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Sopão só nas tendas: boa notícia para os mendigos

por Flavio Morgenstern

A notícia que manteve o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) em primeiro lugar nos Trending Topics de hoje foi que a prefeitura quer proibir sopão grátis no centro em um prazo de 30 dias, como noticiou o Jornal da Tarde/Estadão. Na verdade, a notícia já vinha de 2010, quando a Época São Paulo mostrava os primeiros passos da prefeitura para concentrar o sopão só nas tendas.

Dar comida para mendigos é mesmo uma atitude louvável. Mas nosso país precisa entender que há um abismo muitas vezes intransponível entre intenção e resultado, talvez paremos de engatinhar. Para piorar, qualquer atitude tomada por um prefeito como Kassab a respeito de mendigos é imediatamente pechada como “higienista”. Há de se entender com urgência que as ações feitas com o melhor dos corações podem ter conseqüências desastrosas, mesmo para aqueles que queremos ajudar.

Ora, pessoas na condição de miséria muitas vezes  não têm consciência de sua situação. Um percentual altíssimo dos mendigos em São Paulo têm deficiências mentais – e, graças à política anti-manicomial, são largados às ruas. Cabe tanto a órgãos estatais (se lhes cabe alguma função, essa é a primordial por excelência) quanto a entidades privadas que se preocupem com isso que dêem assistência às pessoas em situação de rua.

No entanto, lendo bem as notícias (e não apenas se chocando com o título, passando a imaginar as piores descrições dos ciclos mais ínferos de Dante como complemento de uma frase chamativa e confundindo a imaginação com a realidade), vê-se que a medida da prefeitura, afinal, é um excelente passo para ao menos tentar modificar a vida de mendicância a qual muitos cidadãos de São Paulo estão relegados.

A atitude da prefeitura, na realidade, foi fazer um convite a entidades que cuidam da distribuição do “sopão” para os moradores de rua para que “a distribuição filantrópica de comida será restrita aos espaços municipais de convivência conhecidos como tendas. Nelas,os desabrigados encontram banheiros químicos, chuveiros, kits com toalha e sabonete, jogos, TV e assistentes sociais”. Soa muito higienista?

Lugar de criança é mendigo é mesmo na rua?

É claro que tudo é pensado de modo a tentar culpar a figura de Gilberto Kassab a qualquer custo. Em um caso curioso em que direita e esquerda deveriam se unir em prol de algo comum (entidades filantrópicas tirarem os mendigos das ruas, ao invés de mantê-los lá), ambas se uniram contra a medida do prefeito, só por ser a do prefeito. Uma alega que a medida propõe “estatizar a caridade”, pois tudo o que tenha “proibido” e “governo” na mesma frase soa a socialismo. Outra, procurando encontrar alguma função do Estado não cumprida, questiona o que a prefeitura fez em contrapartida à medida que pede que a caridade seja feita apenas nas tendas. Nenhuma das duas coisas tem qualquer relação com o ocorrido.

“Estamos convidando entidades que já distribuem comida para virem servir nas tendas, que são locais mais apropriados”, diz a vice-prefeita, Alda Marco Antônio, titular da Secretaria de Assistência Social, na reportagem da Época São Paulo. Não parece algo tão despropositado: os abrigos para moradores de rua em São Paulo possuem 680 leitos vagos, segundo reportagem do R7 de 2011. Por que não são ocupados?

Obviamente, porque há algumas “vantagens” em ficar na rua em grupos de proteção: muitos dos moradores de rua se viciam em drogas, podem mendicar pela noite e não têm uma rotina de disciplina em troca das noites nos albergues. Ou, em termos econômicos, há uma “concorrência” das ruas que os albergues não conseguem enfrentar. Logo, mesmo que a prefeitura construa mais albergues, não fará nenhuma diferença.

O vezo em atacar per fas et per nefas um governo que não se declare de esquerda ou social é flagrante – como quando houve um projeto de revitalização da Praça da República com bancos com braços e um grande jornal de São Paulo (odiado por setores progressistas, mas usado como sagrada escritura nessas horas) publicou que Kassab criava “bancos anti-mendigos”. Logo, a “contrapartida da prefeitura” não só está feita há muito: está sendo atrapalhada. Um caso raro em que uma ação estatal tenta ajudar e não consegue.

