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Temendo nova derrota, Dilma reorganiza a agenda

por Flavio Morgenstern

Dilma Rousseff, após sua primeira derrota no Congresso (a tentativa fracassada de empacar Bernardo Figueiredo no comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres – ANTT – na milenar troca de cargo hiperfaturado por apoio político, barrada no Senado assim que instituíram uma nova votação secreta, que impede retaliações vindas do Executivo petista), começa a tomar cautela com sua base de apoio que pode, numa ousadia democrática, não acatar tudo o que o Partidão quer.

Agora, numa manobra tática, a presidente preferiu transferir qualquer decisão importante no Congresso para depois de sua viagem à Índia´na próxima semana, onde se reunirá com outros chefes dos BRICs. Como noticia o Ucho.Info, Até sua volta, qualquer decisão importante do Executivo estará adiada e qualquer proposta aventada no Congresso tem ordem de ter sua votação adiada. O contribuinte não terá abatimento em seus impostos para sustentar os altíssimos salários dos funcionários públicos mais bem pagos do país enquanto isso, que aparecerão no trabalho para o possível exercício de Tetris mental.

Apesar de sua vitória nas urnas, cada vez fica mais claro que os números lembrados pela oposição assim que sua vitória foi confirmada (como o fato de Dilma ter sido rejeitada pela maioria do eleitorado) podem ser decisivos em seu governo. Sem o carisma de seu antecessor, sua gestão muito mais eficiente acaba por desagradar justamente as bases aliadas a seu partido, que a apoiaram no momento decisivo apenas na tentativa de continuar o aparelhamento da máquina pública.

Não é incomum o chefe do Executivo governar com minoria no Congresso. Bill Clinton é um caso recente e famoso. Entretanto, o racha no Congresso dilmista deriva da eterna forma de governo “mediada” que o modelo eleitoral e a divisão dos poderes no Brasil permite: uma gigantesca peemedebização do Congresso e das relações políticas, que transformam toda movimentação e discussão em um quid pro quo de voto no lugar de cargo. Com uma líder do Executivo mais arredia e impaciente (atitute oposta à broderagem de seu antecessor) e com uma crise de cargos em graus atenienses após 8 anos de aparelhamento onipresente, Dilma se vê na delicada situação de não ter cargos a oferecer após todos já estarem devidamente ocupados por uma turma que vai da ala esquerdista do PMDB até o PP de Maluf e o PL da Univ… vocês-sabem-de-quem.

A situação se agravou sobremaneira com a saída de Cãndido Vacarrezza (PT-SP) do “cargo” de “líder do governo” na Câmara (uma inversão curiosa entre o papel de boneco e o de ventríloco). Vaccarezza, contrariando as expectativas petistas, não cuidou de apressar as votações mais importantes para o governo, garantindo que a oposição e a aparelhação tivesse mais tempo para discutir e redefinir os rumos que O Partido queriam garantir ao país.

De agora em diante, o risco para o PT é ter uma base rachada, insatisfeita com a falta de boquinhas e sinecuras estatais de onde o dinheiro jorre. Desde antes do afastamento de Romero Jucá (PMDB-RR), Sarney (PMDB-AL) já sinalizara diversas vezes a Dilma que haveria retaliação por sua gestão. O dinheiro também tem ficado escasso: a indicação do PT para a presidência da Petrobras (que, a despeito da quebra do monopólio, ainda é estatal até as tetas na indicação de cargos) fez as ações da empresa perderem mais valor em um ano do que a British Petroleum, no ano do maior acidente petrolífero da história.

Se a Europa passa por uma crise monetária, uma década de petismo deixou o Brasil em uma crise de cargos e de sinecuras. Ainda não se sabe quem está de olho na fábrica de Xapuri (AC), a estatal acreana do látex que fabrica camisinhas – já carinhosamente apelidada de BRASFODA entre os setores progressistas e de FUDEBRAS entre os pessimistas da política.

