrar em todos os lugares, em todas as instituições, na imprensa, enfim, o Brasil está totalmente dominado pelo PT. Uma pena pois um país comandado por um único partido, não é mais uma democracia. Perde o Brasil, perde a humanidade.

  3. ihamma

    31 de março de 2011 at 22:42

    O Brasil não é mais um Estado Democrático de Direito. Nas lides em que uma das partes é do PT, as sentenças, em todas as esferas do judiciário, são proferidas consoante a cartilha do PT.

    Nossa Constituição será substituída pelo Livro Vermelho do PT, a exemplo do Livro Verde de Kadafi? Não sei. Mas estamos caminhando para isto.

    O STF teve oportunidades e motivos de sobra para punir os abusos na campanha para presidente e, assim, garantir o equilíbrio e a legitimidade do pleito. Preferiu aplicar multinhas irrisórias.

    O Congresso teve motivos de sobra para não aprovar os reajustes do salário mínimo por decreto. Porém, despudoradamente, acintosamente, vendeu, à vista, em moeda corrente dos acordos (CARGOS) o seu voto ao PT.

    O que podemos esperar do Brasil com este STF e Congresso? O que podemos esperar do Brasil das Erenices, dos dólares nas cuecas, dos quebradores de sigilos (bancário e fiscal), dos Renan`s e suas notas fiscais frias, dos Delúbios, dos Marcos Valérios, dos Genuínos, dos Coronéis Sarneys? Gestão eficiente e segurança jurídica ou CAOS?

    FOOOOOOOOOOOOOOOORA PTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTTT

  4. euniceoliveira

    31 de março de 2011 at 21:37

    O GATO COMEU…. CADÊ O GATO?????????

  5. Alexandre Gonçalves

    31 de março de 2011 at 12:58

    Agora já era, o mensalao será descaracterizado, assim como queria Lulla. Pior, Goering Dirceu sairá como vitima.

  6. Shlomo

    31 de março de 2011 at 10:14

    Está cada vez mais claro que o STF e o PT apostam no esquecimento desses atos odiosos de corrupção por parte da população.

    O Brasil é um país que não cobra honestidade dos seus, muito pelo contrário.

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