Em 2010, Época mostrava o cotidiano noturno das entidades:

Enquanto o jantar era servido, um policial veio contar os planos oficiais. “É só indicar o local”, garantiu o pastor, que há quatro anos mantém a rotina de levar, toda semana, as refeições preparadas na igreja. Era o que Alda Marco Antônio queria ouvir. “Tenho um parecer de que é possível proibir a distribuição de comida na rua, mas espero não usá-lo”, diz. “Se as grandes entidades estiverem nas tendas, as menores perderão freguesia.” Pode dar certo. O risco será coibir a ação social sem oferecer uma alternativa para que essa população se alimente – nas ruas ou longe delas.

Na verdade, a idéia é, justamente, não haver alternativa. Não se quer ter pessoas reduzidas á miséria, vivendo em condições subumanas, sem consciência de si ou da realidade ao redor, sendo mantidas no estado em que estão ao serem alimentadas sem precisarem se deslocar para as tendas, onde as 48 instituições que cuidam da vida de mendigos podem fazer seu trabalho de verdade. Manter pessoas geralmente mal conscientes de si em estado semi-vegetativo não é lhes garantir “liberdade”. A liberdade de fazer “caridade” mantendo essas pessoas literalmente na sarjeta tampouco é algo perigoso a ser restrito.

Piorando ainda mais, vê-se que o wishful thinking que busca saber como atacar alguém escorando-se em uma ideologia antes de averiguar a realidade falou mais alto novamente: não se proibiu a caridade. Não se proibiu as esmolas. Não se moveu um aparato policial para tal (como chegou-se a afirmar). Não se está tentando matar mendigos de fome apenas para higienizar a cidade para os ricos. Pelo contrário: foi feito um convite da prefeitura para que as entidades pratiquem filantropia nas tendas. Lá há infra-estrutura para cuidar melhor da vida da população em situação de rua. Lá, há convívio, pessoal e ambiente propício para tentar fazer com que alguém abandone as drogas, que consiga um trabalho, que, afinal, saia da miséria.

Ao “ajudar” um miserável a se manter na miséria, você não está ajudando o miserável – está ajudando a miséria.

O busílis se dá, como se na reportagem do Jornal da Tarde, porque o secretário de Segurança Urbana, Edsom Ortega, disse que as instituições que insistirem em continuar oferecendo comida na via pública para a população de rua serão “enquadradas administrativamente e criminalmente”. Ora, a despeito da falta de necessidade em punições criminais, é o mesmo tipo de reforçamento negativo (em termos comportamentais) que pretende fazer com que os mendigos saiam das ruas: não permitir que a situação permaneça como está. Avisar um mendigo que o sopão que está se dando para ele será distribuído apenas numa tenda na semana seguinte não pretende matá-lo de fome: pretende, acreditem, fazê-lo ir para a tenda. Podem deixar o ódio ao Kassab para outra hora.

Toda a questão é tão simples quanto parece: a prefeitura está forçando as entidades filantrópicas a praticarem seu bom trabalho onde ele é útil. Onde não apenas se dê uma sopa para o mendigo – mas onde ele possa vir a deixar de ser mendigo um dia. Troca-se um modelo em que entidades gastam dinheiro sem assistência da prefeitura para que moradores de rua comam no mesmo chão cheio de dejetos do centro por um modelo onde comam com talheres, em cadeiras, tomem banho e fiquem longe das drogas nos albergues.

Assim como uma empresa que produza um produto excelente possa poluir o ambiente no processo, a melhor das intenções na caridade e na “liberdade de atuação longe do Estado” também pode gerar conseqüências desastrosas – onde a maior vítima, infelizmente, é o “ajudado”. Não há muito sentido em defender o direito do mendigo continuar sendo mendigo em nome da caridade. Basta pensar em qualquer teocracia islâmica e ver como cada pobre é, na prática, um mendigo em potencial.