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Joga Age of Empires com minoria no Congresso. No Twitter, @flaviomorgen

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10 Comentários

10 Comments

  1. Thiago Hart

    2 de abril de 2012 at 16:23

    Flávio, o que disse no meu comentário é que o governo Dilma é de uma incompetência extrema para tocar obras e projetos. Em sua resposta você fala de escândalos… No artigo que “linka” se fala da origem familiar de Dilma e de outras pessoas do governo mas, de novo, nada sobre a capacidade de tocar obras… Sobre o perfil “sulista” de Dilma acho uma rematada bobagem, até pq Dilma é de origem búlgara. Por favor Flávio, nunca vá para a Alemanha defender que tanto Alemanha quanto Bulgária comungam dos mesmos valores. Aliás, nem Itália e Alemanha. Se for para fazer sociologia (barata) seria mais certo apelar para a ética protestante e o espírito do capitalismo… Enfim, não vi em sua resposta dados, fatos, números que defendam a ação do governo. 75% das obras do PAC estão atrasadas – apenas 7% dos obras de saneamento estão prontas – das 3 milhões de casas prometidas menos de 300 mil foram entregues…, sendo que Dilma foi a grande gestora dos programas e colocou sua fiel mosqueteira (Belchior) para continuar tocando. No que isso mostra que Dilma tem uma gestão “muito” mais eficiente??

    Aproveito para completar que a tese de que a crise existe pq não há mais nada a distribuir – uma vez que já são 10 (meu Deus, 10!!) anos no poder – também me parece equivocada. O PSDB está há 14 anos no governo do estado de São Paulo e não passa por esta crise. Quer dizer que os tucanos estão criando empresas, estatais, e infindáveis secretarias para distribuir e, por isso, não enfrentam o mesmo tipo de crise? Claro que não, em primeiro a negociação se faz com respeito, cordialidade e um mínimo de respeito institucional. Em segundo, apesar de também haver distribuição de cargos para aliados a coisa não é tão escancarada e escrachada, existem limites. Limites que foram perdidos no plano federal após o mensalão e se esfacelaram completamente para eleger… Dilma.

    Veja Flávio, estamos vivendo um desindustrialização das mais perversas e, até agora, esta capacidade de gestão não apareceu, só se fez mais do mesmo. Veja o fracasso do ministério da fazenda com suas medidas “macroprudenciais” para conter o câmbio – sim, reconheço que sem elas a situação seria ainda (ainda) pior.

    Eu trabalho na área da saúde, apesar de não ser um profissional de saúde, e posso dizer com todas as letras que o governo Lula era mais eficaz, muito mais. Goste-se ou não, o ministro Temporão formulou o programa “Mais Saúde” que, entre outros, deu origem as UPAs, a nova formatação da política de saúde indígena, estendeu os PSF (saúde da família) só perdendo neste quesito para o Serra, e, principalmente, travou – e perdeu – uma discussão ideológica para mudar o quadro da saúde com a tentativa de criar as fundações públicas de direito privado. Claro que não quero comparar 1 ano e meio deste novo/velho governo com todo um ciclo, mas não há notícias de coisas saindo do papel na gestão de Padilha. Veja só, na gestão de Padilha/Dilma o governo engavetou o projeto das UPAs, a rede cegonha até agora não saiu do papel e ninguém – ninguém – acredita que o SOS Emergências vá conseguir resultados concretos. Não há nada de profundo e de estrutural sendo discutido. Isto não pode ser “uma gestão muito mais eficiente”.

    Enfim, peço desculpas pelo longo comentário. Sei que este espaço não é meu, ele é de vocês e assim deve ser – eu que crie o meu blog, né!? Também não sou daqueles que acho que o debate sempre acrescenta e que é importante discutir e blábláblá Mesmo assim perdi este meu tempo escrevendo para, repetindo o que escrevi no comentário original, evitar que muita gente caia no golpe publicitário de Dilma Gerente x políticos chantagistas. Que nós não caiamos nesta armadilha! Abraço, @thiagohart

  2. Thiago

    26 de março de 2012 at 17:17

    Não ganho para defender ninguém… mas lembro que no governo do FHC, o número de ministérios é bem menor do que o número de ministérios do governo Lula e Dilma. E assumo que não sei quantas secretarias e afins existem no governo de São Paulo, mas se forem poucas, fica mais evidente a nomeação das mesmas pessoas em vários cargos diferentes, pois existem menos cargos para serem ocupados pelos “amiguinhos”…

  3. Thiago Hart

    26 de março de 2012 at 15:56

    Pera lá Flávio, como assim “sua gestão muito mais eficiente…” É ironia que eu não entendi ou tu tá falando sério? O governo Dilma é um fiasco! Aliás, alguns analistas dizem que um dos principais motivos da crise com o legislativo é justamente a inoperância do governo. Não há creches para inaugurar, não há UPPs para mostrar, não há UPAs para filmar… Como o deputado vai movimentar a base se não tem nada para mostrar e ainda tem as suas emendas cortadas?? Infelizmente vejo muita gente caindo no golpe publicitário da Dilma gerente x congresso chantagistas. Que não sejamos nós a cair nesta basófia!

