facebook
Blog

Pai de Brizola Neto denunciou esquema do PT-RS com o jogo do bicho em 2004

Matéria do Globo:

BRASÍLIA – Se José Vicente Brizola comparecer nesta quinta-feira à posse de seu filho Brizola Neto como novo ministro do Trabalho, no Palácio do Planalto, o constrangimento será geral entre os petistas presentes. Filho de Leonel Brizola, José Vicente denunciou entre 2004 e 2005 um esquema do governo do PT no Rio Grande do Sul com o jogo do bicho. Vicente presidiu a empresa de loterias do estado (Lotergs) no governo Olívio Dutra e disse ter sido pressionado a levantar recursos junto aos empresários de jogos para as campanhas do PT a senador e a governador.

— Propuseram a mim que eu angariasse recursos, para a campanha majoritária do PT, perante esses concessionários de serviços públicos e, eventualmente, outros operadores de jogos, legais ou ilegais. Como me recusei, pediram-me, então, que eu apenas apresentasse as pessoas. Foi feito isso. Posteriormente, tive a notícia de que a empresa que geria o jogo Totobola teria contribuído com algo entre R$ 100 mil e R$ 150 mil — contou na CPI dos Bingos no Congresso, em 2005.

A suposta relação entre o governo Olívio Dutra com a contravenção já havia sido explorada em uma CPI estadual, em 2001. No entanto, o Ministério Público rejeitou as acusações contra Olívio Dutra e a maioria dos citados. O depoimento de José Vicente já tratava do bicheiro Carlinhos Cachoeira. Ele afirmou que uma empresa do contraventor ganhara uma licitação de forma “estranha”. O governo gaúcho havia aberto concorrência para terceirizar produtos lotéricos. A empresa de Cachoeira ganhou a licitação, que acabou revogada. O bicheiro entrou na Justiça e obteve ganho de causa em primeiro grau. O estado não recorreu.

Memória

O pai do ministro Brizola Neto foi capa da revista Veja quando denunciou o esquema no governo Olívio Dutra. Leiam trechos daquela reportagem, extraído do site do PDT-RJ:

(…)

Durante a campanha eleitoral de 2002, José Vicente, à frente da Lotergs, recebeu um pedido, segundo seu relato. Vinha de Carlos Fernandes, filho da então candidata à reeleição ao Senado pelo PT Emília Fernandes, que acabou agraciada com o cargo de secretária especial de Políticas para Mulheres, posição com status ministerial. Ela foi ministra durante o primeiro ano do governo Lula e saiu na recente reforma ministerial. Carlos Fernandes teria solicitado ajuda para a arrecadação de recursos financeiros destinados à chapa majoritária do partido, formada também pelo candidato ao governo, Tarso Genro, e pelo então candidato ao Senado Paulo Paim. A missão de José Vicente seria contatar os empresários da jogatina e convidá-los a contribuir com a campanha da chapa majoritária – não como doadores oficiais, registrados no Tribunal Regional Eleitoral, mas na forma popularmente conhecida como caixa dois. Embora, na prática, isso significasse que o dinheiro iria ajudar todos os candidatos, em nenhum momento teve algum contato com Tarso Genro e Paim e tampouco se falou deles nas conversas que manteve. Os pedidos, fora instruído, deveriam ser feitos em nome da chapa majoritária e, quando mais especificamente, da candidatura da senadora. José Vicente afirma que se declarou impedido de atender à tal demanda. Entretanto, à medida que a campanha avançou, a insistência teria se transformado em pressão.

Nessa ocasião, o panorama político do Rio Grande do Sul era peculiar. O então governador Olívio Dutra havia perdido a disputa na prévia eleitoral que escolheu Tarso Genro como o candidato do partido ao governo do Estado. Com sua derrota – e com todas as pesquisas indicando a vitória de Genro –, o escritório da campanha majoritária passou a funcionar como uma espécie de gabinete paralelo. Era na condição de representante desse gabinete que Carlos Fernandes ganhava força para cobrar participação na arrecadação de fundos para a campanha. Rompido com seu pai, o ex-governador Leonel Brizola, desde que trocou o PDT pelo PT, no início de 2001, José Vicente é um militante dependente de emprego público para sobreviver. Diz que temeu pela ameaça, implícita nesse tipo de relação, de não ser nomeado para nenhum cargo público no novo governo. E passou a colaborar.