Deixados ao acaso, nós sabemos qual é o resultado. E ele não é vantajoso. Impedir um resultado melhor em nome da “liberdade” de manter um miserável na miséria não parece algo correto sob nenhuma lógica. Abandonemos as ideologias e fiquemos com o que sabemos sobre causa e conseqüência das ações que buscam ajudar moradores de rua: não incentivemos miseráveis pouco conscientes a permanecerem na miséria.

Flavio Morgenstern é redator e tradutor. Apesar de entender as boas intenções de distribuir curso profissionalizante na Praça da Sé, não acredita exatamente que vá funcionar. No Twitter, @flaviomorgen

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31 Comentários

31 Comments

  1. Marcelo

    29 de junho de 2012 at 21:38

    Cara, proibir as pessoas de cagarem na rua não é o mesmo que proibir as pessoas de cagarem. É só cagar no lugar apropriado, preparado pra isso.

  2. Eduardo Signori

    29 de junho de 2012 at 13:26

    Excelente texto!

    “…sem procurar entender o que foi que aconteceu.”

  3. Gabriela

    29 de junho de 2012 at 12:19

    Flávio,

    primeiramente em um momento do seu texto você fala em estatizar a caridade e isso não existe, se a assistência parte do Estado já não é mais caridade, não é filantropia, é papel do Estado (segundo nossa constituição). E partindo desse princípio constitucional (que o Estado têm por obrigação oferecer saúde, educação, lazer, enfim condições de sobrevivência para cada cidadão brasileiro, sem distinção) concordo em partes com essa açaão do governo de São Paulo. Vejo que enquanto a sociedade civil tomar partido das mazelas sociais que temos em nossa sociedade, o Estado permanecerá confortável e inoperante com relação às suas obrigações. Além de nossos impostos (que não são poucos) temos que pagar escola/faculdade particular, plano de saúde, segurança privada, previdência privada e ainda temos que cuidar dos mendigos??? NÃO! Lutemos por um Estado atuante, por uma educação/saúde/assistência/etc pública, de qualidade e para todos!

    • flaviomorgen

      29 de junho de 2012 at 18:50

      Gabriela, na verdade, fiz uma crítica a quem pensou na estatização da caridade – como se vê nas notícias, o que aconteceu de fato passou longe disso. Acredito que devemos ter funções para o Estado mais básicas: não faz sentido lutar para sermos obrigados a pagar por serviços que nem vamos consumir, e achar que a qualidade dos serviços é o foco a ser discutido. Mas o caso em questão sequer teve a ver com atuação do Estado ou de entidades privadas em luta: teve a ver apenas com uma medida da prefeitura JUNTO a ONGs (que sequer são de fato entidades privadas) para melhorar o sistema atual.

  4. Alvaro

    29 de junho de 2012 at 11:55

    Entendo o seu argumento, e sou contra a estetização da miséria, acredito sim que os moradores de rua devem ter melhores condições de vida e o Estado tem o dever de oferecer-lhes abrigo. Agora vou tocar em dois pontos, primeiro o mais básico o da proibição. “Estamos convidando entidades que já distribuem comida para virem servir nas tendas, que são locais mais apropriados”, ora se estão “convidando” como alegam, por que a proibição? A multa? Não seria melhor que a prefeitura se aproximasse dessas instituições e se fizesse um trabalho conjunto, um diálogo com essas instituições para que sociedade civil e prefeitura pudessem agir em conjunto? O problema desse governo Kassab é que a solução pra tudo é proibir, então parece que o Estado está “competindo” com a sociedade civil pela caridade. Entendo que a prefeitura queira se aproximar dos movimentos sociais, mas proibindo e multando só os afasta, isso não é um convite. Não concordo quando você diz que não há nada de estatismo nisso, essa medida é sim a dificultação do uso do espaço público, ao contrário do que você diz. Segunda coisa, acho que você está mistificando um pouco a questão dos albergues. Eu já tive contato com alguns moradores de rua quando fiz uma pesquisa na faculdade sobre essa questão, na Praça da Sé. Os albergues tem condições muito ruins para os moradores de rua, vários deles sofrem maus tratos, eles tem toque de recolher, se passar do horário eles tem sua entrada barrada no albergue e as pessoas que trabalham lá muitas vezes estão de muita má vontade. Aí que eu vou tomar a liberdade de usar seu argumento contra você, você diz que ajudar o miserável não resolve o problema da miséria. Ora, dentro desssa lógica o que o estado etá fazendo ao fazer caridade é a instituicionalização da miséria, concorda? Não estou dizendo que o Estado tem que ficar de braços cruzados, mas ele deveria facilitar as ações da sociedade civil e não limitá-las.