    • flaviomorgen

      2 de abril de 2012 at 02:35

      Thiago, comparado ao governo Lula, por uma questão quase darwinista, o governo Dilma é mesmo mais eficiente. Até agora, não tivemos um escândalo do porte de Dirceu ou Palocci, e creio que será difícil ter envolvimento de pessoas em tão alto escalão, simplesmente porque a Dilma é mais “brava” e menos “amiguinha da galera”. Vide este ótimo artigo, que quebra um monte de preconceitos petistas a respeito da própria Dilma e seu papel como “mulher” gestora: https://www.valor.com.br/arquivo/900995/dilma-e-sua-equipe-italo-alema

  4. ruan

    25 de março de 2012 at 20:27

    Por que a demora em postar o comentário que eu enviei dia 24/03. Posto novamente hoje 25/03 o mesmo comentário da outra vez.Desta vez cito também a fonte do texto. Publiquem logo, senão estarão agindo da mesma forma que os blogueiros progressistas que vocês tanto criticam.

    “Não é por acaso que o senso comum diz que político é tudo igual. Só muda o partido. Até os privilégios e falcatruas são os mesmos.
    O PSDB, por exemplo, adora dizer que o PT aparelhou o Estado, loteou cargos entre apadrinhados e empesteou o governo com seus militantes. Uma vergonha.
    Verdade. Pena que os tucanos façam exatamente a mesma coisa quando o Diário Oficial é escrito por eles. Igualzinho. Uma vergonha.
    Os exemplos são tamanhos que causa espanto a desfaçatez com que eles esfregam o dedo acusador no focinho do inimigo.
    Em uma única manhã de trabalho, pela internet, deu para levantar uma dezena de nomes de tucaninhos que são amparados pelos tucanões do governo de São Paulo.
    Quando cheguei ao 15º nome, em meia hora de Google, fiquei entediado e parei.
    Nada pessoal, nem questão de competência, mas vejam só a turma de carteirinha que praticamente só vive de cargos nomeados há anos, sempre em gestões do PSDB:
    Carlos Eduardo Sampaio Doria, por exemplo, é advogado. Foi deputado federal. Perdido o mandato, como ele não se aperta, virou diretor da Agência de Transportes do Estado desde 2003. E presidiu a Telesp de 1993 a 1998. Entendi.
    Raul Christiano é jornalista, mas topa qualquer parada, desde que comissionado. Fundador do PSDB, tem, literalmente, uma folha de serviços prestados ao partido. Até na Sabesp ele militou.
    Antonio Carlos da Silva foi prefeito de Caraguatatuba e deputado estadual. Com essa bagagem toda, virou diretor técnico da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo).
    Na mesma linha, pesquei os nomes de Gesner de Oliveira, Felipe Soutello , Geraldo Biasoto Jr., Otávio Azevedo Mercadante , Roger Ferreira, Thomaz de Aquino Nogueira Neto e Manuelito Pereira Magalhães Júnior.
    Não falei que era chato? Agora vamos aos nomes de alguns secretários do governo que são políticos profissionais: Guilherme Afif Domingos, Bruno Caetano, Paulo Renato Souza e José Benedito Pereira Fernandes.
    Até o Geraldo Alckmin, quando ficou desempregado, foi bater na porta do governo do Estado. Abriram. E o mandaram sentar na cadeira de secretário do Desenvolvimento. Para que servem os amigos?
    Deve ter mais gente, com certeza. Fiquei com preguiça, juro. Se alguém quiser continuar a pesquisa, bom proveito. Imagina nos segundo e terceiro escalões quantas surpresas nos aguardam.
    Para mim está de bom tamanho e dá para afirmar que política é feita por políticos. Que cargo nomeado serve para botar a patota na boiada. Que a farinha vem do mesmo saco.
    Por isso, quando um candidato faz discurso acusando adversário e pregando moral e bons costumes ninguém presta atenção. É mentira mesmo – conversinha.”