Os encontros teriam sido marcados com os representantes de empresas apontadas pelo próprio Carlos Fernandes. Da lista, chegou-se aos nomes de Silvana de Luca, representante da empresa Kater, que administra o Toto Bola (jogo que também é explorado em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná), Jaime Sirena, então presidente da Associação Gaúcha de Bingos, e Miguel Mucilo, dono de máquinas de videoloteria, os chamados caça-níqueis, que entraram para o rol de atividades dos bicheiros brasileiros a partir da década de 90. “Desminto qualquer pessoa que diga que fui procurado e colaborei financeiramente com campanhas”, afirmou Mucilo a VEJA na semana passada. Um dos encontros de apresentação, no escritório político de Emília Fernandes, teria tido a presença da própria. A então candidata ao Senado teria tomado o cuidado de se retirar da sala quando a conversa ameaçava tornar-se mais objetiva, abordando quantias e pedidos de doação. No entanto, teria deixado claro que seu filho e Claudio Milan, o caixa da campanha, falavam em seu nome quando tratavam do assunto. Na quarta-feira passada, entrevistada por VEJA, Emília negou-se a comentar o episódio. “Não conheço essas pessoas”, afirmou. “Não quero dar declarações antes de falar com o presidente do partido.”

Contravenção 

O envolvimento com tais empresários durante a campanha não era apenas um ato de desavisada impropriedade. O PT do Rio Grande do Sul havia passado em 2001 por uma comissão parlamentar de inquérito da Assembléia Legislativa estadual. Embora na origem fosse uma CPI de segurança pública, acabou se voltando para a investigação do envolvimento da Lotergs com empresários suspeitos de contravenção. O governo do Estado havia editado um decreto que, em última análise, levaria à legalização de todos os jogos e sua devida normatização pela Lotergs. O decreto gerou uma manifestação do Ministério Público. Os procuradores orientaram o diretor da Lotergs a não tornar oficiais tais jogos, alegando que se tratavam de empresas supostamente envolvidas com contravenção. A insistência do governo em levar a legalização adiante provocou suspeitas.

No decorrer das investigações da CPI, veio a público um lote de fitas e CDs com conversas de integrantes do PT e membros da Secretaria de Segurança Pública. Em uma das gravações, o ex-secretário de Finanças do PT gaúcho, Jairo Carneiro dos Santos, diz que a compra de uma sede para o partido foi financiada com dinheiro do jogo do bicho e que a operação foi autorizada pelo próprio governador Olívio Dutra. Em depoimento à CPI, Santos negou a conversa, apesar de as fitas mostrarem o contrário. As investigações, no entanto, revelaram uma história de contornos claramente antiéticos. Em 1998, uma ONG chamada Clube da Cidadania comprou um prédio, com recursos arrecadados para “projetos sociais” junto a entidades, empresários e também contraventores. Concretizado o negócio, o prédio foi disponibilizado, em regime de comodato, para servir de sede ao PT gaúcho. O presidente da tal ONG era Diógenes de Oliveira, ex-militante do grupo Vanguarda Popular Revolucionária e arrecadador de campanhas petistas. O mesmo que aparece em outra gravação que caiu nas mãos da CPI, pedindo ao então chefe de polícia que os bicheiros não fossem incomodados. “Dei um carteiraço, falei indevidamente em nome do governador”, admitiu Diógenes na ocasião. No curso da CPI surgiram também denúncias de que a Lotergs estaria abrindo caminho para a entrada de máquinas caça-níqueis e de loterias on-line no Rio Grande do Sul, administradas por líderes do jogo do bicho associados a empresários suspeitos de lavagem de dinheiro e de conexão com a máfia italiana. Uma denúncia que se repete agora no caso Waldomiro.

Dos 41 indiciados pela CPI – na qual o ex-governador Olívio Dutra acabou inocentado –, dois nomes chamam atenção. Jaime Sirena e João Carlos Franco Cunha, ambos donos de bingos em Porto Alegre. Sirena foi um dos empresários que teriam sido contatados pela campanha petista por intermédio de José Vicente. E Cunha é dono do Bingo Roma, o mesmo que na semana passada foi invadido pela Polícia Federal por suspeita de sonegação fiscal. Cunha esteve presente a pelo menos uma das reuniões com os emissários da senadora, numa ocasião em que a CPI já fizera tamanho barulho que era evidente o embaraço desse tipo de relação. Mesmo assim, os contatos teriam ido adiante. José Vicente permaneceu em seu cargo até o último dia do governo do PT no Estado. Desde então, está desempregado. E o PT aparece, cada vez mais claramente, como um partido que utiliza, em campanhas eleitorais, as mesmas práticas que sempre fez questão de denunciar.

Comentário

Não conseguimos encontrar nos arquivos do blog de Brizola Neto nenhum “tijolaço” denunciando a ligação de seu pai com o “PIG”.

Nunca inseriu um código de desconto no Cabify? Experimente usar o código "IMPLICANTE" e ganhe 100% OFF (com desconto máximo de R$ 10) em até 2 corridas. Após ativado, o crédito terá validade de 30 dias.

2 Comentários

2 Comments

  1. maria saparowa

    3 de Maio de 2012 at 14h50

    Opa! Corrigindo:o nome dele é Carlos Daudt Brizola, Brizola Neto é apelido,desculpe eu não sabia.

  2. maria saparowa

    3 de Maio de 2012 at 14h35

    Se Brizola Neto é filho de José V.Brizola,quem é Carlos Daudt?

Deixe um comentário

Mais Lidas

To Top