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Brasil

Em 13 etapas, um resumo do impeachment de Dilma Rousseff

Entre o primeiro grito e o impeachment de Dilma, ao menos 13 obstáculos foram superados

O impeachment de Dilma passou a ser discutido no Brasil desde antes da reeleição da presidente. Entre idas e vindas, altos e baixos, vitórias e derrotas ocorreram para ambos os lados. Contudo, após treze grandes acontecimentos, a petista foi finalmente afastada do cargo. E, ao final de agosto, cassada.

1. A capa de Veja

Dilma caminhava para que o PT mais uma vez derrotasse o PSDB com certa tranquilidade. As pesquisas mostravam o crescimento da petista, e o declínio de Aécio. Até que a Veja adiantou a capa da semana. Nela, denunciava que não só a presidente, como o ex-presidente, tinham ciência da existência do Petrolão. Por mais que o domingo seguinte findasse em vitória dos que clicaram no 13 e confirmaram, o placar apertado da votação tornou possível a derrota seguinte. E ela não demoraria a chegar.

2. Os “cerca de mil”

A semana seguinte trouxe alguns pequenos protestos que arrancaram risadas dos esquerdistas paulistanos devido à baixa adesão. Mas soavam claros em exigir o impeachment da presidente recém reeleita. O que a imprensa não contava era com as cinco mil pessoas que lotariam o vão do MASP no sétimo dia pós reeleição. Jornalistas governistas tentaram reduzir o público presente a “cerca de mil” e carimbaram que os protestos tinham por meta uma intervenção militar. Mas seriam desmascarados e já seria tarde. O brasileiro aprendeu naquele dia que, se quisesse ir às ruas, não iria só.

3. A Lista de Janot

Pelo que se vazou na época, Dilma esperava de Janot alguma denúncia que atingisse Aécio Neves. Mas o procurador-geral da República nada encontrou de substancial no material recebido da Lava Jato. Foi quando, pela primeira vez desde que reelegeu Lula, o PT perdeu o apoio do legislativo. Numa estúpida tacada, o Palácio do Planalto vazou para a imprensa o que tinha contra os presidentes do Senado e da Câmara. Dali em diante, sofreria uma goleada da oposição no legislativo.

4. O primeiro panelaço

Foi o próprio governo quem defendeu que, se as ruas não tivessem tomadas por brasileiros indignados, o processo de impeachment seria um golpe aplicado pela oposição. Um mês antes, no entanto, o Palácio do Planalto já tinha a certeza de que levaria uma surra em meados de março. E achou por bem aproveitar o dia 8 para fazer uma defesa na TV da própria gestão. Em resposta, recebeu o primeiro de uma série de panelaços que virariam manchete sempre que Dilma tentasse ser ouvida.

5. O 15 de março

Empolgados com a barulheira das panelas, sete dias depois, os brasileiros foram às ruas mais uma vez exigir o impeachment. Desta vez, em números inéditos. O que aconteceria no 15 de março entraria para a história do país.

6. O 16 de agosto

A alternativa do governo era apostar que o 15 de março havia sido uma exceção, e a precipitação de se convocar um novo ato para 12 de abril contou a favor da situação. Com mais calma, os movimentos de rua se organizaram e convocaram um terceiro evento, desta vez em 16 de agosto. Não foi a maior manifestação da história, como a anterior, mas colocou de vez o “impeachment” na pauta do país.

7. A derrota no TCU

Havia muitas suspeitas. Mas era necessário uma prova mais consistente – oficial – de que Dilma cometera crime de responsabilidade. E ela veio pelo Tribunal de Contas da União que, mesmo aparelhado, se rendeu à pressão da opinião pública e, por unanimidade, reprovou as contas de Dilma para o ano de 2014.

8. A aceitação do impeachment

Eduardo Cunha se preparava para aceitar o pedido assinado por Miguel Reale Jr, Janaína Paschoal e Hélio Bicudo quando a base governista acionou Teori Zavascki para cancelar o rito definido pelo presidente da Câmara. Numa única tacada, o governo excluiu a importância da oposição e passou a negociar diretamente com seu maior desafeto uma possível salvação. Mas o lulismo se achou mais esperto que o dilmismo e sabotou qualquer articulação explorada pelo Planalto. O resultado? Ainda que tardiamente, Eduardo Cunha aceitou o processo de impeachment contra Dilma Rousseff.

9. A formação da comissão

O primeiro confronto direto entre governo e oposição ocorreu durante a formação da Comissão do Impeachment. No início, duas chapas duelaram e o governo saiu derrotado. Foi quando mais uma vez o PT recorreu ao STF, que não só matou no peito, como ditou as regras a serem seguidas, independente de isso ir de encontro ao rito seguido no processo de 1992. De nada adiantaria. Mesmo com chapa única, o governo teve minoria na câmara menor.

10. O 13 de março

Por uma covardia típica de uma oposição que deixara o governo quebrar a economia após uma década de poder, o povo foi convocado mais uma vez para ir às ruas provar que aquela indignação era real. O governo novamente torcia por um comparecimento mixuruca, a exemplo do que ocorrera em 15 de dezembro de 2015. Mas quebraria a cara. Mais uma vez seria quebrado um recorde histórico, até mesmo para os padrões do governista Datafolha.

11. A aprovação no plenário

A oposição precisava de 342 votos. Cada deputado foi chamado pelo nome e, ao microfone, para todo o país ouvir, disse sim ou não ao processo. Com 367 votos a favor, a Câmara Federal autorizou a instauração de um processo contra a presidente da República. Politicamente Dilma já era.

12. A recepção no Senado

Uma vez derrotado na Câmara, Collor liberou a cadeira para Itamar Franco. Mas Dilma só faria o mesmo com Michel Temer se os senadores concordassem em receber o processo. Foi uma etapa “golpisticamente” tramada por um STF ciente de que o governo tinha mais poder no Senado.  Isso garantiu ao petismo algumas semanas de barbaridades em Brasília. Derrotados politicamente, plantavam bombas para dificultar a gestão seguinte. O sofrimento só teve fim após uma sessão que durou 20 horas. Por 55 votos a 22, a petista foi finalmente afastada.

13. A cassação definitiva

Por três meses, Dilma Rousseff foi julgada no Senado, sempre insistindo na mentira de que sofria um golpe de Estado. Mas o circo se encerrou na manhã de 31 de agosto. Por 61 votos a 20, a primeira presidente do país foi cassada. Entretranto, numa manobra inconstitucional encabeçada por Ricardo Lewandowski, teve a perda de direitos votada em separado. Assim, e diferente do ocorrido com Collor, que ficou ausente da vida pública por 8 anos, permaneceu livre para se candidatar a algum cargo público e fugir de investigações em primeira instância, justo as que deram início a todo o processo.

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