    Artigo retirado do BLOG DO PROVOCADOR

    • flaviomorgen

      26 de março de 2012 at 02:26

      ruan, acredite ou não, não temos 24 horas por dia para cuidar do site, ainda mais nos fins de semana. Comparar-nos a blogueiros progressistas por algumas horas de atraso na publicação de um comentário pra lá de inofensivo chega às beiras da paranóia. Segue sua publicação em dupla, então.

  5. Thiago

    24 de março de 2012 at 21:49

    Eu juro que estou doido para ver o PT sair do governo, mas ao mesmo tempo, quero que este “bondoso” partido permaneça lá até que toda a situação apareça de forma que o povo consiga enxergar claramente! Ou seja, que o Brasil quebre na mão do PT, e que ninguém possa culpar a “oposição”, pois seriam tantos anos dos esquerdistas no governo, que seria ridículo tentar culpar outros pelo próprio fracasso!

  6. ruan

    24 de março de 2012 at 18:33

    Sei que não tem nada a ver com o que artigo publicado, mas gostaria de submeter o aparelhamento do Estado pelo PT. Só que isso não é exclusividade do PT. Veja:

    Não é por acaso que o senso comum diz que político é tudo igual. Só muda o partido. Até os privilégios e falcatruas são os mesmos.

    O PSDB, por exemplo, adora dizer que o PT aparelhou o Estado, loteou cargos entre apadrinhados e empesteou o governo com seus militantes. Uma vergonha.

    Verdade. Pena que os tucanos façam exatamente a mesma coisa quando o Diário Oficial é escrito por eles. Igualzinho. Uma vergonha.

    Os exemplos são tamanhos que causa espanto a desfaçatez com que eles esfregam o dedo acusador no focinho do inimigo.

    Em uma única manhã de trabalho, pela internet, deu para levantar uma dezena de nomes de tucaninhos que são amparados pelos tucanões do governo de São Paulo.

    Quando cheguei ao 15º nome, em meia hora de Google, fiquei entediado e parei.

    Nada pessoal, nem questão de competência, mas vejam só a turma de carteirinha que praticamente só vive de cargos nomeados há anos, sempre em gestões do PSDB:

    Carlos Eduardo Sampaio Doria, por exemplo, é advogado. Foi deputado federal. Perdido o mandato, como ele não se aperta, virou diretor da Agência de Transportes do Estado desde 2003. E presidiu a Telesp de 1993 a 1998. Entendi.

    Raul Christiano é jornalista, mas topa qualquer parada, desde que comissionado. Fundador do PSDB, tem, literalmente, uma folha de serviços prestados ao partido. Até na Sabesp ele militou.

    Antonio Carlos da Silva foi prefeito de Caraguatatuba e deputado estadual. Com essa bagagem toda, virou diretor técnico da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo).

    Na mesma linha, pesquei os nomes de Gesner de Oliveira, Felipe Soutello , Geraldo Biasoto Jr., Otávio Azevedo Mercadante , Roger Ferreira, Thomaz de Aquino Nogueira Neto e Manuelito Pereira Magalhães Júnior.

    Não falei que era chato? Agora vamos aos nomes de alguns secretários do governo que são políticos profissionais: Guilherme Afif Domingos, Bruno Caetano, Paulo Renato Souza e José Benedito Pereira Fernandes.

    Até o Geraldo Alckmin, quando ficou desempregado, foi bater na porta do governo do Estado. Abriram. E o mandaram sentar na cadeira de secretário do Desenvolvimento. Para que servem os amigos?

    Deve ter mais gente, com certeza. Fiquei com preguiça, juro. Se alguém quiser continuar a pesquisa, bom proveito. Imagina nos segundo e terceiro escalões quantas surpresas nos aguardam.

    Para mim está de bom tamanho e dá para afirmar que política é feita por políticos. Que cargo nomeado serve para botar a patota na boiada. Que a farinha vem do mesmo saco.

    Por isso, quando um candidato faz discurso acusando adversário e pregando moral e bons costumes ninguém presta atenção. É mentira mesmo – conversinha.

  7. JLM

    24 de março de 2012 at 13:17

    vejo o “Dilma se vê na delicada situação de não ter cargos a oferecer após todos já estarem devidamente ocupados” como uma evolução. agora talvez o congresso poderá começar a debater as questões políticas como teoricamente deveriam ser ao invés da eterna troca d cargos por votos. já q ñ há cargos, q tal o diálogo sobre a questão em pauta? #utopia

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