    • flaviomorgen

      29 de junho de 2012 at 19:25

      Álvaro, concordaria com tudo, o único problema é que o fato ocorrido não foi uma proibição ou coisa do tipo. Apenas fizeram manchete com a fala de um secretário. Mesmo isso não é bem uma proibição: seria (e não será) uma punição administrativa por atrapalharem serviço da prefeitura. Por sinal, serviço pelo qual pagamos, então faz sentido punir quem o atrapalha (como punir quem estraga fiação da Eletropaulo ou suja estações de tratamento de água). Há sujeira, há apropriação do espaço público etc. Óbvio que a prefeitura voltou atrás, mas não há nada de errado em dar uma sanção a uma ONG que comete um ato que atrapalhe o governo. Apesar do título chocante da reportagem, a verdade foi bem OUTRA do que a choramingueira adolescente que os liberais compraram com praticamente os mesmos argumentos da turminha do Foucault. Ou seja: a teoria até funciona. Mas a realidade não tem nada a ver com ela. Quanto aos abrigos, vide o outro texto que postei sobre o assunto. Abraço

  5. Daniel Barros

    29 de junho de 2012 at 11:40

    Havia deixado de comentar os textos do Sr. articulista, pois não obtive resposta sobre um e-mail enviado há muito tempo. Mas esse texto está, como diria Nelson Rodrigues, meu conterrâneo, “o pipoco do trovão!” Ironia em dosagens farmacêuticas, informação atestada por meio de dados e nenhum desrespeito ao leitor ou desprezo ao tema.

  6. Rodrigo Lombardi

    29 de junho de 2012 at 11:37

    Bem por aí.
    Mas o problema é se estabacar nos comentários partidários e partidistas que virão.
    Belo texto, sou a favor da ordem nas coisas, da justiça.
    Enquanto partidos e políticos sujos decidirem sem apoio da população, a política não vai resolver nada.
    São Paulo carece de atitude, chega de gente que fica falando abobrinha pela internet.
    Levanta, vai pra rua, faz sua parte.
    Sem medo.

  7. maria saparowa

    29 de junho de 2012 at 06:00

    As piores coisas que o Kassab fez foram: dar dinheiro para o Itaqueirão e dar o terreno para o mordedor de canelas amigo do Maluf.

  8. Marcus Tiso

    29 de junho de 2012 at 05:18

    Flávio, confesso que quando vi a notícia, não lembro em qual jornal, eu pensei exatamente que o órgão executivo do município estava a tolher o direito de práticar a caridade, pois era o que induzia a matéria. Não sabia de todo o resto. Seu texto foi bastante esclarecedor e só mostra que há um certo alinhamento da mídia para com alguns políticos. Minha visão estava, sim, contaminada ideologicamente e sei disso, mas agora sei que aquela visão estava errada.

  9. Pamela

    29 de junho de 2012 at 01:45

    Flávio,

    Você acha mesmo que é preciso “tentar a todo custo” manchar o nome do Kassab? Não acha que ele mesmo já tenha feito isso?

    Seu texto é bastante esclarecedor e traz ótima reflexão, mas não entendi seu ponto de vista político. Fez parecer que uma atitude, no mínimo, esperada, é, na verdade, uma grande revolução em prol do bem-estar de mendigos.

    • flaviomorgen

      29 de junho de 2012 at 01:48

      Pamela, no texto mesmo disse para deixarem o ódio ao Kassab depois. Minha posição política não se resume a partidos: gosto tanto de liberais quanto Nozick quanto de conservadores como Jouvenel, me influencio tanto por uma democrata pendendo à esquerda quanto Hannah Arendt quanto por libertários do porte de WAlter Block. O que mostrei aí foi apenas que não lêem a matéria antes de ja´ter uma conclusão: já querem afirmar que o governo isso, ou o Estado aquilo, antes de pensar no que aconteceu – que, de fato, eu vi que ninguém entendeu. Vou incluir uma notinha no texto para ajudar.

