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Vaccarezza pénabundeado. Mais um.

por Flavio Morgenstern

Mal informamos aqui há 4 dias sobre mais um ministro da Dilma que caiu (Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário – não confundir com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, nem com o do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior ou o do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) e já tem mais notícia de dança das cadeiras no governo Dilma (andam colocando tachinhas nelas?). Assim fica difícil trabalhar e sair antes das 18h. Dessa vez foi Cândido Vaccarezza (PT-SP), que deixou o cargo de “líder do governo” na Câmara.

É um cargo curioso. Ser líder do governo é uma espécie de office-boy hiper-remunerado do Executivo. É uma prova inalienável de ser uma cabeça no Legislativo que apenas serve para botar ordem na bancada governista, quando alguém inventa de pensar sozinho e propor leis e votá-las de estro próprio. Uma confusão extrema entre o boneco e o ventríloco. E com assessores, 13.º, 14.º, auxílio-moradia… É uma espécie de eterna moradia estudantil.

Vaccarezza afirmou em entrevista coletiva que sai por razões “políticas”:

“Você pode ser trocado por ser incompetente, ou por não ser leal, ou por não ter base, ou pode ser uma troca por razão política. A minha troca foi por razão política.”

É de bom alvitre pesquisar no Houaiss pelos sentidos pejorativos de “política”. Limpar o governo pra não sujar a imagem com a opinião pública é uma excelente “razão política”. Apressar votações e reformas difíceis de serem ganhas pelo governo, também. Vaccarezza já estava na mira por não ter mexido os pauzinhos (outra boa sinonímia para “razões políticas”) e ter realizado importantes votações para o governo neste ano – fato que deixou Romário (PSB-RJ) “puto” e pedindo “alguma porra pra fazer” em Brasília. Na Veja:

O ex-líder diz que o governo Dilma não foi derrotado na Câmara enquanto ele coordenou a bancada. É uma meia-verdade: apesar de não ter sido vencido nas votações em plenário, o Executivo nem sempre conseguiu aprovar as propostas como e quando pretendia. Houve recuos, adiamentos e cochilos, como o que permitiu a convocação do então ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, para falar sobre as denúncias de tráfico de influência que depois motivariam a demissão do petista.

Vaccarezza reclamou de um modelo de demissão comum a quem está irritando os chefes no governo: saber de tudo pela imprensa – ou seja, depois de todo mundo: “Não acho que essa foi uma boa conduta das pessoas que sabiam, mas tenho certeza de que a presidente não aprovou essa conduta.”

Na verdade, é a terceira defenestração em seqüência do governo Dilma. Mais na Veja:

No Senado, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), também perdeu o cargo depois de uma rebelião dos governistas: a recondução de Bernardo Figueiredo para o comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) foi derrubada.

Bernardo Figueiredo representou a primeira grande derrota do governo Dilma. O indicado da presidente para a presidência da Agência Nacional de Transportes Terrestres (alguém aí ainda acredita que empresa estatal serve para algo além de colocar na alta hierarquia hiper-remunerada os camaradas que $ajudaram$ nas eleições anteriores?) foi derrotado pelo voto secreto.

Em votação aberta, mesmo com requerimento de Roberto Requião para derrubar a indicação, o Planalto obteve 37 votos a favor contra 30 contra Figueiredo (sim, temos tudo isso de senadores). Na analise final (nova votação com os mesmos votantes anteriores, um modelo de voto parecido com uma assembléia na USP), com a insistência de Requião, Sarney aceitou a votação secreta, e a base governista peemedebista pôde não aceitar o aparelhamento de Dilma sem sofrer represálias, graças ao descontentamento de Renan Calheiros.

Romero Jucá, outro apeado, explicou:

Os senadores estão desgostosos por diversos motivos: o ministro que não atendeu, a indicação que não saiu, a emenda que não foi liberada…

Isto talvez explique o que são “razões políticas”.

O silêncio tomou conta do plenário do Senado nos instantes que antecederam a divulgação do resultado da votação. Imediatamente à revelação, parte dos peemedebistas festejou com Roberto Requião e outra parte tratou de esvaziar o plenário.

Mas, a boca pequena, há outra versão para as razões políticas de nosso mais recente pénabundeado, Vaccarezza.

Dilma sempre detestou a relação dos seus subordinados com a imprensa, sobretudo quando fazem declarações sem consultar sua opinião sobre o que deve ser dito ou não. Vaccarezza, já polêmico o suficiente, o ministro ainda tem fama de ser meio, digamos, “atirado” com as repórteres mais bonitas de Brasília. Vira e mexe, algumas das mais bonitas recebiam convites para um jantar ou tomar vinho com o ministro, até mesmo por e-mail. A festa chegou ao ponto de um grande jornal enviar uma reclamação formal ao Planalto.

Saidinho, o Vaccarezza.

 

Flavio Morgenstern é redator, tradutor e analista de mídia. Escreve no Implicante™ por razões políticas. No Twitter, @flaviomorgen

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6 Comentários

6 Comments

  1. Edmar

    15 de março de 2012 at 21:47

    imagino as altas festinhas que rolam em brasilia, é só er que sempre tem algo com mulheres no meio de algum escândalo ou de um político.
    basta ver os casos de um certo senador que já foi ministro, de um certo ministro que teve que sair, do ministro do motel, etc
    O Clodovil uma vez disse, em uma entrevista a um espantado Amaury Jr (o repórter), que ele via mulheres fazendo verdadeiros “trotoir” pelos corredores de nossas “digníssimas” casas parlamentares representantes desse nosso sistema bicameral. Ou seja, tem 2 espaços bem grandes para sacanagem lá na capitár

  2. Thiago

    15 de março de 2012 at 17:08

    Mas o que é isso companheiro Vacarezza! Não pode usar razões políticas para tentar sair com as repórteres bonitas não! Use de seu charme e elegância para conquistá-las! … *quase morrendo de rir com essa parte do post*

  3. jose

    15 de março de 2012 at 12:55

    não precisa empalar o autor do post, é que o vacarezza não merece ser confundido nem com síndico de prédio.

  4. luis

    15 de março de 2012 at 09:56

    Esse levou o pé na bunda. Ptralha falastrão.

  5. jose

    15 de março de 2012 at 01:16

    no último parágrafo, não é ministro.

    • flaviomorgen

      15 de março de 2012 at 02:29

      Falha horrenda do autor do post, que já está sendo surrado em nossas masmorras para parar de confundir urubu com papagaio.

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