  10. kaique

    29 de junho de 2012 at 01:09

    O lado de quem defende a atitude do kassab soa tão hipocrita quanto os esquerdistas fanáticos que vão contra e só se baseiam nas ideias de marx, quero que vocês todos se fodam descutindo esquerda e direita, fascismo e socialismo, se o cara quiser ficar na rua e não ir pro albergue, ele ele vai ficar na rua, e tipo de governo nenhum pode impedir isso. Vão pro inferno todos…

    • flaviomorgen

      29 de junho de 2012 at 01:27

      Afinal, todo mundo consegue ficar na rua dias e dias sem comida. Nem sei pra que é que inventaram esse tal de sistema digestivo, afinal.

  11. Paula Rosiska

    29 de junho de 2012 at 00:27

    Li uns comentários inacreditáveis de gente chamando o Kassab de fascista. Estou até agora tentando descobrir onde está a maldade em fazer com que as pessoas deixem de se alimentar em lugares imundos e fétidos, e lavem as mãos antes de se sentar à mesa para comer.

  12. Marcia Porto

    28 de junho de 2012 at 23:36

    Não há o que entender senão a falta de objetividade na ação prometida por esse bundão chamado Kassab. Existem mais de 18 mil moradores de rua em SP. Entre eles, crianças, mulheres e homens, mais as famílias inteiras de sem teto, recém despejadas dos seus “lares”. O número de abrigo da prefeitura hoje em SP está 36 unidades, mais esses 14 “centros de serviço e higiene pessoal”. Esses centros funcionam com atendimento precário e sem infraestrutura e não são eles, até pelo número, que vão resolver a necessidade dessas pessoas. A prefeitura não tem interesse permanente em resolver essa questão e logo as coisas tendem a piorar, já que nos últimos 10 anos o número de moradores de rua cresceu não menos de 57%. Não é tirando que garante o efeito esperado, que neste caso é: irem até onde está a maldita sopa. Essas pessoas na sua maioria não tem consciência e nem capacidade mental para seguir a “boa intenção” do gênio mágico que resolveu tirar essa bela idéia da cartola.
    Vamos, deixem que todos morram de fome ou de frio. Afinal o que interessa falar sobre solidariedade de pessoas que ainda saem de casa para dar o mínimo de conforto a quem tb sente fome. E realmente, estamos vivendo uma nova era virtual onde os desabafos e opiniões são delimitados por caracteres que não servem para nada nesse caso onde o menos é mais!!!
    Higienismo? Slap slap…

    • flaviomorgen

      29 de junho de 2012 at 00:51

      Marcia, se nenhum desses núcleos tem suas vagas completas, não parece ser o caso de falta de vagas. Eu não sei qual é o “interesse da prefeitura”, do prefeito, dos seus assistentes. Sei é que é bom para o morador de rua sair da rua. Para isso, é preciso fazer com que saia de lá. Nâo vejo como alguém pode ter falta de capacidade mental para ser avisada pelo mesmo senhor que lhe dá sopa no meio da rua que a sopa agora será dada ali no abrigo. Toda hora, vejo, querem “encontrar a culpa do Kassab”. O que está em jogo aqui é outra coisa: é vantajoso dar sopa no meio da rua ou fazer com que o morador de rua vá para um abrigo? Não vejo nada de “higienista” em dar mais oportunidade para um morador de rua abandonar essa miséria. É como reclamar do Bom Prato não distribuir comida, fazendo com que os interessados vão até o restaurante. Todo o resto é uma discussão que nada tem a ver com o caso em questão.

  13. Daniel

    28 de junho de 2012 at 23:34

    Até que enfim um texto sensato, de conhecimento de causa. Conheçam antes de julgar. Parabéns Flavio Morgenstern.

  14. Poliana

    28 de junho de 2012 at 22:32

    Na teoria é tudo bonito, mas não é assim que funciona na realidade. Vc sabe onde a prefeitura está querendo montar essas tendas? No centro? Não.. Na periferia.. E como faz com os moradores de rua que trabalham extremamente longe? Vão a pé ou morrem de fome? Proibição não leva a nada.. Estão querendo liberar a maconha e proibir a distribuição de sopa? Temos que ter consciencia que o meu Brasil (que amo muito por sinal), é bem diferente da Holanda. Lá é liberada a maconha, lá os famintos recebem comidas em tenda, mas me pergunte se lá possuem governo Corrupto? Não estou falando que o Kassab seja ou não seja corrupto. Mas o governo não é só ele, são várias pessoas e pelo que conhecemos maioria corruptos . Posso estar enganada mas na minha opnião, esta medida não irá melhorar .
    Você sabia que existem moradores de rua que trabalham? Sim trabalham, mas seu salario não dá para pagar um aluguel pois, precisam comprar remédio, ajudar a mãe, o filho o pai, o irmão no nordeste e várias outras coisas.. Sei disso na prática, pq fui voluntária em um grupo que destribuia sopa em SP e vi que existe muitos moradores de rua dignos. Pq a prefeitura não criam tendas sem precisar proibir a entrega de sopa ? O ser humano não tem o direito de ir e vir? Ou vc realmente acredita que todos possuem problemas mentais? Bom.. tem muita mais coisa que isso…. Mas pra vc entender vai vc com o Kassab passar uma semana na rua e depois me conta…

    • flaviomorgen

      29 de junho de 2012 at 01:14

      Boa parte dessas tendas já existe. E já fiz o mesmo serviço voluntário que você. Aliás, é por isso que a prefeitura está tentando forçar as entidades a irem para lá. E não são “na periferia”. Há tendas em Santa Cecília, no minhocão, no D. Pedro I, na Praça da República, no Brás. O que não vejo é: 1) ler notícias procurando saber como falar mal do prefeito; 2) como manter o morador de rua na rua, sem indicá-lo para um abrigo, pode ser uma vantagem para o morador de rua.

  15. Regina

    28 de junho de 2012 at 21:44

    Como descrito muitos mendigos tem cachorro, ou problemas mentais, acha mesmo que todos conseguiram chegar as tendas?

    Mendigos de Guaianazes, Penha, Itaim, vão chegar no centro?

    Se eu deixar de dar comida, ele vai perceber e querer trabalhar, sair da rua?

    Não.. ele vai querer conseguir a força ou por outros meios… Eu creio que vou ver o dia que mercado serão saqueados pelo povo, sem poder trabalhar porq a o prefeitura não deixa, sem receber doação e sem ter oportunidade, porque o Bolsa que o PT dá ajuda, mas não supre toda necessidade de uma familia.

    Falem pro Lula pra Dilma que eles também estão incentivando a miséria, porque muitas e muitas familias, estão sobrevivendo do dinheiro que recebem dos benefícios que eles dão, pararam de trabalhar ou procurar meio de trabalho formal ou informal, e se adaptam a nova renda… acreditem ou não é o que vem acontecendo.

    E ai vem me dizer que trata-se de uma ação de intensão higienista? Quem realmente ja cedeu o seu tempo, para ir levar comida, sim tem propriedade pra falar… Kit com toalha e sabonete … vc ja viu como é a sujeira de um morador de rua? Ja tocou nela?

    É algo que de tão rigido se torna uma manta na pele, não é esse tipo de sujeira que precisa começar a ser retirado antes de se preocupar com este tipo… preocupe – se em punir quem desviou dinheiro da controlar, por exemplo, assunto que nunca mais tivemos noticia.

    Comecem no inicio da piramide não no fim, não mexendo em coisas que nenhum impacto terão a olho nu

    • flaviomorgen

      29 de junho de 2012 at 01:26

      Algumas tendas ficam nos pontos com maior concentração de mendigos da cidade. Em Guainazes ou Itaim (opa, já morei lá!) não está havendo nenhum dos problemas que essa reportagem tentando indicar algum “higienismo” no prefeito evidencia: entidades que são indicadas a não darem sopa no meio da rua. Toda a discussão envolveu apenas isso (o local onde a sopa será servida), embora se queira sempre ler a notícia pensando em outra questão ideológica.

      Se você deixar de dar comida, ele vai sentir fome. E não vai ficar parado no mesmo lugar. Um outro detalhe: por que a mesma pessoa que dá comida não pode dizer: “olha, a partir da semana que vem, a sopa será ali no abrigo”? É tão “fascista” assim? O resto não tem nada a ver com a notícia citada, que não foi lida, mas foi “interpretada” para gerar toda a quizumba.

  16. Thiago Hart

    28 de junho de 2012 at 21:25

    O pessoal liberal que critica isto precisa ir estudar a visão liberal sobre a assistência social. O site do instituto liberal traz textos sobre saúde, segurança… Quanto aos camaradas bem… tudo que não for feito por eles para fomentar a luta de classes é ruim. Para estes não adianta ir estudar….

  17. André Poffo

    28 de junho de 2012 at 21:11

    Você não acha que o Estado está ‘tentando’ tomar parte, cada vez mais, daquilo que outrora era comum para cidadãos comuns? Essa ‘organização’ da caridade privada deve ser feita pelo Estado?

    • flaviomorgen

      28 de junho de 2012 at 22:32

      Não, porque o Estado não fez NADA a não ser um funcionário público falar arm processar ONGs que atrapalhem um trabalho de segurança pública que, por sinal, quer revitalizar áreas pelas quais todos pagam e não podem usufruir. A não ser que simplesmente se leia o título da notícia (bem chocante, por sinal) sem entender o que aconteceu, inventando o resto de punho próprio, é possível imaginar tal coisa. O Estado não organizou caridade alguma (continua sendo feita por igrejas, associações filantrópicas etc), NENHUMA entidade estatal se envolveu. Tudo o que fizeram foi usar uma notícia requentada de 2010 pra botar assustar quem se informa pouco. Funcionou.

  18. JV

    28 de junho de 2012 at 20:21

    clap, clap, como se diz por aí. (rs)

  19. Lolla

    28 de junho de 2012 at 20:02

    Eu tenho algumas dúvidas com relação à quantidade de leitos vagos, porque trabalhei com população de rua e não me lembro de serem tão abundantes.
    Além dos motivos que você mencionou, muitas vezes o morador de rua não vai para o albergue porque ele não pode levar os cachorros. Muitos têm cachorros, afinal todo mundo precisa de companhia.
    Acho a iniciativa da tenda excelente, porque as Ongs poderão ver até que ponto a comida é necessária (sim, sim, todo mundo precisa comer, mas existe sim muitos grupos oferecendo comida para os mesmos moradores).
    As pessoas que criticaram o Kassab, deveriam ir olhar a realidade dos moradores de rua, avaliar a realidade antes de criticar o que não conhecem. E, existem projetos muito interessantes que tiram pessoas da rua, mas eles não são notícia.

    • flaviomorgen

      28 de junho de 2012 at 20:43

      Lolla, o único que conheço é um perto da Santa Cecília, aqui em São Paulo. Conversando com um padre que o gerenciava lá pelos idos de 98, ele me afirmou que nunca todas as vagas foram preenchidas, mesmo no alto inverno. E em nenhum outro abrigo que ele conheça. Mas, de fato, o que você aponta faz parte da explicação.

  20. Jean Paulo Campanello

    28 de junho de 2012 at 19:54

    Tenho contato com algumas organizações comunistas de ultra esquerda, e só o que vejo é a manipulação dos mais pobres, dos mais carentes. Manipulam eles para obter a Revolução tão sonhada e jogam no quanto pior, melhor, na esperaça de forçar a roda da história a girar. Acima de convicções politicas, falta mesmo é caráter.

  21. Jucken

    28 de junho de 2012 at 19:00

    blá blá blá blá blá blá no final das contas é sempre o estado controlando o que você pode e o que não pode fazer

    mais um passo rumo à união soviética

    • flaviomorgen

      28 de junho de 2012 at 19:05

      Se esse for o grau de argumentação dos nossos liberais não será de se estranhar que percamos a luta contra o estatismo o tempo todo. Não há NADA de estatismo nisso. SEQUER de regulamentação em dar punição administrativa por ONG que facilite a tomada de espaço público (pelo qual você paga e parece que está gostando de não usufruir).

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